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sexta-feira, novembro 24, 2006

Noite de Estrelas

Uma vez por ano fazemos um jantar destes: megalómano!”, desabafo do Rui Gomes, homem forte (e único) da Flyingwines, empresa organizadora do jantar. A Flyingwines é um projecto pessoal de Rui Gomes (flyingwines@gmail.com), controlador aéreo de profissão, cujo o objectivo é dar a conhecer o vinho as todas as pessoas interessadas. Organiza eventos (jantares, excursões) à volta do vinho por paixão e ainda vende umas garrafitas aos amigos, coisa pouca pois a vocação e a disponibilidade não é muita.

O jantar decorreu esta quarta-feira no restaurante Horta dos Brunos. O Pedro Filipe, dono da “horta” e amigo do organizador, fez-nos o favor de meter uma cunha de modo a podermos participar neste jantar tão selecto, quer de vinhos quer de participantes, quanto megalómano.

Recepção

O nosso anfitrião quis-nos apresentar um sortido de conservas (sardinhas, atum, vieiras, berbigão) espanholas da marca Ramon Penã pelas quais, eu pessoalmente, não fiquei entusiasmado mas sei que o Cristo e o Nuno “pescaram”, cada um, uma dezena de sardinhas em molho picante. Na ajuda à pescaria foi servido um espumante:

Ervideira Reserva Bruto 2004 Se nos brancos me abstenho de dar “rolhas” então nos espumantes até me abstenho de fazer qualquer comentário tal é o meu desconhecimento sobre este tipo de produto.


Entradas

A acompanhar as várias entradas que este restaurante disponibiliza (paio, salada de polvo, rissóis e pasteis de bacalhau, pimentos padron, pimentos vermelhos, coelho desfiado de azeite e vinagre, favas com chouriço, tiras de entrecosto, requeijão e doce de abóbora), e que são sempre de grande qualidade, estiveram os brancos:

Guru 2005 – cor palha claro. Aroma ligeira fruta tropical que depressa desvanece. Na boca encontrei um travo forte a maracujá verde num final ligeiro mineral. Com o tempo no copo as notas fumadas da madeira cobriramcompletamente o vinho.

Redoma Reserva 2005 – cor amarelo claro. Aroma mineral sem fruta em evidência. Com esforço, algumas notas cítricas. A boca tem boa acidez com final a amêndoas amargas. Tal como o anterior, as notas fumadas da madeira começam a sobressair com o tempo no copo e o aumento da temperatura.

Só quem lê este blog pela primeira vez é que ficará surpreso com as minhas próximas palavras: “ Não aprecio brancos. Não sei apreciar brancos.” Nunca o escondi. E neste jantar confirmei esta minha particularidade (quem quiser, chame-lhe incapacidade). Mesmo o Redoma Reserva, aceite pela maioria dos críticos como o melhor branco português, não fez nada por mim, e assumo incrédulo que, não percebo a diferença qualitativa entre este e outros brancos que provo (raramente, é verdade).


Prato Principal

Umas excelentes mãos de borrego com batatas no forno tiveram a honra de se bateram com os seguintes tintos:

Vale Meão 2004 – Apesar de um pouco quente (foi vinho servido mais quente) o aroma apresentou-se muito fresco com notas de fruta vermelha e ligeiro verde balsâmico. Na boca o primeiro impacto é da fruta madura mas depois a madeira toma conta do final com uma secura “amadeirada” e ligeiros apimentados. Com a comida melhorou imenso, pois a “cremosidade” da batata amenizava os taninos e acabei o vinho a dizer maravilhas. Em relação à edição anterior, pareceu-me mais fresco no aroma e mais marcado pela madeira na boca (resultado, talvez, do ano menos quente).

Pintas 2004 – Aroma fechado com ligeiro cedro. Na boca parece um vintage novo. Ainda pensei que se tivessem enganado na garrafa e tivéssemos a provar a versão vinho do porto. Uma bomba de fruta preta madura, doce, guloso com chocolate. Perigosamente e excessivamente esmagador. Penalizado na nota, pois bebe-se facilmente o primeiro copo mas corre-se o risco de enjoar. Guardar uns meses de garrafa para lhe retirar algum do excesso próprio da juventude.

Vega Sicilia “Valbuena” 5º Año Reserva 2001 – A cor já denota alguma evolução. O aroma fresco a feno e esteva dominam a fruta. A boca é fresca e macia, a finalizar com notas seca de mato. Bebe-se facilmente com agrado. Teve azar com um dos companheiros de prova (Pintas) que estava quase no estremo oposto e que o abafava. Um vinho que se manteve muito tempo fresco e que vai melhor sozinho ou com um prato menos pesado.

Xisto 2003 – Optei por não provar. Já tinha provada este vinho anteriormente e como a noite ia a meio...

Houve aqui uma ligeira pausa para mudança de copos, respirar, mudar de prato e chegar à mesa uns nacos de costeleta grelhada de novilho para acompanhar os restantes tintos:

Chryseia 2004 – Este vinho já o tinha provado anteriormente (no mesmo jantar que provei o Xisto, no entretanto extinto “À Volta do Vinho”) e voltei a ficar com a mesma impressão. Muita baunilha no aroma. E eu embirro com a baunilha. A boca continua doce com fruta madura e chocolate branco. É preciso beber um pouco mais fresco para que os baunilhados e fumados da madeira não se tornem enjoativos.

Batuta 2004 Aroma fechado com fruta fresca a equilibrar a madeira. Fresco e elegante na boca. Excelente acidez. Ligeiro herbáceo e secura final. Quanto mais bebia mais gostava, dado o último gole exclamei: “Temos um cinco!” Não é para fazer nenhum favor ao Dirk Niepoort, pois ele não precisa, mas já o anterior 2003 foi dos poucos vinhos tintos que lhe dei 5. Gosto mesmo disto.

Sobremesas

Rodízio de sobremesas típico deste restaurante cujo expoente máximo é a mousse gelada de chocolate. Ainda foi servido, para acompanhar o LBV, um bom queijo da serra.

Fonseca LBV 2000 – Outro vinho já provado e aqui classificado. Outra vez a mesma impressão. Muito doce, muito rebuçado. Fácil. Até pode ser muito bom mas não é o meu estilo.

Fonseca Tawny 20 anos – A cor parece-me mais avermelhada do que o habitual para um 20 anos. Algumas farripas de casca de laranja e frutos secos no aroma, mas sem impressionar. A boca é muita (e apenas) noz. Acidez elevada. Não me convenceu. Até agora, a Fonseca para mim é vintages, o resto ...

Qt. Seara d’Ordens Vintage 2000 – Optei por não provar e pedi uma garrafa de água com gás. Tinha que começar a fazer a limpeza da “vasilha”. A garrafa tinha sido aberta há dois dias e fechada com o sistema “Le Verre du Vin”. Os meus comparsas de blog disseram-me que se notava que a garrafa já tinha sido aberta à algum tempo mas que ainda assim se portava bem.


Provavelmente, chegado ao fim, o leitor deve ter exclamado: “Xiça, não foi barato de certeza!”. Tem razão. No entanto, o preço do jantar não pagava uma única garrafa de Pintas se fosse comprá-la a uma garrafeira (não acredite naquele preço que vem na RV). Mas mais do que os vinhos, que estiveram excelentes como aliás lhes competia, o interessante foi descobrir o Rui Gomes, que nos parece ser uma pessoa que realmente gosta de vinho. E com isto, quero ser mais abrangente do que o mais simples gostar de beber ou provar vinho. Ao conversarmos, longamente no final do jantar, ficou a ideia de ser uma pessoa que sozinha tenta fazer mais pela educação das pessoas sobre vinho que alguns produtores e muitos distribuidores. E isso, é motivo do nosso reconhecimento. Força!

2 comentário(s):

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Rui,
Isto sim é um jantar...

rui disse...

Foi bom. Não se pode é fazer muitas vezes senão ficamos mal habituados e depois é uma chatice quando voltamos à realidade. :)

Um abraço,
RC

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