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terça-feira, abril 18, 2006

Clássicos - que futuro?

No seguimento do post anterior, achei que se impunha deixar aqui a minha opinião sobre o futuro dos vinhos denominados "clássicos". Uma coisa em jeito de artigo de fundo.

Primeiro que tudo há que definir quais é que são os vinhos clássicos. Não vou falar dos Frei João e outros tais que já não lançam um vinho à mais de 20 anos. Os clássicos de "topo" que ainda vão saindo para o mercado, com alguma regularidade, e vendem são do Douro e do Alentejo. As outras regiões não têm nomes que façam os enófilos mais entusiastas lamberem os lábios de contentamento. É a dura realidade.

Barca Velha. Qt. Côtto. Pêra Manca. Mouchão. Escolhi estes porque me parecem os que mais se assumem como clássicos e cujos preços também transmitem a clássica ideia: "quanto mais caro melhor".

O Qt. Do Côtto Grande Escolha é, de todos, o que pior tem passado. Não abdica do preço disparatado (acima do 50 euros na maior parte das garrafeiras). A crítica vai protelando mas, apesar de pecar muitas vezes por excesso elogios (em todos os vinhos), chega a uma altura que tem que fazer as chamadas de atenção que se impõem. No Grande Escolha do ano 2000 as notas na maioria dos guias de vinhos não foram boas (exº 16 na Revista dos Vinhos) e o João Paulo Martins chega mesmo a afirmar, no seu guia de vinhos de 2004, que "… está um vinho de boa nota mas sem armas para lutar contra os novos "guerreiros" da região. O preço elevado é completamente desajustado face à qualidade." Nos consumidores que, como eu, rondam os 30 anos, que não tiveram um crescimento ligado ao vinho e portanto o nome Qt. Côtto não é uma referência marcante de “infância”, este tipo de crítica tem impacto. Muito impacto.

O Mouchão a partir do ano 1996 teve uma ideia genial. Inventou o conceito do "tonel 3-4". Ajudada por uma imprensa “amiga” que lhes chamou mágicos (aliás, é constante essa adjectivação), começou a engarrafar vinho proveniente apenas de dois velhos tonéis. O Mouchão “normal” perdeu assim carisma e prestígio em favor de um novo vinho de topo. Com um brilhante marketing e em quantidades diminutas, a marca Mouchão conseguiu assim inverter o processo de erosão que a marca vinha sofrendo e agora sempre que sai um novo Mouchão Tonel 3-4 aí está a imprensa a fazer títulos com a imprescindível palavra "mágicos" no meio.

O Pêra Manca tem-se aguentado ao nível da crítica portuguesa. Uns anos melhor, outros pior. Internacionalmente, nenhum deles vai a concursos. Devem estar todos viciados, os júris não estão preparados para este tipo de vinhos ou o objectivo destes vinhos não é ganhar medalhas. Escolham a vossa desculpa. Por ocasião do lançamento do 2001, a Revista de Vinhos refere, no seu número de Janeiro de 2006, que "… vai contra a actuais tendências de consumo, a verdade é que a procura continua em alta e o vinho desaparece mal chega ao mercado, nas mão ávidas dos seus fieis apreciadores". Mentira. Parece-me que este texto deve ser um template que não é actualizado há 10 anos. Arranjo as garrafas do "antigo" 1998 e do "recente" 2001 que quiser. Este fim-de-semana passei no Jumbo de Alverca e lá estavam espalhadas, na secção dos queijos, várias garrafas de Pêra Manca 2001 a menos de 90 euros. Se falarem com qualquer distribuidor/garrafeira ficam a saber que é um vinho que já não tem a saída de antigamente e que ainda têm bastantes garrafas de 1998 para escoar. Não me parece coincidência que Herdade da Cartuxa tenha constituído uma nova equipa técnica e recorrido à consultoria do "ultra-famoso" Michel Rolland. A mudança vem aí. Bem como, a "micro-oxigenação" (private para quem viu o documentário "Mondovino").

O Barca Velha ainda será o maior? Reparem que não digo "o melhor". Isso obrigava a uma discussão mais subjectiva. Penso que sim. Neste momento ainda deve ser o maior nome português em matéria de vinho tinto. Por quanto tempo? Não sei. Custa-me falar sobre o Barca Velha porque nunca provei nenhum. Provei o Qt. Côtto Grande Escolha 2001, o Tonel 3-4 1996 e o Pêra Manca de 1998 e 2001. O Barca Velha, esse, tenho vindo sempre a adiar. E não é pelo preço, porque hoje facilmente se compra um Barca Velha de 1995 por 100/125 euros (tal como o Pêra Manca, quem fez stock a pensar que era um bom negócio agora vê-se na contingência de ter que fazer promoções). A verdade é que não me quero desiludir. Decidi, há algum tempo, que iria provar um Barca Velha o mais novo possível. Ou seja, acabado de sair. E por isso tenho estado à espera. Já está anunciado o 1999. Desta vez não me escapa. Quem já o provou (Rui Falcão, no fórum do site 5às8) anuncia que este Barca Velha é diferente dos anteriores. Está mais moderno. A minha expectativa aumenta. São boas notícias.


Feito o diagnóstico, então qual é a cura? Como vê o médico sabichão o futuro dos pacientes? Ora este aluno de 1º ano de medicina enófila, aconselha um comprimido de 100mg de mudança de 12 em 12 horas. Fora a brincadeira, a mudança é inevitável. Quem teimosamente resiste ao avançar do tempo é, mais cedo do que pensa, cilindrado pelo seu rodado. Hoje em dia os vinhos que fazem os enófilos portugueses correr são o Charme, o Pintas, o Batuta, o Qt. Vale Meão, o Kolheita, o Qt. Vallado Reserva, o Qt. Crasto Vinha da Ponte e Maria Teresa, o Chryseia, o Poeira e nos últimos anos, só quebrou esta hegemonia duriense, o Qt. Monte D’Oiro Homenagem a António Carqueijeiro 1999 devido a um brilhante golpe de publicidade. Amanhã, serão outros. As pessoas gostam de novidades. Cada vez mais se cansam das coisas com maior rapidez. O futuro vai decorrer a uma velocidade vertiginosa. Os vinhos estrangeiros só ainda “meteram o pé na porta”. O porteiro do “nosso” lado é pequeno, fraco e vai aguentando o que pode. Mas pode pouco.

O Qt. Côtto tem que diminuir a produção do Grande Escolha (máximo 15.000 garrafas), acrescentar-lhe um pouco de fruta e diminuir o tempo de barrica. Esqueçam essa ideia do vinho ser feito para durar 25 anos. Ninguém, hoje em dia, espera tanto tempo. Nem por vintages. Quanto mais no futuro. Criem uma nova marca. Intermédia, marcadamente da moda. Escolham algo que os diferencie dos restantes. A utilização de carvalho nacional pode ser o “tal” elemento diferenciador, tem é que ser “mais bem vendido”. Alterem a “personalidade” do Qt. Côtto normal. Mais fruta, Mais concentração. Não podem ter como entrada de gama um vinho, que ostenta o nome da quinta (a Marca), com a qualidade que apresenta neste momento (na minha opinião, é fraca). Principalmente ao preço vendido (cerca de 10 euros). Devem fazer a seguinte pergunta: Quantos vinhos de boa qualidade existem no mercado com preço igual ou inferior a 10 euros? Muitos, não são?

O Mouchão apesar de ter criado o Tonel 3-4 continua com o “normal” nas prateleiras por vender. E apesar de toda a magia dos tonéis quem prova o Tonel é capaz de não ficar agradado com o “truque de ilusionismo” (confesso que não gostei). Precisam de rejuvenescer a marca. Tornar mais apelativo o Mouchão “normal” e principalmente o Dom Rafael. Isto de fazer vinho de Alicante Bouschet, hoje em dia, já não é diferenciador.

A Herdade da Cartuxa promete ainda mais mudanças. Lançou há poucos anos o Foral de Évora. Mais jovem e cheio de fruta, foi um contraponto face à “água-choca” que é o Cartuxa. Ninguém com menos de 35 anos bebe Cartuxa. Apesar de ter sido uma boa ideia, os seus dois vinhos de topo ainda continuam a ter um perfil demasiado “anti-sistema”. Será que o Michel Rolland, mais a sua varinha mágica, vai tornar o Pêra Manca um vinho cheio de fruta madura, concentração e madeira nova, abandonando assim os tonéis de macacauba?

A Casa Ferreirinha percebeu que tinha que mudar à mais de meia dúzia de anos atrás. A partir da colheita de 2000 posicionou o Qt. da Leda como o seu vinho “moderno”. Na colheita de 2001 mudou-lhe o formato da garrafa de acordo com o estilo mais frutado e concentrado que apresenta (sempre sem grandes abusos, é verdade). E foi um sucesso. Excelentes vinhos a preços correctos (cerca de 20 euros). Quantidades razoáveis, suficientes para não motivarem a procura com “segundas intenções”. Percebendo que o nome Barca Velha começa a perder algum do seu “valor”, saltou o ano de 1997 e faz sair agora o 1999. Diferente, dizem. Ao aumentar a espera, aumentou a expectativa, aumentou a curiosidade, aumentou a discussão e aumentou os factores raridade e sentido de exigência percepcionados pelos consumidores. Bem jogado. Continua é uma grande confusão com os reservas, os reservas especiais e os colheitas Ferreirinha. Ninguém os entende. Mas também, para as quantidades que se vendem dos mesmos, penso que é mesmo para ninguém entender.

13 comentário(s):

Pipas disse...

Neste Blog só se pode dizer bem... assim convém.

jgr disse...

Eu penso que um clássico deverá ser sempre um clássico, com tudo o que isso implica: uma certo ar «retro», mesmo demodé mas de acesso restrito e destinado a uma minoria que os saibam apreciar. Da mesma maneira que ninguém compra uma carro clássico e a seguir vai disfarçá-lo de moderno, também sou contra as «adaptações» oportunistas de última hora no que se refere à mudança de perfil dos vinhos clássicos. Alguém imagina um suprasumo da Borgoha como o Romanée-Conti a fingir que é Australiano? Não pega, pois não?

Ricardo disse...

Caríssimos,

Este meu comentário não está relacionado com o artigo. Trata-se apenas de um pedido de informação aos especialistas.

Gostava de saber como tirar nódoas de vinho. Não que esteja a insinuar que os ilustres membros deste blog andem por aí a entornar copos, não! Mas eu, um modesto apreciador da bebida, em confraternização com os amigos lá por casa, ofereço uma bebida, a malta entusiasma-se e tal e de repente lá vai mais um pingo de néctar para a mesa. Uma oferenda para os espíritos, dizem no Oriente. O problema é que fico com a toalha cheia de oferendas e os convivas não apreciam muito o uso de babete e palhinha para beber o tinto.

Não vos vou maçar com as minhas teorias sobre a atracção do vinho pela minha toalha branca, que envolvem a física quântica, numerologia cármica e as psicoenergias dos convidados.

Tão-somente vos peço recomendações de como tirar nódoas de vinho (tinto) de roupa de mesa.

Agradecido.

ricardo disse...

o ricardo aqui deste blog também sofre do mesmo problema, a única coisa que até agora surtiu algum efeito foi: espalhar algum vinho branco sobre a nódoa de vinho tinto o mais rápido possível, fica nódoa na mesma, na maior parte das vezes (houveram casos em que a nódoa desapareceu), mas pelo menos não é tão visível.

Anónimo disse...

Já agora o que se entende por vinho clássico ?

rui disse...

Caro jgr,
quantos produtores de vinho no passado disseram “nunca hei-de mudar o estilo do meu vinho. O meu vinho é um clássico. Prefiro antes morrer!”, e quando deram por ela os seus vinhos “morreram” antes deles. Eu não tenho conhecimentos no mundo do vinho mas quem os têm que lhes pergunte quantos vinhos já padeceram devido a essa romântica “doença” do classicismo.

Tenho algumas reticências quanto à frase “acesso restrito e destinado a uma minoria que os saibam apreciar”. Parece-me um pouco elitista. Eu próprio, confesso, inconscientemente sou algo pedante quando estou a falar de vinhos com amigos que não têm o mesmo entusiasmo do que eu (não sabe o que os meus comparsas de blog me gozaram pq afirmei no post que não era pelo preço que não provava um Barca Velha já que este custa “apenas” uns míseros 100/125 euros). As coisas ditas desta forma, dão, ao leitor, a ideia que existe para aí um restrito conjunto de iluminados do vinho que, sendo superiores, conseguem apreciar algo que outros, pobres coitados, não só são incapazes de o fazer como não se lhes deve dar acesso. Eu percebi o quis dizer, no entanto, reformulava para algo mais politicamente correcto, como: “Não sendo vinhos de acordo com o gosto da maioria do mercado são obviamente vinhos de produções limitadas. Sobrevivem graças a alguns fiéis seguidores. São vinhos que ocupam um espaço de diferença necessário no cada vez mais homogeneizado mundo vinícola.”

A metáfora automobilística apresentada dá ideia de que aquilo que eu defendo é que se pegue numa garrafa de vinho clássico e através da rolha se lhe injecte um aromatizante de morango. O que eu quis transmitir foi que, aproveitando a mesma metáfora automobilística, é necessário arredondar um pouco as formas demasiado quadradas, dar um toquezinho nos faróis, melhorar o revestimento dos assentos e aumentar o número de cores disponíveis da carroçaria. O ex-dono da Rolls Royce deve estar a perguntar para onde é que foi a fiel minoria que lhe comprava os carros. Teve que vender a marca para evitar a falência.

De qq maneira, acho a que a diferença, hoje em dia, está demasiado sobrevalorizada. As pessoas acham que algo só por ser diferente é por conseguinte bom. A diferença não é condição necessária para algo ser bom, quanto mais suficiente. Tal como não gosto, quando pergunto a alguém sobre a qualidade de um filme, que me respondam “é bom, é diferente”, tb não concordo com o mesmo tipo de avaliação num vinho. Um vinho deve ser bom primeiro que tudo. Porque é feito com uva de qualidade e pq tem sabores e aromas agradáveis. Só depois de garantido um bom “bife” é que lhe juntamos o acompanhamento. A complexidade e o equilíbrio. E só por fim vem o tempero. A diferença. Ninguém se alimenta apenas de sal e pimenta.


Um abraço,
RC

rui disse...

Caro Ricardo,
teve azar quando veio bater à porta deste blog. Nós aqui de especialistas temos muito pouco. Enganamos é bem (basta escrever com um pouco mais de eloquência e convicção). O nosso Ricardo, pelos vistos, de vez em quando ainda se safa com vinho branco, eu, como não gosto de vinho branco e como tal não tenho em casa, obrigo os meus amigos a pagar as toalhas novas.:-)

Um abraço,
RC

v@sco disse...

Ricardo,
Quanto às nódoas tem uma boa solução que na maioria das grandes superfícies comerciais vende. É somente uma toalha de pano impermeável! Sim é uma toalha como todas as outras, mas tem a característica de manter qualquer liquido à superfície não deixando penetrar nos tecidos. Parece milagre… já vi a funcionar com café e vinho e posso te garantir que vais ficar maravilhado e não vais querer outra coisa. Abençoado tecido.

ricardo disse...

Já viram como é que o Rui arranja o dinheiro para poder menosprezar Barca Velha a 100/125€... é a obrigar os amigos a pagar as toalhas adicionado de uma indemnização por danos morais.

jgr disse...

Caro Rui

Em primeiro lugar deixe-me mais uma vez felicitá-lo pela lucidez da sua análise e extrema correcção com que discorda do meu comentário que foi um pouco «provocador». Dá gosto conversar assim sobre vinho com alguém que não se conhece.
Quanto à essência da conversa, mantenho que os clássicos devem paremanecer clássicos, sob pena de perderem a identidade que os distingue. Não serão por isso «vinhos para as massas» (estou a ser outra vez elitista, eu sei) mas o seu encanto reside aí. Não sei se viu o Mondovino mas a controvérsia sobre o filme passava precisamente por aqui. Mas ao contrário de muitos, defendo que os dois estilos não são antangónicos e podem perfeitamente coexistir. A globalização e o gosto dominante correm o risco de massificar em demasia estilos e gostos - o chamado estilo novo mundo - mas isso também representa uma democratização do consumo que de outra forma não se conseguiria. Os clássicos - o que quer que isso seja - podem assumir aqui uma função de patinho feio que, enquanto tiver admiradores, é essencial manter a bem da preservação cultural e da (bio)diversidade. Falando mais terra a terra, ser-me-ia insuportável beber os seus clássicos todos os dias (por todas as razões) mas ainda bem que eles persistem e me dão prazer em revisitá-los de tempos a tempos.

rui disse...

Caro anónimo,

Tem razão, eu não defini o que era um clássico, antes fiz o que me era mais fácil: apresentei os "meus clássicos".

Tenho para mim que para se ser um clássico existem apenas duas características necessárias:
- Uma certa antiguidade (não me pergunte quanto tempo, diria apenas que é preciso cada vez menos tempo).
- Ser considerado pelo público/consumidor como tal. Não adianta afirmar que não o somos se as pessoas não o entendem assim. E vice-versa.

Em complemento pode-se acrescentar que geralmente os clássicos não seguem as linhas/gostos do que se considera moderno. Geralmente também são objecto de culto por representarem a raridade, exclusividade, diferença, saudosismo e nobreza.

Hoje em dia todas as pessoas querem ser diferentes e únicas. Especiais. Despreza-se a maioria e exalta-se a minoria. Esquecem-se que, também nessa minoria, a igualdade é "religião". Geralmente mais fundamentalista que na maioria.

Um abraço,
RC

rui disse...

Caro jgr,

Também eu gosto de uma saudável discussão, principalmente com pessoas que perdem mais de 5 minutos a pensar no que vão escrever. Também eu sou provocador. Os meus posts "menos polémicos" não provocaram qualquer comentário. Confesso que tive algum receio que a minha resposta não fosse bem interpretada. Na blogosfera o que é escrito, sendo desprovido de expressão facial e embaraçosamente público, facilmente está sujeito à má interpretação e subsequente inflamação do discurso. Nunca será meu objectivo, neste blog, ofender ninguém e fico extremamente agradado quando outras pessoas que comentam neste blog têm visão semelhante.

Também eu gosto que subsistam vinhos diferentes. Não concordo é que a diferença valide vinhos sem qualidade ou que em nome desta impere um silêncio castrador que impossibilite que as pessoas façam perguntas, ponham as coisas em causa e aceitem tudo o que lhes é vendido pelos críticos. Sejam eles quem forem.

Este foi um post de alerta. Apenas para estes "meus clássicos" mas que se pode generalizar (efeitos da globalização) a outros "vossos clássicos". Penso até que fui optimista. Sendo mais racional, acredito que a maioria destes vinhos/marcas não vão estar no mercado daqui a 10, 15 anos. E, se calhar, infelizmente.

Vi o documentário Mondovino recentemente. Muito recentemente. Aliás, tenho que fazer um post sobre o filme apesar de este já ter perdido o élan da altura da estreia. Sobre isso quero apenas dizer que um documentário não é a realidade. Muito menos é a verdade. É feito por pessoas e, como tal, está "influenciado" pelo que estas sabem, pelo que estas têm acesso, pelo que lhes dizem, as pessoas que entrevistam, os documentos que lêem, o que filmam, como filmam, a música que colocam a "amparar" as imagens, o que decidem deixar nas gravações, a forma como efectuam a montagem, etc. Num projecto pessoal como este o que o realizador pensa, sobre o assunto, também tem que ser levado em linha de conta. Pessoalmente, penso que o documentário no início parece um anúncio de champôs da Pantène em que mostram uma imagem duma rapariga a preto e branco, sem maquilhagem e despenteada e na outra imagem a mesma rapariga aparece resplandecente, a cores, cheia de brilho e de cabelo bem penteado. Depois o documentário recompõe-se mas o "mal" já se tinha dado.

Um abraço,
RC

Anónimo disse...

Meu caro,

Quer saber o que é realmente um vinho com um perfil clássico? Beba um garrafeira do Sidónio de Sousa, Bairrada. Neste momento pode, por ex., beber o do ano 2000. Vai ver que é diferente e que lhe pode causar sensações diferentes dos vinhos actuais, cada vez mais iguais, onde predominam aromas terceários e finais de boca adocicados pelo excesso de manipulação em adega.

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