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segunda-feira, janeiro 30, 2006

Alfaia – Garrafeira

Bairro Alto. Travessa da Queimada. De um lado da rua restaurante, do outro garrafeira. A garrafeira além de vender garrafas de vinho como toda e qualquer garrafeira, junta a possibilidade de comer alguns petiscos e degustar diversos vinhos através da modalidade: vinho a copo. A garrafeira tem-me servido de ponto de encontro com os amigos antes de seguirmos para o jantar num dos vários restaurantes da zona. Nesta 6ª feira o restaurante até ficava do outro lado da rua: Alfaia-Restaurante dos mesmos donos.

Para meu azar, quem estava de serviço ao balcão nessa noite era o Sr. Victor. Ora segue relato abreviado da nossa conversa.

Perguntei: “Qual dos vinhos servidos a copo está aberto à menos tempo?”
Respondeu o Sr.Victor: “O que está aberto à menos tempo é o Barca –Velha (1995)!”
Um amigo ajudando-me: “ Sim, mas já está mesmo no fim.”
Prossegui: “ Entre o Casa Santos Lima Alfrocheiro e o Casa Santos Lima Sousão, qual o que está aberto à menos tempo?”
Sr. Victor: “Você, é a 1ª vez que cá vem, não é?”
Respondi: “Não! por acaso costumo cá vir.”
Sr.Victor:” É que não parece. Garanto-lhe que todos os vinhos aqui servidos a copo estão em perfeitas condições. Acho que é deselegante do sua parte estar-me a perguntar uma coisa dessas!” Ao que eu tentei replicar que achava natural fazer esta pergunta.
Continuou: “Você, também não gostava que eu fosse a sua casa e lhe fizesse essa pergunta?”
Respondi, que se fosse a minha casa e fizesse essa pergunta eu não ficava ofendido. De nada serviu.
“Você, em sua casa não tem os vinhos que eu aqui tenho e nestas condições. Portanto, considero deselegante da sua parte estar-me a fazer essa pergunta”.
Terminei: “Peço desculpa se o ofendi, no entanto já não tenho a mínima vontade de beber vinho” – e retirei-me.

Seguiu-se o jantar. Um amigo enófilo fazia anos. Para nosso contentamento, combinou com os responsáveis do restaurante e trouxe com ele algumas surpresas. No fim do jantar foi servido com a sobremesa dois Porto Vintage: Osborne 2003 e Vale Meão 2000.

Chega-se um empregado à minha beira de copo vazio estendido e pergunta-me: “Podia servir um bocadinho para dar o Sr. Victor da garrafeira que ele gosta de provar?”
Respondi: “Com certeza!” – servi – “Dê-lhe os meus cumprimentos”, foi o que me lembrei de dizer.
Hoje, e depois conversar com amigos, o que lhe devia ter dito era: Diga ao Sr.Victor o seguinte: espero que goste do vinho, e mais, que foi acabadinho de abrir!”

19 comentário(s):

Nuno disse...

Infelizmente é cada vez mais frequente provocarmos uma onda de crispação quando fazemos algumas perguntas parvas, do tipo:
- Não tem outros copos?
- Como é que o vinho está acondicionado?
- Não podia refrescar um pouco o vinho?
- Seria possível decantar um pouco?
- Ou este exemplo concreto, Há quanto tempo está aberto?


Normalmente o nível de crispação é proporcional à ignorância de quem serve.

Não será possível termos um serviço melhor ? Especialmente tendo em conta a exurbitância dos preços que são praticados na generalidade dos restaurantes

Cristo disse...

Para a próxima que fores à garrafeira, extendes tu o copo, e dizes que és o Rui e que gostas muito de provar ...Barca Velha, ...

... e aproveitas para perguntar se gostou do Porto!

Mr. Brightside disse...

Ainda por cima, esses ignorantes que aquecem tais nectares dos Deuses, deixam-nos a degustar potenciais orgias gustativas com laivos diferenciados de temperatura...

Nuno disse...

Seja be vindo mr. brightside!!

Para si em especial, oferecemos um brinde com um nossos melhores vinhos virtuais (Quinta do Noval Nacional 1976). Feito especialmente para sim! Um mimo!!

Paulo Pacheco disse...

Ora bem.. as questões levantadas pelo wine4ever, não tem nada a haver com a questão que foi colocado ao "Sr Vitor" e porque? ora, para já se a garrafeira for uma garrafeira de jeito concerteza terá ao seu dispor um sitema de preenchimento do ar dentro da garrafa por um gaz inocuo.
Se assim for realmente, não fará diferença se o vinho foi aberto há 3 ou há 5 dias.
POorventura fará maior diferença se tiver sido aberto mais vezes.
Mas como em quase todos os vinhos, estes ganham com um pouco de ar.
Ou seja as garrafeiras e restaurantes que usam estes sistemas, normalmente o vinho servido ainda percisa de "respirar" um pouco.
Obviamente que o Sr. vitor não me parece saber nada disso. E a arrogancia com que compara uma garrafeira a uma casa de alguem é obviamente de bradar aos ceus!

Nuno disse...

O último ponto do wine4ever foi justamente a questão concreta colocada ao Sr. Victor, mas a ideia geral é o facto de um consumidor ter direito a perguntar caracteristicas do produto (e respectivo acondicionamento) que vai adquirir.
Penso que a questão do gaz inerte poderá levar a uma ampla discussão, mas de qualquer modo, em última instância, deverá ser sempre o consumidor a fazer a sua análise e posteriormente decidir se quer ou não comprar o produto acondicionado naquelas condições durante x tempo.
Penso que é legitimo e não é ofensivo.
Com um pouco mais de tacto,e se a confiança nesse gaz é assim tão grande, poderia ter sido servida uma amostra para fazer a demonstração, funcionando até numa lógica pedagócia em vez da reacção agressiva e despropositada.

Paulo Pacheco disse...

Nuno.. plenamente de acordo.
A questão obvia aqui é a falta de educação e de formação do empregado em questão.
Quanto ao gaz, vem bem ao caso um artigo que li hoje na Revista de Vinhos (Janeiro) sobre engarrafamento. é que o espaço entre a rolha e o vinho, dentro de uma garrafa que todos nós pensavamos (pelo menos eu)que era ar "normal" Afinal é exactamente o tal gaz inerte (AZOTO)
fiquei menente.
Aconselho vivamente a leitura do artigo.

rui disse...

Acabei de ler. Realmente, estamos sempre a aprender. No entanto, pergunto-me: quantos engarrafadores em Portugal usam o tal tipo de enchimento - "descompressão" - que segundo o artigo é aquele que menos oxigénio dissolve no vinho?

Nuno disse...

Por acaso também não sabia e vou ler o artigo com atenção.
Relativamente ao ar (azoto + oxigenio), deixo aqui alguns apontamentos ou curiosidades que nunca tinha associado totalmente ao tal gas inerte ou ao vinho:
O ar que nós respiramos é constituído maioritariamente por azoto (praticamente 79%), tendo apenas 21% de oxigénio. Como o oxigénio é o responsável pela oxidação, faz sentido que o mesmo seja "filtrado" no processo de rolhagem. De qualquer modo se repararmos bem, uma garrafa cheia, apenas irá conter uma porção muito pequena de oxigénio puro (21% de cerca de 2cm de ar). Esse é um dos factores pelo qual o processo de oxidação é relativamente lento (veja-se a longevidade de alguns Portos).
Obviamente que depois de aberta e consumida parte da garrafa, o oxigénio que entra para a garrafa sobe de modo exponencial, entrando aqui os processos de minorização da oxidação: ou retirando todo o ar da garrafa (vácuo) ou enchendo tudo de azoto removendo assim o oxigénio, ou ainda (a minha preferida), retirando todo o liquido da garrafa :). A questão que se coloca é até onde vai a eficácia destes processos (exceptuando o último) confrotados com o nível de oxidação de um vinho (num vintage o prazo aceitável será menor do que um lbv, e num vinho novo será também diferente de um vinho velho, etc).

Anónimo disse...

Também é importante escrever bom português. Uma garrafa pode estar aberta há mais ou menos tempo e não à mais ou menos tempo.

Nuno disse...

Antes de mais bem vindo ao "vinho a copo" sr. Anónimo.
Obrigado pela atenção que prestou ao post com o correspondente preciosismo literário.
Se tiver outro tipo de comentários sobre este ou outro post também são bem vindos.

CGCN disse...

Infelizmente, o problema relatado não é um flagelo que nos afecte apenas a nós, neste cantinho à beira-mar plantado.

Atente-se à situação vivida no Núcleo do Oriente

http://www.grapheine.com/bombaytv/play_uk.php?id=751809

Anónimo disse...

Link directo

João Barbosa disse...

Sobre os vinhos e o serviço do Alfaia não quero dizer muita coisa, mas sobre a comida lanço um alerta. Cada vez que lá vou acabo mal. Muito mal. Os fulanos são tasqueiros no PIOR sentido da palavra, não sabem cozinhar nem mudar os óleos. Taberneiros do pior. Um sítio a EVITAR!

Anónimo disse...

gostava de mandar o rui para a puta que o pariu.

Fernando disse...

Não entrando em preciosismos literários…. li algures que a melhor forma de conservar um vinho depois de aberto é despeja-lo para uma meia garrafa colocar a rolha original e guarda-lo no frigorifico. Julgo que este procedimento garante alguma qualidade ao vinho durante 3 a 4 dias.

Anónimo disse...

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