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terça-feira, setembro 02, 2008

Tintos até 4€: uma fantochada

Chegámos a Setembro. Começa um novo ciclo do panorama enófilo português. As vindimas estão aí. As feiras de vinhos do Outono perfilam-se no horizonte. As novidades de “peso” começam a acordar do estágio de dormência em que tiveram nos últimos meses para se apresentarem em forma a tempo do Natal. Também nós aqui no blog, após umas férias (que se pretenderam) revigorantes, estamos de volta aos posts (mais) sérios. Ou seja, volto com um post de crítica acérrima. :)

A Revista de Vinhos efectua com regularidade edições com a escolha dos vinhos até determinado preço. Tintos até 4€. Tintos até 10€. Brancos até 4€. No último número (de Agosto de 2008) efectuaram a prova dos tintos até 4€. Quem leu a revista sabe que ficaram empatados em primeiro lugar, com 16 valores, quatro vinhos: Casa de Santar 2005, Catapereiro Escolha 2006, Grilos 2006 de Reguengos Reserva 2005.

Curiosamente, já no ano passado, venceu isolado esta prova o Casa de Santar 2004. E também, curiosamente, o Casa de Santar Reserva 2004 acabou por liderar juntamente com o Cortes de Cima 2004 a prova dos vinhos até 10€.

Nada me move contra o vinho Casa de Santar ou os seus produtores (ex-Dão Sul, agora Global Wines). Mas eu, se fosse produtor de vinhos até 4€, deixava de mandar amostras para este exercício da RV. Basta passar num hipermercado dos mais conhecidos, olhar a prateleira e verificar que o preço do vinho passa os 5,5€. Nem em promoção nas feiras de Outono, no ano passado, o vinho baixou dos 4€.

Admito que a RV dos vinhos não consegue verificar os preços de todos os vinhos enviados para a prova. Mas também não era preciso. Apenas precisava de validar os preços dos primeiros classificados. Se houver um vinho que custa 8€ e acabou em último, não ganha nada com isso e por isso é indiferente. A validação para os vinhos mais conhecidos e correntes no mercado é fácil e pouco demorada.

A não validação dos preços dos vinhos leva a que tudo que se pretende retirar deste exercício seja inócuo, inválido e erróneo. Os produtores que agiram de boa fé são enganados. Os leitores que verificaram os primeiros lugares acabam desapontados nas prateleiras dos supermercados. As conclusões que o autor do artigo retira sobre o aumento da qualidade dos vinhos de gama baixa (ou até 4€) são, no mínimo, falaciosas. Fazendo futurologia, se nos calha a sorte de termos um vinho, nesta gama, que atinja a marca histórica de 17 valores, corre o escriba a concluir o aumento exponencial da qualidade dos vinhos até descobrirmos que o vinho custa na realidade 7 ou 8 euros. Ameaça ficar ridículo!

Uma questão de boa fé nos produtores. Os consumidores penalizam os mentirosos.”, defender-se-á a Revista de Vinhos. Entendo este argumento como um “lavar de mãos pilatiano”. Pelo que expliquei em cima, a Revista de Vinhos pode e deve fazer melhor. Este é um caso repetido. Aconteceu no ano passado e voltou a acontecer este ano. O crime compensa. O que interessa é aparecer no topo da classificação. Ganhar o painel de prova. O consumidor, enganado, até pode pensar que as boas “performances” levaram, à posteriori, ao aumento do preço por parte de gananciosos gerentes dos supermercados. Mas não é verdade! Se a Global Wines fosse um produtor pequeno sem grande controlo sobre o preço de venda dos seus vinhos ao público até podíamos dar um desconto de boa fé. Neste caso, essa benesse é imerecida. A Gobal Wines sabe muito bem a que valores são vendidos os seus vinhos nos supermercados e, se nas amostras que envia para prova, identifica preços praticados de venda 40% mais baixo que o real então só pode estar a utilizar uma estratégia enganadora típica do chico-espertismo português.

Como referi, nada me move em particular contra o vinho, ou os seus produtores. Outros produtores fazem o mesmo. Qualquer vinho que tenha o preço indicado no máximo permitido pelas supostas regras do painel, é mais do que justo acreditar que na realidade ultrapassa o valor de referência do exercício. Este caso, devido às circunstâncias e ao repetido aproveitamento da situação, é escandaloso. Tomem vergonha!

9 comentário(s):

Anónimo disse...

Que bela rentrée !!

Concordando com o post existem no entanto vinhos na dita prova que são faceis de encontrar pelo preço indicado. Comprei o Grilos 06 por 3,8€ num Hiper e pessoalmente gostei muito do vinho. Este produtor merece o destaque é uma bela compra por menos de 4€.

rui disse...

Caro HMoreira,

claro que os há. Aliás, esse caso é curioso pq tb é uma marca da Global Wines. O Grilos sim, teve todo o direito a participar, o Casa de Santar não.

Um abraço,
RC

Anónimo disse...

Para que não haja dúvidas
Casa de Santar na Tasca do Belmiro custa 5,59€

Na loja do Trevo pendurado na tromba de um trombudo - 4,99€

Na garrafeira do elevador de Santa Justa 4,95€

Abraço

talvez em Santar(ém) o vinho custe menos de 4 euros

rui disse...

Caro Corregedor,

obrigado pelos preços.

Eu só sabia o preço do Continente (está mais perto da minha casa) e foi o que me fez efectuar o post, apesar dos 5€ euros nos restantes estabelecimentos serem ainda assim muito superiores aos 4€ limites.

Um abraço,
RC

Pedro Sousa P.T. disse...

Vou buscar um do meio da tabela, Fiuza Três Castas 2006, na RV diz 4€. Esta então é para rir...
Abraço

Anónimo disse...

Três questões:

1 - O ano passado, nas feiras de vinhos o Casa de Santar esteve a 4,09 € no Jumbo e 4,02 € na Makro. Durante o ano é possível que o preço seja mais alto, mas de facto dificilmente virá abaixo dos 4 €.

2 - O preço indicado na RV, segundo sei, é o recomendado pelos produtores. Se no comércio o põem a preços superiores a RV não tem culpa.

3 - Penso que este protesto mereceria o envio de um mail para a RV dirigida ao director. Era a melhor forma de chamar a atenção para a questão agora levantada.

Abraços.

Anónimo disse...

Em 2006 comprei um Fiúza 3 castas por 3,68 € no Jumbo.

rui disse...

Caro Kroniketas,

três comentários:

1 - E no continente esteve a 4,39€. Curisoso como nós, amadores disto do vinho, sabemos ao cêntimo o preço dos vinhos e os profissionais da escrita de vinhos não sabem!

2 - Claro que a RV não tem culpa do preço no comércio. Não são eles que determinam os preços. O post tb referia isso mesmo. Mas tem a responsabilidade de pacturar com algo que sabe não ser verdade. Se calhar, se analisarmos correctamente, não é a qualidade dos vinhos abaixo de 4€ que tem vindo a aumentar de forma significativa mas sim o nº de produtores chico-espertos.

3 - Achas que a RV não sabe que os produtores andam a indicar preços abaixo do mercado para poderem participar nestes artigos? Se eu enviasse um mail dirigido ao Director da RV quantos de vocês liam o meu protesto? Quantos podiam comentar?

E mais, não era a primeira vez que as pessoas da RV liam os nossos posts, pelo que a mensagem, se a quiserem escutar, passou.

Além do mais, se fosse sempre a mandar cartas dirigidas aos alvos dos meus protestos, acabava-se os meus posts :)

Um abraço,
RC

Luis Prata disse...

Caro RC,

Posso assinar por baixo? :) Isto sim é serviço público, parabéns.

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