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segunda-feira, janeiro 14, 2008

2007/4º Trimestre - Descrições RC

No post anterior foram publicadas tabelas com as notas de prova (rolhas) dos vinhos bebidos por cada um dos membros deste blog no período referido no título. Como sou o mais desavergonhado, apresento, para os leitores mais curiosos, as descrições das provas efectuadas. Como é óbvio, a introdução feita no post anterior referido é valida para as descrições que se seguem.

O texto abaixo segue o seguinte fluxo: vinho -> rolhas -> descrição de prova. O “*” identifica vinhos oferecidos pelo produtor.

Alentejo

Cartuxa - 2004 - 2 - Vinho não muito carregado. Aroma clássico alentejano mas pouco efusivo. Corpo médio, algum apimentado final mas sobretudo com muito ardor alcoólico (14º). Não fosse isso e podia ser muito mais agradável.

Colecção Privada "Cargaleiro" - 2005 - 1 - Aroma vegetal. Boca ligeira com notas muito verdes e amargor ácido. Muito fraco. Não terminei o copo.

Esporão Private Selection - 2003 - 4 - Bebido em duas ocasiões. Numa, pareceu-me mais marcado pela madeira com as notas fumada a dominarem, enquanto na outra, eram os balsâmicos os senhores. Gostei mais deste. Na boca, o primeiro era mais maduro e especiado. Já o segundo, era mais vegetal e mais guerreiro no palato. Ora aqui gostei mais do primeiro. Como em ambos os casos foram boas provas, a média dá a nota final. Continuo a achar que é dos melhores Alentejanos no mercado.

Esporão Touriga Nacional - 2004 - 3,5 - Aroma quente, maduro sem mostras das notas florais da Touriga. A boca corresponde e é ligeiramente doce. Final guloso e cheio. Falta-lhe uma maior frescura para subir de nível.

Outeiro da Águia - 2003 - 2 - Cor a denotar evolução com os castanhos a tornarem-se preponderantes na gama cromática. Boca curta com ligeiro couro e pouca fruta a deixar a descoberto o álcool no final. Apresenta muito depósito.

Qt. Mouro - 2003 - 3,5 - Muita extracção. Carregado na cor e maduro no aroma. Quente. A boca peca por alguma falta de acidez para lhe dar mais frescura e compensar a avalanche de fruta madura. Beber um pouco mais fresco para compensar.

Vale do Ancho - 2004 - 3,5 - Algo fechado. Alguma especiaria e barrica a marcar o aroma e a boca. Um vinho que não se mostra muito por esta altura. Ainda assim bebe-se com prazer.


Dão

Vinha.Paz - 2002 - 3 - Pouco perceptível na cor o passar dos anos. Aroma típico do Dão, mas contido, a caruma de pinheiro. A boca revela falta de vivacidade nesta fase. No ano anterior bebi uma que estava bem melhor. Algo amorfo. Não sei se será sinal de declínio.


Douro

Aneto - 2003 - 4 - Em relação a provas anteriores (ver trimestre anterior) notei-lhe menos especiarias e mais balsâmicos. A boca pareceu-me também ela mais frutada e menos complexa. Continua um vinho apetitoso mas perdendo as múltiplas especiarias que referi na prova anterior, tenho que lhe baixar a nota.

Apegadas Qt. Velha * - 2005 - 3 - Não muito carregado na cor. Corpo médio. De agrado fácil e sem grandes histórias ou pretensões.

Calços do Tanha Reserva - 2004 - 1 - Muito extraído. Muito químico. Muito artificial. Demasiado carregado e excessivamente puxado para "mexer" com as papilas gustativas que até as agride. Deixar passar o tempo em garrafa a ver se sai alguma coisa de jeito.

Consensus Grande Escolha - 2003 - 2 - Aroma ainda muito marcado pela madeira e já leva uns anitos. Na boca volta-se a sentir o carvalho aliado a alguma fruta em bruto e com pouco jeito. Taninos secos e bem presentes. Um vinho abrutalhado e pouco definido.

Duas Quintas - 2004 - 3 – Aroma a frutos pretos maduros. A boca mostra-nos um vinho correcto com a fruta madura acompanhada de boa acidez que a ampara. Final aguerrido com ligeiro calor alcoólico. Continua a ser um porto seguro na maioria dos restaurantes apesar de haver aqueles que se "esticam" no preço de venda.

JM Grande Escolha - 2003 - 4 - Fruta madura mas não excessiva e balsâmicos a dar-lhe frescura. Muito agradável na boca com taninos domesticados e prazenteiro final. Grau alcoólico correcto (13,5º), bebe-se de uma penada.

Meandro do Vale Meão - 2005 - 3,5 - Fruta madura e balsâmicos. Boca aguerrida a mostrar-nos a sua juventude. Final apetitoso com os taninos a dizerem "presentes".

Qt. Além Tanha V. Velhas * - 2003 - 3,5 - Vinho Potente. Alcoólico. Taninos ainda presentes e muita garra. Mais em força que em jeito. Falta-lhe um pouco de equilíbrio nesta fase e comida à altura por perto.

Ramos Pinto Collection - 2005 - 3,5 - Fruta, fruta e mais fruta. Profusão de fruta preta madura quer no aroma quer na boca. Um vinho que impressiona mas que lhe falta alguma elegância e outras dimensões de análise que não apenas a fruta de qualidade. O 18 do João Afonso é um absoluto exagero.

Sirga * - 2005 - 3,5 - Mais fresco que o 2004. Menos fruta madura, menos corpo, menos doce. Menos capacidade de impressionar. Menos espectacular a provar mas mais agradável a beber.

V.T. - 2005 - 3,5 - Aroma muito agradável com notas frescas de fruta apoiadas nos balsâmicos e algum floral. Tudo na medida certa. A boca mostra-nos esta combinação mas tem um final algo plano, o que acaba por ser desapontante e o leva a ser penalizado na nota. Culpa do prometedor inicio.


Estremadura

Úniko de Pancas - 2003 - 3 - Cor já apresenta os primeiros toques de acastanhados. Aroma evolvente com notas de algum couro com o vegetal do Cabernet. A boca continua a revelar-nos o lado vegetal com secura final. Taninos ainda aguentam "o animal" mais uns tempos.


Setúbal

Adega Pegões Colheita Seleccionada - 2004 - 3,5 - Aroma a fruta madura com bom, e equilibrado, suporte vegetal. Boca correcta com as várias partes equilibradas mas sem grandes complexidades. Compra segura e justa por cerca de 7€.

Adega Pegões Syrah - 2005 - 3 - Vinho certinho. Fruta agradável com certo doce do Syrah, corpo médio, taninos domados. Beber ligeiramente mais fresco e sem pretensões.

Adega Pegões Trincadeira - 2005 - 3,5 - Aroma com ligeiras notas vegetais. Boca equilibrada entre a fruta e o carácter vegetal. Falta-lhe um final mais prolongado para passar a outro patamar. O 17 do João Paulo Martins é um exagero mas é bem melhor que o Syrah. Por 4,5€, é dos melhores vinhos no mercado.

Herdade da Comporta - 2004 - 3 - Aroma marcado pela barrica. Alguma baunilha. Na boca a fruta tenta libertar-se da madeira e mostra-se aguerrida com um ou outro tanino mais espigadote.

Qt. Mimosa - 2004 - 3 - Aroma maduro com boa fruta e toque de baunilha. A boca é cheia, quente e madura. Falta-lhe um pouco mais de frescura para dar uma maioria vivacidade ao conjunto mas por outro lado faz as delicias dos que gostam de vinhos mais carregados, mais gulosos.


Trás-os-Montes

Valle Pradinhos * - 2004 - 3 - Cor carregada. No aroma a fruta é acompanhada por um lado vegetal proveniente do Cabernet. A boca é carregada com taninos ainda presentes e ligeiro toque químico. O Valle Pradinhos mais extraído dos últimos anos. Ganha-se em escuridão e corpulência mas perde-se em diferença e elegância.


Estrangeiros

Montes Folly Syrah (Chile) - 2004 - 3 - Aroma profundamente doce. Fruta madura a rodos e notas doces da barrica. A boca é cheia com notas de fruta muito madura mas unidireccional. Vinho com 15º a mostrar-nos que apesar das uvas estarem plantadas no cimo do monte ainda não é suficiente para lhe dar frescura. Falta-lhe elegância e classe. Aconselho temperatura mais baixa e comida que lhe corte o doce.


Generosos

Calém LBV (unfilt.) - 2000 - 2 - A cor apresenta já claros sinais da passagem do tempo. Aroma a frutos secos e figo. Boca a seguir o nariz. Corpo ligeiro a finalizar com leve ardor alcoólico. Beber um pouco mais fresco.

Fonseca Guimaraes Vintage - 2004 - 4,5 - Fruta madura e sobretudo chocolate. A boca é um prazer. A Fonseca parece que não consegue fazer apenas vintages razoáveis e muito menos maus.

Granham's LBV (filt. -375ml) - 2000 - 1 - Cor em tons vermelho-acastanhados. No nariz o álcool tapa qualquer tentativa de algo mais. A boca ainda nos traz algum fruto seco mas continua a ser o álcool a denominar a prova. Dos piores LBVs que já bebi. Não cumpre minimamente o objectivo de um LBV filtrado: smooth anda ready to drink.

Niepoort Vintage - 2005 - 4 - Aroma profuso a violetas e erva-doce. Diria que cai mais para o lado do floral do que para o lado da fruta-ó-chocolate. Boca potente, aguerrida, com final balsâmico e ligeiro ardor alcoólico. E foi neste ponto penalizado por isso.

Qt. Crasto LBV (unfilt.) - 2001 - 3 - Ainda são os tons violeta/ruby que predominam. Aroma a fruta madura e ligeiro toque de chocolate preto. A boca é viva com os frutos pretos emparelhado com o também preto chocolate. Taninos um pouco irrequietos não o tornam dos LBVs mais fáceis de beber. Final "guerreiro".

Qt. Infantado LBV (unfilt) - 2001 - 4 - É um vinho que tenho repetidamente classificado aqui porque é dos LBV's no mercado que mais gosto e que mais compro (acho que venho reutilizando este texto uns quantos trimestres).Aroma com fruta madura, ligeiro balsâmico. A boca mostrou-se bem gulosa e mais cordata do que o habitual. Ora esta combinação é um perigo porque a garrafa desaparece num instante.

Qt. Infantado Vintage - 2003 - 3,5 - Aroma maduro a fruta, algum chocolate e erva-doce. A boca é morna a confirmar as notas do nariz. Falta-lhe uma maior projecção e persistência para ser um grande vintage. Prefiro neste momento o LBV ao Vintage.

6 comentário(s):

Winetaster disse...

Concordo na generalidade com as classificações na maioria das ocasiões (referindo-me claro somente aos vinhos que provei). Só um senão, para o Sirga 2005, é verdade que é menos pujante, vendo exactamente aí uma virtude em vez de defeito. Apresenta um elegância que no 2004 era substituída pela explosão inicial de fruta na boca. O 2004 era mais fácil de beber, o 2005 que provei, deu-me a sensação de ser mais complexo, um "upgrade" do ano anterior.

Fernando Santos disse...

Caro Amigo,

Fui a vosso "convite" ao Jumbo comprar o Qt. Infantado LBV 2001 e partilho totalmente a tua opinião. Este fim de semana foi um problema para eu largar este Porto, muito boa relaçao preço qualidade. E ligou muito bem com os chocolates que me ofereceram no Natal..

Obrigado pela dica, claro que voltei lá e comprei mais duas para guardar... espero eu.

Abraço,
Fernando

rui disse...

Caro Winetaster,

geralmente tb aprecio mais os vinhos mais frescos. Neste caso, penso que apesar de mais fresco não está mais complexo. Está fácil de beber, equilibrado mas tb não se pode dizer que entusiasme. E o de 2004 tinha essa virtude extra: não nos deixava indiferente. Daí à versão anterior ter dado 4 e a esta 3,5. Ou isso, ou na altura era mais impressionável e menos esquisito. :)

Um abraço e bem vindo ao blog,
RC

rui disse...

Caro Fernando,

ainda tenho que pedir uma comissão ao João Roseira por andar a divulgar as qualidades dos vinhos dele.

Tenho uma óptima relação com os LBVs desta casa deste os 1994 e 1996. O de 2000 acho que não foi a melhor coisa que saiu e o mais recente 2001 voltou em grande forma. Depois tem a enorme vantagem de em caso de aperto, dá-se um pulo ao Jumbo ou ao Continente e ainda se chega a casa a tempo de impressionar os amigos à sobremesa.

Um abraço,
RC

Pedro Sousa P.T. disse...

Só 3 notas:
1-Concordo perfeitamente com o Duas Quintas, tudo muito certinho e equilibrado, o grande problema, e já foi discutido aqui várias vezes, é a "unha" que o pessoal da restauração põe nestes vinhos mais populares, e que se encontram com muita frequência nas prateleiras dos restaurantes.
2- O VT5, foi uma das minhas prendas de Natal. Fiquei todo contente, prendas destas não é todos os dias. Agora ao ler as tuas notas, pergunto: será que este vinho vai evoluir na garrafa, a fim de minimizar esse final de boca?
3- Pegões Trincadeira, também me surpreendeu bastante pela positiva, mas 17?...

Abraço.

rui disse...

Caro Pedro,

de uma maneira geral, e não só para o VT, quem é que pode garantir que determinado vinho vai "corrigir" algum aspecto em particular através de uma quantidade, não especificada, de tempo em garrafa? Essa é uma das perguntas de sempre nos nossos debates. Portanto, não sei. Se fores um homem de fé, acreditas que sim. Se fores mais atirar para o céptico, então desconfias.

De qq maneira, se leres umas quantas outras críticas ao VT, é provável que estas não achem problema nenhum com o final do vinho. Ora, se acreditares mais nessas criticas do que na minha, então o vinho deixa de ter problemas e não precisa de tempo nenhum em garrafa. Está resolvido.

A razão do 17 do Trincadeira da Adega de Pegões tem que ser perguntada ao JPM. Eu tb achei demais.

Um abraço,
RC

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