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terça-feira, dezembro 05, 2006

Wine & Spirit Education Trust – Nível 2

1, 2 e 3 de Dezembro. Três dias de estudo e provas. Das 9:00 às 17:00. Uma volta ao mundo do vinho e dos espirituosos em 16 horas. O nosso guia: a Academia do Vinho. [Quem apenas gosta de saber as horas, por favor, passe à conclusão no último parágrafo, pois nos próximos irei explicar como se faz o relógio]


Não vou entrar em pormenor sobre o que é a WSET. Se acederem ao site desta instituição terão uma melhor definição do que aquela que eu consigo dar. Para os mais preguiçosos direi que é uma conceituada instituição inglesa (sem fins lucrativos) na área do ensino e certificação no sector do vinho e, ao que consta, é um trampolim quase obrigatório para quem queira se candidatar a Master of Wine (MW). Quem já leu a secção de regras de prova da Blue Wine com certeza reparou que fazem referência ao facto de utilizarem a metodologia de prova da WSET. Bom, agora já sabem o que isso significa.

Já não me lembro de como cheguei a saber que ia haver um curso de Nível 2 da WSET em Lisboa. Devo ter lido numa revista qualquer. Acedi ao site da Academia do Vinho e li o programa: Vinhos do Mundo e Espirituosos. A quem se destina: a profissionais do sector do vinho. Ora bolas! Li mais um pouco e descobri, refundido entre a mais diversa informação, que simples consumidores também podiam participar. Nessa manhã enviei um mail ao João Paulo Victorino (director da academia portuguesa) a perguntar se podia inscrever-me. Faltava menos de um mês para o inicio do curso. Respondeu que podia se o fizesse imediatamente pois a data limite de inscrição tinha terminado. Assim o fiz. Ao final da tarde desse dia deixei de comprar cerca de dez Batutas. Em troca recebi dois manuais de estudo em espanhol.

A Academia do Vinho portuguesa tem um acordo de parceria com a sua congénere Espanhola para poder dar formação em Portugal pois são estes que têm os professores certificados para poderem administrar os cursos (em Portugal até agora só se pode fazer até ao Nível 3). O Pancho Campo é chileno, médico de formação, antigo tenista profissional (chegou a participar nos JO Barcelona 92), organizador de eventos e espectáculos internacionais durante 15 anos e apaixonado pelo vinho desde os 18. Falta-lhe entregar a tese, sobre o efeito no vinho das mudanças climáticas, para se tornar o primeiro MW de origem espanhola. Depois, junta-se ao restrito e excelso grupo de 257 membros existentes neste momento. A somar a isto tudo, é um excelente comunicador e grande apreciador da nossa Touriga Nacional.

O curso desenrolou-se entre um misto de teoria e prática. Entre centenas de slides com centenas de nomes e conceitos novos a decorar, provámos mais de 50 vinhos de todo o mundo. Desde o mais vendido de todos (Yelow Tail, um Shiraz da Austrália – 10 milhões de caixas) até ao pouco vendido. Das mais conhecidas castas como o Shiraz Australiano ou Chardonnay Francês e Americano até ao desconhecido Pinotage Sul-Africano ou o Pedro Ximenez de Jerez na Espanha. O objectivo foi provar vinhos típicos das castas e das regiões estudadas. E este é um dos pontos em que o curso tem vantagem sobre a simples leitura, por exemplo, do Manual Enciclopédico do Vinho (Stuart Walton): provamos aquilo que lemos. O outro ponto que faz a diferença: o manual, apesar de muito bom, não nos responde quando colocamos uma dúvida. É uma mania que têm todos os manuais técnicos: recusam-se a discutir com o leitor.

De entre os participantes, apenas dois éramos simples consumidores. Ou como diria o António (segundo elemento desta minha classificação), somos pessoas que gostamos muito de vinho, que temos profissões que não têm nada a ver com o vinho mas que mantemos secretamente a esperança de passarmos a fazer algo no sector. Sonhos! No total éramos cerca de 20. Pessoal ligado à produção e distribuição de vinho, gestores de mercados e responsáveis comerciais de certa marcas, estudantes de agronomia e viticultura, representantes da industria da cortiça e da ViniPortugal, e um aspirante a escanção completavam o grupo. Uns mais expressivos, outros mais experientes, formámos um grupo interessante. Como é óbvio, num grupo, existem sempre um ou dois “personagens” mais carismáticos.

O curso finaliza com um exame de certificação. No jantar de confraternização efectuado no primeiro dia prometi, quando chegou a minha vez de discursar, não fazer a crítica do curso enquanto não conhecesse a minha nota no exame. No entanto, o exame é acessível. É preciso estudar um pouco e estar atento durante as apresentações, mas é fácil passar. Agora, não podemos ter todos notas máximas e nem é esse o meu objectivo. O conhecimento, esse, ninguém mo tira. Com ou sem distinção.


Excelente! Para quem, como eu, só tinha lido os manuais enciclopédicos, e apenas conhecia meia dúzia de vinhos estrangeiros, é uma experiência fabulosa. Mas cuidado. Este curso não é para quem se pretenda iniciar no mundo do vinho. O ritmo é elevado e não se pode perder tempo a explicar as questões mais elementares. Quem trabalha no sector, por inerência à própria profissão, está habilitado mas um normal consumidor já deve ter um certo grau de conhecimentos teóricos para que a aprendizagem seja profícua para ambos os lados. Professor e aluno. Ajuda, e muito, se já tivermos provado muito. Pessoalmente, não gosto de provar vinhos em catadupa. Prefiro bebê-los, mas num curso destes é compreensivelmente impossível. A única nota de maior reticência em relação ao curso é o conceito de “metodologia sistemática de prova”. Implica a ideia de formatação e a igualdade de análise. Devido a uma enfermidade de espírito, a palavra “formatação” causa-me alergia na forma de compulsivos retorcimentos do lábio superior e tenho sérias dúvidas que alguém consiga, efectivamente, retirar o “sombrero” do gosto pessoal durante a prova. Discussão para um próximo post. Neste, quero terminar da mesma forma que comecei o parágrafo. Excelente!



P.S. Dizem que quem corre por gosto não cansa. Treta! No tardio final do almoço do último dia, os meus olhinhos já só pediam cama. Tive que lhes fazer a vontade!

7 comentário(s):

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Rui,

Muitos parabéns pela frequência do curso. Para quando o "master"?

rui disse...

Nuno,

não tenho esse objectivo. Se tiveres tempo, é um curso interessante para ti.

Um abraço,
RC

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Rui, admito que sim. Pelo que escreveste preciso tempo e dedicação. Fiquei com vontade, mas terá de ficar para o ano.

Um forte abraço,

N.

jms disse...

Estive para fazer este curso em Junho passado aqui no Porto, infelizmente à última hora tive que cancelar. Estou à espera do próximo agendamento. Ainda bem que o considera excelente! é uma boa informação para mim.

rui disse...

Caro JMS,

Ainda por cima, pelo que percebo do link associado ao teu nick, se estás associado à venda de vinho, considero essencial perceber o que é que se faz lá fora, o que é que querem dizer todas aquelas designações nos rótulos estrangeiros, o que esperar de determinados vinhos face à sua proveniência …

Penso que não te irás arrepender.

Um abraço,
RC

p.s. Acho que no Porto fazem-se mais que aqui em Lisboa. Há mais aderentes.

Anónimo disse...

Olá Rui.
Fantástico essa abordagem sobre um fim de semana que para muitos foi mais um daqueles com um feriado pelo meio, e para nós aquela experiência que só nós vivemos.
Parabéns
Escanção João Fonseca

rui disse...

A todos os que conseguiram chegar a este espaço, deixo o aviso: já estão abertas as incrições para novos cursos em 2007 quer no Porto quer em Lisboa.

RC

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