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quinta-feira, julho 12, 2007

2007/2º Trimestre - Descrições RC

No post anterior foram publicadas tabelas com as notas de prova (rolhas) dos vinhos bebidos por cada um dos membros deste blog no período referido no título. Como sou o mais desavergonhado, apresento, para os leitores mais curiosos, as descrições das provas efectuadas. Como é óbvio, a introdução feita no post anterior referido é valida para as descrições que se seguem.

O texto abaixo segue o seguinte fluxo: vinho -> rolhas -> descrição de prova

Tintos

Aragonês da Peceguina 2004 - 4 - Aroma com muita fruta madura e chocolate. A boca tem alguma garra e alguma especiaria que não o deixa cair num tom monocórdico. Devido a este particular, gostei mais do que o irmão Malhadinha. Bom alentejano.

Calderona Crianza 2003 - 2 - Não muito carregado de cor. A madeira cobre a fruta. Predomina o cheiro a madeira molhada. A boa mediana com as notas da barrica a predominarem mais uma vez. Final macio e seco a lenho.

Cedro do Noval 2004 - 3,5 - Aroma pouco exuberante. Frutos silvestres e muito ligeiro chocolate. Nariz um pouco alcoólico. A boca é envolvente com final aguerrido e também ele alcoólico. Um vinho penalizado porque se nota demasiado os 14,5º. Pena! Tivesse menos um 1% de alcoolémia e era uma delícia de beber.

Cerro das Mouras Grande Escolha 2003 - 4 - Não sendo muito aromático é ainda assim interessante. Frutos silvestres, notas de mato e nuances verdes. Na boca não é muito frutado. Vale pelo equilíbrio do conjunto, com as notas que lhe encontrei no nariz a confirmarem-se na boca. Boa acidez. Um vinho gastronómico que casa bem com uma panóplia alargada de pratos de carne.

Convento da Tomina 2005 - 2 - Assim que cai no copo o aroma é adocicado. No entanto, este efeito é passageiro. As notas verdes ganham terreno e tapam a fruta. Na boca o lado vegetal é também dominador, com amargo final. Não gostei.

Diálogo 2005 - 3 - Não muito carregado na cor. Aroma a frutos vermelhos. Não é muito estruturado na boca. Notas de framboesas e morangos. Agradável. Pouco alcoólico. Bebe-se facilmente sem grandes pensamentos. Na prova anterior (em casa) achei que tinha um aroma forte e facilmente identificável com morangos que agora não consegui precisar. No entanto, desta vez o vinho estava um pouco quente.

Gouvyas 2004 - 3,5 - Frutos silvestres. Algumas notas verdes. Terroso. Boa acidez. Finaliza de forma austera com leve amargor. Um vinho um pouco em contra ciclo no Douro e que resulta melhor com comida do que a solo.

Grou 2004 - 3 - Cor carregada. Muito balsâmico. Pinheiro e eucalipto. A boca acompanha o nariz. Boa estrutura e acidez. No entanto, já outros vinhos foram por mim penalizados quando o efeito after-eight ou halls é demasiado. Uma questão de gosto, portanto.

J 2005 - 3 - Aroma pouco evidente. Não será frutado, nem floral, nem “madeirozo”. É indeciso entre estes três eixos. A boca não é fácil. Fruta escondia entre algumas notas de vegetais e de mato. Taninos presentes e final ligeiramente amargo. No contra rótulo o enólogo que dá nome ao vinho (Jorge Moreira) diz-nos que este é um vinho assumidamente diferente do que se faz actualmente no Douro. Relembro que ser diferente é apenas e só uma direcção, uma atitude, não é condição necessário e muito menos suficiente para ser bom. Relembro também que elogio e prezo muito a diferença.

La Rosa Reserva 2004 - 4,5 - Cor rubi profunda. Aroma a fruta negra madura, ligeira madeira e chocolate. O impacto na boca é ligeiramente doce. Grande estrutura, taninos no sítio e final apetitoso. Curiosamente não se notam os 15º a beber; apenas ao levantar da mesa. Gostei muito.

Maritávora 2004 - 3 - Cor carregada. Aroma com muita tosta. Muito fumados. O vinho é encorpado com a fruta madura mas falta-lhe acidez para dar lhe dar vivacidade e frescura. Vinho pesado e cansativo. Decididamente não atino com vinhos que preferem o carvalho à fruta fresca.

Marques de Borba 2005 - 3 - Aroma ligeiro com alguma fruta doce. Na boca é docinho e de fácil agrado. Algumas notas de vegetais não o deixam enjoativo e dão-lhe alguma graça. Uma marca a que recorro com regularidade em restaurantes que não fazem do vinho uma prioridade e quando o resto dos convivas gosta do copo é cheio. Tem o mérito de se encontrar com facilidade e de nunca ser desagradável.

Montes Claros Reserva 2004 - 2 - Cor não muito carregada. Abertas duas garrafas pois a primeira apresentava umas notas animais (algum suor de cavalo, se preferirem) que não me agradaram. Na segunda, chamemos-lhes apenas notas de couro pois já eram mais leves e com o tempo no copo tiveram tendência a desaparecer. Depois notava-se um verde incomodativo (não sei se é do Cabernet) que não gostei e que não desapareceu. A boca é de média concentração com fruta misturada novamente com sabores verdes. Final aguerrido com leve ardor alcoólico. Um alentejano estranho que sinceramente não gostei (particularmente do nariz).

Pintas 2004 - 4,5 - Cor profundamente carregada. Aroma doce a fruta madura, alguma baunilha e chocolate preto. A boca é gorda, cheia, gulosa. Final de lamber os beiços e esfregar o palato. Achei-o menos doce na boca do que há 6 meses atrás e daí lhe ter subido meia rolha. Realmente é um vinho que não deixa ninguém indiferente.

Prazo de Roriz 2004 - 4 - Aroma de fruta silvestre. Algum toque balsâmico. Contido. Boca fresca e harmoniosa. Final gostoso e equilibrado. Bem feito. Só tenho pena de ser difícil encontrar. Preço ajustado.

Qt. Crasto Vinha Maria Teresa 2004 - 4 - Fechado de aromas. Alguma toque exótico não identificado. A boca é aguerrida com fruta pouco evidente e alguma especiaria. Taninos presentes. Complexo e de final prolongado. Para domesticar nos próximos tempos.

Qt. Dôna 2003 - 3,5 - Aroma exuberante com mistura de frutos vermelhos (groselhas ácidas) e frutos pretos macerados. Grande impacto de boca com muito sabor. Podemos até não descortinar ao que sabe mas que sabe, sabe. Final intenso sem se notar o rendilhar da baga. Um vinho diferente da Bairrada que pode cativar gente que não vê esta região com bons olhos. Um pouco excessivo para mim e daí porventura não ter uma rolha maior.

Qt. Infantado Reserva 2003 - 4 - Não muito carregado na cor. No aroma a fruta é ultrapassada pelas notas da madeira (mas não baunilha) e por lado mais vegetal/balsâmico. A boca é final, elegante, fácil de beber e não cansativa. Apetitoso final. Um vinho que joga nos dois campos: a solo ou à refeição.

Qt. La Rosa Tinto Cão 2004 - 3,5 - Sendo uma raridade feita pela Qt. de La Rosa para comemorar o centenário da quinta e estando nós alojados na quinta, pareceu-nos apropriado provar a pomada. A curiosidade maior era provar um vinho 100% Tinto Cão. Cor forte, não muito frutado. Contido. A boca é cheia, um pouco rugosa, com taninos presentes mas não verdes. Casou bem com a carne mal passada pois obteve desta bastantes proteínas para lhe acalmar a “sede”. Final seco. Um vinho que foge ao “novo” Douro e que precisa de mais uns tempos em garrafa (para quem gosta deles mais mansos, claro!)

Qt. Perdigão 2003 - 3,5 - Aroma floral e balsâmico. A boca é fácil, macia e agradável. Um bom preço qualidade e que acompanha pratos não muito fortes.

Qt. Seara D'Ordens Touriga Nacional 2004 - 2 - Cor bem violeta. Aroma com notas de frutos silvestres. Algum floral. A boca estraga tudo. Desconcentrada. Desconjuntado, com os elementos ainda por integrar. Finaliza com ligeiro ardor alcoólico. Ou o tempo se encarrega de harmonizar o conjunto ou as “peças” não foram feitas para encaixar de raiz. Pena!

Sirga 2004 - 4 - Aroma muito frutado com ligeira baunilha. Um pouco doce do ponto olfactivo. A boca confirma a muita fruta. Muito jovem. Falta-lhe alguma complexidade pois matéria-prima (uvas) de boa qualidade parece ter. Para "novatos" no assunto é um vinho que impressiona facilmente.

Talentus 2004 - 4 - Aroma a frutos silvestres bem integradas com a madeira nova. Na boca é um vinho certinho, feito para agradar e por isso não falha. Preço justo.

Vallado 2005 - 2 - No aroma o lado vegetal predomina. A boca apresenta alguma acidez excessiva (ou falta de fruta madura). O final deixa a boca com sabor a mofo. Não gostei.

Versus 2004 - 3 - Aroma frutado com ligeiro toque vegetal. Na boca falta-lhe alguma vivacidade para acompanhar a fruta e torna-se um pouco mole e chato. Final com ligeiro amargor.


Generosos

Qt. Infantado LBV Unfilt. 2001 - 4 - Todo ele parece um vintage novo. Muita fruta. Ligeiro anis. Algum chocolate. Um LBV forte com garra e que em prova cega é capaz de deixar alguns vintages envergonhados. Como gosto deles assim… cá vai disto.

Cockburn's Vintage 2000 - 2 - Cor já denota alguns acastanhados. Aroma já com frutos secos e figo. Nariz alcoólico. A boca é toda ela dominada por uma sensação alcoólica muito forte que não nos deixa apreciar verdadeiramente o vinho. Será que já está a dormir ou isto é sinal de mau envelhecimento?

Dow's Vintage 1994 - 3,5 - Por comparação com o Cockburns 2000 (bebido no mesmo jantar), este apresenta um cor vermelha mais viva. Aroma a figos maduros e forte a passas. Compota doce. A boca é macia, muito doce a passas e figos. Para mim torna-se enjoativo beber mais do que um copo. Necessário temperatura correcta e acompanhamento que lhe corte o doce.

Dow's Vintage 2003 - 3,5 - Cor imponente. Aroma contido com algum chocolate preto. Fechado. A boca é poderosa a mostrar-nos que tem uma estrutura de aço para aguentar o tempo. Por agora não é dos mais fáceis de beber.

Qt. Passadouro Vintage 2004 - 2 - Não é dos vintages novos mais pretos que há no mercado. Logo ao rodar no copo prevê-se que o corpo não nos irá impressionar. Aroma com fruta doce. Algum anis. Na boca falta-lhe estrutura. Curto. Muito curto. Um vintage menor.

Qt. Portal+ Vintage 2003 - 3,5 - Aroma anisado. Chocolate. Compota doce. A boca é fácil com a notas de fruta doce e de chocolate em evidência. Acompanha muito bem um carpaccio de queijo da ilha dos açores.

Qt. Vesúvio Vintage 1999 - 4 - Cor ainda bem nos vermelhos. Aroma a fruta doce. Compota. Chocolate preto. Na boca é um bombom de fruta. Redondo. A precisar de ser servido à temperatura correcta para não enjoar. Um docinho. Casa lindamente com o queijo da serra que não seja demasiado amanteigado nem salgado, apenas o suficiente para amparar o doce do vinho sem o matar. Para mim, está numa fase em que lhe falta aquela garra da juventude que ajuda a disfarçar o doce. Quem gosta deles mais doces do que aguerridos, vai adorar.

Qt. Vesúvio Vintage 2003 - 4,5 - Cor violeta profunda. Aroma contido com anisados e frutos pretos. Algum floral. A boca é poderosa mas já se percepciona alguma fruta mais imediata. Ligeiro chocolate. Final apetitoso. Geralmente o Vesúvio é uma aposta ganha e este também não falha.

Bacalhôa Moscatel Roxo 1997 - 4 - Cor espectacular. Acho muito bonita esta cor dourada brilhante a raiar o laranja. Muito frutos secos. Farripa de laranja. Uma boca a precisar de uma torta de laranja não muito doce coberta de lasca de amêndoa torrada. Não foi o caso mas ainda assim portou-se muito bem com a panóplia de doces alentejanos degustados.

18 comentário(s):

Fernando Santos disse...

Boas,

Hum.. impressionar com o Sirga 2004.. ok, quanto será a garrafa num bom restaurante? Já vi na net por 17,90€, por isso deve ficar por 25€ à mesa.

Abraço,
FS

P.S: tens por habito não colocar os preços, assim obrigas-me a andar a pesquisar...

P.S.2: se ela não ficar impressionada, voltamos a falar..

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Rui,

Estes v. post são sempre uteis. Parabéns.

Como sempre, aqui fica também os meus breves comentários:
concordo com as notas do "Montes Claros", "Pintas" e "La Rosa Res."; discordo das notas do "Grou", "Peceguina" e "Conv. Tomina").

Abraços,

Nuno

rui disse...

Caro Fernando,

isso dos preços é complicado. Depende se estamos a falar de garrafeira (e dentro destas quais) ou de restaurantes (e dentro destes quais). Para a próxima posso tentar colocar um intervalo de preços mas sempre com esta ressalva (existem vinhos que podem variar na ordem das dezenas de euros).

Um abraço,
RC

p.s.2: Se beber mais que dois copos garanto que fica "impressionada", pois se bem me lembro esse vinho é "animal" para rondar os 14º ou mais. :)

rui disse...

Caro Nuno,

discordamos em relação ao Grou da mesma forma que discordámos em relação ao Antonio Maria. Como as notas reflectem o nosso gosto pessoal, geralmente os vinhos com elevado aroma e saber a balsâmicos (pinheiro, eucalipto, mentol), são por mim "penalizados" na nossa escala de gosto.

O Peceguina é curioso porque neste não estava à espera (depreendo que não gostaste tanto?).

O Convento da Tomina está-me atravessado. Bebi no Ganhão (ainda não fiz a crítica do restaurante)e depois em casa fui ver o que a maioria dos guias diz do vinho e tive uma surpresa pq são quase todos unânimes na descrição antagónica do que eu escrevo. Descrevem-no como um vinho muito maduro, com muita fruta, quente, tipicamente alentejano. Hoje tenho pena de não ter pedido para abrir outra garrafa não vá aquela ter saído ao lado na linha de engarrafamento. :) No entanto, é assim mesmo, como não me enviam duas amostras para casa para poder fazer a contra-análise, tenho que me cingir à única que tenho. Pode ser que volte a beber e se notar diferenças depois escrevo nos comentários (como geralmente faço com todos os vinhos).

Um abraço e viva a não concordância,
RC

Pedro Sousa P.T. disse...

Concordo com os que provei, Pintas, Convento da Tomina, Grou, e Prazo Roriz, que já agora tenho visto no Continente Cascais shoping. Claro que nunca poderemos ser unanimes, mas na generalidade, tirando um pormenor ou outro, concorde plenamente.

rui disse...

Caro Pedro,

já agora esse Prazo de Roriz que vendem no Continente do Cascais Shoping é de 2004 ou é ainda do "difícil de vender" ano de 2002 (geralmente à venda nos supermercados só encontro de 2002)?

Um abraço e obrigado,
RC

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Rui,

Viva a discordância claro.

O Peceguina acho-o mesmo monótono, mas pronto. O Conv. Tomina é mesmo muito maduro (o problema foi da garrafa).

O Grou gosto muito, mas penso que o estilo pouco tem que ver com o António Maria. É verdade que, como dizes, há muito balsâmico nos dois, mas o Grou é bastante mais fresco e menos químico ("penso eu de que").

Grande abraço,

Nuno

Chapim disse...

Caros, o Prazo de Roriz que tenho visto pelos supermercados Continente é o de 2002.

Já no Corte Inglês tem a colheita de 2004 que está um belíssimo vinho. Das melhores apostas desse segmento.

Boas provas!

rui disse...

Caro Nuno,

era exactamente em relação aos fortes balsâmicos que eu estava a comparar os dois vinhos. E se bem te lembras já na altura da prova do Antonio Maria referi esta minha "esquesitice" no gosto.

Já tenho dois vinhos para rever:)
- Convento da Tomina 2005
- Herdade do Portocarro 2004 (não está esquecido e até já sei onde o vou beber)


Um abraço,
RC

rui disse...

Caro Chapim,

obrigado pela informação. Tb é a noção que eu tenho: nos supermercados só o 2002. O Corte Ingles como tem sempre as novidades já o substituiu pelo 2004. Pena é o preço que o "club gourmet" pratica. Não se pode lá ir.

Um abraço,
RC

VinhoDaCasa disse...

O Grou para mim é um belíssimo vinho.
Muito extraído, cheio de terroir, afinal de contas o bálsamo parece vir do eucaliptal onde a vinha está inserida...

O António Maria infelizmente não o conheço.
Já o Sirga ter melhor pontuação que o Poeira... O Poeira é um vinho único, um vinho que dura horas e horas e sempre a melhorar. Foi dos vinhos com melhor evolução que provei. Ainda me faltam beber os tais Borgonhas envelhecidos :)

rui disse...

Caro Frexou,

nesta nossa escala de gosto, do ponto vista conceptual até posso gostar mais de um vinho de mesa de 0,99€ do que um DOC de 50€. Ou seja, o Poeira, por parâmetros técnicos mais ou menos aceites, até pode ser mais bem feito que o Sirga e eu gostar mais deste último.

Eu vejo isto, como a música ou os filmes. Até gosto de música e filmes que são assumidamente de pior qualidade (técnica, de produção, montagem, actores/cantores, menos complexos, etc) que outros. E sei disso. Aliás, para quem nos acusa de excesso de racionalismo nisto dos vinhos, acho que é neste ponto que pode existir a tal “poesia”.

Um abraço,
RC

p.s. O aroma a balsâmico do Grou até pode provir do facto de terem plantado a vinha em cima ou ao lado de um eucaliptal. E ser esse o seu "terroir", e não provir de rebuçados de mentol que lhe metem nas cubas aquando da fermentação. É-me indiferente, não aprecio particularmente quando acho excessivo. Por exemplo, se o tal "terroir" invés de eucaliptos tivesse um pântano mal cheiroso ao lado da vinha e os vinhos viessem a cheirar a enxofre e outra coisas piores, era obrigado a gostar apenas pelo vinho provir de "terroir" genuíno, diferente e, convínhamos, original? Um dia ainda hei-de escrever sobre essa história do "terroir".

Anónimo disse...

boa tarde
rui,não abusando dos seus conhecimentos,já que sou um leitor assiduo das suas criticas /opiniões/sugestões,gostava de lhe pedir um conselho:
para um jantar entradas de enchidos ,robalo no sal,porco preto,sericaia, que ordem de vinhos tintos que me aconselha.
obg ps

rui disse...

Caro ps (penso que era a assinatura),

deixa dizer que achei graça ao conceito de "abusar dos meus conhecimentos". :)

Ordem de tintos? Portanto com o robalo tb vai tinto, é isso?

As regras normais da combinação gastronómica/enófila dizem-nos que para pratos mais leves, vinhos mais leves. Portanto, eu diria que começava (entradas e peixe) com um tinto leve, jovem, pouco alcoólico (sei que é difícil de encontrar algo abaixo dos 13,5º). Temperatura mais baixa - servir a 14/15º (se gostares e estiver muito calor, escolhe um rosé pouco alcoólico e fresquinho).

Para o Porco Preto, como tem gordura, acho que já consegue aguentar um vinho mais forte que tenha algum tanino e boa acidez para cortar aquela gordura típica do "porco preto" vendido hoje em dia no mercado (já reparam que deixou de haver porco branco ou rosinha :)).

Com a sericaia, escolhia talvez um LBV com certa idade (abaixo de 2000) que já tenha frutos secos para ligar com o doce da ameixa e a canela, ou então um tawny envelhecido (10/20anos) fresco (12/13º)- se calhar até fica melhor.

Um abraço,
RC

p.s. estou cheio de fome :)

Anónimo disse...

rui, boa tarde
sou um apreciador de vinhos tintos "douro" quais locais dem ser supermercados que aconsselha na região lx

pedro paulo pp

rui disse...

Caro Pedro,

garrafeiras em Lisboa nas quais eu compro:
- Garrafeira Nacional (na baixa) tem dos melhores preços em Vinho do Porto e vinhos do Douro. Nas outras regiões não é muito completa (tem o principal).
- Coisas do Arco do Vinho (em Belém). Costuma ter as novidades todas. Muito completa em todas as regiões. Preços assim a assim.
- Garrafeira Entrecampus (ex-Vilateka; junto ao C.C. Gemini de difícil conhecimento) - tem poucos clientes consumidores (vende quase tudo para restaurantes). Tem muito bons preços. E os vinhos, é quase tudo Douro e Alentejo.
- Raramente compro no Venha à Vinha (junto à sede da CGD no Campo Pequeno). Não têm assim nada que a caracterize de muito diferente das outras.

Fujo do Napoleão (caro), Gourmet do Corte Inglés (muito caro mas tem tudo), Garrafeira Internacional (caro).

Um abraço,
RC

Anónimo disse...

grande "rui" boa tarde
diga-me a sua opinião se souber-quinta das tecedeiras vintage 2003
e onde o posso comprar
obg
pedro silva

rui disse...

Caro Pedro,
Se não me engano provei esse vinho há mais de um ano no encontro Dão/Douro de 2006 que se realizou no ex-Carlton Hotel (agora acho que tem outro nome). Na altura pareceu-me bem mas custa-me sempre dar a opinião de algo que apenas bebemos um trago a medo (neste tipo de encontros, esperamos sempre que não seja aquele último trago a entornar o barco :)). Confesso também que me impressionou mais a comercial que estava de serviço à mesa :). Espero que ela não seja uma das nossas leitoras. Seria grande o azar!

Não é um vinho fácil de encontrar. Na Garrafeira Nacional acho que só há o 2002. Tenta nas Coisas do Arco do Vinho ou no Corte Inglês.

Um abraço,
RC

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