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quarta-feira, abril 26, 2006

Blue Wine

Chegou aos escaparates uma nova publicação dedicada ao vinho. "Uma revista que seja verdadeiramente vocacionada para o consumidor", afirmam o s seus responsáveis. Afirmam-no, aliás, repetidamente ao longo da revista e no site essenciadovinho.com. Esta frase não é inocente e pressupõe, como é evidente, que a Revista dos Vinhos (RV) não o é. Com tudo o que isso implica.

Acabei de ler a revista Blue Wine (BW) e houve algumas coisas de que gostei, outras que não gostei e bastantes que achei "hilariantes".

Gostei
- Os restaurantes são avaliados segundo critérios enófilos e não gastronómicos. Esqueceram-se de acrescentar duas coisas: preço médio sem vinho (não contava para as estrelas atribuídas - meramente informativo) e preço dos vinhos (contava decisivamente para a pontuação do restaurante - não em termos absolutos mas em termos relativos face ao mercado).
- Tem vários "comentadores" internacionais.
- Apresenta uma lista de eventos que irão acontecer no próximo mês. Não é exaustiva (longe disso) e a maioria deles são promovidos pela Essência do Vinho. No entanto, no primeiro número da revista é normal que isto aconteça.
- Resolveram uma das questões que criava grande confusão no meio dos leitores da Revista de Vinhos. Decidiram chamar revista de Maio a uma publicação que saiu no dia 21 de Abril ao invés da Revista de Vinhos que teima em chamar revista de Abril a uma publicação que saiu dois dias antes.

Não Gostei
- O “compromisso apenas com o cliente” é apresentado como regra fundamental da revista (fica sempre bem dizer isto – qq empresa diz o mesmo na definição da sua missão) mas quando se chega à explicação da escala de pontuação utilizada, ficamos a saber que vinhos pontuados com menos 13 valores não são apresentados na revista. Têm o desplante de escrever que nesse caso informam o produtor do facto e não publicam a nota. Pergunto: Mas então, nós os consumidores não gostaríamos de saber que vinhos foram esses? A acreditar nas avaliações efectuadas, essa informação pode nos livrar de algum barrete. A contradição é escandalosa. Mais valia estarem calados!
- Alguns artigos, muito fraquinhos, em versão "very light" para leitores que se calhar, pensam eles, tal como os seus vinhos também gostam de leitura doce, fácil e gulosa. No entanto, assim que podem, criticam esses mesmos consumidores/leitores, exaltando as virtudes do que é difícil, daquilo que implica sacrifício e tempo de assimilação (infelizmente, este tipo de críticas/bocas também é utilizado amiúde pela RV).

"Hilariante"
- As notas de prova apresentadas.

Não contive um permanente sorriso enquanto folheava as classificações dadas a certos vinhos. Não é que acredite mais ou menos nestas classificações do que outras atribuídas por diferentes críticos da nossa praça, mas sorri porque até que enfim vai haver alguma comparação entre notas em Portugal (ver post anterior). O monopólio (RV e guias dos membros do painel da própria RV) das opiniões “especializadas” acabou e a controvérsia paira no ar. Há vinhos considerados de topo em certas publicações que para os provadores da BW são apenas medianos. O contrário, em menor quantidade, também se verifica. Sorri, também, quando comparei as notas atribuídas pelo Rui Falcão nesta revista com as atribuídas no seu guia de vinhos anual de 2006 (5às8). Se para os vinhos de mesa se pode alegar que 6 meses de diferença entre provas fazem diferença para vintages essa desculpa já não é válida. Penso, até, que houve um cuidado especial, para evitar comparações, de não apresentar as notas do Rui Falcão em vinhos que também tenha provado para o seu guia vinhos. Mesmo assim, “escaparam” algumas. Como as notas de prova do chamado “TOP100” mensal da revista são pessoais, pergunto-me se outro provador (da mesma revista) não teria dado uma classificação muito diferente? É que é, também, motivo de algum sorriso verificar que, mesmo em alguns vinhos não provados pelo Rui Falcão para a BW, as notas destes vinhos na revista são muito diferentes das atribuídas por ele no seu guia de vinhos.

Deixo aqui um quadro com os vinhos que me provocaram os maiores sorrisos:

Nota: A escala utilizada pela BW apesar de 0 a 20 é ligeiramente mais curta que a da RV (por exemplo um 16 na BW corresponde a 16,5 na RV - curioso como existem 3 públicações com escalas de 0 a 20 e, no entanto, conseguem ser todas diferentes. Extraordinário!).

Escala BW:
0-12,5 (sem classificação); 13-14,5 (médio) ; 15-16,5 (bom) ; 17-18,5 (superior) ; 19-20 (excelente)

Designações:
JPM - João Paulo Martins; JA - João Afonso; RV - Revista dos Vinhos; BW - Blue Wine; RF - Rui Falcão (Guia 5às8); * Rui Falcão (BW); ** Raúl Riba D'Ave (BW); *** Célia Lourenço (BW)

Brancos


Tintos


Vintage



Como é evidente uma das maiores surpresas foi o Kopke vintage 2003. Um vintage que não é considerado por ninguém (até internacionalmente) como dos melhores da declaração de 2003 (aparece em todo lado na parte de baixo da tabela) é classificado com a nota 19 pela Célia Lourenço (BW). Acima do Fonseca e do Taylors. Ora, eu tinha-o no fundo das prioridades da minha lista do “tenho que provar” e agora passou para o topo. Mesmo quem não acredita nas notas de prova atribuídas verga-se perante a curiosidade agora criada. É o poder da imprensa especializada.

P.S. Houve uma nota que motivou uma reacção mais sentida da minha parte. Enquanto para a RV o Qt. de Casa Amarela Reserva 2003 é considerada como um dos melhores vinhos da região do Douro para a BW não passa da mediania. Eu que comprei duas garrafas, e influenciei amigos a comprarem também este vinho, sinto-me “enganado” pela RV e “compreendido” pela BW. Provei-o à três semanas atrás e corroboro quase inteiramente a descrição de prova apresentada pelo Raúl Riba d’Ave na BW. Invés de “final de média persistência” referido por este, eu diria “final de muito curta persistência”.

28 comentário(s):

Anónimo disse...

O meu caro Rui deve ser engenheiro; a sua incapacidade de abracar a experiencia sensual e artistica que o vinho encerra assim mo diz - e as tabelinhas de Excel tambem. Sempre a mesma obcessao pelas notas! Conheco outros assim. A um deles dei-lhe dois copos exactamente iguais, exactamente com o mesmo vinho, 'a mesma temperatura. Claro que lhe atribui pareceres diferentes, e' isto o fascinio do vinho. Quem sente o mesmo ao beijar uma mulher duas vezes? Bebam vinho, deleitem-se com ele e a comunicar o que sentem. Esquecam o raio das notas!

ricardo disse...

Caro anonymous (peço desculpa mas até saber o seu nome não tenho outra forma de o tratar),
deixe-me dar-lhe uma visão (de entre 5) do objectivo com que abordámos a blogosfera para expressar as nossas ideias sobre o vinho: a mim pouco me interessa saber se o indivíduo X sentiu um clímax a beber um vinho Z, ou seja, "a experiência sensual e artística que o vinho encerra" é pessoal e apenas diz respeito ao próprio, não é passível de ser exprimida facilmente por palavras num blog que se quer sobre vinho e não sobre poesia. A minha ideia relativamente a este blog passa por tentar transmitir a minha impressão enquanto consumidor de vinho e de tudo que o rodeia (onde se podem incluir as publicações sobre o assunto), é desta forma que penso poder dar um ínfimo contributo para que os leitores (sim, estou a referi-me a vocês os 3, vá, 4) que nos lêem, de vez em quando, possam estar mais informados acerca do quase caos que reina na nossa percepção do mundo do vinho.
Não é fácil para mim escolher vinhos para beber e apreciar de entre os milhares de rótulos que ocupam as prateleiras das garrafeiras, sou uma pessoa muito interessada no assunto, leio bastante sobre o assunto e fico por vezes indignado sobre a comunicação social que temos (não só sobre os vinhos, mas este é o assunto em causa), que em vez de elucidar e ajudar as pessoas a consumir melhor vinho, por vezes ajuda a baralhar mais. É por isso que lhe digo que não, não vou ignorar as notas atribuídas por pessoas que são pagas para provar vinho e nos dizer quais são os melhores (sim, eu sei que é redutor mas assim é mais fácil que entendam o meu ponto de vista), e sim vou continuar a deleitar-me com o vinho que bebo e com o que não bebo e que gostaria de beber (quando beber tudo o encanto termina). Vou continuar ter um enorme prazer em ir descobrindo mais deste mundo do vinho onde ainda só agora começo a entrar, vou continuar a ter um enorme prazer em beber bons vinhos em boa companhia, vou continuar a ter um enorme prazer em discutir estes assuntos com os meus companheiros do blog, com outros amigos que também gostam da pinga, e com desconhecidos que como o caro anonymous (reforço mais uma vez o pedido de desculpas) nos dão a honra de os ter como leitores deste espaço público de discussão sobre o vinho e tudo o que o rodeia.
Seja bem-vindo e espero que continue a brindar-nos com as suas opiniões/sugestões, que serão sempre tidas em conta e que serão sempre motivo para o desenrolar de boas conversas.

RR

rui disse...

Nem de propósito! Depois de publicar o post em conversa com os meus comparsas de blog discutíamos sobre quem seria a primeira pessoa a criticar a minha “obsessão pelas notas”. Foi um anónimo! E foi logo o 1º comentário. Muito rápido, por sinal. Para um blog que tem 20/30 acessos por dia, este post levou menos de 4 horas a receber uma reacção do “público”. Tenho posts que ainda hoje estão à espera de ser inaugurados. Zero! Se eu fosse psicólogo, diria que foi uma reacção passional: a rapidez de resposta e o conteúdo da mesma assim mo dizem.

Se eu me pusesse para aqui a adivinhar (coisa que não vou fazer), diria que o meu caro anónimo nunca leu a Revista dos Vinhos. Pelo menos completamente. Nas páginas em que aparecem notas, com certeza fecha os olhos, folheia rapidamente as páginas e pergunta a alguém que esteja por perto se já passou, se já pode olhar. Provavelmente também, nunca comprou um guia de vinhos anual. Aquilo é, basicamente, só notas. A verdade é que eles se vendem. E cada vez há mais. Eu, garanto-lhe, não escrevo nenhum. Tenho é jeito para fazer umas “tabelinhas de Excel” para me orientar na enorme profusão de marcas e vinhos que inundam o mercado. Coloco as notas lado a lado e, de vez em quando, encontro casos curiosos que decido, em jeito de serviço público, partilhar com outros “Engenheiros” e estudantes de “Engenharia”. Quem quer ver, vê. Quem não quer, já não posso fazer nada.

Se eu me pusesse para aqui a adivinhar (coisa que não vou fazer), diria que o meu caro anónimo é Político de profissão ou Dirigente de Futebol: o facto de invés de responder à questão preferir discutir o “quem colocou” e “porque colocou” a questão, assim mo diz. Como corolário, pede para esquecermos o assunto.

De todas as coisas que eu escrevi no post, logo a comparação de notas é o que mais incomoda! Toda agente deveria saber que as notas foram feitas para estarem separadas, em publicações diferentes. Se tiverem juntas, ainda começamos a pensar, a pôr o dedo no ar, e isso não é “sensual” e muito menos “artístico”.

Engraçado o facto de achar que devo ser Engenheiro. Um dos críticos que melhor consegue “abracar a experiencia sensual e artística que o vinho em encerra” é um Engenheiro Informático. Como não lê guias de notas, não sabe o que perde no guia de vinhos dos 5às8. Cada descrição de prova é uma peça de poesia em que a quantidade de aromas e sabores enunciados dava para encher um pequeno dicionário de bolso. Eu, confesso-lhe, sou claramente mais incapaz. Luto desajeitadamente contra o vinho de modo a conseguir roubar-lhe um adjectivo mais rude. Um aroma. Um sabor.

Já escrevi aqui neste blog (num comentário a um post que versava o mesmo assunto das notas) e vou voltar a repeti-lo. Serei o primeiro (ai de quem se adiantar) na blogsfera a elogiar, e a dar um virtual abraço de respeito e admiração, ao também primeiro crítico de vinhos que publique um livro e tenha escrito em letras bem gordas na capa o seguinte: “Este guia é uma inutilidade. As notas aqui incluídas são tão subjectivas que podem levar o leitor ao engano. Assinado: o autor”.

Um abraço,
RC

P.S. Ah, é verdade, não sou Engenheiro mas andou lá perto. Também começa com ‘E’. Sou Enófilo! E aposto que você também.

Anónimo disse...

Quando planeiam uma ida ao cinema os meus caros tambem fazem uma tabela em Excel para decidirem que filme escolher? Acham estranho que um critico de cinema hoje de duas estrelas e, daqui a uns tempos, tres?

A prova, nota de prova e nota final, nao e' mais que um fotograma do vinho e da pessoa que o degusta naquele momento e lugar. Citando um senhor das gastronomias, quantas vezes nos acontece trazermos na bagagem das ferias um vinho que nos pareceu extraordinario - para chegarmos 'a conclusao que nao era o vinho que o era, era tudo o resto que o envolveu?

Eu leio notas de prova e evidentemente que vejo as notas. Dou-lhes e' o devido valor. Acham que os provadores nao tem acesso aos mesmos dados que vos? Seria assim tao dificil harmonizar os dados? O simples facto de as notas nao baterem certas significa precisamente o oposto do que os senhores lhe querem atribuir - honestidade e integridade.

Tudo o resto e' uma tentativa de simplificar o que e' complexo, e por isso mesmo fascinante.

ricardo disse...

Confesso que fui algo inocente ao interpretar o seu post inicial, pois pensei que concordavamos no essencial, que é poderem haver notas distintas para um mesmo vinho, sendo que no entanto estas nunca poderiam ser muito dispares. Um vinho quando é bom é sempre bom, independentemente dos gostos, pode variar 1 valor, 2 no máximo, agora quando duas entidades ditas especialistas e isentas apresentam por exemplo o Cinquentenário Grande Escolha 2003, uma (RV) com 17,5 ("Excelente, de grande categoria e potencial") e outra (BW) com 14 ("Médio") a 1,5 pontos de ser desclassificado alguém aqui não é isento, e não me venham falar em ambientes, momentos e estados de espírito, porque para se ser provador profissional tem de se conseguir abstrair um pouco disso (completamente é impossível).
Eu tenho uma opinião acerca dos motivos para estas diferenças aparecerem, não as divulgo publicamente porque acho que não devo, mas se calhar surpreendia-o com a minha interpretação do assunto.

Eu também lhe garanto que no dia em que um crítico se apresentar como não isento e colocar à nossa disposição as notas de prova assumindo que são opiniões pessoais, passo a ter esse senhor, ou senhora, como minha referência.

Se quiser falar sobre os críticos de cinema, também podemos ter uma conversa muito interessante sobre esses "senhores", mas que eu acho que não cabe aqui, até porque, felizmente, os críticos de vinho ainda não desceram tão baixo.

Paulo Pacheco disse...

o post.. exelente, merecia ums comentario melhores.
:)

Quanto ás notas a primeira impressão que tive da Blue Wine, foi "devem tar a gozar? notas tão baixas?"
mas o que realmente me chateia mais (muito mais do que dar notas diferentes a um mesmo vinho) é o facto de uma misera escala de 0 a 20.... não ser igual a nenhuma das outras escalas de zero a vinte!!Isso é que já parece gozo.

Quanto ás diferenças notadas pelo nosso "engenheiro" detectei uma que conheço bem.
O Castello D'alba braco vinhas Velhas. este vinho (e mais um ou dois) foram responsáveis, na RV, não só por um artigo como também por um editorial inflamado contra a "durabilidade" dos mesmos vinhos.
Defendia o director da RV que o vinho que tinha sido provado á seis meses (nota 17) era agora muito diferente e que coisa e tal, e que os criticos fazem guias e que depois já não corresponde etc. conclusão nota 14,5.
Daí se conclui que ... ou a RV apanhou um lote mais esquesito do Castello D'alba vinhas velhas, ou a BW provou o Vinhas Velhas 2005 ou ainda, como é o mais provavel... aquela famosa prova de brancos que até deu direito a um editorial, foi... mal feita.

É repetir sff.

Paulo Pacheco disse...

Eu até te oferecia uma virtual "real pinga do caraças!!" se me enviasses essas tuas maravilhosas tabelas de excel por email.

É que era meeeeeesssmo fixe!
;)

Paulo Pacheco disse...

será que alguem me pode dizer porque é que o AURU custa praí uns trinta contos ????

vale mesmo duas De Vale de Meão?

Anónimo disse...

Pois, meu caro, discordamos no essencial. A mim nao me espanta, principalmente quando a prova e' cega, que existam discrepancias grandes nas classificacoes. Talvez porque nao tenha queda para acreditar em cabalas, vitimizacoes e teorias da conspiracao. Isso sao coisas para o futebol, area que nao domino.

Pensar que um critico, que vive da sua credibilidade e reputacao, ganhas com muito trabalho e dedicacao, vai tirar ou adicionar uns pontos, de proposito, a um vinho, por nao sei que tipo de compensacoes, para mim demonstra, mais do que inocencia, uma certa ingenuidade.

Em todo caso, fiquei imensamente curioso em relacao 'a sua interpretacao do assunto: surpreenda-me!

PS: porque nao fazem o vosso exercicio com as classificacoes da Decanter ou do Wine Advocate, para dar apenas dois exemplos?

Anónimo disse...

Ah, meu caro paulo pacheco, o que diz e' distinto. Uma coisa e' dizer que os provadores se enganam, sao pouco rigorosos nas provas, dao notas ao calhas, tem mau palato. Outra coisa, e parece que e' para ai que o ricardo se inclina, e' intuir segundas intencoes nas discrepancias. Entre as duas, prefiro a sua.

ricardo disse...

Sugiro um exercício matemático (zaquinis é uma unidade de moeda imaginária, e os valores são apenas para exemplificar, não têm relação directa com qualquer realidade):

- fazer uma revista custa 100 zaquinis ;
- as vendas da revista representam 60 zaquinis;
- a publicidade na revista vale 80 zaquinis;
- dos 80, 60 zaquinis vêm de produtores/distribuidores de vinho;
- dos 60, 40 zaquinis são do mesmo produtor/distribuidor (ou seja 40% do custo da revista);
- digo mal de um vinho onde o tal produtor/distribuidor investiu centenas ou milhares de zaquinis, resultado, ou sou despedido ou tenho de ir para a rua arranjar os zaquinis perdidos.

Havendo vários grandes grupos de produtores/distribuidores, cada um aposta no seu cavalo...

Resumindo: não aponto para nenhuma segunda intenção, aponto para uma primeira intenção - LUCRO.
Deixo apenas a ressalva que também prefiro a teoria do Paulo Pacheco...

Anónimo disse...

Nesse caso os guias de vinhos estariam a salvo da cabala: nem todos tem publicidade...

Exercicio cinematografico:

Editor da RV: Oh Joao Paulo Martins, entao foste dar 15 ao vinho dos nossos maiores patrocinadores? Estas maluco, vamos todos para a rua! Olha que eu tenho a casa para pagar!
JPM: Como e' que querias que eu soubesse, a prova era cega?! Deixa estar que eu altero a nota de prova, e mete la um 18. Para a proxima avisa!

ricardo disse...

Se quiser também lhe posso fazer um exercício matemático com o que custa fazer um livro de prova se os produtores não enviarem amostras grátis...

Mas acho que podemos encerrar esta discussão que não nos vai levar a lado nenhum, cada um tem a sua visão do "problema" e como não são opiniões de instinto, já ambos pensámos sobre o assunto, não vale a pena estarmos a tentar "fazer a cabeça" um ao outro.

Sugiro que entremos por outra discussão, algo mais concreto, já provou o kopke? Se sim o que achou. É que agora fiquei curioso para o provar.

Anónimo disse...

... o que custa fazer um livro de prova se os produtores não enviarem amostras grátis...

... já provou o kopke?

rui disse...

Peço desculpa, mas só agora arranjei tempo e forma de responder aos comentários que se vão sucedendo. Até a nós “Engenheiros” a tecnologia prega partidas e o meu portátil decidiu avariar a 5 dias do fim da garantia. Antes assim. No emprego, apesar de os conseguir ler, o trabalho não me permite ter tempo para responder com a necessária consideração que aqueles que se dão ao trabalho de comentar neste blog merecem. Dito isto, vamos às respostas.

Caro anónimo,
a si, não lhe “espanta, principalmente quando a prova e' cega, que existam discrepancias grandes nas classificacoes.”. E porquê? Porque não acredita na possibilidade física do críticos “sentirem” aquilo que escrevem? Porque acha que o vinho muda rapidamente entre provas (mesmo muito recentes)? Porque acha que as condições não se conseguem reproduzir? Porque acha que em determinados dias os provadores estão mais inspirados e noutros estão mais preocupados em pagar a conta luz? Porque alguns são incompetentes (não têm habilitações gustativas para efecturem correctamente a tarefa)? Eu não consigo perceber a facilidade com que aceita as grandes diferenças verificadas. Principalmente, quando, muito bem, escreveu que um crítico “vive da sua credibilidade e reputacao, ganhas com muito trabalho e dedicacao”. Ou seja, vivem do facto dos consumidores terem a percepção de que estes têm capacidades superiores de prova que lhes permitem ter uma regularidade de prova e de avaliação melhor que a deles. É por isso que não compreendo quando compara as diferenças dos críticos especializados com as dos seus amigos também “obcecados por notas” (excepto se os seus amigos forem os visados nas minhas “tabelinhas Excel”). Nós os provadores “normais” não podemos utilizar a desculpa dos “seis meses” porque numa prova no dia seguinte o mesmo vinho já não nos sabe ao mesmo. Obviamente caimos na sua armadilha!

Repare que não fiz nehuma espécie de referência, quer no comentário quer no post, a eventuais cabalas ou segundas intenções. Limitei-me a apresentar as notas de prova lado a lado e a fazer a perguntar: porque é que existem diferenças? Grandes diferenças.

Voçê responde-me: “a prova, nota de prova e nota final, nao e' mais que um fotograma do vinho e da pessoa que o degusta naquele momento e lugar”. Concorda então, que a prova só é válida nesse momento. Interpreto-o bem, verdade? Se não, diga-me. Ok, aceito isto como a minha 1ª verdade. Sigo à minha vida.

Perto do final do ano que passou, curioso que sou, parei nas prateleiras de uma livraria na secção dedicada ao vinho. Leio: “Vinhos de Portugal 2006”, Guia de Compras dos Vinhos Portugues de 2006”, “Anuário de Vinhos de 2006”, “Guia 2006 de Vinhos Portuguese & Estrangeiros”. Estranho, todos “apontam” para 2006 e só estamos em 2005! Todos se assumem como guias de consulta! Coço a cabeça e começo a pensar (é um mal que tenho, às vezes devia desligar e esquecer, eu sei, já me disse): então se a provas só são válidas no momento da mesma (geralmente os vinhos de mesa são provado na 1º semestre e os vintage na 2º), os livros não se deveriam antes chamar “História de Prova de Vinhos de 2005”? Em vez de se intitularem guias (implica utilização futura) não se deviam intitular relatórios fotográficos? Não acha estranho que os supostos guias saiam para o mercado 6 meses depois da maioria das provas nele contido? Não acha estranho que os críticos, sabendo isto tudo que eu agora disse, continuem a lançar livros, cheio de notas (malfadadas) e não avisem os leitores em local bem vísivel do carácter subjectivo do livro? Concordando consigo, que são honestos e íntegros, não eram ainda mais honestos e íntegros (uma espécie de super-heróis da seriedade) se colocassem nos livros a frase (ou semelhante) que eu referi no comentário anterior?

A estória do vinho “ser tudo o resto que o envolveu” é válida para mim que provo os vinhos em convívio. Para críticos que se fecham em salas climatizadas, embuidos de concentração e seriedade, não me parece que seja o “ambiente criado” que “faça” o vinho. Não lhe parece?

Quanto ao facto de de não acreditar que um crítico tire ou adicione pontos de propósito em troca de compensações, é positivo. Eu quero crêr que não o fazem. Agora, achar que “demonstra, mais do que inocencia, uma certa ingenuidade” acreditar no contrário, já não posso concordar. A história está cheia de casos que dão razão a esses “inocentes” e “ingénuos”. Eu cá não meto as minhas mãos no fogo por ninguém. Se calhar, também achou inocentes e ingénuos aqueles que inicialmente afirmavam que produtores sul-africanos “melhoravam” os seus vinhos com aromas artificiais para pontuarem melhor junto dos críticos? Depois de descoberta a verdade, é que se viu quem é que foram os ingénuos.

Eu não escrevo livros, nem dou notas (é verdade, dou rolhas aqui no blog). Não fui eu que as inventei. Mas elas existem e têm poder. Muito poder. Quem responder “não” a uma desta questões que vou colocar de seguida, que se acuse:
1. Já comprou ou deixou de comprar um vinho por causa da nota que teve numa publicação?
2. Já comentou com amigos as notas que determinado vinho teve nesta ou naquela publicação?
3. Já ficou surpreendido quando viu a nota que determinado vinho teve em determinada publicação?
4. Já ficou desliludido ou agradavelmente surpreendido na prova de um vinho face à expectativa criada pelas notas obtidas?
5. Se gosta de vintages novos e ainda não provou o Kopke 2003, ficou mais curioso em prová-lo após ver a nota atribuida na revista Blue Wine?


Eu, confesso, obtive 100%. Enquanto puder, conseguir e sempre que se justificar vou colocar as minhas “tabelinhas Excel” nos posts. Quem não gostar, como o meu caro Anónimo, faça como voçê faz: leia-as (até lhe poupo trabalho que estão juntas lado a lado) e dê-lhes o “devido valor” (seja lá o que isso fôr). Quem, como eu, fôr estudante de ”Engenharia” leia-as e tire as conclusões que quiser. Tanto uns como outros estão no vosso direito!

Um abraço,
RC

P.S.(1) Não utilizo tabelas Excel quando vou ao cinema. Um bilhete de cinema custa 5/7 euros, numa sala existe meia-dúzia de filmes, existem dezenas de publicações (nacionais e internacionais) com notas de críticos (e vários críticos por publicação), existem traillers dos filmes, making offs, etc. Se eu não gostar do filme, o prejuizo não é grande. No dia seguinte vou ver outro. Os vinhos são milhares, revistas de vinhos portugueses existem agora duas. Os mesmos críticos provam para as revistas e para os seus guias anuais. As revistas estrangeiras, tirando os vintages, provam meia-dúzia de vinhos portugueses quando o rei faz anos. Uma garrafa de vinho bom custa bem mais que qq bilhete de cinema. Compram-se várias garrafas do mesmo vinho. Estamos a falar de dezenas de contas, às vezes centenas. Quem compra uma caixa de vinho e não gosta da 1ª o que é que faz às outras? Para quem não gosta de comparações, parece-me que arranjou uma analogia muita fraquinha, não acha?

P.S.(2) Não tenho notas de publicações estrangeiras, pq simplesmente não tenho acesso as mesmas. Para vintages ainda tenho as do WS pq um amigo enviou-me um daqueles reports publicados online sobre a declaração de 2003. Não sei se a sua pergunta tinha alguma outra ideia subjacente mas a resposta é desampontadoramente simples.

rui disse...

Ricardo,
uma publicação especializada na crítica de produtos cujos produtores são o garante (através da publicidade, das amostras, dos convites, das novidades, das entrevistas, etc) da sobrevivência da própria publicação é, teoricamente, um contra-senso. Mas não é só nas publicações sobre vinhos que isso acontece. O sector automóvel é outro exemplo dos muitos onde esta promiscuidade se verifica. Mas antes assim do que não haver essas publicações.

Lá diz o ditado “à mulher de César não basta ser séria, tem que parecer também”.

ricardo disse...

Rui,

nem me tinha lembrado dos automóveis, é uma óptima comparação... o grupo FIAT, através do seu presidente, anunciou que não vão disponibilizar mais veículos seus para comparativos para a imprensa de alguns paises (Portugal incluído). Deixo a pergunta, porque será?

rui disse...

Caro Paulo Pacheco,
obrigado pelo elogio do post. Às vezes as regras do mercado (blogosfera) obrigam a que façamos vinhos (posts/comentários) mais ao gosto do mesmo. Doces (polémicos), carregados (controversos), gulosos (sarcásticos). Geralmente, são um sucesso. Este post foi o nosso best-seller. No dia do post tivemos 85 acessos (face a uma média de 25/30) e no dia seguinte (o dos comentários) batemos todos os records de vendas: 105 acessos.

Realmente o Castello D’Alba Branco Vinhas Velhas tem sido dos vinhos mais controversos do nosso mercado. A desculpa dos seis meses funciona sempre. Eu cá proponho o seguinte: já que os próprios críticos andam preocupados com a volatilidade, num curto espaço de tempo, dos vinhos e não querem enganar os leitores, então façam guias de 6 em 6 meses. Satisfazem os “obcecados das notas”, como eu, e ainda ganham mais uns cobres. Fica toda a gente a ganhar.

Sobre as diferentes escalas, já escrevi sobre o assunto e concordo consigo. É rídiculo!
http://vinhoacopo.blogspot.com/2006/02/
contradies-crticas-ii.html


Um abraço,
RC

rui disse...

Fui alertado em devido tempo que não posso publicamente comprometer-me com a distribuição das minhas "tabelinhas Excel". Num meio como a Intenet a distribuição em massa é uma grande possibilidade. Os conteúdos estão reservados por direitos de autor e comerciais. Como tal, peço desculpa a quem já tinha lido parte de um comentário meu feito anteriormente.

Por vezes somos muito “inocentes” e “ingénuos”.

RC

Anónimo disse...

Food for thought:

http://www.slate.com/id/2067055/

(o quarto paragrafo ate faz lembrar alguem aqui do burgo :) )

rui disse...

Achei mais interessante o 5º parágrafo.

De qq modo, do 4º parágrafo referido, retirei que:
- existe um conjunto de pobres coitados extremamente impressionáveis com o fogo de artifico do Robert Parker que o seguem em culto religioso.
- existe, depois, o grande conjunto dos consumidores médios que, como são desprovidos de palato, tendem a seguir quem lhes aparece como salvador e guia para a terra prometida. Uma imagem do “super-provador” à lá Nietzsche.

O autor só não explica porque é que as pessoas inteligentes e com dotes de prova acima da média não gostam dele? Como, por exemplo, críticos de vinho que não o Robert Parker e os seus assistentes.:-)

Eu cá, nem gosto nem desgosto dele. Nunca lí nada dele e a única impressão que tenho dele é do Mondovino (que não é imparcial) e das “bocas” dadas em determinadas notas de prova escritas por críticos portugueses.

enófilo disse...

Consultei hoje pela 1ª vez este blog.

Gostei bastante.

Particularmente fiquei atraído por algumas trocas de opiniões neste tema.

Pena foi que o participante "anónimo" não respondesse a algumas questões aqui colocadas pelo ricardo.

Saudações enófilas

apreciador exigente disse...

Podem-me dizer qual o ano da colheita do Quinta da Ponte Pedrinha provado na Blue Wine ?

ricardo disse...

Caro apreciador exigente,

venho por este meio dar-lhe as boas vindas a este nosso espaço de convívio.

Não estando junto da revista não poderei dar-lhe já a resposta, mas fá-lo-ei assim que tiver a revista por perto.

Cumprimentos,
RR

rui disse...

Bem-vindos Enófilo e Apreciador Exigente.

Quanto à pergunta que o Apreciador Exigente faz, só lhe posso responder que a revista que comprei deve estar como a sua: não tem indicação do ano desse vinho. Se precisar mesmo de saber envie um mail para o editor da revista Nuno Pires com quem ainda ontem estive a falar na prova final do evento Dão e Douro e que me manifestou o interesse em saber opiniões sobre a Blue Wine, o que é que achámos, o que é que estava bem e o que é que estava mal, etc.

Um abraço,
RC

ricardo disse...

Caro enófilo,

queria deixar-lhe também as boas vindas ao nosso blog.

Quanto às questões por mim colocadas, quem quizer e souber que responda.

Cumprimentos,
RR

Rui Sousa disse...

Quem faz as provas são pessoas. As pessoas são todas diferentes. Não dou mais credibilidade a uma do que a outra. E até acredito nas duas... :D

Anónimo disse...

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