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terça-feira, maio 27, 2008

Projectos de enoturismo, utopia ou realidade?

www.flickr.com/photos/francisco_oliveira_portugal/No seguimento de um email de um nosso leitor, veio à baila uma discussão antiga sobre o que deverá ser considerado um verdadeiro projecto de enoturismo.

Em termos de definições encontrei apenas a da Wikipédia:
"Enoturismo é um segmento da actividade turística que se baseia na viagem motivada pela apreciação do sabor e aroma dos vinhos e nas tradições e cultura da localidades que produzem esta bebida."

Sendo na minha opinião uma definição incompleta, aflora no entanto o essencial "tradições e cultura das localidades que produzem esta bebida", ou seja, parece-me a mim que o menos importante no enoturismo é o beber vinho, pois isso podemos fazê-lo em qualquer parte do mundo, o que não podemos fazer é conhecer as gentes e as suas culturas, o que não podemos fazer é apreciar as paixões que existem em projectos grandes e pequenos, o que não podemos fazer é ouvirestórias e histórias dos tempos idos.

É por isso é que tenho alguma dificuldade em perceber se existe realmente enoturismo na maioria dos locais que o apregoam.

Aproveitando o fim-de-semana prolongado, fui passar os dias em casa de um amigo em pleno coração do Douro vinhateiro, uma aldeia chamada Celeirós, a poucos quilómetros do Pinhão. Confesso que estou sempre desejoso por mais uns dias em Celeirós, primeiro porque é oportunidade para rever a família fantástica desse meu amigo, depois porque as memórias de visitas passadas são deslumbrantes e as saudades são sempre muitas.

Tinha em mente para o fim-de-semana fazer uma ou outra visita a quintas para poder mostrar um pouco mais do Douro aos amigos que nos acompanharam. Mais uma vez esta tarefa mostrou-se complicada. Numperíodo em que, potencialmente, existiriam muitos visitantes na região (como vim a confirmar, com a quantidade de autocarros de turismo que por ali andavam) mais uma vez encontrei quintas vazias, lojas das quintas vazias e muita dificuldade em encontrar alguém para nos acompanhar para uma visita a um espaço que ostentava orgulhosamente a tabuleta deenoturismo.

Gostava de perceber qual é, de facto, o entendimento que os produtores têm do enoturismo, até porque, podendo ser diferente do meu, poderão ter uma visão muito mais acertada do que a minha. O que posso dizer é que, enquanto consumidor, esse chavão tem sido uma enorme desilusão.

Eu sei que existem projectos válidos e que não merecem ser colados a esta minha desilusão enquanto consumidor, mas quero que vejam este desabafo como uma visão geral do mercado, e não como uma referência a um ou outro caso especifico, porque os bons exemplos são a excepção e não a regra.

3 comentário(s):

hmoreira disse...

Eu próprio tive duas experiências recentes, uma no Douro outra no baixo Alentejo que foram uma frustração. Portas fechadas, quintas famosas sem possibilidade de prova, muitas chamadas não atendidas, enfim um role de desilusões. Ainda assim gostava de realçar algumas excepções no Douro Quinta do Panascal (Fonseca's), Quinta do Seixo (Sandeman/Sogrape), no alentejo Malhadinha, Herdade dos Grous. Esta última foi de longe onde fomos melhor recebidos, a meu ver um projecto claramente pensado para o enoturismo, um exemplo desde a prova, venda, visita e as instalações 5 estrelas.

Pratas disse...

Posso referir as minhas boas e más experiências.

Boas:
Casa de Santar
Herdade das Servas
Quinta do Portal
DFJ

Más:
Quinta de La Rosa - Chegámos a 30 minutos da hora de fecho mas foram-nos negadas provas/visitas ou compras. Enfim... a senhora já devia estar atrasada para qualquer coisa, mas os horários são para cumprir.

Lavradores de Feitoria / Casa de Mateus - A quinta tem estrutura bem montada para eno-turismo, de qualquer forma tive uma má experiência. Um dos enólogos após nos dizer para esperarmos um pouco para fazermos as provas, fechou-nos a porta na cara sem qualquer justificação o que nos levou a abandonar o local sem provar qualquer vinho.


No geral acho que falta um pouco de respeito pelos que fazem km's de propósito para verem as quintas. Um conselho meu é telefonarem antes das visitas de modo a confirmarem a disponibilidade.

ricardo disse...

Caros hmoreira e pratas,

não era minha intenção colocar todos os projectos no mesmo saco, acho que deixei isso bem claro. O quero dizer com este post, e que vocês confirmam, é que o mais normal é encontrar projectos "incompletos" de enoturismo.

Curiosamente na Casa de Mateus fui muito bem recebido este fim de semana, onde me disponibilizaram para prova todos os vinhos da gama dos Lavradores de Feitoria, desde os diversos vinhos de quinta ao Grande Escolha. Tudo isto sem pagar o que estava definido na entrada para a visita à adega e para a prova. Só não o enquadro na categoria de EnoTurismo porque apenas disponibilizam uma loja dos Lavradores de Feitoria e uma adega onde vemos umas fotografias e umas pipas.

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