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quarta-feira, dezembro 27, 2006

Touriga Nacional

A Touriga Nacional tornou-se nos últimos anos a casta portuguesa por excelência. Pelo menos assim a querem fazer, críticos, produtores e opinion-makers em geral. Plantada de Norte a Sul do país, a Touriga Nacional funcionaria como porta-estandarte para Portugal como a Carmenére funciona para o Chile, a Malbec funciona para a Argentina ou a Pinotage funciona para a Africa do Sul. Neste particular, a Revista de Vinhos apresenta outras ligações casta/país (Riesling/Alemanha, por exemplo) mas eu quis ser diferente.:)

Eu confesso que “solta e sem marcação” não é a minha variedade preferida. A ter que escolher, provavelmente, opto pela Tinta Roriz. Sou fã dos “toques” apimentados/especiados atribuídos aos vinhos por esta última, apesar de reconhecer que não existem, desta, tantos vinhos de qualidade como existem da primeira. No entanto, como é evidente, a Touriga Nacional não é igual em todo o lado. Como qualquer variedade, “sofre” as influências próprias do denominado terroir e, hoje em dia cada vez mais, da mão de quem a “trabalha”. Segundo a opinião mais ou menos generalizada é uma casta que origina vinhos, enquanto novos, concentrados, de cor profunda e aroma floral a violetas. Taninos finos e boa acidez, em princípio dão-lhe uma boa capacidade de evolução em garrafa. Como curiosidade: durante o curso que fiz do WSET, o formador afirmou que para ele o aroma da Touriga Nacional, que adora, é idêntico a folhas de chá “Earl Grey”. Bom, são opiniões.:)


Serve esta introdução para apresentar os resultados das provas temáticas “Prova de Vinhos de Touriga Nacional”, que por coincidência, foram realizadas na edição de Dezembro das revistas Blue Wine e Revista dos Vinhos. Assim, e sempre com um espírito de divulgação do produto nacional aos leitores internacionais (poucos, mas bons), apresento em seguida a lista dos vinhos que conseguíram as melhores classificações:

RV ( >16,5)
Qt. do Crasto TN 2004 (Douro) – 18 (RV); 17 (BW) – 55€
Qt. da Pellada TN 2004 (Dão) – 17,5 (RV)– 25€
Qt. do Perdigão TN 2004 (Dão) – 17,5 (RV) – 25€
Qt. do Portal TN 2003 (Douro) – 17,5 (RV) – 21€
Col. Privada Domingos. S. Franco TN 2003 (Terras do Sado) – 17 (RV) ; 15,5 (BW) – 15€
Cortes de Cima TN 2003 (Alentejo) – 17 (RV) – 50€
Herdade das Servas TN 2003 (Alentejo) – 17 (RV) ; 15 (BW) – 15€
Herdade do Esporão TN 2004 (Alentejo) – 17 (RV) ; 15 (BW) – 10€
Kopke TN 2002 (Douro) – 17 (RV) – 12€
Odisseia TN 2004 (Douro) – 17 (RV) – 22€
Qt. de Cabriz TN 2004 (Dão) – 17 (RV); 16 (BW) – 15€
Qt. do Mouro TN 2003 (Alentejo) – 17 (RV) – 35€
Qt. das Tecedeiras TN 2003 (Douro) – 17 (RV) – 25€
Só TN 2003 (Terras do Sado) – 17 (RV) ; 15,5 (BW) – 12€
Qt. Vale da Raposa TN 2004 (Douro) – 17 (RV) ; 16 (BW) – 20€

BW ( >16)
Barros TN 2004 (Douro) – 17 (BW) – 11€
Qt. do Crasto TN 2004 (Douro) – 17 (BW); 18 (RV) – 55€
Qt. dos Roques TN 2005 (Dão) – 17 (BW); 16,5 (RV) – 23€
Qt. da Falorca TN 2003 (Dão) – 16,5 (BW); 16,5 (RV) – 20€


Rapidamente, podemos retirar as seguintes conclusões:
- É no Douro e no Dão que se fazem os melhores vinhos de Touriga Nacional. Muito perto destas aparece o Alentejo com as Terras do Sado a darem um colorido extra a este triunvirato.
- Existem vinhos comedidos no preço a medirem forças taco-a-taco com outros bem abusadores da nossa carteira. A fazer-nos pensar ...
- Os produtores continuam a menosprezar a BW, sendo poucos os que enviam amostras para as provas temáticas. Os vinhos provados são muito menos e nota-se que este “esquecimento” é maior abaixo do Mondego. Como a BW é mais “forreta” a dar notas, se calhar está a sofrer dessa mesmo “timidez”. Ou então, é outra razão qualquer.

12 comentário(s):

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Caro amigo,

E que tal esta: acho que o Alentejo pode vir a produzir tourigas mais "vendáveis" ao estrangeiro do que o Dão.

É uma mera opinião... não faças disto uma revelação-choque...

Abraços,

N.

João Barbosa disse...

bem, vim mesmo só cá desejar uma boa saída de 2006 e uma melhor entrada em 2007, de preferência com bons vinhos. À saúde!

Anónimo disse...

Bom post, também sou um apreciador do TN. Penso para mim se a tendencia natural será os vinhos mais baratos de qualidade subirem os preços ou os mais altos descerem..

rui disse...

Caro Nuno,

acredito facilmente no que dizes. Por várias razões (quantidade, facilidade de prova e preço - repara que a maioria dos alentejanos, que se intrometeram no top, não chegam aos 20 euros).

Um abraço,
RC

rui disse...

Caro João,

obrigado e aqui malta do blog deseja-te tb umas excelentes entradas em 2007.

Um abraço,
RC

p.s. Já li o teu comentário no post mais abaixo. O "velhote" tb não me deu o que eu pedi mas pelo menos deu-me outras. Teve essa delicadeza. :)

rui disse...

Caro Luís,

bem vindo aqui ao nosso blog. Se eu pudesse influenciar essa "tendência natural" então dizia-te para onde é que os preços iam. Como não posso ...

Um abraço,
RC

Anónimo disse...

bebi a qtª da alorna TN, que vinha com a RV e estava muito interessante, o ribatejo ainda vai dar que falar.
e de preços nem se fala...

o avental disse...

O "terroir" do Touriga Nacional é a zona do Dão. Segundo dizem, o nome deve-se a um lugar chamado Tourigo, do concelho de Tondela. Na região toda ainda tratam a casta por Tourigo.

Pessoalmente - e os gostos discutem-se, sim, senhor -, ainda não bebi vinho português nenhum como o fabuloso Touriga Nacional da Quinta de Carvalhais 1995, passando pelos vinhos de topo que me escuso de citar, tão evidentes são a pessoas medianamente informadas na matéria.

A Touriga Nacional tem, nos vinhos do Dão e em Portugal, um papel semelhante ao que o Cabernet Sauvignon tem em França, no resto do mundo e também no... Alentejo.

Se a TN, mantendo as características que tem no Dão, fosse cultivada em França, todos rezariam a ela, os braços estendidos como a Alá, e os preços da garrafa de um TN Grand Cru seriam exorbitantes de verdade.

rui disse...

Caro CJ,

Há tanto tempo que se vem dizendo que o Ribatejo vai dar que falar... e da Estremadura a mesma coisa.:) Depois vamos a ver e são sempre os mesmos a fazer coisas de qualidade (e essas são tão caras como os melhores das outras regiões).

Um abraço,
RC

P.S. Bem vindo ao nosso blog.

rui disse...

Caro Avental,

tb já li qq coisa sobre isso mas fiquei com a ideia que não estava provado. Bom, mas tb não interessa.

Por acaso ainda há pouco tempo provei três garrafas de 1995 de Touriga (Qt. Leda, Qt. Fonte de Ouro e Qt. dos Roques) e nenhuma estava grande coisa. A Qt. Fonte Ouro não se conseguía beber pois a acidez volátil estava altíssima. E sinceramente a melhorzinha era a Qt. da Leda. Foi pena porque se queria mostrar o que valia a nossa Touriga, passados uma dezena de anos, ao formador do curso da WSET e da amostra acredito que não tenha ficado entusiasmado.

Uma abraço,
RC

P.S. Cá para mim, em França um GC nem que fosse feito de uva de mesa, mas desde que tenha o nome Lafite, acaba por ter preços exorbitantes. :)

Kroniketas disse...

Em relação aos preços é bem verdade, o que me leva a levantar sempre a mesma questão quando se fala da qualidade das regiões: o que é importante é apenas aquilo que se pode achar do vinho, ou também o que se tem de pagar por ele para poder achar alguma coisa? E a qualidade média duma região, faz-se pelos vinhos de 25, 30, 40 euros? E esses, quem é que os pode comprar?

rui disse...

Caro Kroniketas,

qualidade média, já é outra questão. E quando se mete preços em cima então o problema ainda é outro.

Até podes ter razão, mas repara que não existe o consumidor da qualidade média em Portugal. Existe o muito baixo até aos 5 euros e depois existem os que consomem os topos (confesso que ando mais perto destes até porque não bebo vinho todos os dias - é uma estratégia que me permite diminuir o preço médio por refeição :)).

E mais, quais é que são os vinhos que nos fazem falar e discutir nos blogs e vender revistas? São inevitavelmente os de topo. Os outros ninguém quer saber. Perdem-se no mar de vinhos medianos que Portugal faz. Repara no mail que o Nuno fez em cima sobre o Barca Velha. Achas que alguém já fez um post com o título "O meu primeiro Qt. das Baceladas"? E se o fizesse, tinha gerado discussão?

Por isso, apesar de clamar-mos por preços mais baixos, qualidade superior e justiça no mercado, ao reflectir-mos percebemos que se isto tivesse tudo nivelado e certinho, não gerava a paixão que gera e o vinho era mais um produto banal, insosso e entediante.

Um abraço,
RC

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