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quarta-feira, dezembro 03, 2008

VinhoaCopo Convida - 10/dez


No VinhoaCopo Convida Especial de Natal voltamos a um restaurante que já apadrinhou um dos nossos jantares. Voltamos ao Ágora. Este voltar tem duas razões de ser. Primeiro, temos que agradecer os mimos a que fomos sujeitos a quando da primeira visita. Segundo, aproveitamos para fazer a inauguração da remodelação efectuada no restaurante e que tinha aqui sido anunciado durante o relato desse jantar.

A remodelação no Ágora não se ficou pela substituição das cadeiras (que bem precisavam). Os seus responsáveis resolveram pensar em grande e arriscar em consonância com tal magnitude de raciocínio. Anexaram a loja do lado. Como este movimento conseguiram aumentar a capacidade do restaurante para o dobro, criar uma sala para fumadores e aproveitar as obras para criar um vistoso espaço climatizado para exposição e guarda das garrafas que compõem a sua já famosa oferta. Gosto de quem pensa e arrisca assim.

O jantar do VinhoaCopo Convida Especial de Natal não seguirá o objectivo da primeira quinta-feira do mês. A data possível é 10 de Dezembro, uma quarta-feira. Daí o carácter especial. O formato gastronómico será idêntico ao jantar anterior no Ágora. Por 25€ degustamos várias especialidades com que a equipa do Paulo Marques nos irá surpreender. Nos vinhos, cada um leva o que quiser. Mesmo entre nós, aqui do blog, não vai haver acordo prévio.

Como habitualmente, quem quiser participar, basta enviar-nos um e-mail com a respectiva intenção até 2ª feira (dia – 08/12) e depois aparecer no restaurante Ágora no dia 10/Dezembro pelas 20:30.

Até lá.
A malta do VinhoaCopo

terça-feira, novembro 11, 2008

VinhoaCopo Convida - 06/nov: descrições de prova

A expectativa era alta e não foi defraudada. Noite de grande convívio enófilo. Comida impecável. Serviços personalizado. Vinhos de categoria superior. Amigos e apreciadores de excelente espírito. Tudo contribuiu para mais uma grande noite do VinhoaCopo Convida.

O Jacinto brindou-nos com um menu degustação no qual brilharam:


Entradas
Queijo de cabra gratinado com mel
Alheira com ovo de codorniz sobre brócolos picados
Cogumelos com bacon


Pratos
Tranche de cherne com molho de cataplana

Sonhos de garoupa com açorda de ovas
Secretos no forno com misto de legumes grelhados

Sobremesa
Petit Gâteau com sorbet de limão.



Se nos anteriores jantares do VinhoaCopo Convida a selecção de vinhos foi de bom nível, neste jantar o conjunto de vinhos apresentados (nomeadamente nos tintos) foi na quase totalidade de nível superior. Por ordem de prova:

Ad. Coop. Borba Antão Vaz e Arinto 2006 (Branco) * – Cor amarelo dourado. Aroma pouco frutado já mostra ligeira evolução. Boca curta de fruto citrino. Final ácido e ligeiramente amargo.

Zéfyro 2007 (Branco) – Cor muito ligeiro palha. Aroma um pouco mais frutado que anterior. Notas tropicais mas sempre contido. Na boca o 1º impacto é doce mas rapidamente passa a um final seco e com toque amargo.


Ad. Coop. Borba Alfrocheiro 2006 * – Aroma muito efusivo. Notas vegetais, químicas, frutos maduros. A boca é madura e inicialmente doce. Final muito extractivo com notas medicinais. É um vinho que dá tudo de rompante e não sabe dosear a
“oferta”. Esta casta, já em outros vinhos, não faz nada por mim.


Preta 2005 + – Aroma com muitas notas vegetais. Muito pimento. Os 73% de Cabernet e 27% de Touriga não perdoam. Ligeiro couro. A boca recompõe-se para um maior equilibrio. Ainda assim num estilo fora do Alentejo maduro. O perfil é mais vegetal, mais ácido. Final ligeiramente ardente. Um vinho que é penalizado (por mim) devido ao aroma. Dizem que é preciso decantar. Teve azar e não foi (mas quantos também não o foram?).


Esporão Private Selection 2004 – Aroma com notas de frutos silvestres maduros, especiarias e ligeira baunilha da madeira. Na boca a fruta de grande qualidade aparece-nos gulosa. Taninos firmes mas domados mantém a vinho num registo de grande prova. Cheio e final apetitoso. Um vinho que à temperatura correcta bebe-se muito facilmente e com muito prazer.


Qt. Marias Touriga Nacional Reserva 2006 + – Aroma fresco, contido sem grandes alaridos da Touriga. Ligeira madeira mas tudo num registo contido. A boca é fresca, com a fruta amparada pela boa acidez. Vinho extremamente gastronómico que se bebe muito sem cansar. Em relação ao ano anterior está diferente no perfil: tem um pouco menos de corpo e estrutura mas por outro lado está menos taninoso e mais pronto a beber (o que para mim, que gosto de beber e não guardar, é excelente).


Lavradores de Feitoria Grande Escolha 2004
– Aroma maduro. Frutos maduros e ligeira madeira. A boca continua cheia e focada no fruto. Esta concentração tira-lhe (e foi evidente face aos seguintes) complexidade e dimensão extra. É um vinho guloso mas que se não for servido à temperatura correcta pode-se tornar cansativo e alcoólico.



Gouvyas Vinhas Velhas 2005 * – Aroma complexo. Frutos vermelhos bem conjugados com notas de bosque, ligeiros balsâmicos. Madeira no ponto (ou seja, sem se dar por ela). A boca é muito equilibrada. Fresco, com estrutura e persistência final. Continua ser um dos vinhos mais equilibrados do Douro de topo. Apetece sempre beber mais.


Passadouro Reserva 2005 – Fechado no aroma. A fruta tapada pela presença da madeira. A boca mantém o mesmo estilo fechado apesar de se notar um vinho de boa qualidade. Frutos pretos, boa estrutura e taninos firmes mas finos. Final ligeiramente seco à madeira. Pena, neste momento, o excesso da mesma.



Niepoort LBV 2004 – Aroma a fruta madura, chocolate e erva-doce. O típico vintage novo mas mais aberto e doce. A boca é muito gulosa nas componentes referidas em cima mas consegue ter bom corpo e acidez para não se tornar enjoativo. Boa garra final tornam este o
LBV da Niepoort que mais gostei nas últimas edições. O preço é imbatível (cerca de 10€ nas melhores garrafeiras).


Vou ser muito curto: excelente jantar enófilo. Um grande obrigado ao restaurante Jacinto pelo menu proporcionado. Resta-me despedir deste e deixar no ar a ideia de que em Dezembro poderá haver um VinhoaCopo Convida Especial de Natal em data a anunciar.




p.s.(1) * oferecido por produtores; + trazido por participantes
p.s.(2) O vinho Qt. Marias foi prontamente substituído pelo restaurante Jacinto visto que a 1ª garrafa trazida por um dos participantes apresentou forte sinais do problema denominado “rolha”. Um muito obrigado.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Encontro com o Vinho e Sabores - Como que em casa

Normalmente, umas semanas antes do Encontro com o Vinho e Sabores, começam as trocas de emails para definir as provas especiais em que nos vamos inscrever as horas do encontro e as primeiras ideias para a jantarada a seguir. Este ano a malta do Blog não conseguiu ser juntar-se todo e calhou-me a mim ir sozinho no sábado.

Como me inscrevi em 3 provas especiais achei que não haveria grande tempo para visitas e conversas no evento e por isso não iria ter grande problema em ir sozinho. Não me enganei, ou seja, não foi nenhum problema ir sozinho mas porque me apercebi do confortável que é entrar no recinto e passados 2 minutos já estar com o copo cheio a conversar com amigos, resultado, passei pela feira mas em vez de andar a ver as novidades dei comigo a apenas passar pelas "barraquinhas" de amigos e conhecidos. Pelo que apenas me atrevo a destacar um novo moscatel que está para sair pela mão da GR Consultores (responsáveis entre outros pelo belíssimo Secret Spot).

Em relação ao evento, tínhamos uma grande novidade, alguns dos melhores restaurantes de Lisboa juntaram-se ao evento trazendo para um espaço extra da feira alguns exemplos das suas ementas. Se for para continuar, espero que sim porque me pareceu um grande sucesso, vai ser sempre a minha salvação, marco quase sempre uma prova especial logo para as 14 horas e acabo sempre por chegar sem almoçar devidamente, erro crasso que a partir de agora pode ser corrigido de alguma forma. Não estando à espera de pratos normais de restaurante, devo dizer que as doses, não sendo grandes, são razoáveis para que se possam provar vários "petiscos" sem deixar ninguém com fome, deixo apenas a ideia de que os preços poderiam ser um pouco mais baixos, parece-me que se os produtores de vinho fazem um investimento forte para estar presentes e dar a provar o seu vinho, eu diria que os restaurantes também o poderiam encarar da mesma forma, uma vez que o objectivo é o mesmo e o retorno também. Uma nota negativa para mim, o facto de no espaço da comida o vinho ser pago, não entendi a diferença de critério entre os diferentes espaços, desta forma bebi apenas um copo e voltei para o espaço da feira sem provar mais nenhum vinho daquele distribuidor. Apesar destes pequenos aspectos acho que o evento ganhou e muito com este novo espaço, até porque é mais um sítio para se circular e alivia o espaço central para uma melhor circulação.

Tal como referi logo no início inscrevi-me em 3 provas especiais, tendo chegado com algum atraso à primeira devido à falta de civismo de alguns utilizadores do parque de estacionamento que ocupam impunemente 2 lugares sem qualquer consideração pelos restantes utilizadores que se deparam com um parque cheio sem qualquer necessidade. Adiante, a primeira prova pretendia mostrar a ligação entre os presuntos e enchidos da Casa do Porco Preto e alguns vinhos escolhidos pelo Luís Lopes, resultado 1 hora e meia de sessão com 1 hora de vídeo e discurso comercial e 30 minutos a provar bons enchidos e um excelente presunto com vinhos na máximo razoáveis, a melhorar até porque era um prova paga. A prova do meio do dia foi, para mim, a melhor do dia, Domingos Soares Franco e Filipa Tomaz da Costa alhearam-se por momentos das suas empresas e partilharam durante mais de 1 hora a sua paixão pela região e pelo moscatel em particular, destaco o Moscatel Roxo 1992 e o Moscatel 1976 como os que mais me marcaram, refiro ainda que o Moscatel do Centenário me parece demasiado vulgar para o que pretende representar. Finalmente a última prova do dia com o enorme comunicador que é José Bento dos Santos, é sempre um prazer ouvi-lo falar com paixão dos seus vinhos, continuo no entanto a não encontrar nos seus vinhos algo que me desperte os sentidos da mesma forma, mas aqui assumo claramente que o problema deverá ser meu...

Resumindo, uma tarde em cheio, onde o factor social se sobrepôs claramente ao enófilo, mas também cada vez mais tenho a certeza que um bom vinho não é nada se não houver com quem o partilhar. O único lamento foi a impossibilidade de aumentar esta "festa" com os amigos do costume, para o ano há mais... e amanhã também.

terça-feira, novembro 04, 2008

VinhoaCopo Convida - 06/nov

Existem certos restaurantes que, por uma razão ou por outra, levamos tempos a visitar. Quando o fazemos, e descobrimos que são bons, é impossível não ficar com a sensação de que andámos a perder tempo. Quando o restaurante vai para além do bom, na nossa adjectivação, então essa sensação de perda é arrebatadora. Um desses casos é o restaurante Jacinto.

O
Jacinto fica situado em Telheiras colado à 2ª circular. Quem segue na direcção de Benfica, pouco depois de deixar o estádio do Sporting para trás, existe uma pequena estrada sem indicação de destino que se perde numa zona de vivendas. Não deve chegar a 200m da saída que o Jacinto ocupa o piso térreo de uma dessas vivendas. Novidade: na cave está neste momento em preparação a abertura de uma garrafeira de venda ao público. Existem ideias de potenciar a aquisição de um determinado vinho na garrafeira e consumir o mesmo no restaurante. O modelo ainda não está afinado mas dentro do que nos foi desvendado, acreditamos tem potencial para tornar o binómio Jacinto Garrafeira/Restaurante um caso de enorme sucesso no panorama enófilo Lisboeta.

Não é à toa que o Jacinto ocupa um lugar cimeiro no top de restaurantes da revista Blue Wine. Ambiente acolhedor, simples mas de bom gosto. Gastronomia regional mas de apresentação cuidada. Serviço atento. Bons copos da Schott Zwiesel. Boa garrafeira a preços cordatos. Possibilidade de beber a copo qualquer vinho da lista. E, cereja em cima do bolo, atenção cuidada à temperatura dos vinhos. As seis garrafeiras climatizadas de tamanho médio que garantem a temperatura dos tintos e vinhos do Porto, e que estão visíveis na sala do restaurante, dizem-nos que podemos estar descansados que nesta casa o vinho é bem tratado.

Por tudo isto, pareceu-nos evidente, desde a primeira visita, que o Jacinto era candidato ideal a acolher o próximo VinhoaCopo Convida - 06/nov. Aceite a ideia, está previsto um menu no valor de 25€ com entradas, prato principal, sobremesa e cafés. Quem já conhece estes nossos eventos sabe que o vinho é da nossa responsabilidade (apesar de não proibirmos ninguém de levar uma garrafita para partilha) e que aperitivos e digestivos são da responsabilidade de cada um. Como também é habitual, agradecemos envio de e-mail para o nosso endereço a confirmar a presença até 3 dias antes do jantar.

Desta vez, mesmo com o Benfica em jogo europeu, será cumprido o desígnio a que nos propusemos: marcar um VinhoaCopo Convida na primeira quinta-feira de cada mês. Vemo-nos então no dia 06/Novembro por volta das 20:00 no restaurante Jacinto.

Um abraço,

A malta do VinhoaCopo

quarta-feira, outubro 29, 2008

Rapidinhas sobre Vinho

A produção literária aqui no blog tem roçado mínimos históricos. Culpa da preguiça. No entanto, o facto de não escrever não significa que não tenha estado atento às novidades da rentrée enófila da temporada 2008/09.


Feiras de Vinhos

Mais do mesmo. Ou pior, menos do mesmo. Este ano não referi uma palavra sobre as mesmas pois não gosto de me repetir todos os anos. Fraquinho! Mesmo a do Jumbo, continuando a ser a melhor, apresentou muito poucas novidades.


Guias de Vinhos

Este ano temos uma novidade: o escanção Manuel Moreia (também provador da Blue Wine) lançou, pela Bertrand Editora, o seu Guia de Vinhos Portugueses. Sem indicação de ano ou temporada.


Fazendo uma análise sucinta, temos:

- Divisão por tipo de vinho: Espumantes, Vinho Verde, Alvarinho, Branco, Rose, Tinto. Não se percebe esta divisão. Pergunta o leitor: Porque é que o Vinho Verde (região) e Alvarinho (casta) têm direito a secções independentes?

- Dentro de cada “tipo de vinho”, os vinhos estão ordenados alfabeticamente e não por regiões. É um critério como outro qualquer apesar de estar contra corrente com os restantes guias do mercado.

- A abrangência de Brancos e Tintos é razoavelmente boa dentro das novidades. Os Espumantes é mínima e não abarca Generosos.

- As classificações andam dentro do que eu considero a “escola clássica” pelo que não há grandes surpresas. Num linha RV ou recente BW.

- As descrições de prova são curtas, objectivas e pouco dadas a poesias.

- Apresenta novidades ao nível da simbologia de caracterização dos vinhos provados. Especial significado para o chapéu de cozinheiro, que devia significar a aptidão gastronómica do vinho mas que deixa de fazer sentido quando apenas 3 vinhos (contei) não têm o símbolo atribuído, e para o divertido leitão que nos avisa que o vinho é barato e supostamente bom.

- Para mim, é mais um guia que não vem trazer nada de novo e que aposta num segmento onde já existem outros mais bem posicionados. Vejo com alguma dificuldade o sucesso desta publicação.


O Guia do João Paulo Martins, que costuma ser o primeiro guia no mercado, foi este ano ultrapassado no lançamento pelo guia referido acima e, ainda por cima, saiu após as feiras de vinhos. Porventura, percebeu-se que não valia a pena antecipar o guia para as feiras pois os vinhos que se vendem nas mesmas ainda sãos os vinhos classificados no guia anterior. Uma nota de especial atenção para o facto deste guia do JPM fazer referência a uma suposta edição de Verão, onde estariam os brancos e rosés para essa estação. Alguém deu por ela? Eu só me deparei com essa edição de Verão uma semana depois de comprar a edição de Inverno (lá estava uma pilha deles no Continente, secção de gastronomia, quando na semana anterior nem um para amostra). Ou seja, como diz repetidamente o próprio JPM sobre os atrasos de venda de brancos correntes e rosés: “Não há motivos nenhuns para os mesmos não estarem nas prateleiras dos supermercados na primavera”. O mesmo se aplica à edição de Verão.


Encontro com o Vinho

Acontece já, neste fim-de-semana que se avizinha, a edição 2008. Este ano apresenta-se a novidade “Gosto de Lisboa” ou, no mais internacional (e chique), “Taste of Lisbon”. Confesso que não percebi muito bem como a coisa irá funcionar mas tenho intenções de descobrir. Assim, caros amigos e leitores, encontramo-nos num corredor apinhado de gente no próximo Domingo.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Provas Vinho 2008/3T - Descrições RC

No post anterior foram publicadas tabelas com as notas de prova (rolhas) dos vinhos bebidos por cada um dos membros deste blog no período referido no título. Como sou o mais desavergonhado, apresento, para os leitores mais curiosos, as descrições das provas efectuadas. Como é óbvio, a introdução feita no post anterior referido é valida para as descrições que se seguem.

O texto abaixo segue o seguinte fluxo: vinho -> rolhas -> descrição de prova.

Alentejo


Adegaborba.pt (Rose) * - 2007 - - - Cor rosa choque. Fácil. Consegue aliar ao doce dos frutos vermelhos um toque de acidez que se bebido bem fresco não o permite cair no enjoativo.

Altas Quintas Crescendo - 2005 - 3 - Para Alentejano, a cor é anormalmente pouco carregada. Aroma focado nos frutos vermelhos. A boca segue esta tendência com boa acidez e corpo leve. Um agradável e gastronómico.

D. Maria Reserva - 2004 - 3,5 - Aroma quente, poderoso a frutos pretos maduros. Algumas notas doces da barrica. A boca é cheia. Final guerreiro a projectar o vinho para uma dimensão extra fruta. Sensação final alcoólica que o penaliza.

Pera Manca - 1998 - 3,5 - Cor em tons atijolados. Aroma a mostrar uma certa evolução. Notas de tabaco, madeira exótica e esteva. A boca está equilibrada. Corpo médio, suave, de bom gosto e fácil de gostar. Não é muito o meu estilo mas disso o vinho não tem culpa.


Bairrada

Calda Bordaleza - 2006 - 3,5 - Cor perto do preto. O aroma ligeiramente reduzido. Primeiro impacto não é agradável. Notas quentes de madeira e algumas notas animais. Melhora com arejamento. A boca é portento de frutos pretos e garra. Grande estrutura e boa acidez. Um vinho potente e que precisa de tempo em garrafa ou comida que lhe aguente a pujança. Penalizado pelo aroma.

Termeão Pássaro Vermelho - 2006 - 4 - Aroma penetrante. Fruta madura envolta num frescor dado pelos balsâmicos. A boca segue na mesma linha. Garra final a mostrar-nos que mais um tempo em garrafa não lhe fará mal. Segue a boas prestações dos seus antecessores.


Dão

Qt. Roques Encruzado (Branco) - 2006 - - - Pouco aromático. Toque fumado da madeira. Um branco com algum corpo. Fruta contida. Pouco falador.

Terra de Tavares (Branco) * - 2005 - - - Mais frutado. Leve tropical. A boca apresenta uma muito forte acidez. Ligeiramente desconjuntado.

Casa de Santar - 2005 - 3 - Aroma frutado. Frutos silvestre maduros e toque adocicado da madeira. A boca mostra-nos um vinho moderno feito para agradar com fruta madura, fácil de gostar. Correcto. Num restaurante é uma boa opção quando se pretende um vinho de agrado generalizado e de preço, ainda assim contido.

Conde de Santar - 2005 - 4,5 - Aroma fresco. Frutos silvestres num registo elegante e equilibrado. Ligeiros balsâmicos. Madeira bem integrada (ou seja, não se dá por ela). A boca mantém o mesmo registo fresco, nada cansativo, apetecível ao contínuo beber. Taninos impecáveis num vinho muito bem feito e que só nos apetece beber muito.

Qt. Falorca Garrafeira - 2003 - 4,5 - Cor impecável. Sem traços perceptíveis da passagem do tempo. Aroma muito agradável e equilibrado. Ainda tem traços de fruta, mas contida, com notas típicas do Dão. Tudo isto num registo complexo e elegante. A boca, apesar da presença ainda de alguns taninos e de acidez elevada, já se apresenta num estado em que se bebe com muito prazer. Com boa complexidade, presença e nada cansativo. Um muito bom vinho. É um dos vinhos do Dão que mais gostei.

Qt. Perdigão Touriga Nacional - 2004 - 4 - Um dos vinhos que mais gosto do Dão e que bebo com alguma frequência. Desta vez o aroma pareceu-me menos frutado que em anteriores provas. No resto mantém-se equilibrado na boca com fruta, boa acidez e corpo.

Terra de Tavares Touriga Nacional * - 2005 - 3 - Notas características de Touriga. Aroma penetrante, ligeiramente (atrevo-me) adocicado. A boca mostra-se mais dura. A fruta está protegida por uns vivos e muito presentes taninos. Forte acidez. Um vinho pouco domado. Feito à moda antiga, e sem facilitismos, por um produtor que não abdica destes princípios.

Vinha.Paz - 2006 - 3,5 - Aroma efusivo. Maduro com notas típicas da Touriga Nacional. A boca mostra-se um pouco gulosa com notas doces mas que a boa acidez não deixa ficar enjoativo. Um vinho de agrado fácil e generalizado.


Douro

Aneto (Branco) - 2007 --- Cor dourada. Notas de madeira fumadas. Fruta tropical madura (alguma geleia). Um vinho gordo, cheio, para pratos mais encorpados e/ou apreciadores de tintos.

Atalaya - 2005 - 3,5 - Aroma moderno. Frutos silvestres com ligeiro toque da madeira. A boca continua nesta tendência moderna. Fruta madura q.b com toque final agradável da barrica ainda com alguma garra. Mais uma nova marca que apesar de bem feito não traz nada de novo nem entusiasma.

Gouvyas - 2005 - 3,5 - Primeiro impacto abaunilhado. Ligeiro toque lácteo. Após arejamento aparecem os frutos silvestres maduros. A boca é impositiva com boa estrutura e acidez a amparar a fruta. Os taninos ainda andam um pouco à solta.

Kolheita - 2001 - 3,5 - Cor vermelho escuro. Aroma maduro com notas alicoradas doces. Na boca, a muita fruta da juventude está a arredondar e neste momento apresenta-se num tom doce, guloso mas um tanto mole. Precisa de refrescamento para não enjoar e compensar um "baixamento" de acidez.

Lavradores de Feitoria Grande Escolha - 2004 - 4 - Aroma profundo a fruta madura. Mostra sinais doces da barrica. A boca é larga, gulosa com boa presença. Está um muito bom vinho mas parece-me mais unidireccional que a versão de 2003.

Maritávora Reserva - 2005 - 4 - Aroma pujante a Douro profundo. Frutos silvestres maduros com notas de esteva. A madeira está bem integrada ao contrário da versão anterior. Mostra-se um vinho de grande estrutura, maduro, profundo com final especiado e largo. Falta-lhe um pouco de elegância para equilibrar a força.

Momentos - 2005 - 3,5 - Aroma frutos silvestres mas fresco. A boca apresenta-se nervosa, com fruta e boa acidez. Um vinho de boa estrutura e corpo mas que é penalizado por uns taninos demasiado rebeldes à solta e final vegetal/alcoólico.

Poças Reserva - 2000 - 3 - Cor ainda carregada. O aroma ainda apresenta notas de fruta mas num fundo ardente a álcool. A boca apresenta-se abrutalhada. O vinho sempre foi bruto e selvagem e o tempo de garrafa não fez nada por ele. Ainda taninoso, será que alguma vez vai sair daqui um vinho cordato? Não me parece ...

Qt. Infantado - 2006 - 3 - Aroma a LBV. Frutos silvestres maduros, violetas e erva-doce. A boca continua madura, doce, com final guerreiro e ardente. Apesar de não ser desagradável, afasta-se do que eu penso que deve ser um vinho de mesa. Este parece mais um vinho do Porto. A rever pois neste momento é necessário refrescamento e prato específico à altura.

Qt. Portal Grande Reserva - 2000 - 3,5 - Cor mostra já sinais de evolução. Primeiros acastanhados. O aroma também já denuncia o passar do tempo. Notas de algum couro. A boca mostra-nos um vinho em fase de transição. Abandonados os traços evidentes da fruta madura, ficam as notas mais complexas. Final prolongado com algum ardor alcoólico.

Qt. Touriga Chã - 2005 - 4 - Curiosamente, ou não, e nesse caso é imagem de marca, o nariz é igual ao 2003 que também aqui já dei conta da prova. Muito fumados da barrica tapam a “uva”. A boca já é outra coisa. Um daqueles raros vinhos que alia força à elegância dada pela frescura que apresenta. Muito boa boca com final gostoso e prolongado. Pena, para o meu gosto, a escolha de barricas.

Redoma - 2004 - 4 - Este vinho trimestre sim, trimestre não, aparece aqui nas minhas provas porque é sempre bom. Um vinho que representa bem o Douro. Aroma a frutos maduros mas ainda assim contido. A boca é de boa estrutura com fruta equilibrada e boa acidez. Final aguerrido.

Sirga - 2004 - 3,5 - Aroma doce já com uva em passa. Perto do Vinho do Porto. A boca é gulosa. Final ardente a álcool. Está a perder rapidamente a juventude da fruta que o caracterizou.

Sirga * - 2005 - 4 - Aroma pouco efusivo mas equilibrado. Frutos silvestres e notas de mato. De corpo médio, a boca apresenta grande equilíbrio. Fruta com boa acidez, de taninos redondos, e final apetitoso. Muito fácil de beber (muito). É muito o meu género.


Ribatejo

Marquesa de Cadaval - 2005 - 3 - Aroma pesado marca o nariz. Algum couro. A precisar de decantação. A boca é mais positiva num conjunto pouco brilhante mas ainda assim equilibrado. Toque amargo final. Muito dificilmente convence o preço pedido.


Terras do Sado

Domingos Damasceno - 2006 - 3 - Esta versão de 2006 aparece-nos em formato
ligth. Cor mais ligeira, aroma menos exuberante e corpo mais delicado. Por ventura marcado pelas condicionantes do ano vinícola, o vinho apresenta-se em estilo bastante diferente. Nesta versão são os frutos vermelhos a dominar. Está melhor para beber à refeição mas está menos entusiasmante para quem gosta de vinhos mais exuberantes.

Domingos Damasceno Reserva - 2005 - 3,5 - Fruta bem madura marca o nariz. A boca segue a tónica da força da fruta mas que se distancia da versão normal porque neste caso a fruta é um pouco mais complexa, mais profunda e mais aguerrida. Ainda assim, mostra-se monocórdico e um pouco excessivo. Necessário mais dimensões de análise.


Vinhos Verdes

Castrus de Melgaço Alvarinho (Branco) - 2007 --- Cor citrino. Um alvarinho que passou na madeira e nota-se ao primeiro impacto as notas fumadas. A boca apresenta boa acidez com notas de fruta fresca e bom corpo.


Estrangeiros


Marquês de Riscal Verdejo (Branco) - 2007 --- Cor citrino ligth. Aroma a fruta fresca, citrina, maçãs ácidas. A boca é leve apostando na frescura da acidez. Um pouco curto.

Campo Al Mare (Itália)- 2005 - 3,5 - Aroma de alguma complexidade e fora do normal português. A fruta apresenta-se em segundo plano. Notas de madeira (mas longe das baunilhas) e mato. A boca é contida. Apresenta boa estrutura, equilíbrio, boa acidez e final aguerrido. Gastronómico.

Solera 1847 Oleroso Doce (Xerez) - 2 - Cor acastanhada. No aroma sobressaem os torrados. Os caramelizados fortes. A boca confirma-nos este nariz. Apesar do doce próprio deste tipo de vinho, o que me fica é o excesso de sabor queimado provocado pelo sistema Solera. Algo desequilibrado nesse sentido. Torna-se pesado e quente. Enfim, desagradável. Não gostei.


Generosos

Blandy's Malsay (Madeira) - 5 years - 3 - Cor de caramelo brilhante. Aroma intenso a notas de caramelo, açúcar mascavado e frutos secos. A boca confirma os aromas torrados. O doce próprio deste tipo de vinhos é amparado pela famosa acidez dos Madeira. Ainda assim, neste caso convém refrescar bem.

Qt. Vesúvio Vintage (Porto) - 2005 - 4,5 - Aroma frutos pretos maduros. Violetas, chocolate preto e muito ligeiros anisados. A boca é um pecado. Extremamente gulosa sem cair no enjoativo. Apesar de uma grande estrutura está fácil de beber o que o torna um perigo no copo.


p.s.
(*) oferta/amostra de produtores.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Provas Vinho 2008/3T

Este post, enquanto eventual guia de provas, é uma perfeita inutilidade. As notas aqui apresentadas são tão subjectivas que podem levar ao engano do leitor que as utilize como referência para compras futuras.

Os vinhos e as notas apresentadas são assumidamente o reflexo da capacidade de prova e do gosto particular de cada um dos membros deste blog. Estes foram os vinhos que cada um quis e conseguiu beber neste período, não tendo havido qualquer intenção das provas serem temáticas, organizadas por preços ou representativas das várias regiões vinícolas portuguesas. Só são apresentados os vinhos para os quais nós considerámos ter havido condições de prova justas para os mesmos. A esmagadora maioria dos vinhos foram provados às refeições e em convívio. Uns vinhos foram decantados mas a maioria não.

Esta divulgação deve ser encarada pelo leitor como uma partilha de consumidor para consumidor. Constitui um histórico de provas efectuadas por consumidores normais que apenas gostam muito de vinho.

As notas são apresentadas em número de rolhas (1-5) e seguem uma escala de GOSTO:
5 – Gostei Extraordinariamente. Quero beber muito mais.

4 – Gostei muito. Quero beber mais.
3 – Gostei. Há falta de melhor bebe-se com agrado.
2 – Não gostei. Só volto a beber se não houver mais nada.

1 – Não gostei mesmo nada. Não me apetece voltar a beber.

A partir da nota 3 foi criada a meia-rolha de modo a diferenciar determinados vinhos. Como não tememos a comparação, criámos um sistema de cores que permite ficar a saber a evolução das notas de prova agora reproduzidas em relação a provas publicadas anteriormente. Assim: verde (subiu), cinzento (manteve-se), amarelo (desceu). Estão marcados com asterisco (*) os vinhos oferecidos pelos produtores.

Nota: RR – Ricardo; RC – Rui; NA – Nuno; CA – Cristo; JPD – João

Brancos e Rosés



Tintos
quadro01

quadro02

quadro03

quadro04


Generosos


Estrangeiros


p.s. Os quadros aparecem em grande numa outra página ao clicarem nos mesmos.

terça-feira, setembro 16, 2008

VinhoaCopo Convida - 11/set: descrições de prova

Mimados! Fomos mimados! Neste segundo VinhoaCopo Convida, o restaurante Ágora, na pessoa do Paulo Marques, elevou esta nossa ideia para patamares de excelência que dificilmente serão igualados.

Conversado um menu orçamentado em 20€, ninguém imaginava a magnitude do evento preparado. Eu próprio, apenas sabia qual era a sobremesa de modo a seleccionar um vinho que não desafinasse a orquestra.

Por isso, a surpresa foi grande. Chegados, encontramos uma mesa composta a rigor para os convivas e outra, de igual tamanho, com uma parafernália de objectos para o serviço de vinhos: vários decanters, copos de prova, saca-rolhas, cuspideiras, baldes com gelo, mangas para esconder os rótulos, termómetros, etc. Quase tudo da Riedel. Um luxo, portanto!

Na mesa do repasto as surpresas continuaram. O jantar teve direito a menu individual, devidamente plastificado, evocativo da data e com descrição dos pratos que iríamos degustar. Um regalo para a posterioridade! Este crescendo de surpresas culminou na leitura do menu preparado pela equipa do Ágora:

Entradas
Sushi de presunto com ameixas e queijo, brinca com shot de melão e pimentos
Carapus alimados
Peixinhos da Horta

Pratos
Pratão de enchidos (espetada de linguiça com manga grelhada, espetada de morcela com ananás grelhado, bolinhos de alheira de caça com molho barbecue)
Arroz de cara de bacalhau com poejo
Secretos de porco preto com massada de feijão

Sobremesa
Duo de chévres da Maçussa com marmelada
Creme queimado com figos caramelizado e gelado de canela

Café
Sonhos de uva D. Maria com caramelo rota das especiarias

Não estávamos à espera de tantas e tão boas iguarias. Nem sempre os vinhos que levámos, e aqueles que foram levados pelos restantes participantes, casaram com os petiscos. É natural quando, por um lado, não conhecemos a ementa e, por outro, não conhecemos os vinhos. Mas isso é de menos. Estes eventos também não se pretendem demasiado rígidos.

As hostilidades iniciaram-se nos brancos como manda a tradição. É sabido a nossa parca colecção de brancos pelo que recorremos às novidades existentes no restaurante e à boa vontade daqueles que aceitaram o nosso convite.

Aneto 2007 (Douro)
Cor dourada. Notas de madeira fumadas. Fruta tropical madura (alguma geleia). Um vinho gordo, cheio, para pratos mais encorpados e/ou apreciadores de tintos.

Marquês de Riscal Verdejo 2007 (Espanha- Ruenda) +
Cor citrino ligth. Aroma a fruta fresca, citrina, maçãs ácidas em oposto ao Aneto. A boca é leve apostando na frescura da acidez. Um pouco curto.

Castrus de Melgaço Alvarinho 2007 (V. Verdes) +
Cor citrino. Um alvarinho que passou na madeira e nota-se ao primeiro impacto as notas fumadas. A boca apresenta boa acidez com notas de fruta fresca mas mais encorpado que o anterior.


Nos tintos tivemos uma lista recheada de bons títulos (à partida, claro):

Gouvyas 2005 (Douro)
Primeiro impacto abaunilhado. Ligeiro toque lácteo. Após arejamento aparecem os frutos silvestres maduros. A boca é impositiva com boa estrutura e acidez a amparar a fruta. Os taninos ainda andam um pouco à solta provocando um final de boca adstringente.


Marquesa de Cadaval 2005 (Ribatejo)
Aroma pesado marca o nariz. Algum couro. A precisar de decantação. A boca é mais positiva num conjunto pouco brilhante mas ainda assim equilibrado. Toque amargo final. Muito dificilmente convence o preço pedido.


Vinha.Paz 2006 (Dão)
Aroma efusivo. Maduro com notas típicas da Touriga Nacional. A boca mostra-se um pouco gulosa com notas doces mas que a boa acidez não deixa ficar enjoativo. Um vinho de agrado fácil e generalizado.


Conde de Santar 2005 (Dão)
Aroma fresco. Frutos silvestres num registo elegante e equilibrado. Ligeiros balsâmicos. Madeira bem integrada (ou seja, não se dá por ela). A boca mantém o mesmo registo fresco, nada cansativo, apetecível ao contínuo beber. Taninos impecáveis num vinho muito bem feito e que só nos apetece beber muito.


D. Maria Reserva 2004 (Alentejo)
Aroma quente, poderoso a frutos pretos maduros. Algumas notas doces da barrica. A boca é cheia. Final guerreiro a projectar o vinho para uma dimensão extra fruta. Sensação final alcoólica que o penaliza.


Qt. Touriga Chã 2005 (Douro)
Curiosamente ou não, e nesse caso é imagem de marca, o nariz é igual ao 2003 que também aqui já dei conta da prova. Muito fumados da barrica tapam a “uva”. A boca já é outra coisa. Um daqueles raros vinhos que alia a força à elegância dada pela frescura que apresenta. Muito boa boca com final gostoso e prolongado. Pena, para o meu gosto, a escolha de barricas.



E para sobremesa tentámos levar algo que fosse buscar os caramelos e torrados da sobremesa:

Blandy’s Malsay 5 years (Madeira)
Cor de caramelo brilhante. Aroma intenso a notas de caramelo, açúcar mascavado e frutos secos. A boca confirma os aromas torrados. O doce próprio deste tipo de vinhos é amparado pela famosa acidez dos Madeira. Ainda assim, neste caso convém refrescar bem. Casou bem com o creme queimado e puxava ainda melhor pelo figo caramelizado.



O comentário final foi unânime. Excelente jantar providenciado pelo Ágora. Parabéns a toda a equipa. Nos vinhos, como é evidente e saudável, a ordem de gosto não foi consensual. Cada um ordenava o rol de vinhos provados nas mais diversas combinações. Mas tudo num espírito positivo, galhofeiro e respeitoso da opinião pessoal de cada um. Um momento de muito bom convívio entre malta que já se conhece há muito e amigos apreciadores que esperamos continuar a conhecer.


Terminamos com uma pré-marcação de agenda para o dia 02 de Outubro (voltamos à primeira 5ª feira do mês). No entanto, como sempre, um post dedicado ao próximo VinhoaCopo Convida será publicado junto à data da efeméride.


Um abraço,
A malta do VinhoaCopo

p.s.(1) Notas: (+) trazido pelos participantes.
p.s.(2) Estas descrições de prova e classificações atribuídas são de minha
responsabilidade e só me comprometem a mim.

domingo, setembro 14, 2008

Ainda sobre a prova dos € 4

“Viva!

Chamo-me João Geirinhas e trabalho na RV. Mão amiga fez-me chegar os vossos comentários sobre a prova de tintos até € 4 na RV de Agosto que me suscitam as seguintes observações.

Acho notável o entusiasmo e a paixão com que estes assuntos são aqui tratados mas também acho que a paixão por vezes vos tolda um pouco o discernimento.

Como vocês devem saber vigora em Portugal o regime de fixação livre dos preços das mercadorias. Não há portanto preços fixados administrativamente nem nenhuma forma de alguém na cadeia comercial – produtor, distribuidor, etc - impor um dado preço a um vinho.Portanto quando se diz que um vinho tem um determinado preço, essa informação não é um dogma de fé nem uma verdade científica mas aquilo que toda a gente entende que ela seja: uma indicação aproximada do PVP que o consumidor deve esperar encontrar no mercado.

Dispenso-me de voltar a referir – porque o já fiz noutro espaço que deve ser acessível aos leitores da blogosfera – as razões porque acho que uma revista dirigida aos consumidores pode e deve indicar os PVP’s. É informação relevante e de interesse público.Como sabem essa informação é-nos prestada pelo produtor. Que não é um Zé Ninguém. Tem porta aberta, tem uma marca, um nome no mercado, uma reputação a defender, etc. Mais do que ninguém, é parte interessada no negócio e na sua credibilidade.

No país dos «chicos espertos», entendemos na RV que devíamos responsabilizar os produtores por essa informação. Porque os responsabiliza, precisamente, porque os compromete com o mercado, com os leitores, com os seus parceiros.

Uma coisa vos posso garantir: os preços indicados são sempre uma informação do produtor. E são sempre confirmados, a maior parte das vezes por escrito ou então com o registo do nome da pessoa que na empresa prestou a informação. E são posteriormente confrontados quando se recebem informações dissonantes. Esse sistema é baseado na boa-fé e, não sendo perfeito, tem funcionado. Com excepções, às vezes com enganos, (pouco deles voluntários) e com algumas imprecisões.

Mas tem funcionado. E, sobretudo, funciona como um poderoso condicionador à inflação dos preços. Isto é, comunicando ao mercado, através da RV, que o preço indicado é X, o próprio produtor está a dizer aos consumidores que aquele é o preço correcto do vinho, e que não deve comprar por mais se ele lhe aparecer mais caro. E numa altura em que a concorrência é feroz e quantidade de marcas no mercado ultrapassa o razoável, o próprio retalhista só tem é que procurar outras alternativas quando recusar ter à venda um vinho que o próprio produtor lhe diz valer menos.

Por isso não acredito que haja manipulação deliberada. Seria até um pouco tonto, convenhamos, fazer tudo (leia-se “aldrabice”) para ganhar uma prova e depois desta ganha, desse modo, não poder vir cá para fora tirar partido dessa vitória. Estão ver o vendedor da empresa “mistificadora” tentar vender um vinho que ganhou a prova dos € 4 e dizer que afinal o vinho custa € 5? Não bate certo, pois não?

Dito isto, como é evidente, se a RV soubesse que um vinho numa prova cujo limite é € 4 está no mercado com preço superior a € 5, retirá-lo-ia dessa prova. Admito uma variação - € 4,05 , €4,10, € 4,15, mas acima dos € 4,20, concordo que ele não devia pertencer àquele campeonato. Mas acho demasiado esforçada a tentativa do Rui em chamar a si as putativas dores de outros concorrentes “enganados” que ainda por cima não se manifestaram.

PS: Já agora o vinho em questão está á venda no Feira Nova a € 24,75 a caixa de 6, o que dá o custo de € 4,13 por garrafa. Longe do escândalo, portanto.

João Geirinhas”



Não é primeira vez que a RV, sempre pela mão do seu Director de Área de Negócios, João Geirinhas, comenta, ou procura esclarecer, algumas das questões levantadas aqui no blog. Fico satisfeito porque é este tipo de interacção, sempre saudável, que procuro quando escrevo os meus posts. Pena é que nem todas as publicações da nossa praça tenham humildade para igual comportamento.

Como é evidente, a RV apresenta as razões dentro de uma argumentação que lhe convém e que considera correcta. O contrário é que seria uma surpresa. Dentro da guerra dos números, pode-se sempre ir buscar promoções, vendas em quantidade, amizades, ofertas, etc, para “puxar” um vinho para perto dos 4€ e esquecer o facto de que, em boa verdade, na maioria do ano o vinho está a rondar os 5€ (ou mesmo superior, como acontece no Continente). Dito isto, muito acima dos 4,20€ tolerados. Isto é um facto!

Acredito que sejam os produtores a indicar os preços. O post referiu isso mesmo. Nunca foi posto em causa o contrário. Eu, pessoalmente, não acredito que o mercado (leia-se, os consumidores) consiga penalizar os produtores que “abusam” da boa fé na indicação do PVP. É neste ponto que, essencialmente, discordamos. Uma ou outra pessoa até o faz. Mas são as massas que fazem o negócio do volume e o que essas retêm é o vencedor do painel e, na hora da compra, até acreditam que mais um eurito que o indicado pode compensar.

Como referi, fiz este post porque a Casa de Santar é reincidente neste comportamento. Aliás, tem passado, também, por este aumento de exposição na RV, o levantamento da moral a uma marca que tinha, até à aquisição por parte da então Dão Sul, perdido notoriedade junto dos consumidores.

Se aos produtores pedi para tomarem vergonha, à RV pedi um aumento de rigor. Achei que tinha direito de o fazer enquanto apreciador exigente, como faz subtítulo na revista, e enquanto assinante da mesma. Mas está claro, a RV também tem todo o direito de considerar que a paixão de alguns leitores não é suficiente para que esta altere os seus procedimentos e repense as suas certezas.

Um abraço,
RC

p.s. O texto foi publicado na intengra conforme nos foi enviado por e-mail. Apenas introduzi algumas quebras de parágrafo de modo a facilitar a sua leitura.

segunda-feira, setembro 08, 2008

VinhoaCopo Convida - 11/set

Com o aproximar de Setembro voltamos a pôr de pé (passo a expressão) o conceito do VinhoaCopo Convida. Após um primeiro jantar de arranque no restaurante Nariz de Vinho Tinto, a segunda edição que vimos agora anunciar vai ser efectuada no restaurante cuja garrafeira, em Lisboa, mais apreciamos.


O restaurante Ágora, situado no Parque das Nações junto ao Casino de Lisboa, tem vindo a associar a uma cozinha assente em (excelentes) petiscos, uma oferta de pratos principais mais elaborados, mantendo sempre uma boa relação qualidade preço. Aliás, neste particular, a garrafeira é imbatível.

Não conhecemos outro restaurante que tenha a oferta do Ágora (mais de 350 referências, incluindo quase todas as últimas novidades) aos baixos preços praticados. Já aqui chegámos a encontrar alguns vinhos mais baratos que em algumas garrafeiras de referência. Se juntarmos a isto uma preocupação constante com a temperatura e copos de excelente qualidade, só podemos elogiar.

Tal como o restaurante que acolheu a primeira edição, o sucesso de um restaurante obriga à existência de uma pessoa com sensibilidade extra para o trato vínico que garante a correcta ligação de todos estes elementos. No caso do Ágora, esse homem chama-se Paulo Marques e gere o dia-a-dia de um restaurante que pretende expandir a área da garrafeira e, em futuro próximo, permitir aos seus clientes a encomenda de vinhos online.

Mantendo-se o pressuposto de todos os eventos VinhoaCopo Convida, os vinhos são da nossa responsabilidade. A escolha ainda não está feita pois existem sempre acertos necessários face ao número de pessoas participantes. Mas serão, com certeza, vinhos de qualidade. O repasto está orçamentado em 20€. O Paulo Marques tem previsto uma degustação de vários sabores, do peixe à carne, passando pelos enchidos com frios e quentes, incluindo a sobremesa e café. Portanto, salvo algum imprevisto, será neste formato que decorrerá o jantar. Como é evidente, aperitivos e digestivos serão pagos à parte e pelos respectivos autores de tal “alarvidade” :)

Ao contrário do anunciado aquando da exposição da ideia original, a próxima data não bate certo com a primeira quinta-feira do mês. Achamos que serão necessários mais uns dias para as pessoas (e nós) recuperarem das férias de Agosto. Por isso, o jantar será no dia 11 de Setembro por volta das 20:30. Quem quiser participar é só enviar-nos um e-mail demonstrativo da sua vontade até três dias antes da data e aparecer à hora marcada.

Até lá,
A malta do VinhoaCopo

terça-feira, setembro 02, 2008

Tintos até 4€: uma fantochada

Chegámos a Setembro. Começa um novo ciclo do panorama enófilo português. As vindimas estão aí. As feiras de vinhos do Outono perfilam-se no horizonte. As novidades de “peso” começam a acordar do estágio de dormência em que tiveram nos últimos meses para se apresentarem em forma a tempo do Natal. Também nós aqui no blog, após umas férias (que se pretenderam) revigorantes, estamos de volta aos posts (mais) sérios. Ou seja, volto com um post de crítica acérrima. :)

A Revista de Vinhos efectua com regularidade edições com a escolha dos vinhos até determinado preço. Tintos até 4€. Tintos até 10€. Brancos até 4€. No último número (de Agosto de 2008) efectuaram a prova dos tintos até 4€. Quem leu a revista sabe que ficaram empatados em primeiro lugar, com 16 valores, quatro vinhos: Casa de Santar 2005, Catapereiro Escolha 2006, Grilos 2006 de Reguengos Reserva 2005.

Curiosamente, já no ano passado, venceu isolado esta prova o Casa de Santar 2004. E também, curiosamente, o Casa de Santar Reserva 2004 acabou por liderar juntamente com o Cortes de Cima 2004 a prova dos vinhos até 10€.

Nada me move contra o vinho Casa de Santar ou os seus produtores (ex-Dão Sul, agora Global Wines). Mas eu, se fosse produtor de vinhos até 4€, deixava de mandar amostras para este exercício da RV. Basta passar num hipermercado dos mais conhecidos, olhar a prateleira e verificar que o preço do vinho passa os 5,5€. Nem em promoção nas feiras de Outono, no ano passado, o vinho baixou dos 4€.

Admito que a RV dos vinhos não consegue verificar os preços de todos os vinhos enviados para a prova. Mas também não era preciso. Apenas precisava de validar os preços dos primeiros classificados. Se houver um vinho que custa 8€ e acabou em último, não ganha nada com isso e por isso é indiferente. A validação para os vinhos mais conhecidos e correntes no mercado é fácil e pouco demorada.

A não validação dos preços dos vinhos leva a que tudo que se pretende retirar deste exercício seja inócuo, inválido e erróneo. Os produtores que agiram de boa fé são enganados. Os leitores que verificaram os primeiros lugares acabam desapontados nas prateleiras dos supermercados. As conclusões que o autor do artigo retira sobre o aumento da qualidade dos vinhos de gama baixa (ou até 4€) são, no mínimo, falaciosas. Fazendo futurologia, se nos calha a sorte de termos um vinho, nesta gama, que atinja a marca histórica de 17 valores, corre o escriba a concluir o aumento exponencial da qualidade dos vinhos até descobrirmos que o vinho custa na realidade 7 ou 8 euros. Ameaça ficar ridículo!

“Uma questão de boa fé nos produtores. Os consumidores penalizam os mentirosos.”, defender-se-á a Revista de Vinhos. Entendo este argumento como um “lavar de mãos pilatiano”. Pelo que expliquei em cima, a Revista de Vinhos pode e deve fazer melhor. Este é um caso repetido. Aconteceu no ano passado e voltou a acontecer este ano. O crime compensa. O que interessa é aparecer no topo da classificação. Ganhar o painel de prova. O consumidor, enganado, até pode pensar que as boas “performances” levaram, à posteriori, ao aumento do preço por parte de gananciosos gerentes dos supermercados. Mas não é verdade! Se a Global Wines fosse um produtor pequeno sem grande controlo sobre o preço de venda dos seus vinhos ao público até podíamos dar um desconto de boa fé. Neste caso, essa benesse é imerecida. A Gobal Wines sabe muito bem a que valores são vendidos os seus vinhos nos supermercados e, se nas amostras que envia para prova, identifica preços praticados de venda 40% mais baixo que o real então só pode estar a utilizar uma estratégia enganadora típica do chico-espertismo português.

Como referi, nada me move em particular contra o vinho, ou os seus produtores. Outros produtores fazem o mesmo. Qualquer vinho que tenha o preço indicado no máximo permitido pelas supostas regras do painel, é mais do que justo acreditar que na realidade ultrapassa o valor de referência do exercício. Este caso, devido às circunstâncias e ao repetido aproveitamento da situação, é escandaloso. Tomem vergonha!

quarta-feira, agosto 20, 2008

Vinho a Copo de Verão

Nós aqui no blog levamos isto das férias muito a sério. Apesar do apelo da escrita ser esmagador, todos nós conseguimos lutar contra o ímpeto de matraquear os nossos dedos num qualquer teclado neste último mês.

O descanso dos nossos leitores é sagrado. Em tempo de férias até a leitura se quer ligth. O esforço, para compreensão de alguns dos nossos (meus, sendo mais correcto) posts, podia ser demasiado. Não quisemos arriscar. Em tempo de férias, normalmente, os homens lêem as novelas das contratações do nosso futebol, as mulheres “olham” para os locais onde os famosos apanham sol de dia e passeiam os vestidos de marca de noite. Tive o cuidado de escrever “normalmente” porque, hoje em dia e cada vez mais, o “normal” está fora de moda.

Ora por esta altura, o cérebro já ganhou “cama” num determinado nível (baixo) de esforço mental. Quer para quem lê, quer para quem escreve. O desenvolvimento deste preâmbulo (ainda) mais alargado serve assim a necessidade deste vosso escriba “aquecer os dedos” ao mesmo tempo que tenta “acordar” o vosso cérebro para o parágrafo seguinte. Considerem-no uma espécie de amuse bouche mental. :)

Durante este interregno, ao nível da escrita, não deixei de fazer as minhas provas. Nos breves dias que passei férias cá dentro, o repasto fora de casa foi inevitável. A vertente turística de maioria dos restaurantes não augurava, à partida, nada de positivo. Isto claro, se considerarmos que nem todos podem aproveitar o rumar a sul para visitar o único restaurante português duas estrelas Michelin.

Em tempo de férias, o que beber? Porque se trata de um blog de vinhos, vamos assumir que, na resposta à pergunta anterior, vinho é a única hipótese a considerar. Mas que tipo de vinho? E em que formato?

A canícula que se faz sentir remete-nos quase obrigatoriamente para algo fresco. Neste particular, brancos e rosés ganham a dianteira sobre os tintos. Nada de novo! O formato, por outro lado, é tema mais complexo. Se estamos sós ou acompanhados de um parceiro (a) de “pouca ajuda” (enófila, claro) então o vinho a copo (ou as garrafas de 375ml) é a única solução. Pelo menos para mim. Sei que aqui neste blog existe quem consegue “lidar” com formatos maiores.

A ditadura emanada deste formato é ainda mais castradora que a canícula do Verão português. É verdade que encontrei uma percentagem elevada de estabelecimentos que já anunciavam na sua carta a existência de vinho a copo, mas nunca me pareceu esta "abertura de espírito” tão enganadora.

Não obstante a pouca variedade de escolha, consideremos positivo o facto de haver a possibilidade de vinho a copo de modo a continuarmos este raciocínio. Mas agora, suponhamos que vamos jantar. A temperatura ambiente já nos permite “sonhar” com um tinto. Aposto que quem já pediu vinho tinto a copo se arrependeu logo de seguida. Em formato garrafa, inevitavelmente a seguir à prova pede-se uma manga refrigeradora ou um balde com gelo de modo a baixar a temperatura do conteúdo da garrafa. Como é que se faz isso com um copo? Rapidamente concluímos que, tirando umas raras excepções, pedir tinto a copo é para esquecer. Resta-nos o branco e o rosé. Ao assumirmos isto, estamos automaticamente a restringir o prato que vamos escolher. Ou seja, esta triste verdade tem mais impactos do que se imagina. Durante as férias, quase que estamos obrigados a comer salada ao almoço e peixe ao jantar.

Dentro das opções que nos restam, o rosé a copo é coisa rara. Logo, ficamos limitados ao branco. Geralmente, a escolha neste particular não é famosa. Entre preços por copo que pretendem pagar de uma assentada toda a garrafa, a diversidade resume-se ao cinzento claro ou cinzento escuro.

Cansado, dou por mim a pedir um copo de vinho branco da casa bem fresquinho. Quando isso acontece, puxam do resto de uma garrafa de Vinha da Garças e vertem até meio de um (razoável) copo. Achando-se uns mãos-largas, puxam de outra garrafa com igual resto e acabam por encher o copo. O blend da casa, suponho! Atónito, deixo passar. Afinal estou de férias e não me quero chatear (será que alguma vez vale a pena?). No entanto, fico com ideia que esta história do vinho a copo não é nova e há muito que existe. Dantes chamava-se copo de três. A diferença é que agora os copos são mais bonitos.

quarta-feira, julho 16, 2008

VinhoaCopo Convida - 03/jul: descrições de prova

Ora bem. Já passaram quase duas semanas desde o primeiro jantar VinhoaCopo Convida. Andei um pouco na preguiça este tempo e só agora me decidi sentar à frente do portátil para escrever as linhas que se seguem.

O jantar decorreu no restaurante Nariz de Vinho Tinto, tal como anunciado. Não me vou alongar nos comentários. Importa apenas referir a forma extraordinária como fomos recebidos pelo seu proprietário, o (Sr.) António Inácio. Deu-nos a liberdade total para deambular pelo restaurante como se estivéssemos em casa. Muito obrigado!

Sigo directo aos vinhos que é por isso que ainda temos meia-dúzia de leitores. Tirando o primeiro e o rosé, todos os outros foram inicialmente provados de rótulo tapado (pelos outros, pois fui eu quem tapou os rótulos :)). Por ordem de abertura:

Qt. Roques Encruzado Branco 2006 (Dão) +
Pouco aromático. Toque fumado da madeira. Um branco com algum corpo. Fruta contida. Pouco falador.

Terra de Tavares Branco 2005 (Dão) *
Mais frutado que o anterior. Leve tropical. A boca apresenta uma muito forte acidez. Ligeiramente desconjuntado.

Adegaborba.pt rosé 2007 (Alentejo) *
Cor rosa choque. Fácil. Consegue aliar o doce dos frutos vermelhos com um toque de acidez que, se bebido bem fresco, não o permite cair no enjoativo.

Qt. Portal Grande Reserva Tinto 2000 (Douro)
+
Cor mostra já sinais de evolução. Primeiros acastanhados. O aroma também já denuncia o passar do tempo. Notas de algum couro. A boca mostra-nos um vinho em fase de transição. Abandonados os traços evidentes da fruta madura, ficam as notas mais complexas. Final prolongado com algum ardor alcoólico.


Campolargo Calda Bordaleza Tinto 2006 (Bairrada)
Cor perto do preto. O aroma ligeiramente reduzido. Primeiro impacto não é agradável. Notas quentes de madeira e algumas notas animais. Melhora com arejamento. A boca é portento de frutos pretos e garra. Grande estrutura e boa acidez. Um vinho potente e que precisa de tempo em garrafa ou comida que lhe aguente a pujança. Penalizado pelo aroma.


Terra de Tavares Touriga Nacional Tinto 2005 (Dão) *
Notas características de Touriga. Aroma penetrante, ligeiramente (atrevo-me) adocicado. A boca mostra-se mais dura. A fruta está protegida por uns vivos e muito presentes taninos. Forte acidez. Um vinho pouco domado. Feito à moda antiga, e sem facilitismos, por um produtor que não abdica destes princípios.


Qt. Falorca Garrafeira Tinto 2003 (Dão)
Cor impecável. Sem traços perceptíveis da passagem do tempo. Aroma muito agradável e equilibrado. Ainda tem traços de fruta, mas contida, com notas típicas do Dão. Tudo isto num registo complexo e elegante. A boca, apesar da presença ainda de alguns taninos e de acidez elevada, já se apresenta num estado em que se bebe com muito prazer. Com boa complexidade, presença e nada cansativo. Um muito bom vinho. É um dos vinhos do Dão que mais gostei.

Solera 1847 Oleroso Doce (Espanha-sherry)
Cor castanha a casca de cebola. No aroma sobressaem os torrados. Os caramelizados fortes. A boca confirma-nos este nariz. Apesar do doce próprio deste tipo de vinho, o que me fica é o excesso de sabor queimado provocado pelo sistema Solera. Algo desequilibrado nesse sentido. Torna-se pesado e quente. Enfim, desagradável. Não gostei.



Antes do vinho de sobremesa surpresa, os mais duros – leia-se, o camisola amarela Cristo e o rei da montanha JPD – ainda atacaram outro vinho ao qual achei por bem não ir a jogo. A título de curiosidade: Morgadio da Calçada Grande Escolha Tinto 2005 (Douro).

Após o café, em jeito de remate final, foram abertas duas aguardentes vínicas, que tinham sido oferecidas ao nosso camisola amarelo como prenda de aniversário atrasada fazia uma semana. Uma, é uma curiosa aguardente de vinho moscatel chamada Espírito da JMF. A outra, é um dos mais recentes produtos da Qt. de Cabriz. Também aqui apenas molhei os lábios para provar a primeira. Surpresa: sabia mesmo a moscatel. :)

Não haverá VinhoaCopo Convida no mês de Agosto pois a malta, pelos vistos, gosta mais de sol e banhos do que vinho. Assim, saltamos um mês e, em principio, o próximo jantar será no dia 04 de Setembro. Até lá!

Um abraço,
A malta do VinhoaCopo.blogspot.com


p.s.(1) Notas: (+) trazido pelos participantes; (*) oferta/amostra de produtores.
p.s.(2) Estas descrições de prova e classificações atribuídas são de minha
responsabilidade e só me comprometem a mim, como é evidente.

sexta-feira, julho 11, 2008

Como servir o vinho à temperatura certa

Todos nós temos o eterno dilema de como manter o vinho a uma temperatura correcta de consumo. Desde caves ultra sofisticadas até ao simples balde de gelo encontramos de tudo. Ao navegar pela internet encontrei um site com um produto que considero com potencial interessante, ainda não será a solução perfeita mas parece-me caminhar no sentido certo, ou seja, o que se pretende é arrefecer o vinho e não necessariamente a garrafa.

O Ravi propõe-se introduzir um sistema que, juntando ao gargalo da garrafa um sistema de tubos previamente arrefecidos no frigorífico (durante 6 horas!), permite regular o fluxo de vinho a despejar para o copo, havendo mais ou menos tempo de contacto entre o vinho e o frio, controlando assim a temperatura do vinho a ser servido. Parece-me um bom ponto de partida, se cumprir com as suas promessas, apenas identifico 2 questões, o facto de o sistema ter de estar 6 horas no frigorífico antes de poder ser utilizado, o que limita a sua utilização nos restaurantes por exemplo, e o facto de o controlo do fluxo de vinho ser feito através do abrir e fechar de uma válvula com o polegar, o que me parece limitar o sucesso do aparelho a utilizadores um pouco mais experientes.

Volto a dizer que me parece um produto interessante e com pernas para andar, ainda que o seu preço ainda possa ser um pouco elevado, cerca de 50$. Pelo que sei não está disponível em nenhuma loja portuguesa mas o site indica diversas lojas online que permitem a sua compra em qualquer parte do mundo.

Site Oficial: Ravi Solutions

terça-feira, julho 08, 2008

Provas Vinho 2008/2T - Descrições RC

No post anterior foram publicadas tabelas com as notas de prova (rolhas) dos vinhos bebidos por cada um dos membros deste blog no período referido no título. Como sou o mais desavergonhado, apresento, para os leitores mais curiosos, as descrições das provas efectuadas. Como é óbvio, a introdução feita no post anterior referido é valida para as descrições que se seguem.

O texto abaixo segue o seguinte fluxo: vinho -> rolhas -> descrição de prova.

Alentejo

Altas Quintas Mensagem Aragonês - 2005 - 3,5 - Combinação de fruta com madeira. Alguns tostados. Algumas especiarias. A boca constitui um prolongamento do nariz. Nota-se um pouco o álcool no final o que é uma pena.

Herdade dos Grous Moon Harvest - 2006 - 3,5 - Aroma ligeiramente fechado, frutado mas sério. Impacto inicial doce na boca que rapidamente desaparece, dando lugar a certo amargor final. Alguma rusticidade final a pedir pratos fortes.

Herdade dos Grous Reserva - 2005 - 4 - O aroma é surpreendentemente fresco. Não apostava em Alentejano em prova cega. Ligeiros balsâmicos, algum floral, sem as notas quentes da fruta madura que se adivinha ao olhar para o copo. Madeira discreta. Na boca sim a fruta aparece em grande evidência, um pouco gulosa no impacto inicial mas acabando mais aguerrida no final. Um vinho cheio com boa estrutura que precisava de um pouco mais da elegância do nariz na boca para eu lhe dar mais meia rolha. Culpa das expectativas geradas.

Monte da Cal Aragonês - 2004 - 2 - Aroma a madeira molhada. Algum toque animal e muitas notas vegetais marcaram o aroma inicial. Achei algo estranho e confesso que tive algum receio de influenciar a opinião dos outros quando me saiu um sonoro "Elá! Temos que abrir a outra garrafa para ver se está igual." E estava. E os meus medos eram infundados. Ninguém ligou patavina ao que eu disse e acabou por ser o vinho melhor classificado dos três. Na boca deu melhor conta de si. Ainda assim, sempre num tom mais vegetal que frutado, o que a maioria considerou que lhe dava uma aura de frescura. Eu sinceramente não gostei.

Monte da Ravasqueira - 2006 - 2 - Aroma marcado pelas notas vegetais e balsâmicas. Na boca, o primeiro impacto é um ligeiro abaunilhado da barrica, seguido pela notas verdes de um vinho que se mostra ainda muito novo com taninos um pouco rijos. Final com amargor vegetal e forte especiaria. Falta-lhe afinação pois neste momento não está um vinho fácil de beber.

Monte da Ravasqueira - 2005 - 3,5 - Muito mais equilibrado que o irmão mais novo. O aroma mostra-nos uma fruta já casada com as notas da madeira. A boca é também ela mais cordata, bebendo-se facilmente e com muito agrado.

Mouro (Qt. Mouro) - 2005 - 3,5 - Aroma ligeiramente vegetal a conter a fruta. A boca é fresca com boa acidez. Alguma adstringência final e sensação amarga. Um Alentejano que engana, não fosse ele engarrafado para um srº que já confessou não gostar de fruta nos vinhos (Dirk Niepoort). Um vinho que funciona melhor com comida por perto.


Bairrada

Campo Largo C.C. - 2004 - 4,5 - Aroma profundo a frutos silvestres pretos. Frutado com alguma complexidade. Um vinho guloso mas não cansativo. Bebe-se com muito prazer. Um dos vinhos que mais gostei do Campolargo.

Termeão Pássaro Branco - 2006 - 3 - Aroma fresco e vivo com notas vegetais abundantes e um muito ligeiro adocicado. Corpo médio a frutos vermelhos ácidos. Final curto, o qual tenta compensar com acidez para lhe dar frescura. Tem a favor o facto de ter uns ligeiros 12º. Mantendo-se fresco acompanha pratos mais leves agora no Verão. Penso que o preço está elevado pois consegue-se encontrar muitas coisas melhores na ordem dos 8€.


Dão

Pape - 2005 - 3,5 - Aromas balsâmicos com forte pendor vegetal. A boca segue o nariz. Um vinho com acidez elevada, taninos a mostrar-nos os dentes mas já se consegue beber se tiver comida certa por perto.

Pelada - 2003 - 3,5 - Aroma muito semelhante ao Pape. São as notas vegetais e os balsâmicos que predominam. A boca mostra-se ser mais meiga (já tem mais uns aninhos). Padece no final de algum diluimento repentino que o penaliza.

Qt. Marias Garrafeira - 2005 - 3 - Aromas balsâmicos. A boca mostra-nos um vinho com nuances marcadamente vegetais. Final com forte acidez, prolongado e ligeiramente taninoso. Um vinho que neste momento faz jus ao designativo "garrafeira". Feito para estar na garrafa mais uns tempos. Caso contrário, necessita de um prato que lhe "absorva" a acidez.

Qt. Perdigão Reserva - 2005 - 4 - Aroma mais frutado dos três, apresentando mesmo no inicio da prova notas um pouco doces. Abre no copo e toma conta do aroma um fundo levemente tostado da madeira. A boca é mais séria que o nariz. Mais contida, menos exposta, a mostrar-se um vinho moderno do Dão mas sem excessos. Está um bom vinho.


Douro

2PR Grande Reserva - 2005 - 3,5 - Aroma muito fresco com notas balsâmicas. Ligeiras notas de madeira nova. A boca é impositiva marcada pela forte acidez que nos apontava claramente para outros lados que não o Douro. Um caso atípico na região que é capaz de receber mais elogios da critica pela diferença do que pela qualidade (que tem). Sinais dos tempos que vivemos.

Aneto - 2004 - 3,5 - Aroma com ligeira notas vegetais e fundo especiado da madeira. A boca é também ela especiada, ampla com acidez vincada e taninos bem presentes que o tempo ainda não consegui domar. Aliás, a adstringência marcada pela estrutura vigorosa de taninos aliada ao facto de não ter quebras na cor, enganou muita gente, dando-lhe antes do vislumbre do rótulo o titulo do mais novo da mesa. A verdade revelou o inverso. Precisa de temperatura correcta, pratos vigorosos e mais tempo em garrafa.

Cedro do Noval - 2005 - 2 - Aroma marcado pelos tostados fortes da madeira. Eventualmente algum couro/notas animais. A boca apresenta também bastantes notas vegetais. Menos prolongado que o anterior pois tem menor acidez mas com ligeiro amargor final. Os taninos ainda se fazem ouvir. Claramente prejudicado pelo aroma que não me agradou nada. As duas garrafas apresentavam-se semelhantes.

Gouvyas Vinhas Velhas - 2003 - 4 - Aroma um pouco preso mas com notas típicas do Douro. Alguma esteva. A boca é redonda, com boa presença e os vários elementos em feliz casamento. Um vinho contido, pouco exuberante mas que se bebe com enorme prazer. Pareceu-me faltar-lhe uma maior vivacidade que encontrei em provas anteriores. Ainda assim penso que precisava de uma maior vivacidade e daí não lhe aumentar a nota.

La Rosa Reserva - 2005 - 4 - A madeira ainda marca o aroma. Madeira de cedro. Alguns balsâmicos. A boca apresenta grande estrutura com a fruta a conseguir sobrepor-se ligeiramente à madeira. Um final ainda por domar. Mais um vinho do Douro de topo que vem comprovar que o ano de 2005 traz-nos vinhos mais difíceis de beber aquando do seu lançamento comparativamente à colheita de 2004. Dirão uns: "aguentam mais tempo". Pois, não sei, esta não durou.

Pintas - 2005 - 4 - O aroma diz-nos que estamos na presença de um Pintas diferente. Menos carregado de fruta madura. Mais fresco. Apresenta mesmo algumas notas vegetais incaracterísticas. A boca é também ela menos gulosa e mais austera. Maior acidez, as tais notas vegetais e um final mais pontiagudo. Futuro estilo ou resultado do ano?

Poeira - 2005 - 4 - Aroma complexo. Fruta séria bem casada com a madeira. Algumas notas exóticas. A boca é afirmativa com garra mas controlada. Boa persistência final. Tive sempre alguns problemas pessoais com o Poeira. Este é que mais gostei até agora.

Qt. Couquinho Reserva - 2005 - 3 - Ao nariz sobressai a mistura das notas balsâmicas típicas do Douro "moderno" com os tostados fortes da barrica. A boca apresenta um vinho carregado com muitas notas vegetais e com final ligeiramente alcoólico a mostrar realmente que era o vinho com maior percentagem do mesmo. O vinho que aposta mais na força que no jeito e que também precisa de temperatura correcta e pratos intensos.

Qt. Infantado Reserva - 2005 - 4 - Aroma típico do Douro. Frutos silvestres com um fundo balsâmico que lhe dá frescura. Alguma especiaria da barrica. Na boca sente-se a fruta madura num primeiro impacto que se prolonga num final aguerrido. Está um vinho mais concentrado que o 2003 que por esta altura estava mais fino e elegante.

Qt. Porrais - 2005 - 3 - Aroma com fruta bem madura em evidência. Um pouco doce com toque de rebuçado. Boca continua a mostrar-nos um vinho com concentração de fruta mas algo mole. A precisar de maior frescura e maior longevidade. Compensar através de ligeiro arrefecimento.

Qt. Seara d'Ordens Reserva - 2004 - 3,5 – Aroma pouco exuberante. Fruta discreta, equilibrada com as notas da barrica. A boca mantém o estilo num tom pouco exuberante. Um vinho correcto, equilibrado nas partes e sem grandes sobressaltos. Já aqui disse que os vinhos da Seara d'Ordens não me conseguem convencer (apesar de achar que tinham potencial para isso). Este, apesar de tudo, foi dos que mais gostei.

Qt. Vallado Reserva - 2005 - 4,5 - Aroma equilibrado e muito interessante. A fruta bem conjugada com a barrica. Notas de mato seco e alguma especiaria. Longe dos baunilhados que em anos anteriores o Vallado nos oferecia. Está mais contido, o que só lhe fica bem. A boca é muito ao meu gosto. Fruta presente mas discreta com bom corpo mas não esmagador. Fresco, acaba com notas especiadas. O Vallado que mais gostei até hoje. Muito bom.


Estremadura

Chocapalha Reserva - 2005 - 4 - Nariz profundo a amoras pretas maduras, cerejas pretas, fruta com ligeiro toque lácteo da madeira de estágio. A boca confirma-nos esta profusão de fruta preta madura. Com bom corpo e cheio de sabor, peca por não conseguir disfarçar uma ligeira impressão alcoólica final (são 14,5º). Um vinho que dá bem com um bom naco de carne mal passada.


Ribatejo

Guarda Rios - 2006 - 3 - No aroma sobressaem as notas da madeira nota. Ligeiros abaunilhados num perfil moderno. A boa surge-nos um vinho de boa estrutura, com frutos silvestres, acidez ligeiramente acima da média e final com ardor vegetal (porventura, consequência da juventude das vinhas). Na boca mostra que esta edição pede comida por perto. Ao que parece este visto de Vale d’Almargem faz parte de um projecto grande e de sucesso (como se definem todos à partida) em terras do Ribatejo. A ver vamos.

Tributo - 2005 - 4,5 - Caso típico daqueles vinhos que fazemos intenção de beber e nunca o chegamos a fazer. Confesso que o preço associado à Região fazia-me constantemente adiar a prova. Por um conjunto feliz de circunstâncias, acabei por provar. E ainda bem. O nariz apresenta-se clássico. Fruta discreta com notas de barrica ainda presentes. Notas de mato seco mas tudo pouco efusivo. A boca é que me encantou. Fresca nada cansativa. Daqueles vinhos que podemos beber a noite toda sem enjoar. Boa estrutura mas longe das negras extracções. Um vinho muito equilibrado nas suas componentes e gastronómico.


Setúbal/Terras do Sado

Vinha Val' dos Alhos Castelão - 2007 - 2 - Aroma muito novo a fruta vermelha muito madura e madeira nova. Tudo muito efusivo e exposto. A boca é estranha com a doçura inicial a dar lugar a um final com notas vegetais, alcoólicas e adstringentes. Sinceramente, quem é que se lembrou deste nome? É enorme a facilidade com que nos escapa a língua para o "em vinha d'alhos".

Cavalo Maluco - 2005 - 3,5 - Aroma frutado com os tostados da madeira de estágio. Boca cheia a fruta madura com impacto inicial doce. Um vinho muito novo mundo que realmente engana em prova cega. Como foi dito ao desvendar o rótulo: "este não é terras do Sado, é torrado". Curiosamente não agradou à maioria contra todas as expectativas. Ou então, as pessoas começam-se a cansar deste estilo.


Estrangeiros

Fabre Montmayou Malbec Grande Reserva (Argentina)- 2005 - 2 - Aroma marcado pelas notas muito enjoativas a baunilha, leite condensado, chocolate branco. Todo o nariz é madeira e não vinho. A boca mostra os primeiros sinais de frutos pretos, com forte acidez. Final ligeiramente alcoólico com prolongamento ardente. Não gostei.

Altesino (Itália) - 2004 - 3 - Cor com tons acastanhado denunciaram a casta: 100% Sangiovese. Aroma com algum toque de couro, terra húmida e pendor vegetal. É um vinho de corpo pouco encorpado, fino, com forte acidez a frutos vermelhos. Casou lindamente com o risotto que fazia explodir a acidez a morangos silvestres. Um vinho claramente de comida e não de prova.


Generosos

Moscatel Setúbal Roxo Superior - 1971 - 4 - Cor âmbar escura. Autêntico perfume. Notas de caramelizadas, torrados, farripa de laranja e frutos secos. A boca é untuosa. A boa acidez final ampara a prova que decorre em tom doce. Aliás, este lado doce do vinho, para o meu gosto pessoal, penalizou na nota atribuída. Para quem, como eu, gosta de vinhos menos doces, aconselho beber mais fresco ou sobremesa que o "ultrapasse " em doçura.

Borges Vintage - 2005 - 4 - Aroma pujante a fruta negra bem madura. A boca mostra-nos que está um vintage muito guloso. Notas de fruta madura e chocolate dão nesta fase muito prazer. Está cordato para vintage novo. Este, é um sucesso à mesa.
Burmester Vintage - 2003 - 3 - No aroma dominam os achocolatados. A boca mostra-nos um vinho numa fase um pouco monocórdica. Fruta madura com notas de chocolate preto mas sem grande alma e pouca paixão. Final com ligeiro ardor alcoólico. Bebe-se mas está um bocado amorfo.

Dalva - 2000 - 2 - Cor ainda bem dentro dos vermelhos escuros sem sinais de grande evolução. Aroma efusivo mas atípico. Notas a frutos tropicais do tipo maracujá. A boca também surge curiosa com as notas a fruta ácida, atípicas para vintage. Uma garrafa atípica, um estado de evolução atípico ou uma curiosidade futura?

Gould Campbell Vintage - 1975 - 3 - Cor delgada de um ligeiro vermelho e translúcido. Aroma de fruta em passa. Alguns torrados e caramelo. Na bocas as mesmas sensações caramelizadas, com corpo muito fino e acetinado. A beber sempre fresco.

Niepoort LBV (filt.) - 2003 - 3 - O aroma apresenta já uns muitos ligeiros traços de figo O resto é frutos pretos e ligeiro balsâmico. A boca é típica dos LBV da Niepoort: fruta fresca com boa acidez, taninos ainda presentes a "alegrar" o conjunto e final guerreiro. Um bom produto a um preço imbatível para LBV (cerca de 10€).

Silval - 2003 - 3,5 - Curiosamente (ou não), está um vinho muito parecido ao Burmester do mesmo ano.São as notas de chocolate preto que sobressaem entre a fruta. No entanto, na boca está mais espevitado, mais vivo. Final mais aguerrido. Por isso, presentei-o com uma nota mais elevada.


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