Vamos concretizar um sonho! Vota Luís Pingu Monteiro!

sexta-feira, março 27, 2009

Terminus Grande Escolha 2009


Passaram já 24 horas sobre o regresso a casa após o jantar do "Vinhoacopo Convida Grande Especial" e serve este post para agradecer às cerca de 30 pessoas presentes no jantar de encerramento do Vinhoacopo.blogspot.com.

Pronto, está dito. Fechou.

Tal como o Rui referiu, muita coisa muda em 3 anos, e a disponibilidade (não o interesse) já não é a mesma, e opções têm de ser feitas, pelo que, em alternativa a deixar o blog moribundo, decidimos oficializar o encerramento do mesmo, e nada como fazê-lo em grande estilo.


Obrigado a todos os que de alguma forma ajudaram a construir este blog, dizendo mal, dizendo bem ou simplesmente dizendo. Foi uma experiência muito enriquecedora principalmente a nível humano. Sempre tentámos fazer deste blog um canal diferente de comunicação, ou seja, deixar espaço a que os consumidores pudessem ter uma palavra a dizer.

Falando por mim nunca tive qualquer ambição a ser crítico de vinhos (principalmente porque não tenho o mínimo jeito), mas sempre me considerei no direito de, enquanto consumidor, passar a minha visão do mundo dos vinhos. Nunca foi nossa intenção medir a qualidade dos vinhos, mas sim de alguma forma medir a nossa relação com eles. Nunca foi nossa intenção seguir a favor da corrente, e julgo termos conseguido isso em alguns momentos. Nunca foi nossa intenção rivalizar com quem quer que fosse, apenas criticar e ajudar a melhorar o que achávamos que não estava bem. Sempre foi nossa intenção ajudar a integrar mais gente no mundo do vinho, pessoas que se pudessem de alguma forma identificar com 5 tipos que gostam de vinho, e que pudessem perceber que não é preciso nada de especial para começar a beber melhor vinho.


Como já estava dentro do espírito do encerramento, não tenho notas sobre o jantar. Apenas 2 coisas, um grande agradecimento ao Restaurante Jacinto por mais uma vez nos ter recebido em grande estilo e com enorme qualidade, e uma nota para dizer que o Terminus até estava bom... cuidado enólogos do mundo, a malta do vinhoacopo revelou-se na arte do loteamento.


Sem qualquer mágoa vos digo até breve, pois iremos certamente encontrarmo-nos por aí.

RR

sexta-feira, março 06, 2009

VinhoaCopo Convida Grande Especial

O próximo jantar é especial. E é especial por diversos motivos. Por um lado, é o último jantar que faremos sobre o desígnio VinhoaCopo Convida. E por outro lado, é um jantar de apresentação do vinho Terminus Grande Escolha. Trata-se de uma edição única numa garrafa apresentada em formato magnum. Por se tratar de um loteamento de diversas regiões e anos de colheita é considerado vinho de mesa (e nós ralados com isso). Apesar de estar no segredo dos Deuses, podemos adiantar que é um vinho tinto constituído em partes iguais de Tinta Albuquerque, Tinta Antunes, Tinta Caldeira, Tinta Duarte e Tinta Ramos.

Para este prestigioso evento seleccionamos um restaurante que temos frequentado de forma recorrente: o Jacinto. Não lhe estamos a fazer favor nenhum quando escrevemos que se trata dos melhores restaurantes de Lisboa a tratar o enófilo que queira comer bem e beber melhor. O Jacinto já tinha acolhido um VinhoaCopo Convida anteriormente com grande sucesso e mais uma vez aceitou preparar um menu gastronómico na ordem dos habituais 25€ sem incluir vinhos e digestivos.

Sem dramatismos, alaridos, ou sentimentos de pena, foi esta a maneira que encontramos de celebrar o fecho de um ciclo que tivemos o prazer de viver. Assim, quem se quiser juntar a nós na prova desta edição única e inestimável (superior ao cuvée dos Douro Boys, pois estes artistas são de outro nível :)), mande-nos um mail a mostrar a intenção de comparecer no Jacinto no dia 25 de Março (quarta-feira) por volta das 20:30.

Um abraço,
A malta do VinhoaCopo

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Blogs – Uma oportunidade perdida! por João Geirinhas

Engraçado este comentário do João Geirinhas no "seu" novo site. "Blogs – Uma oportunidade perdida!
João Geirinhas, Os blogs de vinho andam chatos!"

Não somos nem queremos ser comentadores profissionais.

Não temos nem queremos ter obrigação de escrever.

Se surgimos foi porque o que existia simplesmente não servia para discussão, era "dominado" por meia dúzia de intervenientes com os seus interesses escondidos e mascarados nas notas e comentários.

Engraçado é falar agora de papo cheio, como quem chegou triunfante para arrasar a concorrência.

Meu caro, originais somos nós todos que não ganhamos um tostão com os nossos comentários.

Ninguém nos paga pelos horas dispendidas a conversar e a apreciar este nosso denominador comum que é o vinho.

Pelo contrário, somos todos nós "cópias e imitações" como nos chamou, que lhe pagamos mensalmente o seu ordenado com as nossas assinaturas e idas a eventos por vós organizadas.

Fazemo-lo por gosto.

Gastamos dinheiro neste hobbie por gosto.

Espressamos a nossa opinião por gosto- "Peço desculpa Srº Drº por ser diferente da sua (ou dos seus interesses ...)".

Somos nós, através dos nossos meios de comunicação, que trazemos amigos e conhecidos para esta área.

Sem nós, "cópias e imitações", vocês não são tinham crescido.

Sem nós, "cópias e imitações", V. Exas. "Os Originais" ainda tinham um site desinteressante e sem participação.

Resta-me agradecer a Deus por ser tão benevolente e ter mostrado o Caminho da LUZ a esse senhor Original.

O futuro dos blogs de opinião

A Revista dos Vinhos aproveitou a entrega dos Prémios de Melhores do Ano para anunciar o ressuscitar do site oficial da revista. Este acordar do mundo dos mortos teve o cuidado de ser feito com alguma ponderação. Não será uma obra-prima do ponto vista estético mas também não foi isso que o levou anteriormente ao estado de coma induzido. Existem dois aspectos que, a meu ver, são essenciais para o sucesso desta nova vida na internet. A base de dados de classificações de vinhos e o fórum de discussão.

A base de dados de classificações de vinhos era um dos calcanhares de Aquiles do antigo site da RV. Tinha muito lixo. Pouco estruturado, homogeneizado e uniformizado. Confuso e, na prática, inútil. Esta nova versão surge de forma consistente, apesar de ainda só ter provas recentes (espero que seja carregado histórico), e eficiente (bom sistema de ajuda na identificação de nomes de vinhos a partir de uma palavra).

O outro calcanhar de Aquiles, não tivesse este dois pés, era a participação e interacção dos leitores: inexistente. Neste ressurgimento, a RV percebeu que os leitores de hoje não se contentam com a leitura passiva. Gostam de responder. Contra-argumentar. Criticar. Fazer ouvir a sua voz. Porventura, o aparecimento dos Blogs e Fóruns de discussão na internet, ajudou a aumentar o universo de leitores realmente exigentes. Não é surpresa, portanto, que a RV tenha incluído neste lavar de cara um fórum de discussão. De forma inteligente, centra em si um conjunto de opinadores (no melhor dos sentidos) que se encontram dispersos em vários blogs (incluindo neste) e, ao mesmo tempo, retira a cada um destes (blogs), inevitavelmente, algum do protagonismo que estes tinham na ausência de uma entidade aglutinadora (especialmente, os desalinhados com a NovaCrítica).

É normal portanto perguntar: continuará a fazer sentido manter um blog de opinião de forma autista, falando para dentro e sozinho?

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

3º Aniversário

Quando nos esquecemos do aniversário dos nossos filhos, é mau! Ora foi o que aconteceu aqui com o nosso bebé. Três anos feitos na semana passada. Três anos de crescimento (se me permitem) feito aos tropeções. Três anos de ritmo inconstante. Três anos de algumas traquinices engraçadas e de muitas sem graça nenhuma. Três anos de aprendizagem. Três anos de muitas batalhas perdidas e pequenas vitórias morais conseguidas. Três anos de vida.

O nosso bebé começou por ser "assexuado". Indefinido. Espontâneo. Surgiu da vontade pouco consciente de um grupo de amigos. Surgiu porque era fácil surgir. É fácil abrir um blog. Como qualquer pai sabe, o difícil é educar, cuidar, definir, crescer, manter. O difícil é o depois.

Rapidamente definimos-lhe um sexo. Um rumo. Definido à imagem dos pais, para o bem e para o mal, o nosso bebé estabeleceu-se como um blog de crítica, de opinião, de pensamento. Afastou-se da maioria dos blogs existentes que têm por base a prova de vinhos. Porventura, os pais tem mais jeito para a converseta do que para a prova.

Esta definição de tipo não nos impediu de lhe quereremos alargar os horizontes e tentámos dotá-lo das mais diversas armas de sobrevivência. Tentámos torná-lo mais participativo, mais social, mais engraçado, mais interessante, mais dotado. Não conseguimos. Nesta procura do "mais" encontramos o "menos". Menos vontade. Menos participação. Menos motivação. Menos regularidade. Menos paciência.

As razões, para tamanho afastamento entre pais e filho, são várias. Os pais já não são os mesmos que fizeram o filho. Estão diferentes. As circunstâncias mudaram. As vidas são outras. Por outro lado, a definição do rumo foi, logo à partida, uma decisão que lhe viria a marcar o destino. Enquanto novos vinhos e colheitas para provar e classificar não faltam, as temáticas dignas de crítica e discurso escasseiam. Resta-nos a redundância e a insistência.

Quem nos acompanha sabe que houve temas que tiveram largo tempo de antena aqui no blog. A relatividade da prova, a subjectividade e consequências da classificação, o sentido do gosto (perdoem-me o plágio), a personalidade do provador, a importância e a exigência da crítica, a responsabilidade do produtor e o papel do consumidor. Está claro, para quem nos acompanha com frequência, que tornar a escrever sobre este temas é inevitável. E está claro para nós. Para quem pretende que o seu blog seja sinónimo de ruptura de ideias, a inevitabilidade da repetição não deixa de ser irónico e, à sua maneira, sarcasticamente pérfido.

Não estamos arrependidos de termos criado este filho. Não é perfeito. Nunca pretendemos que fosse. Tem-nos dado muitas coisas boas. Através dele expusemos ideias, fizemos amigos, conhecemos produtores e provámos vinhos. Não nos podemos queixar. Obrigado.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Dão: o novo Douro

Ou, Douro: o novo Alentejo. Dos dois, preferi o primeiro. O título deste post, após longa paragem, teria que ser provocativo. Não que a segunda hipótese também não o fosse mas como vou escrever mais sobre o Dão do que sobre o Alentejo, pareceu-me a primeira mais ajustada.

Nos últimos tempos tenho notado um certo ressoar da ideia que os vinhos do Douro se têm tornado todos iguais. Muita fruta e boa madeira. Começa a haver, dentro do denominado círculo de apreciadores informados, um assumido cansaço do Douro. Se consigo entender este primeiro argumento, parece-me que este afastamento dos enófilos portugueses está associado à intrínseca condição de “ser” enófilo.

Um enófilo, por definição, é uma pessoa que gosta de Vinho. E gosta para além do acto de o beber. Isso seria um bêbado! Gosta de o estudar, de saber mais sobre tudo aquilo que o rodeia. Gosta de provar em diversidade. Gosta de procurar e conhecer coisas novas. Gosta de provar os vinhos mais raros. Gosta de discutir com os amigos. Gosta de marcar as modas, de ser o único que conhece determinado vinho, de ser o único que possui determinado vinho, de ser o único que gosta de determinado vinho. Enfim, de ser único. Tal como, por exemplo, ser cinéfilo ou melómano, está inerente ao facto de sermos apreciadores de algo a condição de sermos a minoria. Torna-nos especiais.

Com o sucesso do Douro, os enófilos que descobriram a região, nos vinhos de “mesa”, estão a ser engolidas pela maioria. Hoje, gostar dos vinhos do Douro é uma banalidade. É o equivalente, na música, a gostar do TOP Mais. É comprar o top Singles da Fnac na época de Natal. Tal como o sucesso comercial do Alentejo fez a maioria dos enófilos afastar-se dessa região, o sucesso do Douro é seu maior inimigo no coração dos apaixonados do vinho. O Douro perdeu as características da novidade, da diferença, da inacessibilidade e passou a estar conotado com a facilidade e a unanimidade de prova.

Numa sociedade que vive o tempo obcecada com a novidade, com a diferença e com individualidade, a procura da próxima moda, do mais estranho e do diferente, é o que nos comanda. Como diria o outro, é o nosso sonho. No caso dos enófilos, e da crítica de vinhos (também eles enófilos, como é evidente), a agulha do gira-discos começa a retornar ao Dão.

No ressoar da “normalidade” do Douro ecoa a maior “anormalidade” do Dão. Começa a ser cada vez mais comum ouvir a frase: “se queremos algo diferente temos que voltar ao Dão”. Tenho notado nas últimas edições da Revista do Vinhos, um subtil aumento dos vinhos do Dão com classificações de 18 valores. Começa a haver um número crescente de vinhos de topo do Dão para rivalizarem com os topo do Douro. Acresce a este facto, o decepcionante painel de prova dos melhores vinhos do Douro na RV. Quinta do Vale Meão e Redoma com 16,5 valores? Numa comunidade faminta de mudança, estes percalços são “pão para a boca”.

Para os mais atentos (ou desconfiados com a mania da perseguição, como me chamaram alguns), as classificações atribuídas nas revistas e guias da especialidade nem são o maior catalisador de vontades. A adjectivação e a utilização de determinados termos nas descrições de prova, reportagens ou artigos de opinião, são muito mais eficazes pois trabalham de forma silenciosa e em profundidade no subconsciente dos leitores. Cuidado! Não digo que seja propositado, mas os críticos são enófilos como nós. E como nós têm gostos, preconceitos, desejos, vontades, inimizades, paixões que se reflectem na forma como escrevem. Existe uma enorme diferença entre eu escrever “excelente região do Douro” e “extraordinária região que é o Dão”, por exemplo.

Não tenho nada contra o Dão. Tal como não tenho interesses especiais no Douro. É evidente que não sou imune a estes comportamentos, nem tão pouco sou o mais esperto ou perspicaz da comunidade enófila. Também eu sou movido pelos sentimentos em cima descritos. Também eu sou “contaminado” (e contamino, à minha escala) pelo que leio e oiço. Nesse sentido, confesso que ultimamente me tenho deixado encarrilar no sentido dos vinhos do Dão. Não rejeito que parte deste reajustar do norte se deva a uma melhoria dos vinhos da região. Parece-me evidente. No entanto, parece-me que essa melhoria se tem verificado através de um aumento da fruta evidente e da utilização de madeira nova. Ou seja, caminho também utilizado no Douro e que a médio prazo os vai tornar cada vez mais iguais. Onde é que está a tão propalada elegância dos vinhos do Dão? Só se for passados dez anos porque os vinhos que estão neste momento a sair para o mercado, e a receber os maiores elogios da crítica, só com boa vontade se podem qualificar de elegantes.

Porventura a maior diferença para a maioria dos enófilos, é que eu acredito fortemente que o nosso gosto é transitório, evolutivo, condicionado, influenciando e instável. Acredito por isso que daqui a uns anos, se continuar a escrever, efectuarei um post de título: Região X: o novo Dão.

terça-feira, dezembro 16, 2008

VinhoaCopo Convida Especial Natal - 10/dez: descrições de prova

A especialidade deste VinhoaCopo Convida foi a inevitabilidade da sua realização. Apesar de uma troca de datas ter feito perigar o evento, a providência pela mão do participante Pedro Silva, encarregou-se de voltar a encarrilar o jantar a tempo dos “passageiros” não perceberem o quão perto esteve de não acontecer. Ou pelo menos, de não se realizar da excelente forma como acabou por decorrer. Ao Pedro, um obrigado pelo acaso da visita a meio da tarde. À equipa do Ágora, um obrigado pelo esforço demonstrado no curtíssimo tempo disponível.

A ementa que nos foi brindada:

  • Pão, azeitonas, degustação de azeites, pratinho de Pata Negra
  • Carpaccio de Salmão Fumado com lascas de queijo Brinza e azeite de funcho
  • Croquetes de sardinha com salada variada e vinagre balsâmico
  • Pasteis de bacalhau com molho agridoce e bouquet de salada
  • Morcela de arroz frita com xerém e grelos
  • Cataplana de bacalhau com mexilhão e poejo
  • Tiras de vitela brava ribatejana grelhadas com migas de linguiça
  • Túlipa de chévre da Maçussa gratinado com gelado de mel de rosmaninho e nozes


Destaco os croquetes de sardinha pela originalidade, a morcela de grande qualidade, a cataplana que repeti duas vezes e o gelado de mel de rosmaninho que sozinho fazia a festa. A vitela era de excelente qualidade mas teve o senão de chegar no fim de uma refeição que já ia longa. Ou seja, as forças (e a elasticidade estomacal) já não me permitiram “tourear” a dita com as atenções que merecia.


Seguem as notas de prova dos vinhos da noite (pela ordem de prova):

Espumantes
Vértice Reserva 2006 (Douro) – não me atrevo.


Brancos
PV 2005 (Douro) – Aroma contido pouco exuberante com ligeiras notas da madeira. A boca é estranha. O primeiro impacto cítrico é imediatamente cortado para um final amargo e repentino.

Herdade do Sobroso 2007 (Alentejo) – O aroma denuncia fruta tropical a par de algumas nuances citrinas. Algumas notas de rebuçado. Boca é frutada mas com boa acidez.


Tintos
Ad. Coop. Borba Cabernet Sauvignon & Syrah 2004 (Alentejo) – A cor apresenta tons acastanhados a indicar-nos que o tempo de garrafa já fez das suas. O aroma confirma essa imagem apresenta também alguns sinais de cansaço. A boca delgada e sem fruta, mostra que o vinho já passou a sua melhor fase ou esta garrafa em particular, devido às circunstâncias de estágio, envelheceu prematuramente.

Pilheiros 2005 (Douro) – Face ao anterior, no extremo oposto da juventude! Cor bem vermelha escura e aroma muito doce a fruta acabada de fermentar. Toque lácteo. Enganou muita gente na idade do mesmo. A boca mostrou um vinho que irregular. Alguma fruta com razoável acidez a dar vida ao conjunto. Final médio com final licorado e ardente.

Sirga 2006 (Douro) – Aroma pungente a frutos pretos maduros. Tudo muito vivo. A boca confirma esta “novidade”. Esta versão de 2006 parece-me que herdou o aroma e a fruta madura da primeira versão (2004) e acrescentou-lhe o final mais aguerrido e de maior acidez da segunda versão (2005). Está neste momento um vinho muito novo que precisa de uns meses de garrafa para equilibrar. A beber agora necessita de temperatura correcta e prato forte.


Dado 2000 (V. Mesa) – Cor impecável nos vermelhos sem demonstrar sinais de fraqueza. Aroma da noite. Muito fresco com notas balsâmicas suaves. A boca mostra-nos um vinho fino (mas não diluído) com a vida enorme dada pela forte acidez. Excelente cumprimento de boca. Um vinho que continuará mais uns anos em garrafa sem problemas. A forte acidez é que aconselha pratos específicos. A sua maior força é também o que o torna muito selecto quanto à iguaria aconselhada.

Señorio de Peñalba Reserva 1996 (Bierzo-Espanha) – Cor de madeira velho mas sem o brilho característicos destes. Castanho. O aroma é um cockatil explosivo de tudo menos de fruta. Caril, madeira exóticas, barro, ferrugem, etc. A boca é ligeiramente diluída apresentando uma razoável acidez que não o deixa cair na boca. Um vinho que é curiosidade para o fundamentalistas dos vinhos velhos e para quem gosta mais de cheirar do que de beber.

Herdade dos Grous Moon Harvest 2007 (Alentejo) – A cor impressiona ao cair no copo. Carregado! As uvas estavam maduras e eram pretas. Aroma mostra-nos isso mesmo. Muita fruta preta com ligeira notas da barrica de estágio. A boca é uma bomba. Muita estrutura, tudo em potência e pouco em elegância. Final guerreiro de um vinho que precisa de amansar mas que para quem gosta deles com pêlo na venta é um must.

Qt. Crasto Vinhas Velhas Reserva 2006 (Douro) – Aroma típico dos Crastos . Fruta madura em quantidade e ligeira baunilha da madeira. Menos balsâmico que o 2005. A boca é uma continuação do nariz com o vinho monossilábico na fruta madura e um final forte e doce que o torna excessivo. Um pouco decepcionante, e daí a baixa nota. Talvez o tempo lhe traga outra complexidade e harmonize o final.


Generosos
Qt. Infantado LBV 1983 (Porto) – A cor é de um colheita ou tawny 20 anos. Nariz de frutos secos mas sem grande entusiasmo. Corpo delgado, razoável acidez e final ardente a dar-lhe algum prolongamento mas claramente já foi LBV que deu uvas.


Qt. Portal Vintage 2006 (Porto) – Preto na cor. Aroma dentro do estilo clássico. Frutos pretos maduros, balsâmicos e erva-doce. A boca é mais desapontante para gosta (como eu) de beber vintages novos. Muito fechada. Contraído na fruta e com final abrupto. Pouco cordato é daqueles que por agora não dá grande prova. Pode ser que quem atribui notas com previsões a 20 anos consiga fazer mais por ele do que eu.


Foi o jantar convívio mais concorrido. Não terá sido dos mais marcantes ao nível dos vinhos provados. Pelo menos para mim que, pelas notas a cima, ando um esquisitinho. No entanto, pelas peripécias que teve, pelo facto de estarmos os cinco presentes (raríssimo) e pelo facto de termos presentes amigos que não víamos à muito, foi um grande jantar convívio.

Especial no nome, primeiro. Especial na memória, por fim.


p.s. pode ser que haja um VinhoaCopo Convida Especial Ano Novo em Janeiro.

terça-feira, dezembro 09, 2008

O Vinho a Copo começa a ter o seu lugar

O Vinho a Copo começa a ter nesta altura um lugar de cada vez mais importância no panorama enófilo nacional, sendo que não me estou, obviamente, a referir ao nosso blog, refiro-me sim a algumas apostas que começam a aparecer na distribuição de vinho que tendem a valorizar o Vinho a Copo como forma de potenciar as vendas de vinho de qualidade em Portugal.

No fim de semana passado fui, como de costume, na minha voltinha saloia, almoçar à Ericeira. Foi um hábito que ganhei desde que me mudei para Mafra, e em boa hora o ganhei pois são sempre momentos de descontracção que estão apenas a 5 minutos de casa. Um dos meus sítios preferidos é o restaurante César, não pela comida que não é melhor nem pior do que os restaurantes bons na Ericeira, mas pela localização, é sempre um regalo um almoço num dia de sol junto à janela com vista para o mar.

Foi nessa incursão ao César que fiquei a conhecer o conceito Wine for You da PrimeDrinks. Uma aposta na divulgação no Vinho a Copo que, apesar de ainda ter alguns aspectos a melhorar, é de louvar. Penso já ter escrito algumas vezes por aqui que não entendia qual o motivo pelo qual as empresas de distribuição de vinho não tinham a mesma atitude de apoio à restauração que as cervejeiras, ou seja, fornecer equipamentos, leia-se copos e materiais para divulgação, para que o vinho ganhasse algum destaque. Em termos de conceito tenho a dizer que a ideia é óptima, disponibiliza as cartas de vinhos, os suportes para as garrafas, os autocolantes para divulgar a iniciativa e sobretudo os copos. Onde é que eu acho que podem melhorar, em primeiro colocaria um nome em português, em segundo apostaria em equipamentos de conservação do vinho por vácuo (no César fazem-no por iniciativa própria) e equipamentos de conservação da correcta temperatura de serviço e em terceiro lugar apostaria em copos um pouco melhores.

Podemos ver alguma informação sobre o projecto da PrimeDrinks aqui.

Resumindo, uma excelente iniciativa que ainda tem alguns aspectos onde melhorar mas que merece os meus mais sinceros parabéns. Espero que outros lhes sigam o exemplo.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

VinhoaCopo Convida - 10/dez


No VinhoaCopo Convida Especial de Natal voltamos a um restaurante que já apadrinhou um dos nossos jantares. Voltamos ao Ágora. Este voltar tem duas razões de ser. Primeiro, temos que agradecer os mimos a que fomos sujeitos a quando da primeira visita. Segundo, aproveitamos para fazer a inauguração da remodelação efectuada no restaurante e que tinha aqui sido anunciado durante o relato desse jantar.

A remodelação no Ágora não se ficou pela substituição das cadeiras (que bem precisavam). Os seus responsáveis resolveram pensar em grande e arriscar em consonância com tal magnitude de raciocínio. Anexaram a loja do lado. Como este movimento conseguiram aumentar a capacidade do restaurante para o dobro, criar uma sala para fumadores e aproveitar as obras para criar um vistoso espaço climatizado para exposição e guarda das garrafas que compõem a sua já famosa oferta. Gosto de quem pensa e arrisca assim.

O jantar do VinhoaCopo Convida Especial de Natal não seguirá o objectivo da primeira quinta-feira do mês. A data possível é 10 de Dezembro, uma quarta-feira. Daí o carácter especial. O formato gastronómico será idêntico ao jantar anterior no Ágora. Por 25€ degustamos várias especialidades com que a equipa do Paulo Marques nos irá surpreender. Nos vinhos, cada um leva o que quiser. Mesmo entre nós, aqui do blog, não vai haver acordo prévio.

Como habitualmente, quem quiser participar, basta enviar-nos um e-mail com a respectiva intenção até 2ª feira (dia – 08/12) e depois aparecer no restaurante Ágora no dia 10/Dezembro pelas 20:30.

Até lá.
A malta do VinhoaCopo

terça-feira, novembro 11, 2008

VinhoaCopo Convida - 06/nov: descrições de prova

A expectativa era alta e não foi defraudada. Noite de grande convívio enófilo. Comida impecável. Serviços personalizado. Vinhos de categoria superior. Amigos e apreciadores de excelente espírito. Tudo contribuiu para mais uma grande noite do VinhoaCopo Convida.

O Jacinto brindou-nos com um menu degustação no qual brilharam:


Entradas
Queijo de cabra gratinado com mel
Alheira com ovo de codorniz sobre brócolos picados
Cogumelos com bacon


Pratos
Tranche de cherne com molho de cataplana

Sonhos de garoupa com açorda de ovas
Secretos no forno com misto de legumes grelhados

Sobremesa
Petit Gâteau com sorbet de limão.



Se nos anteriores jantares do VinhoaCopo Convida a selecção de vinhos foi de bom nível, neste jantar o conjunto de vinhos apresentados (nomeadamente nos tintos) foi na quase totalidade de nível superior. Por ordem de prova:

Ad. Coop. Borba Antão Vaz e Arinto 2006 (Branco) * – Cor amarelo dourado. Aroma pouco frutado já mostra ligeira evolução. Boca curta de fruto citrino. Final ácido e ligeiramente amargo.

Zéfyro 2007 (Branco) – Cor muito ligeiro palha. Aroma um pouco mais frutado que anterior. Notas tropicais mas sempre contido. Na boca o 1º impacto é doce mas rapidamente passa a um final seco e com toque amargo.


Ad. Coop. Borba Alfrocheiro 2006 * – Aroma muito efusivo. Notas vegetais, químicas, frutos maduros. A boca é madura e inicialmente doce. Final muito extractivo com notas medicinais. É um vinho que dá tudo de rompante e não sabe dosear a
“oferta”. Esta casta, já em outros vinhos, não faz nada por mim.


Preta 2005 + – Aroma com muitas notas vegetais. Muito pimento. Os 73% de Cabernet e 27% de Touriga não perdoam. Ligeiro couro. A boca recompõe-se para um maior equilibrio. Ainda assim num estilo fora do Alentejo maduro. O perfil é mais vegetal, mais ácido. Final ligeiramente ardente. Um vinho que é penalizado (por mim) devido ao aroma. Dizem que é preciso decantar. Teve azar e não foi (mas quantos também não o foram?).


Esporão Private Selection 2004 – Aroma com notas de frutos silvestres maduros, especiarias e ligeira baunilha da madeira. Na boca a fruta de grande qualidade aparece-nos gulosa. Taninos firmes mas domados mantém a vinho num registo de grande prova. Cheio e final apetitoso. Um vinho que à temperatura correcta bebe-se muito facilmente e com muito prazer.


Qt. Marias Touriga Nacional Reserva 2006 + – Aroma fresco, contido sem grandes alaridos da Touriga. Ligeira madeira mas tudo num registo contido. A boca é fresca, com a fruta amparada pela boa acidez. Vinho extremamente gastronómico que se bebe muito sem cansar. Em relação ao ano anterior está diferente no perfil: tem um pouco menos de corpo e estrutura mas por outro lado está menos taninoso e mais pronto a beber (o que para mim, que gosto de beber e não guardar, é excelente).


Lavradores de Feitoria Grande Escolha 2004
– Aroma maduro. Frutos maduros e ligeira madeira. A boca continua cheia e focada no fruto. Esta concentração tira-lhe (e foi evidente face aos seguintes) complexidade e dimensão extra. É um vinho guloso mas que se não for servido à temperatura correcta pode-se tornar cansativo e alcoólico.



Gouvyas Vinhas Velhas 2005 * – Aroma complexo. Frutos vermelhos bem conjugados com notas de bosque, ligeiros balsâmicos. Madeira no ponto (ou seja, sem se dar por ela). A boca é muito equilibrada. Fresco, com estrutura e persistência final. Continua ser um dos vinhos mais equilibrados do Douro de topo. Apetece sempre beber mais.


Passadouro Reserva 2005 – Fechado no aroma. A fruta tapada pela presença da madeira. A boca mantém o mesmo estilo fechado apesar de se notar um vinho de boa qualidade. Frutos pretos, boa estrutura e taninos firmes mas finos. Final ligeiramente seco à madeira. Pena, neste momento, o excesso da mesma.



Niepoort LBV 2004 – Aroma a fruta madura, chocolate e erva-doce. O típico vintage novo mas mais aberto e doce. A boca é muito gulosa nas componentes referidas em cima mas consegue ter bom corpo e acidez para não se tornar enjoativo. Boa garra final tornam este o
LBV da Niepoort que mais gostei nas últimas edições. O preço é imbatível (cerca de 10€ nas melhores garrafeiras).


Vou ser muito curto: excelente jantar enófilo. Um grande obrigado ao restaurante Jacinto pelo menu proporcionado. Resta-me despedir deste e deixar no ar a ideia de que em Dezembro poderá haver um VinhoaCopo Convida Especial de Natal em data a anunciar.




p.s.(1) * oferecido por produtores; + trazido por participantes
p.s.(2) O vinho Qt. Marias foi prontamente substituído pelo restaurante Jacinto visto que a 1ª garrafa trazida por um dos participantes apresentou forte sinais do problema denominado “rolha”. Um muito obrigado.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Encontro com o Vinho e Sabores - Como que em casa

Normalmente, umas semanas antes do Encontro com o Vinho e Sabores, começam as trocas de emails para definir as provas especiais em que nos vamos inscrever as horas do encontro e as primeiras ideias para a jantarada a seguir. Este ano a malta do Blog não conseguiu ser juntar-se todo e calhou-me a mim ir sozinho no sábado.

Como me inscrevi em 3 provas especiais achei que não haveria grande tempo para visitas e conversas no evento e por isso não iria ter grande problema em ir sozinho. Não me enganei, ou seja, não foi nenhum problema ir sozinho mas porque me apercebi do confortável que é entrar no recinto e passados 2 minutos já estar com o copo cheio a conversar com amigos, resultado, passei pela feira mas em vez de andar a ver as novidades dei comigo a apenas passar pelas "barraquinhas" de amigos e conhecidos. Pelo que apenas me atrevo a destacar um novo moscatel que está para sair pela mão da GR Consultores (responsáveis entre outros pelo belíssimo Secret Spot).

Em relação ao evento, tínhamos uma grande novidade, alguns dos melhores restaurantes de Lisboa juntaram-se ao evento trazendo para um espaço extra da feira alguns exemplos das suas ementas. Se for para continuar, espero que sim porque me pareceu um grande sucesso, vai ser sempre a minha salvação, marco quase sempre uma prova especial logo para as 14 horas e acabo sempre por chegar sem almoçar devidamente, erro crasso que a partir de agora pode ser corrigido de alguma forma. Não estando à espera de pratos normais de restaurante, devo dizer que as doses, não sendo grandes, são razoáveis para que se possam provar vários "petiscos" sem deixar ninguém com fome, deixo apenas a ideia de que os preços poderiam ser um pouco mais baixos, parece-me que se os produtores de vinho fazem um investimento forte para estar presentes e dar a provar o seu vinho, eu diria que os restaurantes também o poderiam encarar da mesma forma, uma vez que o objectivo é o mesmo e o retorno também. Uma nota negativa para mim, o facto de no espaço da comida o vinho ser pago, não entendi a diferença de critério entre os diferentes espaços, desta forma bebi apenas um copo e voltei para o espaço da feira sem provar mais nenhum vinho daquele distribuidor. Apesar destes pequenos aspectos acho que o evento ganhou e muito com este novo espaço, até porque é mais um sítio para se circular e alivia o espaço central para uma melhor circulação.

Tal como referi logo no início inscrevi-me em 3 provas especiais, tendo chegado com algum atraso à primeira devido à falta de civismo de alguns utilizadores do parque de estacionamento que ocupam impunemente 2 lugares sem qualquer consideração pelos restantes utilizadores que se deparam com um parque cheio sem qualquer necessidade. Adiante, a primeira prova pretendia mostrar a ligação entre os presuntos e enchidos da Casa do Porco Preto e alguns vinhos escolhidos pelo Luís Lopes, resultado 1 hora e meia de sessão com 1 hora de vídeo e discurso comercial e 30 minutos a provar bons enchidos e um excelente presunto com vinhos na máximo razoáveis, a melhorar até porque era um prova paga. A prova do meio do dia foi, para mim, a melhor do dia, Domingos Soares Franco e Filipa Tomaz da Costa alhearam-se por momentos das suas empresas e partilharam durante mais de 1 hora a sua paixão pela região e pelo moscatel em particular, destaco o Moscatel Roxo 1992 e o Moscatel 1976 como os que mais me marcaram, refiro ainda que o Moscatel do Centenário me parece demasiado vulgar para o que pretende representar. Finalmente a última prova do dia com o enorme comunicador que é José Bento dos Santos, é sempre um prazer ouvi-lo falar com paixão dos seus vinhos, continuo no entanto a não encontrar nos seus vinhos algo que me desperte os sentidos da mesma forma, mas aqui assumo claramente que o problema deverá ser meu...

Resumindo, uma tarde em cheio, onde o factor social se sobrepôs claramente ao enófilo, mas também cada vez mais tenho a certeza que um bom vinho não é nada se não houver com quem o partilhar. O único lamento foi a impossibilidade de aumentar esta "festa" com os amigos do costume, para o ano há mais... e amanhã também.

terça-feira, novembro 04, 2008

VinhoaCopo Convida - 06/nov

Existem certos restaurantes que, por uma razão ou por outra, levamos tempos a visitar. Quando o fazemos, e descobrimos que são bons, é impossível não ficar com a sensação de que andámos a perder tempo. Quando o restaurante vai para além do bom, na nossa adjectivação, então essa sensação de perda é arrebatadora. Um desses casos é o restaurante Jacinto.

O
Jacinto fica situado em Telheiras colado à 2ª circular. Quem segue na direcção de Benfica, pouco depois de deixar o estádio do Sporting para trás, existe uma pequena estrada sem indicação de destino que se perde numa zona de vivendas. Não deve chegar a 200m da saída que o Jacinto ocupa o piso térreo de uma dessas vivendas. Novidade: na cave está neste momento em preparação a abertura de uma garrafeira de venda ao público. Existem ideias de potenciar a aquisição de um determinado vinho na garrafeira e consumir o mesmo no restaurante. O modelo ainda não está afinado mas dentro do que nos foi desvendado, acreditamos tem potencial para tornar o binómio Jacinto Garrafeira/Restaurante um caso de enorme sucesso no panorama enófilo Lisboeta.

Não é à toa que o Jacinto ocupa um lugar cimeiro no top de restaurantes da revista Blue Wine. Ambiente acolhedor, simples mas de bom gosto. Gastronomia regional mas de apresentação cuidada. Serviço atento. Bons copos da Schott Zwiesel. Boa garrafeira a preços cordatos. Possibilidade de beber a copo qualquer vinho da lista. E, cereja em cima do bolo, atenção cuidada à temperatura dos vinhos. As seis garrafeiras climatizadas de tamanho médio que garantem a temperatura dos tintos e vinhos do Porto, e que estão visíveis na sala do restaurante, dizem-nos que podemos estar descansados que nesta casa o vinho é bem tratado.

Por tudo isto, pareceu-nos evidente, desde a primeira visita, que o Jacinto era candidato ideal a acolher o próximo VinhoaCopo Convida - 06/nov. Aceite a ideia, está previsto um menu no valor de 25€ com entradas, prato principal, sobremesa e cafés. Quem já conhece estes nossos eventos sabe que o vinho é da nossa responsabilidade (apesar de não proibirmos ninguém de levar uma garrafita para partilha) e que aperitivos e digestivos são da responsabilidade de cada um. Como também é habitual, agradecemos envio de e-mail para o nosso endereço a confirmar a presença até 3 dias antes do jantar.

Desta vez, mesmo com o Benfica em jogo europeu, será cumprido o desígnio a que nos propusemos: marcar um VinhoaCopo Convida na primeira quinta-feira de cada mês. Vemo-nos então no dia 06/Novembro por volta das 20:00 no restaurante Jacinto.

Um abraço,

A malta do VinhoaCopo

quarta-feira, outubro 29, 2008

Rapidinhas sobre Vinho

A produção literária aqui no blog tem roçado mínimos históricos. Culpa da preguiça. No entanto, o facto de não escrever não significa que não tenha estado atento às novidades da rentrée enófila da temporada 2008/09.


Feiras de Vinhos

Mais do mesmo. Ou pior, menos do mesmo. Este ano não referi uma palavra sobre as mesmas pois não gosto de me repetir todos os anos. Fraquinho! Mesmo a do Jumbo, continuando a ser a melhor, apresentou muito poucas novidades.


Guias de Vinhos

Este ano temos uma novidade: o escanção Manuel Moreia (também provador da Blue Wine) lançou, pela Bertrand Editora, o seu Guia de Vinhos Portugueses. Sem indicação de ano ou temporada.


Fazendo uma análise sucinta, temos:

- Divisão por tipo de vinho: Espumantes, Vinho Verde, Alvarinho, Branco, Rose, Tinto. Não se percebe esta divisão. Pergunta o leitor: Porque é que o Vinho Verde (região) e Alvarinho (casta) têm direito a secções independentes?

- Dentro de cada “tipo de vinho”, os vinhos estão ordenados alfabeticamente e não por regiões. É um critério como outro qualquer apesar de estar contra corrente com os restantes guias do mercado.

- A abrangência de Brancos e Tintos é razoavelmente boa dentro das novidades. Os Espumantes é mínima e não abarca Generosos.

- As classificações andam dentro do que eu considero a “escola clássica” pelo que não há grandes surpresas. Num linha RV ou recente BW.

- As descrições de prova são curtas, objectivas e pouco dadas a poesias.

- Apresenta novidades ao nível da simbologia de caracterização dos vinhos provados. Especial significado para o chapéu de cozinheiro, que devia significar a aptidão gastronómica do vinho mas que deixa de fazer sentido quando apenas 3 vinhos (contei) não têm o símbolo atribuído, e para o divertido leitão que nos avisa que o vinho é barato e supostamente bom.

- Para mim, é mais um guia que não vem trazer nada de novo e que aposta num segmento onde já existem outros mais bem posicionados. Vejo com alguma dificuldade o sucesso desta publicação.


O Guia do João Paulo Martins, que costuma ser o primeiro guia no mercado, foi este ano ultrapassado no lançamento pelo guia referido acima e, ainda por cima, saiu após as feiras de vinhos. Porventura, percebeu-se que não valia a pena antecipar o guia para as feiras pois os vinhos que se vendem nas mesmas ainda sãos os vinhos classificados no guia anterior. Uma nota de especial atenção para o facto deste guia do JPM fazer referência a uma suposta edição de Verão, onde estariam os brancos e rosés para essa estação. Alguém deu por ela? Eu só me deparei com essa edição de Verão uma semana depois de comprar a edição de Inverno (lá estava uma pilha deles no Continente, secção de gastronomia, quando na semana anterior nem um para amostra). Ou seja, como diz repetidamente o próprio JPM sobre os atrasos de venda de brancos correntes e rosés: “Não há motivos nenhuns para os mesmos não estarem nas prateleiras dos supermercados na primavera”. O mesmo se aplica à edição de Verão.


Encontro com o Vinho

Acontece já, neste fim-de-semana que se avizinha, a edição 2008. Este ano apresenta-se a novidade “Gosto de Lisboa” ou, no mais internacional (e chique), “Taste of Lisbon”. Confesso que não percebi muito bem como a coisa irá funcionar mas tenho intenções de descobrir. Assim, caros amigos e leitores, encontramo-nos num corredor apinhado de gente no próximo Domingo.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Provas Vinho 2008/3T - Descrições RC

No post anterior foram publicadas tabelas com as notas de prova (rolhas) dos vinhos bebidos por cada um dos membros deste blog no período referido no título. Como sou o mais desavergonhado, apresento, para os leitores mais curiosos, as descrições das provas efectuadas. Como é óbvio, a introdução feita no post anterior referido é valida para as descrições que se seguem.

O texto abaixo segue o seguinte fluxo: vinho -> rolhas -> descrição de prova.

Alentejo


Adegaborba.pt (Rose) * - 2007 - - - Cor rosa choque. Fácil. Consegue aliar ao doce dos frutos vermelhos um toque de acidez que se bebido bem fresco não o permite cair no enjoativo.

Altas Quintas Crescendo - 2005 - 3 - Para Alentejano, a cor é anormalmente pouco carregada. Aroma focado nos frutos vermelhos. A boca segue esta tendência com boa acidez e corpo leve. Um agradável e gastronómico.

D. Maria Reserva - 2004 - 3,5 - Aroma quente, poderoso a frutos pretos maduros. Algumas notas doces da barrica. A boca é cheia. Final guerreiro a projectar o vinho para uma dimensão extra fruta. Sensação final alcoólica que o penaliza.

Pera Manca - 1998 - 3,5 - Cor em tons atijolados. Aroma a mostrar uma certa evolução. Notas de tabaco, madeira exótica e esteva. A boca está equilibrada. Corpo médio, suave, de bom gosto e fácil de gostar. Não é muito o meu estilo mas disso o vinho não tem culpa.


Bairrada

Calda Bordaleza - 2006 - 3,5 - Cor perto do preto. O aroma ligeiramente reduzido. Primeiro impacto não é agradável. Notas quentes de madeira e algumas notas animais. Melhora com arejamento. A boca é portento de frutos pretos e garra. Grande estrutura e boa acidez. Um vinho potente e que precisa de tempo em garrafa ou comida que lhe aguente a pujança. Penalizado pelo aroma.

Termeão Pássaro Vermelho - 2006 - 4 - Aroma penetrante. Fruta madura envolta num frescor dado pelos balsâmicos. A boca segue na mesma linha. Garra final a mostrar-nos que mais um tempo em garrafa não lhe fará mal. Segue a boas prestações dos seus antecessores.


Dão

Qt. Roques Encruzado (Branco) - 2006 - - - Pouco aromático. Toque fumado da madeira. Um branco com algum corpo. Fruta contida. Pouco falador.

Terra de Tavares (Branco) * - 2005 - - - Mais frutado. Leve tropical. A boca apresenta uma muito forte acidez. Ligeiramente desconjuntado.

Casa de Santar - 2005 - 3 - Aroma frutado. Frutos silvestre maduros e toque adocicado da madeira. A boca mostra-nos um vinho moderno feito para agradar com fruta madura, fácil de gostar. Correcto. Num restaurante é uma boa opção quando se pretende um vinho de agrado generalizado e de preço, ainda assim contido.

Conde de Santar - 2005 - 4,5 - Aroma fresco. Frutos silvestres num registo elegante e equilibrado. Ligeiros balsâmicos. Madeira bem integrada (ou seja, não se dá por ela). A boca mantém o mesmo registo fresco, nada cansativo, apetecível ao contínuo beber. Taninos impecáveis num vinho muito bem feito e que só nos apetece beber muito.

Qt. Falorca Garrafeira - 2003 - 4,5 - Cor impecável. Sem traços perceptíveis da passagem do tempo. Aroma muito agradável e equilibrado. Ainda tem traços de fruta, mas contida, com notas típicas do Dão. Tudo isto num registo complexo e elegante. A boca, apesar da presença ainda de alguns taninos e de acidez elevada, já se apresenta num estado em que se bebe com muito prazer. Com boa complexidade, presença e nada cansativo. Um muito bom vinho. É um dos vinhos do Dão que mais gostei.

Qt. Perdigão Touriga Nacional - 2004 - 4 - Um dos vinhos que mais gosto do Dão e que bebo com alguma frequência. Desta vez o aroma pareceu-me menos frutado que em anteriores provas. No resto mantém-se equilibrado na boca com fruta, boa acidez e corpo.

Terra de Tavares Touriga Nacional * - 2005 - 3 - Notas características de Touriga. Aroma penetrante, ligeiramente (atrevo-me) adocicado. A boca mostra-se mais dura. A fruta está protegida por uns vivos e muito presentes taninos. Forte acidez. Um vinho pouco domado. Feito à moda antiga, e sem facilitismos, por um produtor que não abdica destes princípios.

Vinha.Paz - 2006 - 3,5 - Aroma efusivo. Maduro com notas típicas da Touriga Nacional. A boca mostra-se um pouco gulosa com notas doces mas que a boa acidez não deixa ficar enjoativo. Um vinho de agrado fácil e generalizado.


Douro

Aneto (Branco) - 2007 --- Cor dourada. Notas de madeira fumadas. Fruta tropical madura (alguma geleia). Um vinho gordo, cheio, para pratos mais encorpados e/ou apreciadores de tintos.

Atalaya - 2005 - 3,5 - Aroma moderno. Frutos silvestres com ligeiro toque da madeira. A boca continua nesta tendência moderna. Fruta madura q.b com toque final agradável da barrica ainda com alguma garra. Mais uma nova marca que apesar de bem feito não traz nada de novo nem entusiasma.

Gouvyas - 2005 - 3,5 - Primeiro impacto abaunilhado. Ligeiro toque lácteo. Após arejamento aparecem os frutos silvestres maduros. A boca é impositiva com boa estrutura e acidez a amparar a fruta. Os taninos ainda andam um pouco à solta.

Kolheita - 2001 - 3,5 - Cor vermelho escuro. Aroma maduro com notas alicoradas doces. Na boca, a muita fruta da juventude está a arredondar e neste momento apresenta-se num tom doce, guloso mas um tanto mole. Precisa de refrescamento para não enjoar e compensar um "baixamento" de acidez.

Lavradores de Feitoria Grande Escolha - 2004 - 4 - Aroma profundo a fruta madura. Mostra sinais doces da barrica. A boca é larga, gulosa com boa presença. Está um muito bom vinho mas parece-me mais unidireccional que a versão de 2003.

Maritávora Reserva - 2005 - 4 - Aroma pujante a Douro profundo. Frutos silvestres maduros com notas de esteva. A madeira está bem integrada ao contrário da versão anterior. Mostra-se um vinho de grande estrutura, maduro, profundo com final especiado e largo. Falta-lhe um pouco de elegância para equilibrar a força.

Momentos - 2005 - 3,5 - Aroma frutos silvestres mas fresco. A boca apresenta-se nervosa, com fruta e boa acidez. Um vinho de boa estrutura e corpo mas que é penalizado por uns taninos demasiado rebeldes à solta e final vegetal/alcoólico.

Poças Reserva - 2000 - 3 - Cor ainda carregada. O aroma ainda apresenta notas de fruta mas num fundo ardente a álcool. A boca apresenta-se abrutalhada. O vinho sempre foi bruto e selvagem e o tempo de garrafa não fez nada por ele. Ainda taninoso, será que alguma vez vai sair daqui um vinho cordato? Não me parece ...

Qt. Infantado - 2006 - 3 - Aroma a LBV. Frutos silvestres maduros, violetas e erva-doce. A boca continua madura, doce, com final guerreiro e ardente. Apesar de não ser desagradável, afasta-se do que eu penso que deve ser um vinho de mesa. Este parece mais um vinho do Porto. A rever pois neste momento é necessário refrescamento e prato específico à altura.

Qt. Portal Grande Reserva - 2000 - 3,5 - Cor mostra já sinais de evolução. Primeiros acastanhados. O aroma também já denuncia o passar do tempo. Notas de algum couro. A boca mostra-nos um vinho em fase de transição. Abandonados os traços evidentes da fruta madura, ficam as notas mais complexas. Final prolongado com algum ardor alcoólico.

Qt. Touriga Chã - 2005 - 4 - Curiosamente, ou não, e nesse caso é imagem de marca, o nariz é igual ao 2003 que também aqui já dei conta da prova. Muito fumados da barrica tapam a “uva”. A boca já é outra coisa. Um daqueles raros vinhos que alia força à elegância dada pela frescura que apresenta. Muito boa boca com final gostoso e prolongado. Pena, para o meu gosto, a escolha de barricas.

Redoma - 2004 - 4 - Este vinho trimestre sim, trimestre não, aparece aqui nas minhas provas porque é sempre bom. Um vinho que representa bem o Douro. Aroma a frutos maduros mas ainda assim contido. A boca é de boa estrutura com fruta equilibrada e boa acidez. Final aguerrido.

Sirga - 2004 - 3,5 - Aroma doce já com uva em passa. Perto do Vinho do Porto. A boca é gulosa. Final ardente a álcool. Está a perder rapidamente a juventude da fruta que o caracterizou.

Sirga * - 2005 - 4 - Aroma pouco efusivo mas equilibrado. Frutos silvestres e notas de mato. De corpo médio, a boca apresenta grande equilíbrio. Fruta com boa acidez, de taninos redondos, e final apetitoso. Muito fácil de beber (muito). É muito o meu género.


Ribatejo

Marquesa de Cadaval - 2005 - 3 - Aroma pesado marca o nariz. Algum couro. A precisar de decantação. A boca é mais positiva num conjunto pouco brilhante mas ainda assim equilibrado. Toque amargo final. Muito dificilmente convence o preço pedido.


Terras do Sado

Domingos Damasceno - 2006 - 3 - Esta versão de 2006 aparece-nos em formato
ligth. Cor mais ligeira, aroma menos exuberante e corpo mais delicado. Por ventura marcado pelas condicionantes do ano vinícola, o vinho apresenta-se em estilo bastante diferente. Nesta versão são os frutos vermelhos a dominar. Está melhor para beber à refeição mas está menos entusiasmante para quem gosta de vinhos mais exuberantes.

Domingos Damasceno Reserva - 2005 - 3,5 - Fruta bem madura marca o nariz. A boca segue a tónica da força da fruta mas que se distancia da versão normal porque neste caso a fruta é um pouco mais complexa, mais profunda e mais aguerrida. Ainda assim, mostra-se monocórdico e um pouco excessivo. Necessário mais dimensões de análise.


Vinhos Verdes

Castrus de Melgaço Alvarinho (Branco) - 2007 --- Cor citrino. Um alvarinho que passou na madeira e nota-se ao primeiro impacto as notas fumadas. A boca apresenta boa acidez com notas de fruta fresca e bom corpo.


Estrangeiros


Marquês de Riscal Verdejo (Branco) - 2007 --- Cor citrino ligth. Aroma a fruta fresca, citrina, maçãs ácidas. A boca é leve apostando na frescura da acidez. Um pouco curto.

Campo Al Mare (Itália)- 2005 - 3,5 - Aroma de alguma complexidade e fora do normal português. A fruta apresenta-se em segundo plano. Notas de madeira (mas longe das baunilhas) e mato. A boca é contida. Apresenta boa estrutura, equilíbrio, boa acidez e final aguerrido. Gastronómico.

Solera 1847 Oleroso Doce (Xerez) - 2 - Cor acastanhada. No aroma sobressaem os torrados. Os caramelizados fortes. A boca confirma-nos este nariz. Apesar do doce próprio deste tipo de vinho, o que me fica é o excesso de sabor queimado provocado pelo sistema Solera. Algo desequilibrado nesse sentido. Torna-se pesado e quente. Enfim, desagradável. Não gostei.


Generosos

Blandy's Malsay (Madeira) - 5 years - 3 - Cor de caramelo brilhante. Aroma intenso a notas de caramelo, açúcar mascavado e frutos secos. A boca confirma os aromas torrados. O doce próprio deste tipo de vinhos é amparado pela famosa acidez dos Madeira. Ainda assim, neste caso convém refrescar bem.

Qt. Vesúvio Vintage (Porto) - 2005 - 4,5 - Aroma frutos pretos maduros. Violetas, chocolate preto e muito ligeiros anisados. A boca é um pecado. Extremamente gulosa sem cair no enjoativo. Apesar de uma grande estrutura está fácil de beber o que o torna um perigo no copo.


p.s.
(*) oferta/amostra de produtores.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Provas Vinho 2008/3T

Este post, enquanto eventual guia de provas, é uma perfeita inutilidade. As notas aqui apresentadas são tão subjectivas que podem levar ao engano do leitor que as utilize como referência para compras futuras.

Os vinhos e as notas apresentadas são assumidamente o reflexo da capacidade de prova e do gosto particular de cada um dos membros deste blog. Estes foram os vinhos que cada um quis e conseguiu beber neste período, não tendo havido qualquer intenção das provas serem temáticas, organizadas por preços ou representativas das várias regiões vinícolas portuguesas. Só são apresentados os vinhos para os quais nós considerámos ter havido condições de prova justas para os mesmos. A esmagadora maioria dos vinhos foram provados às refeições e em convívio. Uns vinhos foram decantados mas a maioria não.

Esta divulgação deve ser encarada pelo leitor como uma partilha de consumidor para consumidor. Constitui um histórico de provas efectuadas por consumidores normais que apenas gostam muito de vinho.

As notas são apresentadas em número de rolhas (1-5) e seguem uma escala de GOSTO:
5 – Gostei Extraordinariamente. Quero beber muito mais.

4 – Gostei muito. Quero beber mais.
3 – Gostei. Há falta de melhor bebe-se com agrado.
2 – Não gostei. Só volto a beber se não houver mais nada.

1 – Não gostei mesmo nada. Não me apetece voltar a beber.

A partir da nota 3 foi criada a meia-rolha de modo a diferenciar determinados vinhos. Como não tememos a comparação, criámos um sistema de cores que permite ficar a saber a evolução das notas de prova agora reproduzidas em relação a provas publicadas anteriormente. Assim: verde (subiu), cinzento (manteve-se), amarelo (desceu). Estão marcados com asterisco (*) os vinhos oferecidos pelos produtores.

Nota: RR – Ricardo; RC – Rui; NA – Nuno; CA – Cristo; JPD – João

Brancos e Rosés



Tintos
quadro01

quadro02

quadro03

quadro04


Generosos


Estrangeiros


p.s. Os quadros aparecem em grande numa outra página ao clicarem nos mesmos.

terça-feira, setembro 16, 2008

VinhoaCopo Convida - 11/set: descrições de prova

Mimados! Fomos mimados! Neste segundo VinhoaCopo Convida, o restaurante Ágora, na pessoa do Paulo Marques, elevou esta nossa ideia para patamares de excelência que dificilmente serão igualados.

Conversado um menu orçamentado em 20€, ninguém imaginava a magnitude do evento preparado. Eu próprio, apenas sabia qual era a sobremesa de modo a seleccionar um vinho que não desafinasse a orquestra.

Por isso, a surpresa foi grande. Chegados, encontramos uma mesa composta a rigor para os convivas e outra, de igual tamanho, com uma parafernália de objectos para o serviço de vinhos: vários decanters, copos de prova, saca-rolhas, cuspideiras, baldes com gelo, mangas para esconder os rótulos, termómetros, etc. Quase tudo da Riedel. Um luxo, portanto!

Na mesa do repasto as surpresas continuaram. O jantar teve direito a menu individual, devidamente plastificado, evocativo da data e com descrição dos pratos que iríamos degustar. Um regalo para a posterioridade! Este crescendo de surpresas culminou na leitura do menu preparado pela equipa do Ágora:

Entradas
Sushi de presunto com ameixas e queijo, brinca com shot de melão e pimentos
Carapus alimados
Peixinhos da Horta

Pratos
Pratão de enchidos (espetada de linguiça com manga grelhada, espetada de morcela com ananás grelhado, bolinhos de alheira de caça com molho barbecue)
Arroz de cara de bacalhau com poejo
Secretos de porco preto com massada de feijão

Sobremesa
Duo de chévres da Maçussa com marmelada
Creme queimado com figos caramelizado e gelado de canela

Café
Sonhos de uva D. Maria com caramelo rota das especiarias

Não estávamos à espera de tantas e tão boas iguarias. Nem sempre os vinhos que levámos, e aqueles que foram levados pelos restantes participantes, casaram com os petiscos. É natural quando, por um lado, não conhecemos a ementa e, por outro, não conhecemos os vinhos. Mas isso é de menos. Estes eventos também não se pretendem demasiado rígidos.

As hostilidades iniciaram-se nos brancos como manda a tradição. É sabido a nossa parca colecção de brancos pelo que recorremos às novidades existentes no restaurante e à boa vontade daqueles que aceitaram o nosso convite.

Aneto 2007 (Douro)
Cor dourada. Notas de madeira fumadas. Fruta tropical madura (alguma geleia). Um vinho gordo, cheio, para pratos mais encorpados e/ou apreciadores de tintos.

Marquês de Riscal Verdejo 2007 (Espanha- Ruenda) +
Cor citrino ligth. Aroma a fruta fresca, citrina, maçãs ácidas em oposto ao Aneto. A boca é leve apostando na frescura da acidez. Um pouco curto.

Castrus de Melgaço Alvarinho 2007 (V. Verdes) +
Cor citrino. Um alvarinho que passou na madeira e nota-se ao primeiro impacto as notas fumadas. A boca apresenta boa acidez com notas de fruta fresca mas mais encorpado que o anterior.


Nos tintos tivemos uma lista recheada de bons títulos (à partida, claro):

Gouvyas 2005 (Douro)
Primeiro impacto abaunilhado. Ligeiro toque lácteo. Após arejamento aparecem os frutos silvestres maduros. A boca é impositiva com boa estrutura e acidez a amparar a fruta. Os taninos ainda andam um pouco à solta provocando um final de boca adstringente.


Marquesa de Cadaval 2005 (Ribatejo)
Aroma pesado marca o nariz. Algum couro. A precisar de decantação. A boca é mais positiva num conjunto pouco brilhante mas ainda assim equilibrado. Toque amargo final. Muito dificilmente convence o preço pedido.


Vinha.Paz 2006 (Dão)
Aroma efusivo. Maduro com notas típicas da Touriga Nacional. A boca mostra-se um pouco gulosa com notas doces mas que a boa acidez não deixa ficar enjoativo. Um vinho de agrado fácil e generalizado.


Conde de Santar 2005 (Dão)
Aroma fresco. Frutos silvestres num registo elegante e equilibrado. Ligeiros balsâmicos. Madeira bem integrada (ou seja, não se dá por ela). A boca mantém o mesmo registo fresco, nada cansativo, apetecível ao contínuo beber. Taninos impecáveis num vinho muito bem feito e que só nos apetece beber muito.


D. Maria Reserva 2004 (Alentejo)
Aroma quente, poderoso a frutos pretos maduros. Algumas notas doces da barrica. A boca é cheia. Final guerreiro a projectar o vinho para uma dimensão extra fruta. Sensação final alcoólica que o penaliza.


Qt. Touriga Chã 2005 (Douro)
Curiosamente ou não, e nesse caso é imagem de marca, o nariz é igual ao 2003 que também aqui já dei conta da prova. Muito fumados da barrica tapam a “uva”. A boca já é outra coisa. Um daqueles raros vinhos que alia a força à elegância dada pela frescura que apresenta. Muito boa boca com final gostoso e prolongado. Pena, para o meu gosto, a escolha de barricas.



E para sobremesa tentámos levar algo que fosse buscar os caramelos e torrados da sobremesa:

Blandy’s Malsay 5 years (Madeira)
Cor de caramelo brilhante. Aroma intenso a notas de caramelo, açúcar mascavado e frutos secos. A boca confirma os aromas torrados. O doce próprio deste tipo de vinhos é amparado pela famosa acidez dos Madeira. Ainda assim, neste caso convém refrescar bem. Casou bem com o creme queimado e puxava ainda melhor pelo figo caramelizado.



O comentário final foi unânime. Excelente jantar providenciado pelo Ágora. Parabéns a toda a equipa. Nos vinhos, como é evidente e saudável, a ordem de gosto não foi consensual. Cada um ordenava o rol de vinhos provados nas mais diversas combinações. Mas tudo num espírito positivo, galhofeiro e respeitoso da opinião pessoal de cada um. Um momento de muito bom convívio entre malta que já se conhece há muito e amigos apreciadores que esperamos continuar a conhecer.


Terminamos com uma pré-marcação de agenda para o dia 02 de Outubro (voltamos à primeira 5ª feira do mês). No entanto, como sempre, um post dedicado ao próximo VinhoaCopo Convida será publicado junto à data da efeméride.


Um abraço,
A malta do VinhoaCopo

p.s.(1) Notas: (+) trazido pelos participantes.
p.s.(2) Estas descrições de prova e classificações atribuídas são de minha
responsabilidade e só me comprometem a mim.

domingo, setembro 14, 2008

Ainda sobre a prova dos € 4

“Viva!

Chamo-me João Geirinhas e trabalho na RV. Mão amiga fez-me chegar os vossos comentários sobre a prova de tintos até € 4 na RV de Agosto que me suscitam as seguintes observações.

Acho notável o entusiasmo e a paixão com que estes assuntos são aqui tratados mas também acho que a paixão por vezes vos tolda um pouco o discernimento.

Como vocês devem saber vigora em Portugal o regime de fixação livre dos preços das mercadorias. Não há portanto preços fixados administrativamente nem nenhuma forma de alguém na cadeia comercial – produtor, distribuidor, etc - impor um dado preço a um vinho.Portanto quando se diz que um vinho tem um determinado preço, essa informação não é um dogma de fé nem uma verdade científica mas aquilo que toda a gente entende que ela seja: uma indicação aproximada do PVP que o consumidor deve esperar encontrar no mercado.

Dispenso-me de voltar a referir – porque o já fiz noutro espaço que deve ser acessível aos leitores da blogosfera – as razões porque acho que uma revista dirigida aos consumidores pode e deve indicar os PVP’s. É informação relevante e de interesse público.Como sabem essa informação é-nos prestada pelo produtor. Que não é um Zé Ninguém. Tem porta aberta, tem uma marca, um nome no mercado, uma reputação a defender, etc. Mais do que ninguém, é parte interessada no negócio e na sua credibilidade.

No país dos «chicos espertos», entendemos na RV que devíamos responsabilizar os produtores por essa informação. Porque os responsabiliza, precisamente, porque os compromete com o mercado, com os leitores, com os seus parceiros.

Uma coisa vos posso garantir: os preços indicados são sempre uma informação do produtor. E são sempre confirmados, a maior parte das vezes por escrito ou então com o registo do nome da pessoa que na empresa prestou a informação. E são posteriormente confrontados quando se recebem informações dissonantes. Esse sistema é baseado na boa-fé e, não sendo perfeito, tem funcionado. Com excepções, às vezes com enganos, (pouco deles voluntários) e com algumas imprecisões.

Mas tem funcionado. E, sobretudo, funciona como um poderoso condicionador à inflação dos preços. Isto é, comunicando ao mercado, através da RV, que o preço indicado é X, o próprio produtor está a dizer aos consumidores que aquele é o preço correcto do vinho, e que não deve comprar por mais se ele lhe aparecer mais caro. E numa altura em que a concorrência é feroz e quantidade de marcas no mercado ultrapassa o razoável, o próprio retalhista só tem é que procurar outras alternativas quando recusar ter à venda um vinho que o próprio produtor lhe diz valer menos.

Por isso não acredito que haja manipulação deliberada. Seria até um pouco tonto, convenhamos, fazer tudo (leia-se “aldrabice”) para ganhar uma prova e depois desta ganha, desse modo, não poder vir cá para fora tirar partido dessa vitória. Estão ver o vendedor da empresa “mistificadora” tentar vender um vinho que ganhou a prova dos € 4 e dizer que afinal o vinho custa € 5? Não bate certo, pois não?

Dito isto, como é evidente, se a RV soubesse que um vinho numa prova cujo limite é € 4 está no mercado com preço superior a € 5, retirá-lo-ia dessa prova. Admito uma variação - € 4,05 , €4,10, € 4,15, mas acima dos € 4,20, concordo que ele não devia pertencer àquele campeonato. Mas acho demasiado esforçada a tentativa do Rui em chamar a si as putativas dores de outros concorrentes “enganados” que ainda por cima não se manifestaram.

PS: Já agora o vinho em questão está á venda no Feira Nova a € 24,75 a caixa de 6, o que dá o custo de € 4,13 por garrafa. Longe do escândalo, portanto.

João Geirinhas”



Não é primeira vez que a RV, sempre pela mão do seu Director de Área de Negócios, João Geirinhas, comenta, ou procura esclarecer, algumas das questões levantadas aqui no blog. Fico satisfeito porque é este tipo de interacção, sempre saudável, que procuro quando escrevo os meus posts. Pena é que nem todas as publicações da nossa praça tenham humildade para igual comportamento.

Como é evidente, a RV apresenta as razões dentro de uma argumentação que lhe convém e que considera correcta. O contrário é que seria uma surpresa. Dentro da guerra dos números, pode-se sempre ir buscar promoções, vendas em quantidade, amizades, ofertas, etc, para “puxar” um vinho para perto dos 4€ e esquecer o facto de que, em boa verdade, na maioria do ano o vinho está a rondar os 5€ (ou mesmo superior, como acontece no Continente). Dito isto, muito acima dos 4,20€ tolerados. Isto é um facto!

Acredito que sejam os produtores a indicar os preços. O post referiu isso mesmo. Nunca foi posto em causa o contrário. Eu, pessoalmente, não acredito que o mercado (leia-se, os consumidores) consiga penalizar os produtores que “abusam” da boa fé na indicação do PVP. É neste ponto que, essencialmente, discordamos. Uma ou outra pessoa até o faz. Mas são as massas que fazem o negócio do volume e o que essas retêm é o vencedor do painel e, na hora da compra, até acreditam que mais um eurito que o indicado pode compensar.

Como referi, fiz este post porque a Casa de Santar é reincidente neste comportamento. Aliás, tem passado, também, por este aumento de exposição na RV, o levantamento da moral a uma marca que tinha, até à aquisição por parte da então Dão Sul, perdido notoriedade junto dos consumidores.

Se aos produtores pedi para tomarem vergonha, à RV pedi um aumento de rigor. Achei que tinha direito de o fazer enquanto apreciador exigente, como faz subtítulo na revista, e enquanto assinante da mesma. Mas está claro, a RV também tem todo o direito de considerar que a paixão de alguns leitores não é suficiente para que esta altere os seus procedimentos e repense as suas certezas.

Um abraço,
RC

p.s. O texto foi publicado na intengra conforme nos foi enviado por e-mail. Apenas introduzi algumas quebras de parágrafo de modo a facilitar a sua leitura.

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