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segunda-feira, novembro 06, 2006

Encontro com o Vinho 2006 – Sábado

Quinto ano consecutivo que deambulo de copo em riste pelo labirinto de barraquinhas que formam a feira a pedir para provar este ou aquele vinho. Pelo segundo ano consecutivo a transição outonal apanha-me os brônquios e uma inoportuna gripe estraga-me o palato durante um dos mais aguardados eventos anuais. Primeiro ano que decido participar no sábado e no domingo.

Não sei se Dante na sua visão do pecado da gula também incluiu os néctares de Baco. Se sim, este ano, nós aqui no blog, pecámos desmesuradamente. Não contentes com um dia de actividades, por culpa de um programa de provas especiais irresistível, decidimos marcar no sábado a provas da Niepoort e no domingo as provas da Beringer.

Diz-me a experiência que isto de provar vinhos de barraquinha em barraquinha, quando elas são centenas e cada uma delas com vários vinhos, se não se toma cuidado e algum refreio a coisa pode acabar mal. Chegou-me o primeiro ano. Se não tivesse parado umas duas horas antes da prova especial da Ramos Pinto (ano 2002) para atestar abundantemente de água e provavelmente o “barco tinha afundado” perdendo um fabuloso vintage com cerca de 120 anos de idade (ano de fundação da casa Ramos Pinto). Irrepetível e inesquecível.

Neste sábado cada um dos elementos do blog chegou quando quis. Eu apareci perto das seis da tarde. Pensei: “Chego, dou uma voltinha, provo meia-dúzia de vinhos e como não estou grande coisa ainda consigo chegar à prova da Niepoort às oito da noite sem ter o palato todo queimado”. E assim foi. Entre os provados um dos que mais me agradou foi o Hexagon 2003. Parece-me que a JMF volta a fazer um grande vinho agora em garrafas normais (75cl). De qualquer maneira não me parece que se possam retirar grandes conclusões pois a maior parte dos vinhos tintos provados estavam autênticas sopas quentes que é coisa que não compreendo. Este desabafo de alma fica para um próximo post.

Prova Especial da Niepoort

Foram 11 vinhos provados. Segue a lista por ordem de prova: Robusto 1990, Redoma 1999, Batuta 1999, Batuta 2001, Vertente 2004, Redoma 2004, Batuta 2004, Charme 2004, Batuta 2005, Charme 2005 e o possivelmente Vintage 2005

Hora e meia bem passada, entre histórias que fazem os vinhos e os vinhos que fazem as histórias. Destas a mais interessante foi a história do Robusto 1990, primeiro vinho feito pelo Dirk e que o seu pai considerou na altura uma merda (palavras do mesmo). Nunca comercializado, só aparece em ocasiões especiais. Ainda com bastante cor e vida, já bebi vinhos mais novos que eram mais “velhos” do que este.

Dos vinhos mais “antigos”, o Redoma 1999 estava algo calado, o Batuta 1999 continua bastante alcoólico e o Batuta 2001 apresentava um aroma estranho e foi o vinho que menos gostei.

Da geração mais recente, o Vertente 2004 está muito bom e continua aquele valor seguro, o Redoma foi, unânime entre nós os cinco, uma das maiores surpresas tal a qualidade, o Batuta 2004 é o 2003 ainda mais refinado e o Charme 2004 é realmente diferente aromaticamente com as notas florais muito inebriantes mas provado a seguir aos outros ressente-se devido ao carácter mais delicado. Segundo o Dirk a edição de 2004 é a melhor de sempre em todas as gamas e que o rumo da Niepoort, para vinhos de mesa, será o refinamento invés da fruta (coisa que o Dirk, pelo menos duas vezes, afirmou não gostar nos vinhos). Agrada-se os críticos, iremos ver se o público...

O futuro pareceu-me muito marcado pela madeira (são amostras e já se sabe) para eu adiantar alguma coisa. O vintage apenas com um ano de madeira é de tal maneira pujante do ponto vista aromático que para mim foi incomodativo e o excessivo after-eight um pouco enjoativo. Houve quem não achasse e só não bebeu mais por que não havia. :)

E este dia acabou. Olhei para o relógio e eram quase dez da noite. O recinto estava vazio. Dirigi-me ao pagamento automático do parque. 5,50€. Anda Pacheco que amanhã há mais!



P.S. Houve alguns elementos deste blog, cujos os nomes eu não vou referir, que foram internamente denominados de “O Blog Vassoura” pois ajudados pelo omnipresente João Roseira entravam no fim das provas especiais que decorreram durante o dia e limpavam os restos das garrafas. Confidenciaram-me que o Grange 2001 da Penfolds é neste momento autêntico melaço de fruta, que o Mouchão 1990 está em grande forma e que a saída para o mercado do Tonel 3-4 2003 só para o fim do próximo ano é um crime pois agora é que ele está no ponto. ;)

2 comentário(s):

ricardo disse...

Sei que vou estar a acusar-me mas quero deixar bem claro que fomos praticamente obrigados pelo João Roseira a agir enquanto “blog vassoura”.
A sua argumentação foi forte de mais, nós ainda conseguimos resistir por uns bons 2 segundos, mas a recta final do seu “Vamos lá” foi imparável e já não aguentámos a pressão.

rui disse...

Fáceis!

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