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segunda-feira, março 10, 2008

Porto Pink

Há coisa de um mês, surgiu no mercado português um novo produto. Um novo Vinho do Porto. Porto Pink da Croft. Entrou inicialmente no mercado britânico (a grande aposta) e tomou de assalto as prateleiras dos nossos hipermercados no dia dos namorados. Já me tinham falado da iminente saída para o mercado deste novo tipo de vinho e portanto, curioso, nesse mesmo fim de semana comprei para provar. Ora resulta claro que, a preguiça só hoje me deixou escrever sobre o assunto.

Feito tal como o Vinho do Porto clássico, apenas o contacto com as películas é muito menor. Suficiente apenas para fazer jus à designação Pink. Grau alcoólico estabelecido nos 19,5º com o objectivo de fazer um vinho para beber fresco, muito fresco, com gelo. Reza a história que o Instituto de Vinho do Porto teve que “rever” a definição de “Vinho do Porto” para acomodar a noção de um Vinho do Porto Rosé.

Para quem leu o artigo “Churchill não beberia este vinho”, do Manuel Carvalho no jornal O Público, sabe que este novo conceito não foi unânime na sua aceitação pelos vários protagonistas do sector. Uns defendem a tradição, outros elogiam a inovação. Eu vejo isto em duas perspectivas diferentes: enquanto novo vinho e enquanto conceito.

Vinho (a prova)
Aroma doce a fruta vermelha. Percepção medicinal a xarope de morango. A boca mostra-se plana, muito adocicada, com necessidade de juntarmos muito gelo para nos libertarmos do toque sintético a rebuçado e disfarçar o álcool. Melhora quando a água do gelo derretido se sobrepõe ao rosa original. Muito fraco enquanto mero produto, independentemente do nome estampado no rótulo.

O conceito
Uma das maiores críticas é a associação da marca “Porto” a este novo produto. Uma das últimas “invenções” na área do Vinho do Porto foi o LBV, que na prática não é mais do que estender o tempo de barrica e depois, dependendo das marcas, passar pelo escrutínio do filtro ou não. No seu âmago, na sua essência continua a ser um Vinho do Porto. E do ponto de vista da qualidade, todos nós sabemos que por vezes aparecem LBV’s melhores que certos vintages. Foi uma inovação que não corroeu o prestigio do nome “Porto”, pelo contrário, o seu preço mais contido levou a um aumento do consumo de Vinho do Porto de qualidade.

Este Pink? Tenho dúvidas! Tenho muitos problemas em considerar o que provei um Vinho do Porto. Para mim, é um Rosé com adição de aguardente. É um produto fraco a que se colou o nome Porto para vender. E é aqui que reside o pecado capital. Não tenho nada contra as novas ideias, mas que lhe chamassem Dink ou Pink Elefant. Mas não! O importante, pelos vistos, era ter a palavra Porto no rótulo.

A ver vamos se não se está a matar a galinha dos ovos de ouro. O objectivo deveria passar por cuidar da galinha de modo a valorizar os seus ovos. A melhorar a gema. E não “estafar” a galinha até esta ficar estéril ou gerar ovos apenas com claras.

10 comentário(s):

Pumadas disse...

"Reza a história que o Instituto de Vinho do Porto teve que “rever” a definição de “Vinho do Porto” para acomodar a noção de um Vinho do Porto Rosé."

Viva,

O Pink não é um Porto Rosé, uma vez que essa categoria não existe. A Camara de Provadores do IVDP apenas o certificou, salvo erro, como "Porto Ruby Light".

Cumps,

rui disse...

Caro Pumadas,
a minha intenção era referir a reinterpretação da definição de Vinho do Porto, ou se quisermos, a necessidade de fazer uma interpretação mais lata dessa definição de modo a conseguir “enfiar” este porto rosé numa categoria já existente de vinho do Porto. Segundo o tal artigo que referi, do Manuel Carvalho, este porto foi incluído na categoria Ruby.

Isso do Light tb acho que não existe. Se existe ou passou a existir, é uma novidade para mim.

Um abraço,
RC

Pedro Sousa P.T. disse...

Caro Rui, eu pouco percebo de Portos, ou mesmo quase nada, mas acho este pink, e vi a sua apresentação no programa Hora do Baco e a primeira coisa que me veio á cabeça foi logo; Quero ver se não compro!!!, é mais uma mega operação de markting para safar a empresa, neste caso a Croft que nem sei se está em crise, ou fazer mais uns lucros à conta de um nome como o Vinho de Porto, que está carregado de tradição.
Já agora que estamos a falar de Portos, aproveito para fazer uma pergunta: Outro dia passei pela Garrafeira Nacional, e achei piada a umas garrafinhas de 375ml que eestavam em promoção, e trouxe uma. É um Vintage de 1989, um Champalimaud, Collheita da Quinta do Cotto. Custou-me 7 euros e qualquer coisa. Achas que fiz uma boa compra? E quanto tempo eu devo guardar?
Um abraço.

Copo de 3 disse...

Esta conversa do Porto Pink lembra-me o barrete mundial chamado Beaujolais (se não for assim que se escreve paciência, o vinho também é tão mau que não vale a pena perder tempo a chamar pelo nome)

rui disse...

Caro Pedro,

Se gostares, fizeste uma boa compra. Só que para saberes se gostas, tens que a provar. Ou seja, nunca recomendo guardas a ninguém. Podem assumir esta minha posição por defeito. Apenas o recomendo em casos especiais para quem comprou mais do que uma garrafa e faz questão de acompanhar a evolução de determinado vinho. Esse, já vai fazer 19 anos de vida pelo que acho que já viveu o que tinha a viver :)

Um abraço,
RC

p.s. Eu aconselho todos a provar o Pink. Uma pessoa não pode criticar em consciência sem provar. Agora compreendo que custa dar quase 10€ pela garrafa quando só se quer provar um copo. Eu tive que o fazer para poder escrever sobre o vinho.

AJS disse...

O pink, que ainda não provei, é uma forma de tentar vender os vinhos com menor qualidade, ao mesmo tempo que se pode atrair os mais jovens que não bebem porto. A pior coisa que se pode fazer a qualquer negócio é cristalizar. Se assim fosse não se tinha feito vinho de mesa no douro como os "puristas" há uns anos quiseram proibir. Caro Pedro Sousa as garrafas pequenas são óptimas para beber sozinho e de uma vez. Quanto menor a garrafa pior a evolução do vinho pelo que é de beber já. AJS

Pedro Sousa P.T. disse...

Obrigado amigo AJS, e amigo Rui. Quero ver se dou cabo dela então no Domingo de Páscoa. Depois digo qualquer coisa sobre a prova.
Abraço

rui disse...

Caro AJS,

eu também acho que não se deve parar no tempo e aprovo a modernização, mas sempre no sentido do aumento da qualidade. E neste caso, não me parece.

O caso dos vinhos de mesa no Douro, é um bom exemplo de que se avançou para um projecto de qualidade (a maioria) e rapidamente ultrapassou as outras regiões na percepção de qualidade. Aqui e além mar.

Se se tivesse apostado em fazer vinhos baratunchos com uvas de menor qualidade que não serviam para vinho do Porto(que não Pink), o resultado não seria o mesmo e os "puristas" vinham cantar de galo e reafirmar razão. Assim, não piam!

Ou seja, está sempre na mão de quem faz novos produtos calar quem defende a tradição. Basta fazer produtos com qualidade e de sucesso. Simples! :)

Um abraço,
RC

rui disse...

Caro Pedro,

essa garrafinha é menina para ter um quarto de depósito (uns 2€ de borra :)), pelo que aconselho colocar ao alto uns dias antes e refrescar nos 13/14º (já deve estar bem perto de tawny cor de casca de cebola). Depois é abrir com cuidado e esperar o melhor (bom, esta última parte depende da forma como gostas de gerir as tuas expectativas, eu cá até prefiro esperar pelo pior).

Um abraço,
RC

Pumadas disse...

O Pink Port (e não Porto Rosé) foi incluido na categoria de Ruby. Acho é que o IVDP o certificou como Light Ruby (e não Ruby Light).
Mas amanha já tiro isto a limpo do Light, no IVDP

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