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terça-feira, novembro 28, 2006

Porto e Douro Wine Show 2006 – Sábado

Como previ em post de apresentação do Porto e Douro Wine Show, este sábado acabei mesmo por dar um pulinho ao casino.

Fui no sábado pois quis assistir à prova de “Harmonizações com Vinho do Porto” marcada para as 17:30 desse dia. Aos chefes Fausto Airoldi (Pragma) e Ljubomir Stanisic (100 Maneiras), inicialmente escalonados, juntou-se na apresentação o Engº Bento Amaral do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto. Uma mais-valia nas provas de vinho do Porto pois é chefe da câmara de provadores deste mesmo instituto e experiente na orientação de sessões de harmonização do Porto com diversas iguarias. Antes desta, assisti orientado por Bento Amaral há três anos uma harmonização com queijos portugueses DOP e há dois anos atrás com bombons da marca Neuhaus, ambas durante o Encontro com o Vinho e Sabores. A lembrança da primeira ainda hoje me faz crescer água na boca.

A prova decorreu morna, entre vinhos quentes (o próprio Bento Amaral pediu desculpas algumas vezes) e a pouca participação da assistência. Houve alguns salpicos de génio nas intervenções do irreverente chef croata (ao contrário do apagado e pouco dado a conversas chefe da casa) e nas iguarias apresentadas. Excelentes. Muito utilização de foie gras e algumas combinações bem sucedidas.

Não irei descrever as iguarias em pormenor pois confesso que tive dificuldade em ouvir a correcta descrição de todos, no entanto os vinhos foram:
Qt. Portal LBV 2000 – agradável, já com notas de figos e frutos secos. Acompanhou um bombom de chocolate amargo salpicado de flor de sal e com recheio de foie gras. Uma combinação por complementaridade;
Qt. Casa Amarela Branco – a casta moscatel foi potenciada pela elevada temperatura tornando-o enjoativo (devia de estar uns 10º acima do ideal). A ligação com um puré de batata e tiras de carne de bisonte estufado com especiarias, na minha opinião, não funcionou (porventura, por causa do excesso de moscatel);
Poças Colheita 1967 – no aroma, o meu “caldo Knorr” foi traduzido, pelo Engº Bento Amaral, para caril. No mais: frutos secos, caramelo e mesmo alguma casca de laranja na boca. Um pedaço de maçã (ou pêra) cozida em vinho do Porto cobria o topo de uma noz de creme mascarpone assente numa base crocante. Bom. O vinho fez sobressair um final a amêndoas torradas que a solo a iguaria não tinha. Combinação curiosa e caso típico de que por vezes entra A e sai B;
Taylor’s Ruby Reserve – quente, muito alcoólico, alguma cereja. O nariz pareceu-me um pouco asséptico. A iguaria à base de um puré de batata com tomate, pimenta preta e broa ralada, amenizou-lhe o ardor mas puxou os apimentados finais. O vinho que menos gostei;
Vista Alegre 10 anos – o envelhecimento no Douro invés de Gaia torna os vinhos mais quentes, mais castanhos com notas de torrefacção e caramelo do que os habituais 10 anos. A iguaria apresentada, pelo chef do 100 Maneiras, à base de carpaccio de peito de pato com foie gras cru e redução do próprio vinho do Porto casou lindamente com um vinho que não fora o prato não era nada de especial. Exemplo de que o todo é melhor que a soma das partes;
Kopke Vintage 2003 – eu já conheço este vintage de outras aventuras. Já o provei várias vezes. Desta vez a temperatura excessiva não lhe fez justiça, o que prova que a minha ideia sobre os vinhos anteriores (que não conhecia) está irremediavelmente arruinada (geralmente, a 1ª impressão é que vale) devido à temperatura inaceitável. A mousse de cheescake virtual que o acompanhou é uma delícia. A combinação … nem por isso.

Terminada a sessão de harmonização, cheguei à recepção no piso térreo do casino para levantamento do copo. Três euros. “Normal ou Siza Vieira?” – perguntou-me a menina Escolhi o normal. Queria lá um copo anormal. Segui directo à bancada da Qt. da Noval. Provei o tinto do mesmo nome. Perguntei: “Isto é menino para que preço?” Responderam-me: “Cerca de 70 euros no Gourmet do Corte Inglês!”. “ Upa, upa, puxadote para uma estreia!”, retorqui. “Também quando saiu um carro da Lexus pela primeira vez foi caríssimo”, finalizou o representante do outro lado da mesa. Sorri. Limpei o copo e retirei-me. Não tenho dinheiro para carros tão caros.

Antes de continuar esta viagem pelas diversas bancadas que se encontravam dispostas por dois pisos da cúpula central do casino, tenho que desabafar uma coisa: os vinhos tintos e do porto estavam muito quentes. Pronto, já está! Não falo mais na temperatura. Dito isto, vou referir apenas alguns dos vinhos (só provei tintos e dois brancos) que o meu palato mais apreciou e que na verdade foram aqueles que, no meio daquela “sopa dos ricos”, conseguiram apresentar maior frescura de boca:
Qt. Quatro Ventos 2004 – Alguma curiosidade pois apesar de não chegar aos 10 euros deu muito boa conta de si na prova de elite do Douro na RV. E para mim confirmou ser um vinho muito bem feito e para consumir já. Vivo na boca com as todas as partes equilibradas a dar muito bom beber. A ver se arranjo umas quantas garrafas.
Qt. Infantado Reserva 2003 – outra boa confirmação. A ver se arranjo também umas quantas garrafas (menos do que as anteriores pois custa o dobro).
Gambozinos Reserva 2004 – uma estreia de um produtor a tentar a sua sorte em “marca” própria. Um nome nada consensual que pode levar a nossa memória colectiva a pregar-nos uma partida pois este vinho não é nenhum logro. Bem feito. Cerca de 12000 garrafas a 15 euros. Também existe uma versão monocasta de Touriga Nacional ao mesmo preço mas desta apenas se fizeram 3000 garrafas. O produtor é um excelente conversador e só por isso merece a referência dos seu vinhos aqui no blog (se isso valer alguma coisa).
Maritávora Reserva Branco 2005 – não sei se porque estava fresco e as minhas papilas agradeceram mas a verdade é que até foi um branco que me surpreendeu. Muito aromático e com boa presença na boca. Por esta não esperavam, hem!

Bom, e sem dar por isso eram quase nove horas da noite. O Ricardo há muito que se tinha ido embora. O Cristo, que me acompanhou, há meia-hora que já estava pelo menos uma hora atrasado para jantar. Eu aproveitei a boleia e também me vim embora. Tempo ainda de cruzar-me com o nosso amigo Nuno do Saca-a-Rolha. Tinha acabado de chegar. Pelo vistos quis-nos substituir como “Blog Vassoura”. :)

Este evento não teve (pelo menos no sábado) nem de perto nem de longe o número de pessoas do Encontro com o Vinho. Também não seria esse o objectivo. O publico aqui era “malta” mais conhecedora. E ao escrever isto, apercebo-me que somos poucos. Sim, porque foram poucos os que se deslocaram ao casino em fim-de-semana de alerta amarelo. Uma coisa positiva: invés de “lutarmos” por um lugar junto à barraquinha na Junqueira, aqui eram os representantes das marcas (pareceu-me haver poucos produtores presentes) a “puxarem-nos” para beira do expositor. Sentimo-nos mais amados. :)

7 comentário(s):

Nuno de Oliveira Garcia disse...

"Blog vassoura" é muito bom! Gostei de vos ver por lá, a ti e ao Cristo. Pena não ter tido tempo para muita conversa.

Abraços,

N.

rui disse...

Não faz mal. Se não nos encontrarmos antes, no jantar eno-blog vamos ter oportunidade para falar bastante. Aliás com a quantidade de vinho que se está a pensar levar, vamos ter conversa que nunca mais acaba. :)

Um abraço,
RC

Copo de 3 disse...

É caso para dizer que vamos ter de fazer horas extra-ordinárias haha...

Paulo Pacheco disse...

jantar eno-blog?

rui disse...

Caro Paulo,

vê este link:

http://pingasnocopo.blogspot.com/2006/11/
um-encontro-de-eno-blogs-que-acham.html

Um abraço,
RC

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Rui, a conversa ficará solta certamente.

Sabes, voltei lá no Domingo e não me arrependo nada.

N

PS - Fiquei com inveja da vossa "Noite de Estrelas"... que vinhos...

PS 2 - Isso do Noval a 70 € é coisa que já falámos... preços assim é só para os outros.

rui disse...

Nuno,
no Domingo estava mais gente presente?

Um abraço,
RC

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