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quinta-feira, novembro 02, 2006

Galeria Gemelli (2)

Final do mês. Carteira atestada. Rumo: Galeria Gemelli. Roteiro gastronómico: Encontro com o Vinho. Ao toque de chamada só não respondeu o João que foi substituído por um casal amigo.

Chegados ao restaurante, saltou-nos à vista que o menu é diferente daquele apresentado na Revista de Vinhos. Mais tarde o próprio Augusto Gemelli explicou o motivo: era impossível manter o menu entre a data de envio para a RV (final de Agosto) e a sua real concretização. Essas alterações verificaram-se em maior número em relação aos pratos apresentados do que nos vinhos escolhidos. Foi acrescentado o Viseu de Carvalho e substituído o vinho do Porto da lista apresentada na RV. Do ponto de vista enófilo, penso que ficou uma lista mais rica (chamo a atenção para a aposta arriscada nas novidades). Seguem as notas de prova dos vinhos:


Bajancas Branco 2005 (Douro)
[Mil Folhas de Bacalhau]
Primeira edição de um novo produtor. Pouco aromático com ligeiro toque mineral. Correcto.

Herdade de Portocarro 2003 (Setúbal)
[Rolo de Pintada Recheado com Cogumelos]
Primeira edição de um novo produtor. Notas de baunilha e tostados marcam o aroma e cobrem a fruta. Na boca volta-se a sentir a madeira com um final adstringente, extremamente herbáceo e amargo. De prova muito difícil e sem dar nenhum prazer a beber, não consigo perceber o posicionamento no mercado deste vinho: qual é o target?


Viseu de Carvalho Grande Escolha 2003 (Douro)
[Taglietelle Integral com Choquinhos, Cogumelos, Trufas Pretas]
Antes de mais, uma palavra para a massa: excelente. Topo de gama da casa que faz o CSE. O vinho apresenta um aroma fechado a frutos silvestres e esteva. Boca austera com ligeiro vegetal final e ardor alcoólico. Falta-lhe uma certa elegância e de mais um meses em garrafa para afinar o final.


Brites de Aguiar 2004 (Douro)
[Coxas de Galo do Campo, Molho Tomate e Risotto de Cogumelos Trompeta]
Topo de gama da casa que faz o Bafarela. Aroma quente a fruta madura. A boca é incoerente com o aroma pois não confirma o guloso nariz. Apresenta-se mais austera, até mesmo com algumas notas vegetais e o final é ligeiramente apimentado. É também um vinho que é capaz de melhor com uns meses (poucos) de garrafa. O prato mais guloso da noite com o melhor vinho da noite.


Casa de Sta. Eufémia Vintage 1999
[“Coração” de Chocolate Quente e Gelado de Menta]
Aroma doce a rebuçado de frutos vermelhos e ligeira erva-doce. A boca é fácil com as notas licorosas a dominarem a prova. Sem grande corpo, faz lembrar um LBV filtrado. A combinação com o gelado de menta provocou uma explosão de frescura na boca, cujo sabor intenso de menta e aniz, para mim particularmente, não foi feliz pois tal foi o exagero que nos esquecíamos que estávamos a beber vinho do porto invés de elixir dentário. A combinação valeu apenas pela experiência diferente.



Existem duas coisas que eu particularmente gosto neste restaurante e que nesta visita eu confirmei. Temperatura de serviço de vinhos: impecável. Tratamento pós-repasto: impecável.

Não é surpresa nenhuma (para quem nos conhece ou costuma acompanhar o blog) dizer-vos que nós somos, quase sempre, os últimos a sair de um restaurante onde nos sentimos bem. Somos como lapas que encontram uma rocha mais confortável. Entre troca de ideias sobre os vinhos com o escanção Rui Rodrigues seguiu-se a visita, no fim da noite, do chef à nossa mesa. Deve ter sido mais de uma hora de amena cavaqueira entre histórias de vinhos e sobre vinhos. É a esta parte da refeição que eu dou mais valor. Nota máxima!



P.S.(1) Ficou entre os meus colegas de blog a ideia que neste menu a comida tinha uma preparação menos “trabalhada” (muito boa mas mais simples) que aquele aqui apresentado aquando do evento Dão/Douro. Eu cá gostei mais: não tinha purés. :)

P.S.(2) Comprei hoje o Anuário de Vinhos 2007 do João Afonso. Tal não foi a nossa surpresa quando associado ao vinho Herdade do Portocarro vem o adjectivo “Elegante”. Não discuto o aroma ou sabor a isto ou àquilo, mas parece-me incrível classificar este vinho como elegante. Acreditando na honestidade do autor e que não há uma troca de textos na editora, das duas uma: ou ele bebeu o verdadeiro Portocarro ou então fomos nós. Garanto-vos que o que nós bebemos anteontem não era elegante de maneira nenhuma.

8 comentário(s):

Paulo Pacheco disse...

gosto imenso do viseu de carvalho (este sim o topo de viho de mesa da CSE) e é um vinho com muita graduação. assim como o brites aguiar - que ainda não provei- mas que já está á minha espera em casa.
só um promenor que talvez vos tenha escapado. Os vinhos apresentados são tods de enologia 2P R.
:)
(fui ontem á Horta dos Brunos e aquilo é mesmo muito "fixe")

Paulo Pacheco disse...

todos... mais ou menos. o portocarro não o será. E o CSE vintage é mais antigo do que a 2P R;)

rui disse...

Caro Paulo,

tens razão, troquei os vinhos.

Reponho:
Viseu de Carvalho é o topo de gama da CSE e o Brites de Aguiar é o topo de gama da casa que fez o "famoso" Bafarela Grande Escolha.

Irei corrigir no post de maneira que este comentário não irá fazer sentido para quem ler o post a partir de agora (fica apenas a sabe que eu tb me engano :)).


Não me apercebi que os vinhos eram todos da mesma consultora de enologia, mas como é óbvio acredito em escolhas coincidentes. ;)

Um abraço,
RC

NOG disse...

Caros amigos, hoje sou eu que vou à Galeria.

Abraços,

N.

Pingas no Copo disse...

Definitivamente sou um desalinhado. Epá, malta eu gostei muito do Portocarro, então do Anima L4, nem vos digo.

Abrações para todos
Rui

rui disse...

Caro Pingus,

Ontem, na feira, passei na barraquinha do Portocarro para tirar a prova-dos-nove. Acontece que uma arreliante (e com um sentido de timing cruel) constipação que me estragou o palato juntou-se ao facto dos vinhos estarem demasiado quentes para a uma apreciação justa. Aliás de todos os vinhos tintos e porto bebidos na feira apenas apanhei um à temperatura correcta: Qt. Vegia Reserva 2003. Voltando ao Herdade do Portocarro, apesar destes contratempos, o vinho não me pareceu tão “agressivo” como o senti no jantar. Com certeza terei outras oportunidades. Provei também o Anima e não posso dizer que partilho do teu entusiasmo, mas como já referi eu não estava nos meus dias. :)

Um abraço,
RC

Paulo Pacheco disse...

Por acaso também lá fui ao stand da herdade do portocarro. E apesar do meu "pé atrás" gostei do vinho e do anima L4 adorei mesmo - ainda por cima fui muito bem recebido (fomos todos os que lá estavam na altura) pelo proprio produtor que nos explicava que a casta do anima é que tem aquela cor tipicamente mais acastanhada e que não era derivada de idade ou qualquer oxidação.
O anima é feito com a casta sangiovese

rui disse...

Caro Paulo,

Lá isso é verdade, o produtor foi muito simpático e como óbvio ficou um pouco desanimado por eu lhe ter dito que não tinha gostado do vinho. Ainda assim trocámos cartões …

Uma coisa boa no meio disto tudo, à conta desta pequena controvérsia não houve ninguém que não tivesse passado pela barraquinha da Portocarro. Para quem está apenas há dois meses no mercado, não é nada mau.

Um abraço,
RC

P.S. foi pena não nos termos encontrado (se calhar até andamos aos encontrões nos corredores mais concorridos mas como não te conheço pessoalmente...). O único que comprimentei foi o João Pedro do Copo de 3. No sábado cheguei tarde (perto das 18:00) e depois meti-me na sala com os vinhos da Niepoort.

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