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quinta-feira, fevereiro 14, 2008

O meu processo de compra de vinhos

Temos recebido alguns emails de leitores que nos perguntam por vinhos para comprar, normalmente esperam que nós lhe digamos quais são as melhores relações preço/qualidade do mercado, ou seja, bom vinho a baixo custo. Lamento mas não consigo dar-vos essa resposta, não consumo vinho suficiente para que possa dizer que este ou aquele são os melhores para aquele preço, no entanto considero-me um consumidor informado e por isso uso algumas ferramentas que me ajudam a filtrar os vinhos a comprar antes de chegar sequer à lojas para os escolher, estando essas ferramentas disponíveis para todos vou falar-vos um pouco sobre esse meu processo de compra.

Não é possível provar tudo

O primeiro princípio para se fazer uma boa compra é ter a noção de que não conseguimos conhecer todo o mercado e como tal não vamos fazer a melhor compra do mundo. Já fui um pouco obcecado pelas compras perfeitas, principalmente na área dos gadgets, mas com o tempo fui-me apercebendo que o desgaste da pesquisa nem sempre compensava o gozo que se tirava dos objectos e acabava por comprar coisas de que não tinha grande necessidade e que apenas comprava porque era um bom negócio, foi assim com os CDs e com os DVDs. Foi igualmente com os CDs e com os DVDs que aprendi algo que transferi para os vinhos, não consigo “dar vazão” a todas estas compras (deixei de comprar massivamente há uns 2 anos e ainda tenho uns 30% das colecções que não vi nem ouvi), pelo que passei apenas a comprar aquilo que me despertava a atenção, aquilo que ouvira na rádio, vira no cinema ou provara numa feira e que me tinha convencido de que valia a pena. Há obviamente excepções e é daí que vêm as maiores surpresas e desilusões, mas também é aí que está o encanto, ou não?

Quem não sabe pergunta

Na sequência do ponto anterior, é muito vulgar deparar-me com situações em que não estou certo acerca do que devo comprar. Com a quantidade de novidades que continuam a surgir essa dúvida é normal e frequente entre os mais experientes e ainda mais nos mais novatos. Como referências de consulta para me ajudar na tarefa de escolha utilizo normalmente 2 referências profissionais: a Revista de Vinhos e o Guia do João Paulo Martins. Não quero com isto dizer que os outros guias não sirvam ou que sejam melhores ou piores, apenas sigo estes porque já consegui identificar o estilo dos autores e consigo fazer um paralelo com o meu estilo de vinho. Este é de facto um ponto importante, para que se consiga interpretar correctamente as notas de prova dos críticos é necessário que, primeiro, estes sejam coerentes nas suas avaliações e, segundo, que nós tenhamos conseguido estabelecer as diferenças entre nós e eles baseado nas suas avaliações passadas. A mesma teoria aplica-se à ajuda que obtenho do grupo aqui do blog. Não é necessário que tenhamos de concordar com as notas ou com o gosto do provador, apenas temos de compreender as diferenças.

O dinheiro não chega para tudo

Como será o caso da maioria dos nossos leitores, as posses não me chegam para comprar tudo o que queria, pelo que há prioridades que têm de ser bem definidas. Neste caso há duas coisas que devemos ter bem presentes, em primeiro lugar qual o valor máximo que estamos dispostos a pagar por uma garrafa de vinho, este valor difere muito de pessoa para pessoa, não só pelo facto de termos ou não dinheiro para pagar mas também porque podemos não dar importância suficiente ao vinho para pagar, por exemplo, 500€ por uma garrafa, há certamente pessoas que gostam de vinho e que este valor fica pelos 15/20€, ambos os casos são válidos e ambos têm legitimidade. O segundo ponto tem a ver com o orçamento para a compra de vinho, no meu caso, as compras centram-se entre os meses de Novembro e Abril do ano seguinte e prendem-se normalmente com as novidades que vão saindo, não tenho um orçamento muito definido atendo normalmente à seguinte distribuição: 5-10 garrafas de vinho tinto de topo, normalmente para guardar uns anos (2 ou 3) e para as datas especiais; 40-50 garrafas de vinho tinto de gama média para consumo regular (a minha média éfraquinha e ronda 1 garrafa por semana); 10-15 garrafas de vinho branco/rosé de gama média, principalmente para os meses mais quentes; 3-4 garrafas de vinho Madeira; 5-10 garrafas de LBV; 5-10 garrafas de Vintage . Com estas compras consigo cobrir as necessidades de vinho lá em casa e normalmente sobram algumas para o ano seguinte e para algumas ofertas esporádicas, tenho também em atenção que não é normal comprar mais do que 3 garrafas do mesmo vinho e à medida que o preço sobe esse número reduz-se, é pena mas tem de ser assim para se conseguir provar mais. Como deverão ter reparado não compro, por norma, vinho barato para casa (para mim estamos a falar de vinhos abaixo dos 8€), por duas razões, primeiro porque bebo pouco vinho e por isso quando bebo prefiro que seja bom, por outro lado com os preços praticados nos restaurantes temos por vezes de deixar o consumo desses vinhos para almoços e jantares menosenófilos e por isso menos onerosos.

Onde compro o vinho

Os vinhos lá para casa têm, regra geral, 3 origens, sem nenhuma ordem em particular:

- Hipermercados - As feiras de vinho, embora cada vez menos, têm um papel importante no fornecimento lá de casa, é aqui que se encontram alguns dos melhores negócios de vinho, bastante variedade, bastante qualidade e bons preços. Esta realidade era generalizada a quase todos as cadeias de hipermercados há uns anos atrás mas agora está cada vez mais reduzida aoJumbo , que continua com uma boa feira de vinhos anual e que, nessa altura, aposta forte em bons vinhos a bom preço. Durante o resto do ano é também o hipermercado com melhor oferta. AMakro tem também uma oferta interessante a espaços;

- Garrafeira Entrecampus - descobri a loja do Sr. Pais no primeiro dia do meu emprego actual, há 2 anos e qualquer coisa, fui beber café ao MultiCentro (um mini centro comercial na Av. Álvaro Pais em Lisboa) e lá estava uma loja (na altura chamava-se Vilateka) de vinho com uma oferta interessante espalhada pela montra. Conversa puxa conversa e lá fiquei de voltar outro dia com mais calma para fazer uma encomenda, foi a primeira de muitas, é normal a malta aqui do blog se juntar para fazer grandes encomendas ao Sr. Pais, às quais se juntam normalmente outros colegas e amigos que pedem sempre umagarrafinha especial para isto ou para aquilo. Não é garantido que seja o preço mais barato para todos os vinhos, mas é garantido que em 90% dos casos não tem preços especulativos e só por esse facto já merece uma visita, não tem todas as novidades do mercado mas tem algumas e o que não tem o Sr. Pais tenta arranjar. Tem uma boa oferta de vinho tinto e alguns brancos, nos Portos aparecem uma ou outra boa compra de vez em quando mas não é o forte;

- Garrafeira Nacional - esta loja será o oposto da anterior e como tal é o seu complemento ideal, tem alguma oferta de vinhos de mesa mas quase sempre com o preço especulativo normal do mercado dasgarrafeiras, a mais valia aqui é a extraordinária oferta de Portos, principalmente vintages , a preços que, sendo altos, são aceitáveis na medida em que quando não encontramos um determinado Porto em mais lado nenhum é provável que o encontremos na Garrafeira Nacional. É uma loja muito agradável e que possuí ainda uma óptima oferta de aguardentes e destilados diversos.


Este é o primeiro de uma série de 4 posts cujo objectivo é tentar ajudar a que os leitores que agora se iniciam nestas lides a conseguirem uma melhor experiência enófila, não é meu objectivo "mostrar a luz", apenas falar da minha experiência e esperar que isso possa ajudar alguém, nem que seja a perceberem que não é assim que querem fazer. O próximo post vai falar sobre os vinhos que tenho comprado durante o último ano, o seguinte vai falar sobre utensílios úteis para o consumo de vinho e finalmente vou tentar compilar um pequeno glossário de termos utilizados no meio.

19 comentário(s):

AJS disse...

Caro Ricardo uma excelente indicação para um iniciado nestas lides. Apenas um reparo. O patamar de 8€ como indicador de qualidade pode ser enganador, pois já tenho bebido vinhos muito agradaveis por menos e enfiado grandes barretes por mais. AJS

rui disse...

Ricardo,

o meu processo de compra não difere muito do teu (não fossemos nós comparsas de blog). Os locais de compra são os mesmos, apenas recorro ao "Coisas do Arco do Vinho" para arranjar alguma coisa mais complicada. E até acho a "Garrafeira Nacional" tem bons preços em todos os vinhos. Têm é o problema de concentrar a maioria da oferta nos vinhos no Douro (para quem quiser experimentar outras regiões não é a garrafeira ideal).

Como tu referes, realmente tb não tenho muitas garrafas em casa. Quer dizer, para um consumidor normal de vinho corrente, dizer que tenho cerca de 80 garrafas em casa é coisa de malucos mas para a maioria dos enófilos, e porventura para a maioria dos nosos leitores, este número até é desampontante (xiiii, só!). Mas como tu dizes, de semana não costumo beber (excepto se tiver um jantar enófilo ou algum evento ligado ao vinho) . Ou seja, no sou daqueles que bebe um copo de vinho sempre à refeição. O figado também precisa de descansar. :)

Também não sou muito de guardar vinho. Já aqui, mais do que uma vez, referi isso. Realmente, tirando alguns topos (sempre, se comprei mais do que uma garrafa) “consigo” guardar mais do que 2/3 anos. No entanto, nos vintages deixei-me entusiasmar em ralação à colheita do ano 2000 e tenho umas 20 garrafas de marcas diferentes no forno. Quase todos vintages “single quinta” que os mais caros tive medo que lhes acontecesse alguma coisa. :)

Um abraço,
RC

p.s.(1) fizeste um post tão grande como os meus. Para justificar a minha reputação, tive que retaliar com este comentário.

p.s.(2) realmente o AJS tem razão. Encontram-se coisas bem boas abaixo dos 8€ mas também temos que reconhecer que são raras. Mesmo muito raras. Normalmente, para bebermos um vinho já com uma boa qualidade temos que entrar no patamar dos 7/8€.

João disse...

Bem, no meu caso, como podem constatar pelo post de Dezembro 07 (Compras de Vinho On-Line) que sou um acérrimo defensor de compras on-line.

Não descuro as vendas tradicionais, sempre interessantes no que toca a troca de opiniões com os responsáveis das garrafeiras, mas por questões de tempo e facilidade de pesquisa, opto quase sempre pela web.

Já me aconteceu entrar numa garrafeira para comprar determinado vinho e este estar a um preço ligeiramente exagerado, ou não terem o vinho em stock e ter que comprar um que não me apeteça tanto.

Quanto aos vinhos abaixo dos 7/8 €, normalmente compro alguns para consumo quase imediato. Se gostar bastante de determinado vinho, compro cerca de 2/3 garrafas para ir bebendo nos jantares mais "rotineiros", mas sou adepto da prova de novos vinhos e não de beber sempre do mesmo.

Para guardar, comecei por guardar vinhos de quase todo o género, mas hoje limito-me a guardar cerca de 100-150 garrafas. 50% destes são Vintages e LBV's, e o restantes são os normais de topo - Barca Velha, Charme, Batuta, Vale Meão, Pintas, Poeira, Vinha Maria Teresa, Esporão Private Selection, Chryseia, Pêra Manca, etc dos vários anos existentes, mais um ou outro que se destacou em determinado ano.
Tudo o resto tento dar despacho, na medida do possível.
Porquê esta opção ? muito simples, começou a faltar espaço na garrafeira e tive de optar por quais guardar.

Mantenho a esperança de aqui a alguns anos fazer umas provas verticais do mesmo vinho com vários anos, e para isso tenho de começar a guardá-los - com muita pena minha.

Guardo também religiosamente o Quinta do Noval Vintage Nacional 2003 para beber daqui a uns bons anos com os meus colegas do blog (para que não leu os nossos posts de inicio, fizémos uma prova cega Noval vs Noval Nacional 2003 e ficámos de abrir a 2ª garrafa 20 anos depois)

Um abraço

rui disse...

João,

e é por causa dessa Noval Nacional que continuamos teus amigos. :)

Um abraço e boa viagem,
RC

ricardo disse...

Caro ajs,

queria antes de mais deixar as boas vindas à blogosfera, tenho a certeza que vai ser uma experiência proveitosa para ti e para nós leitores.

Posto isto e relativamente ao teu reparo, queria esclarecer que quando coloquei o patamar de 8€ não me referi aos vinhos que não atingem como maus, apenas como baratos.

Confesso que no primeiro esboço do texto tinha colocado o patamar nos 10€ mas analizando os meus registos apercebi-me que tenho comprado mais vinho entre os 8 e os 10€ devido ao aumento da qualidade dos mesmos (que já referi algures por aqui), pelo que não quero que estes patamares de valores sejam vistos exclusivamente como patamares de qualidade.

Um abraço,
RR

Pedro Sousa P.T. disse...

Concordo em tudo com o amigo AJS, e principalmente acho o patamar dos 6€-8€ em verdadeira ascenção em termos de qualidade, em relação ao patamar, por exemplo dos 10€-12€, claro tomando em conta que são mais baratos. E vou citar dois exemplos, um dado pelo João Paulo Martins, e outro pela RV, que segundo o teu post, são duas das principais referências: Pegões trincadeira 2004, que o J P Martins dá um 17, e no Jumbo de Cascais está a pouco mais de 4€. E quanto à RV, o Casa D`Aguiar, que a nota é de 16, e está a pouco mais de 7€ no mesmo Hiper.
Concordo contigo em absoluto, que quem bebe relativamente pouco vinho, dê preferência à qualidade, mas não devemos menosprezar os vinhos da gama média, pois às vezes há surpresas bem agradáveis. Outras vezes nem por isso...
Um Abraço, e cá espero a segunda parte com expectativa. Parabéns pela iniciativa.

Kroniketas disse...

Uma boa iniciativa, esta. Nós próprios também já dissertámos em Março de 2006 sobre estes temas numa série de 5 posts intitulados "Reflexões à volta da garrafa". Não discuto os critérios de compra, pois cada um tem as suas opções, mas também não concordo com o limite dos 8 €, pois chamar "barato" a um vinho de 7 ou 7,5 € parece-me pouco adequado (sempre são 1500 escudos, caramba) e dizer que a qualidade abaixo desse valor é baixa também não corresponde à verdade, até porque muitas vezes há promoções em que vinhos mais caros vêem o seu preço reduzido para baixo desse patamar. Se pusermos a fronteira nos 5 €, aí a conversa já é outra e entramos claramente num tipo de vinho diferente. Nos 8 não me parece que se possa estabelecer essa diferença. É que se o fizermos, onde é que ficam, por exemplo, vinhos como o Borba Reserva, o Tinto da Talha Grande Escolha, o Herdade Grande, o Vinha da Defesa, o Convento da Tomina, o José de Sousa, o Quinta de Pancas Cabernet, o Cabriz Reserva, o Álvaro Castro, os Fiúza ou Casa Cadaval, só para citar alguns exemplos? Será que não merecem entrar no rol dos "bons"?

Pratas disse...

Excelente texto!

ricardo disse...

Caro Pedro Sousa PT,

esse Pegões é um bom exemplo de uma excepção que confirma a regra e algumas garrafitas já moraram cá em casa.

E uma das coisas de que me prezo é não menosprezar nada nem ninguém, pelo que tenho todo o gosto em comprar o melhor vinho do mundo a 3€, mas tal como o Rui referiu não é fácil, nada fácil, pelo menos para mim.

Um abraço

ricardo disse...

Caro Kroniketas,

qual é o critério para dizer que 8€ não é valor justo para definir o barato e 5€ já é? Conheço pessoas para quem o patamar ronda os 3/4€ e outras para quem o patamar ronda os 15€. Acho que é tudo muito relativo, pelo que para mim um vinho de qualidade custar menos de 8€ é barato e é agarrá-los. Obviamente quando refiro estes valores estou a falar dos valores sem promoções, porque senão é batota.

Tentando voltar esclarecer, não acho que um vinho abaixo de 8€ seja mau... o meu critério para a qualidade não é certamente o preço, mas como são tantas as marcas e como em termos estatisticos (as minhas obviamente, mesmo que informais) é dificil encontrar bons vinhos abaixo dessa marca, na dúvida opta-se pelo mais caro quando a qualidade é o objectivo.

Quanto aos vinhos que referes, acho que não, acho que nem todos merecem entrar no rol dos bons, aliás acho que a maioria deles entra no rol dos vinhos honestos, vinhos razoáveis a bom preço. Vinhos esses, ao contrário do que possam pensar, até bebo com alguma frequência, normalmente em restaurantes em que o factor da margem de lucro é o x3.

Um abraço
RR

ricardo disse...

Caro Pratas,

muito obrigado.

RR

rui disse...

Caros Pedro e Kroniketas,

os vinhos referidos são, tb na minha opinião, na sua maioria razoáveis. Quando os planetas se alinham, o tempo ajuda e o enólogo acerta, então, em determinado ano (como acontece com o Trincadeira da Adega de Pegões), os vinhos sobem qualitativamente. Ou seja, é esporádico.

Penso que temos que distinguir um vinho correcto e sem defeitos de um bom vinho. Senão eram quase todos bons vinhos. Na lógica do texto do Ricardo não é esta a interpretação que se deve dar ao termo "bom".

Na interpretação maior do que é um bom vinho, continuo a achar que é muito difícil apanhar algo do patamar referido. Aliás, é mais fácil, como diz o AJS, apanhar vinhos acima desse patamar que não valem o dinheiro.

Um abraço,
RC

p.s. por exemplo, eu tenho ainda uma garrafa do trincadeira da Ad. Pegões do ano de 2004 em casa e como os planetas não estavam alinhados a coisa não resultam lá grande coisa.

Pedro Sousa P.T. disse...

Caro Ricardo,
Em vez de "menosprezar", deveria ter utilizado o termo "devemos levar em conta", ou " não nos devemos esquecer", porque realmente o termo "menosprezar" contem uma certa carga negativa.

Caro Rui,
Concordo perfeitamente. Provavelmente a colheita de 2006 deste Trincadeira de Pegões não será certamente tão boa. Tomemos em conta outro exemplo, o Padre Pedro 2001, que ganhou um prémio qualquer nos "states" pelo melhor vinho mundial até US5$, e eu comprei por acaso na altura pelo nome, não me chama-se eu Pedro, e achei realmente um vinho soberbo para o preço que estva. E agora vão lá provar o 2002, ou o 2005!!! A qualidade foi-se, e isto serviu só para promover a marca, e já agora, aumentar um pouquinho o preço pela fama.
Um abraço e boas pingas!!!

Kroniketas disse...

Caro Ricardo, dizer-se que um vinho de 15 € é barato só por piada. Pode haver quem esteja diposto a só comprar acima desse valor porque pode, mas daí a dizer-se que é barato vai uma grande distância. Assim como pagar 100 € por uma refeição, 100.000 € por um carro ou 500.000 € por uma casa. Lá porque há quem compra e não lhe faz falta, não quer dizer que seja barato... Em compro vinho há cerca de 20 anos e para o produto em causa não acho que 8 € se possa considerar barato. Se calhar o barato é aquilo a que muita gente pode chegar...
Aliás, se calhar é fácil estabelecer um critério, que nem sequer é meu: há vinhos ditos da gama "Premium" e "Super Premium", e essas estão relacionadas com o preço. Se calhar por aí pode-se definir com algum critério o que é barato e o que não é. Não é por alguém comer caviar todos os dias ou andar de Ferrari que passam a ser produtos baratos, pois não?

Quanto ao valor qualitativo dos vinhos que referi, pois é tudo uma questão de gostos, obviamente. Mas também podemos pedir um auxílio exterior, como o Guia de compras da Revista de Vinhos 2008. Sabendo que a pontuação é numa escala de 20 e que o "bom" vai de 14 a 15,5, o "muito bom" de 16 a 17 e o "excelente" de 17,5 a 18,5", temos que:

Borba Reserva - 16
Tinto da Talha Grande Escolha - 15,5
Herdade Grande - 16
Vinha da Defesa - 16
Convento da Tomina - 15,5
José de Sousa - 15,5
Quinta de Pancas Cabernet - 15,5
Cabriz Reserva - 16
Álvaro Castro - 16
Fiúza Cabernet e Fiúza Merlot - 15,5
Casa Cadaval Cabernet e Casa Cadaval Trincadeira - 16

Se isto são apenas "vinhos honestos" e razoáveis, alguém está enganado, certamente.

Abraços

rui disse...

Caro Kroniketas,

o problema é que as notas da RV estão todas inflacionadas. Se fizessemos a estatística, acredito que 90% dos vinhos para a RV eram "Bons" pq estão acima dos 14 valores. Quase não há vinhos com notas inferiores e a esmagadora maioria fica nesse "centrão" dos 14-16 valores.

Chamem-me os nomes que quiserem mas ao longo dos anos fui comparando as notas dadas pela RV com a minha experiência de prova e "corrigi" para mim essa inflação.

Ou seja, vinhos abaixo dos 15 nem lhes toco. Nos 15-16,5 são os vinhos ditos razoáveis, e só a partir do 17 é que estou à espera de algo diferente. Isto dito assim, pode ser chocante para alguns. Acredito. Há excepções? Claro que há. A RV tem sempre razão? Claro que não. Nem sempre concordo mas digo-vos, são mais as vezes que acho que os vinhos estão sobrevalorizados do que o contrário.

Por exemplo, essas notas na BW já podiam significar qq coisa (nomeadamente o 16) pq eles são mais "mesquinhos" a dar notas (excepto quando era a Célia Lourenço a provar, claro).

Um abraço,
RC

ricardo disse...

Caro Kroniketas,

concordo em absoluto com o Rui quando diz que as notas na RV estão sempre um pouco inflacionadas, aliás a escala que eles utilizam para classificar vinhos é pouco mais extensa do que a nossa (0 a 5) pois quase não existem notas fora do patamar 14-19. Dessa forma temos de considerar o meio da escala no 16... a isto é que eu chamo conhecer os críticos e adaptar a nossa avaliação das notas a esse conhecimento.

Quanto ao barato e ao caro, apenas quero referir que não me cabe a mim definir o que é caro ou barato para as outras pessoas, apenas defino o que é caro ou barato para mim. Dou um exemplo, quando provei o Talentvs 2004 achei que aquele vinho valia uns 30€, comprei-o por 15€(acho eu), achei barato...

RR

Kroniketas disse...

Pronto, estamos entendidos. São gostos e critérios e cada um tem o seu.
É verdade que escalas diferentes também potenciam critérios de pontuação ligeriamente diferentes, pelo que o vosso 4 não tem necessariamente que corresponder a 16. Nós próprios começámos o blog numa escala de 5, mas rapidamente achámos que era demasiado apertada para podermos diferenciar os vinhos como pretendíamos, pelo que a alargámos para 10 (apesar de haver um pateta que acha que esta escala dá vontade de rir). E não adoptámos a de 20 porque a achamos demasiado extensa para fazer uma avaliação QUALITATIVA com algum critério (para mim é claramente difícil perceber o que distingue um vinho de 16 de 16,5, por exemplo). Num teste de matemática é certamente mais fácil.

rui disse...

Caro Kroniketas,

correctíssimo. Nós tb alargamos a inicial escalda de 1-5 e acrescentamos o 3,5 e 4,5 para distinguir os vinhos nessa faixa. Mas tentamos usar a escala toda. Ou seja, dá-mos 1, 2 e 5.

Entre nós, amadores, cada um escolhe a escala que honestamente (partindo de uma auto-análise das suas capacidades) lhe permite transmitir o que acha do vinho aos outros que lêem. Entre profissionais, já aqui defendi que, para bem do consumidor, deviam todos utilizar a mesma escala de modo a ser comparável as várias avaliações.

No entanto, apesar de utilizarem escala até 20, a verdade é que os vinhos só são avaliados entre 10-20 (pelo que tb têm uma escala de 10 valores) e 90% das notas situam-se entre 5/6 valores inteiros (depois há os meios). Aliás, a BW nem publica vinhos abaixo do 13 pelo que a escala ainda é mais curta.

Um abraço,
RC

p.s Acho que não há blog que não tenha o seu pateta :)

Anónimo disse...

Tenho bons vinhos para vender, Barca Velha entre muitos outros.

Onde o posso fazer.

Obrigada

Paulo Páscoa

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