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terça-feira, junho 20, 2006

Quinta das Lágrimas

Semana de feriados à porta e toca de arranjar um sítio onde descansar e recuperar energias para o dia a dia do trabalho. Zona escolhida, Coimbra, local, Quinta das Lágrimas, local de lendas e encantos variados.

Como ir a Roma e não ver o Papa é quase um crime, ir à Quinta das Lágrimas e não jantar no Arcadas da Capela é quase o mesmo. Por isso o pack adquirido incluia esse mesmo repasto dos deuses, espectactiva em alta.

Terça-feira lá fomos, eu e a minha esposa, para um jantar que se adivinhava excelente. O menu já estava definido, mas a confiança era grande num restaurante que ostenta uma estrela Michelin. Fomos simpaticamente recebidos e encaminhados para uma mesa colocada num local muito bonito, junto a uma enorme janela que dá directamente para o jardim. Foi então apresentado o menu:

Sopa rica de peixe com crostões - Herdade do Esporão Verdelho 2004
A melhor combinação da noite, apesar de o vinho provado per si nada prometer (algo doce, gorduroso e com final muito curto) combinou muito bem com o ácido do tomate e com o picante bem presente na sopa, sopa essa que por sinal estava muito boa e com um picante e um ácido bem apurados que eu não esperava encontrar num cozinha de topo como esta. Uma ligação muito bem conseguida.

Camarão perfumado de gengibre, salada mediterrânica, vinagreta e crocantes de Kumquats - Quinta de Cabriz Encruzado 2005
O prato menos bem conseguido da noite, bom camarão, salada interessante mas apenas isso (o ácido que tão bem integrado estava na sopa aqui era desmedido) e um vinho sem estrutura, sem final e com um aroma muito difícil de apanhar.

Rabo de Boi estufado com puré de batatas novas e trufas com molho balsâmico - Post Scriptum 2002
Uma surpresa para mim, um prato bem típico elaborado de forma bem tradicional, apresentado de uma maneira bem original (tipo pudim). Um prato que o Rui ia detestar, mas que me soube muito bem, apesar de me estar a poupar para a sobremesa (que já tinha provado no outro restaurante do hotel e que me tinha deixado deliciado), foi um prato que me deixou muito satisfeito, assim como a ligação com o Post Scriptum, que apesar de não ser um vinho de topo é um vinho bem razoável e com estrutura e complexidade suficientes para um prato pesado como este.

Creme queimado de rosmaninho, gelado de café e telha de papoila - Graham's Finest Reserve
A estrela das noites (como já disse provei esta sobremesa 2 vezes, uma em cada jantar bem entendido), eu imagino que os inspectores da Michelin tenham dado a estrela no seu guia só por causa desta sobremesa, pelo menos eu dava. Um leite-creme perfeito, ou perto disso, queimado, com o gelado a cortar o doce que por vezes torna os leite-creme enjoativos e a telha de papoila que dá um toque meio oriental e bastante complexo ao conjunto. O Porto servido, não sei muito bem o que dizer, não gostei muito, demasiado alcoólico e com poucos aromas.

Como resumo posso dizer que achei o jantar um bom exemplo de como uma cozinha mais tradicional pode estar bem colocada num restaurante de topo. Quanto ao serviço de vinhos, achei as temperaturas óptimas, mais para o fresquinho (ouvi uma pessoa a dizer que tinha achado os vinhos frios demais) que é como eu gosto, bons copos, adequados a cada vinho. Quanto à escolha dos vinhos, confesso que estava à espera de melhor, não em termos de combinação com os pratos, mas em termos de qualidade dos vinhos per si.

Parabéns à Quinta das Lágrimas pelo excelente serviço e pelo magnifico espaço de retiro que nos disponibiliza.

11 comentário(s):

rui disse...

Ricardo,
estive quase tentado a fazer a piada "a sobremesa na Qt. das Lágrimas é de comer e chorar por mais", mas depois pensei melhor e resolvi não faze-la. :)

frexou disse...

Não consigo concordar com o que disse com o Quinta de Cabriz Encruzado 2005, proveio-o à pouquissimo tempo e encontrei muitos aromas agradáveis no vinho, estrutura também o tem, e final não é longo mas é de qualidade.
A que temperatura foi provado?
Se for a menos de 6º, compreende-se...

Não consigo acreditar que como enófilo que é, não encontrou nada disto no vinho.
Até pode não gostar do vihno em questão, mas que ele tem lá coisas tem.

Que tal comprar uma garrafa e voltar a provar?

Será que provou o vinho ou era àgua das pedras? :)

MasterPeace Dude disse...

Ai os jardins de Pedro e Inês...

Vinhos à parte, chegaram a experimentar o Spa?

ricardo disse...

Rui,

confesso que tive essa piada escrita no post, mas antes de fazer o post retirei...

ricardo disse...

Caro frexou,

uma coisa lhe garanto, água das pedras não era de certeza.

Não me importo nada de voltar provar, fico à espera de o fazer com o caríssimo frexou, estou certo que em outra ocasião posso ter uma experiência completamente diferente, pois de enófilo tenho pouco, gosto é de vinho...

RR

ricardo disse...

Masterpeace Dude,

não chegámos a experimentar o SPA (só a belíssima piscina interior), pois entre o acordar tarde, comer, dormir a sesta, comer e deitar cedo, pouco tempo sobrou... LOL.

Um abraço.

frexou disse...

Falando sobre o vinho...

Não poderá ter sido mesmo o facto de o vinho estar a uma temperatura incorrecta?

Digo isto, porque se o vinho for provado a menos de 6 graus, o nariz nao reconhece nada.

Quando falei na água das pedras, estava-me a meter com vocês, espero que tenham compreendido.

Um abraço

ricardo disse...

O problema de se ler sem ver as expressões faciais é que pode levar a más interpretações. Entendi perfeitamente a piada da água das pedras e respondi com tom de piada também.

Quanto à temperatura, o vinho foi servido a cerca de 10/12 graus, como tal a minha avaliação não teve origem em factores de temperatura.

Mas sou defensor da teoria de que em diferentes ambientes e com diferentes acompanhamentos o vinho pode proporcionar experiências diferentes, como tal estou disponivel para nova prova.

Cumprimentos,
RR

PS: Aproveitei para fazer uma limpeza aos comentários.

frexou disse...

Concordo completamente!
A 10/12 graus parece-me uma temperatura correcta. Agora claro está que o vinho não tivesse capacidade para aguentar o prato.

Por isso acredito que se for provado sem prato, boas características poderão ser encontradas.

No entanto, e como sugestão dentro da mesma casta, pode também provar o Encruzado dos Carvalhais, embora seja mais caro, mas tem uma complexidade aromática maior, e também penso que terá mais madeira.

Provei ambos no Dão Vinhos&Sabores.

Abraço para todos

frexou disse...

falta no comment o "talvez"

Agora claro está que "talvez" o vinho não tivesse capacidade para aguentar o prato.

algarvio disse...

se souberem onde posso encontrar umas garrafinhas do Cabriz encruzado 2005 façam o favor de dizer nao o encontro em lado nenhum .Encontrei no El Corte Ingles as ultimas garrafas que consegui comprar ,isto ha uns 4 meses atras ,mas ja foram...
Outro Encruzado que recomendo e o Quinta dos Roques (10-11€)

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