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quinta-feira, julho 06, 2006

Provas 2006/1º Semestre - Descrições de Prova (RC)

No post anterior foram publicadas tabelas com as notas de prova (rolhas) dos vinhos bebidos por cada um dos membros deste blog no período referido no título. Como sou o mais desavergonhado, apresento, para os leitores mais curiosos, as descrições das provas efectuadas. Como é óbvio, a introdução feita no post anterior é valida para as descrições que se seguem.

O texto abaixo segue o seguinte fluxo: vinho -> rolhas -> descrição de prova

Tintos

Altas Quintas 2004 – 2 - Um novo produtor a querer fazer um vinho alentejano diferente. Não gostei. Fechado no aroma, apresentava um final de boca amargo, estranho, desagradável. Como é óbvio um vinho que apresenta um preço que o empurra para um patamar superior tem que ter qualidade. E este até acredito que tenha utilizado uvas de qualidade, barricas de qualidade, cuidados especiais e outros mimos tais, no entanto, ou isso tudo não funcionou ou o vinho ainda está muito novo e precisa de uns meses em garrafa para “finalizar”.

Borba (Ana Vieira Pinto) 2004 – 3 - Frutado, sem grandes pretensões mas agradável e fácil de beber, é um vinho muito bem feito para o preço (4€)

Francisco Nunes Garcia Reserva 2001 - 2 - Cor demonstra já bastante evolução. Em demasia para um vinho tão novo. Já sem fruta fresca apresenta-se desprovido de encanto. O tempo não lhe trouxe nada de novo e tirou-lhe quase tudo o que tinha de bom.

João Portugal Ramos Syrah 2003 -1 - Um aroma horrível. Não sei se era rolha ou não. Extremamente herbáceo. Na boca revelou-se doce (o Syrah não perdoa). Éramos dois a beber e não chegamos a metade. Fora com ele.

Outeiro da Águia Colheita Seleccionada 2003 - 3 - Agradável Alentejano que consegue aliar a fruta madura com alguma acidez de modo a não torná-lo pesado. Tem mesmo algum floral no aroma. É vinho que apresenta já muito depósito. Não bandear e para o fim despejar a garrafa com cuidado.

Pera Manca 2001 - 1 - Mais uma tentativa mais uma desilusão. Se o 1998 estava intragável (pelo menos para o meu palato) este até se bebia (após 45m) mas o cheiro, srs! (e eu até estava a começar a ficar constipado). Não acredito em ninguém que consiga traduzir "suor de cavalo" para "aromas de madeira exótica".

Qt. do Mouro 2001 – 3 - Dos pouco Alentejanos que resistiu às agruras do tempo lá em minha casa. Ainda carregado na cor. Aroma tipicamente Alentejano. Na boca não foge mais uma vez ao rótulo. Falta-lhe uma certa acidez que acompanhe a farta fruta. Deve-se ser servido no mínimo para tintos.

Vale do Ancho 2003 – 1 - Grande desilusão. Não cheira a nada e não sabe a nada. Quero acreditar que alguém se enganou a encher a garrafa que abri. Extremamente fechado no aroma, só depois de rodarmos o copo até ao ponto de centrifugação é que nos vem alguns aromas. Nada de fruta, algum couro e aromas a petróleo. Na boca é muito curto. Muito curto mesmo. Quase deslavado (apesar da concentração e do álcool), deixa um ligeiro travo químico final. Vou a guardar a outra que garrafa que tenho para quando já me tiver esquecido desta.

Diga? 2004 – 3 - Aroma perfumado, com algum floral e um aroma daqueles que nós conhecemos e está debaixo da língua mas até hoje não o conseguimos verbalizar. Groselhas, frutos pretos na boca com final forte e adstringente. Ainda muito novo, precisa de tempo para domar aqueles taninos.

Campolargo 2002 – 3 - A prova seguiu em ritmo de curiosidade e controvérsia. Um dueto Pinot Noir/Baga não é de todo consensual. O “rendilhar” na boca típico da Baga não agrada a todos. Neste caso o “rendilhar” até era muito fino e com o tempo quase desvaneceu. Notas vegetais, mais verdes, confirmadas depois na boca. Fresco, persistente, diferente do mais habitual “forte e fruta madura”. Gostei, mas não acho que seja um grande vinho.

Terra de Tavares Reserva 2003 - 2 - O aroma está muito marcado pela madeira. Baunilhados. Caramelo. Na boca apresenta-se ainda muito adstringente com final algo curto e seco.

Vinha.Paz 2002 – 4 - Este é um vinho que andava cá por casa há cerca de 2 anos. Comprei três garrafas. Na altura da compra apresentava-se "bruto dos queixos". Agora, o aroma típico do Dão, caruma de pinheiro, eucalipto, fresco e muito agradável. Na boca, suave e com os taninos já domesticados, deu-me imenso prazer bebê-lo. Daqueles que se quer continuar a beber pois nunca enjoa.

Aneto 2003 – 4 - Gostei muito. Aroma complexo, em que não se nota a madeira e apresenta frutos silvestres. Boca envolvente, com excelente acidez. Final persistente a ligeira especiaria.

Bafarela Grande Escolha 2004 – 2 - Sim é verdade, também não resisti a experimentar os 17º graus de álcool num tinto. Apesar de o ter refrescado nos 15/16º, o álcool abafa outros aromas. A fazer lembrar o cheiro da aguardente de um vintage novo. Na boca, surge-nos de imediato o doce e ligeiras bagas silvestres. Termina alcoólico e bem quentinho, a mesma sensação do primeiro gole de um Gin Tónico bem puxadinho. Sem grandes atributos além do excesso de álcool.

Batuta 2003 - 5 - Aroma muito fresco a frutos silvestres. Na boca continua fresco, junta-se à fruta as especiarias e termina com ligeira nota verde. Se bebido à temperatura correcta desaparece num instante o que é uma "pena" face ao preço apresentado.

Brunheda Vinhas Velhas 2000 – 2 - Ainda muito carregado na cor. Engraçado ver a evolução na minha garrafeira (cantos da casa) de vinhos comprados na mesma altura e provados na mesma altura (2 anos depois). Os do Alentejo já atiram para o tijolo. Os do Douro parece que acabaram de sair. Fechado no aroma, na boca revelou-se sem grande frescura e um pouco "mole". Unidireccional.

CARM Reserva 2001 – 4 - Fruta e esteva. Provado em restaurante, vinha muito quente de inicio o que o tornava muito doce na boca. Depois de pedir para refrescar (balde de gelo) e já à temperatura correcta revelou-se muito equilibrado na boca com a fruta em muito boa ligação com notas de mato. Acompanhou perfeitamente uma posta de vaca Arouquesa.

Chryseia 2003 – 5 - Alguma madeira nova, fruta e chocolate. Na boca é suave, elegante e volta ao chocolate. Bebe-se que é uma maravilha.

Chryseia 2004 – 3 - Provei o 2000, 2003 e agora o 2004. Faltou-me o 2001. Dos três o meu preferido foi o 2000 seguido de muito perto pelo 2003. Este parece-me que a sua saída para o mercado foi algo precoce. Ainda muito novo, com muita fruta e um final não tão afinado como os anteriores. No copo com o tempo e o aquecimento ganha um aroma forte e enjoativo a caramelo. Pergunto-me por que não saiu lá para o final do ano como habitualmente?

Evel Grande Escolha 2001 – 4 - Frutos silvestres. Fruta e leve toque a especiarias no final. Equilibrado. Na minha opinião, é capaz de ser o melhor vinho do Douro para o preço (15€).

L’Escale d’Oro Reserva 2003 – 2 - Um bombom doce de fruta. Quer no aroma quer na boca. Extremamente novo e doce. Concentrado. Algo enjoativo. Não sei se com o tempo irá ao lugar.

me&jbc Selections 2001 – 5 - Aroma forte a uva madura e engaço do lagar. Carregado, é um vinho forte a pensar em comida a condizer. Impressiona.

Poeira 2003 – 3 - Este “amigo” já é a 3ª vez que o provo em 6 meses. Nunca me encheu as medidas. Acho-o algo indefinido. Desta vez, seguido do Campolargo 2002, apresentou um nariz em que a fruta era bem mais evidente, como seria de esperar. Na boca, pareceu-me sem frescura (não sei se provocada pela menor acidez relativamente ao vinho anterior), o que retirou uma certa graça à fruta madura apresentada. De qq forma um bom vinho.

Poeira 2004 – 3 - Algo fechado (engarrafado há 15 dias - na altura da prova). Nota-se alguma madeira. Na boca é fresco e suave. Final algo curto sem mostrar mais nada de especial relevância.

Qt. Crasto Vinhas Velhas 2001 – 4 - Outro vinho com algum tempo de "casa". Cerca de ano e meio. Já perdeu aquele pujança da fruta e agora está mais suave. Frutos silvestres e alguma especiaria final. Bom, apesar de já ter perdido aquela força de fruta existente na altura do lançamento.

Qt. de la Rosa Reserva 2004 – 4 - Maceração. O nariz indica-nos que estamos perante um vinho forte de sabor. A prova de boca não nos engana. Fruta madura, persistência e final forte a especiarias. A pedir um prato forte.

Qt. da Casa Amarela Reserva 2003 – 2 - Nota-se que foi feito em lagar só pelo cheiro. Aroma típico de “verde macerado”. Curto na boca. Final austero e algo seco a madeira. Precisa de algum tempo para casar melhor a madeira.

Qt. da Leda 2001 – 4 - Aroma a frutos silvestres. Bem casada com a madeira. Fresco na boca, termina gostoso com ligeiros apimentados. Mesmo muito agradável.

Qt. da Leda 2003 – 4 - Em relação ao 2001, apresenta-se claramente mais novo e mais maduro. Na boca é mais frutado, mais quente e com taninos mais "aguerridos".

Qt. do Caldeirão 2001 – 4 - Frutos silvestres no aroma. Na boca além destes, aparece uma ligeira especiaria final. Muito equilibrado e muito bom vinho para o preço.

Qt. do Cotto 2003 – 1 - Aroma estranho. Não consegui identificá-lo mas não gostei nada. O melhor que consigo descrever: “borrachum” verde e adocicado. Na boca é magro e acídulo. Em contra-ciclo do que foi o ano de 2003 no Douro para a maioria dos produtores. Sem fruta viva e sem dar prazer a beber, assim que a temperatura da sala subiu, e por conseguinte a temperatura do vinho, ficou intragável. Deixei-o quase todo no copo.

Qt. do Cotto Grande Escolha 2001 – 2 - Aroma dominado pela madeira, mas não madeira nova. Ou seja, não cheirava a baunilha. Na boca é austero, herbáceo e termina bastante seco a madeira. Pelos vistos os 24 meses que passou em barrica (carvalho português) marcaram-no muito e essas marcas vão custar a desaparecer. Não aprecei.

Qt. do Vallado Reserva 2003 – 3 - Excessivamente baunilhado. O doce da madeira incomoda. Quem gosta de batidos de baunilha vai adorar, pois é suave, cheio e guloso. Precisa que o tempo leve a baunilha, o problema é que pode levar a fruta tb. Penalizado pela ainda muita baunilha presente.

Qt. do Vallado Sousão 2003 – 3 - Bruto, forte e cheio de fruta nova. Final algo curto. Um jovem que dá tudo no inicio e depois vai-se abaixo nas pernas.

Qt. dos Quatro Ventos Reserva 2001 – 3 - Não é daqueles que seguem a corrente do novo Douro. Sem cor nem corpo carregados. No aroma alguma fruta, esteva e ligeira madeira. A boca confirma o aroma sem algo mais que se destaque.

Qt. Vale Meão 2003 – 4 - Nunca deixa ninguém ficar mal (já vou na segunda este ano). Fruta, frescura. Só não atinge a nota máxima porque me parece que lhe falta uma certa complexidade.

Quanta Terra 2003 - 4 - Aroma a fruta madura e compota. A boca confirma o ano quente e apesar de ser um pouco unidimensional, nessa única dimensão – a fruta madura – é muito bom. Guloso. Deve ser servido na temperatura mínima para tinto para não potenciar o álcool elevado (14,5º) e torná-lo um pouco pesado e “madurão”.

Redoma 2001 – 2 - Aroma estranho. Notas de lácteas muito incomodativas que perturbaram a prova apesar de a boca revelar-se correcta.

Três Bagos Grande Escolha 2003 – 4 - No aroma misturado com a fruta surge o doce da madeira nova. Baunilha. Na boca apresenta-se suave, guloso, com os sabores baunilhados mais um vez em evidência. Termina com muito leve especiaria. Já se bebe bem mas acredito que uns meses em garrafa permitem que a uva “case” melhor com a baunilha.

Vertente 2001 – 3 - Estanho o facto do vinho tão novo ter tantos resíduos. Logo desde o 1º copo que se acumula no copo pequenos resíduos preto. Nesse aspecto é desagradável. No resto apresenta-se equilibrado e bem conseguido.

Vértice 2003 – 4 - Uma bomba de fruta. A boca confirma o aroma. Cheio, guloso, acaba saboroso a fruta madura e ligeiro chocolate. Precisa de temperatura correcta devido aos 15º de álcool.

Xisto 2003 – 4 - Não é o "típico" vinho do "novo" Douro. Na cor, o vinho apresenta-se menos carregado que a maior parte do vinhos de 2003. Dá-nos até a sensação que já tem mais anos do que na verdade tem. Menos carregado de fruta e de matéria que o normal Qt. Crasto, nota-se o "dedo" francês. Fresco, suave e equilibrado, é daqueles vinhos que não cansa beber.

Qt. Monte D'Oiro Reserva 2000 – 2 - Ora ai está mais um vinho que não me convenceu. Provei quando saiu para o mercado (ainda na ressaca do HAC) e não achei nada de especial. Passados uns anos voltei a abrir uma garrafa e melhorias: zero. A cor já denota alguma evolução e já nem o facto de ser Syrah traz alguma graça a um conjunto seco e sem fruta. A fazer lembrar um Rioja Clássico ou assim.

Chocapalha 2003 – 3 - Ligeira baunilha no aroma. Na boca sente-se novamente o doce da madeira nova e depois tem um final não muito longo a ameixa preta e muito leve especiaria.

Falcoaria Reserva 2004 – 3 - Muito novo no aroma e bastante frutado na boca. Bebe-se muito bem e acompanha pratos não muito fortes. A beber agora (durante este ano), não me parece de grande guarda

Quinta da Lagoalva Syrah 2000 – 2 - A cor ainda se mantém em bom vermelho. Sem ser muito aromático sobressaem as notas verdes. Na boca, o primeiro impacto é o doce do Syrah mas acaba curto a madeira e herbáceo.

Qt Mimosa 2003 – 3 - Inicio com algum caramelo e baunilhados. Depois aparece um ligeiro verde que vem cortar a enjoativa madeira. Boca média, agradável, com ligeiro travo madeiroso final. Sem grandes atributos acompanha pratos não muito fortes.

Caleo Salento Primitivo 2004 – 2 - De uma casta antiga a que chamam Primitivo. Uma pesquisa na internet e encontrei referências ao facto de se pensar que é a mesma que a Zinfandel. Um vinho um pouco rústico que nem a curiosidade da diferença satisfaz.

Lanari 'Clívio' Rosso Conero 2003 – 2 - Não conheço a casta Montelpuciano. Não sei que tipo de aroma encontrar. Mas este parecia que já tinha certos aromas de redução. Alguma madeira molhada com notas animais e suor. Com o tempo perdeu estes aromas mais desagradáveis. Na boca é curto com um final muito seco a madeira.

Portos

Burmester Vintage 2003 – 3 - Flores. Violetas. Na boca, sem presença de fruta evidente. Mais floral. Precisa de tempo.

Champallimaud Vintage 2001 – 2 - Cor vermelho vivo, no aroma ressalta um aroma a cerejas encarnadas. A boca é dominada pelo final alcoólico. A falta de corpo e estrutura potencia a sensação de álcool na boca. O facto do vinho ter apenas 19,5º ao contrário do normal 20º ou 20,5º não é suficiente (muito longe disso) para compensar a falta de matéria apresentada.

Dow's Vintage 2003 – 4 - Violetas. Químico no aroma, na boca já mostra alguma fruta. Grande estrutura, o final agarra-nos os pêlos do nariz. Precisa de tempo.

Edição Especial Casa do Douro Colheita 1964 – 2 - Noz. Simplesmente noz. Quer no aroma quer na boca. Se não soubesse melhor, afirmava que era um destilado de noz. Sem outras dimensões é um vinho algo monótono. Beber fresco.

Fonseca Guimaraes Vintage 2001 – 5 - Além da fruta e algum floral, apresentava suaves notas lácteas no aroma, a que lhes chamei “leite condensado”. Positivo. Bastante fresco na boca, terminava num misto de chocolate e café delicioso. Ficava-se uns minutos a “esfregar a língua e o céu da boca” a apreciar o sabor a toffa. Dos melhores vintages novos que já provei. Vou comprar e consumir à grande! E agora que está no ponto.

Fonseca Vintage 2000 – 3 - Se calhar já chegou à fase do "encolhimento". Não muito expressivo no aroma, é a boca que o aguenta enquanto vintage de qualidade.

Fonseca Vintage 2003 – 5 - Para mim até agora foi a estrela desta declaração. Fruta, estrutura, impacto e acidez tudo bem casado a proporcionar agora uma prova excelente e a dar garantias de resistência ao tempo. Uma delicia.

Gould Campbell Vintage 2003 – 4 - Excelente preço/qualidade. Bebe-se já com grande prazer e tem estrutura para aguentar a passagem do tempo.

Graham’s Crusted Bottled 2000 – 3 - Parecido com um LBV já com 3 ou 4 anos de evolução. Ainda vermelho escuro na cor, no aroma e na boca predominam os figos secos. Algo doce mas ainda assim agradável.

Osborne Vintage 2003 – 2 - Sem fruta. Taninos bem presentes. Algo cru. Precisa de tempo.

Pintas Vintage 2003 – 3 - Aroma a fruta madura e rebuçado. Doce. Confirma na boca. Guloso e fácil. Bebe-se muito bem agora em novo.

Poças Vintage 2000 – 3 - Parece-me que será típico da Poças o carácter adocicado do seus vintages e LBV's. Ainda muito frutado e directo a rebuçado. Parece que acabou de sair. Deve-se beber mais fresco de maneira que o excesso de doçura não incomode.

Qt. de la Rosa 2003 - 4 - Ligeiro anis. Erva-doce. Floral. Nada em excesso. Na boca é fresco, envolvente, com a fruta e a acidez em boa harmonia. Bebe-se já muito bem.

Qt. Infantado 2003 – 4 - Violetas. Não sendo do mais brutos bebe-se já muito bem. Final agradável a violetas e frutos silvestres. Bom. Preço excelente (25€).

Qt. Revolta 2002 – 1 - As violetas são esmagadas pelo forte aroma a figos maduros e doces. Corpo médio, a boca é suave e doce aos mesmos figos. Faz lembra mais uma jeropiga doce do que um vintage novo. Não apreciei.

Qt. Carvalhas (Real Comp. Velha ) 2003 – 1 - Forte aroma. Anis. Erva-doce. Quem é Alentejano e conhece o chamado "Bolo Branco", já sabe a que cheirava o vintage. Para mim não é um cheiro dos mais agradáveis num vintage novo, principalmente quando tão acentuado como neste caso. Na boca, acusa violetas para logo de seguida nos arrebanhar completamente a saliva da boca. Bastante adstringente. Nos vintages novos que já provei nunca tinha sentido este efeito tão forte. Decididamente não é para beber agora, pois não dá grande prazer.

Qt. Crasto LBV (unfiltered) 1998 – 2 - A cor já mostra alguma evolução. Notas de frutos secos. Ligeiro figo e álcool. A boca não entusiasma e termina com ligeiro ardor.

Qt. Noval LBV (unfiltered) 1999 – 4 - Tenho com os LBV's da Qt. da Noval alguma conflituosidade. Geralmente, fazem no mesmo ano a versão unfiltered e versão filtrada. A primeira mandam-na para os painéis de prova da Revista de Vinhos e dos guias de vinhos e a segunda versão enviam-na para os supermercados. Geralmente também, a 1ª versão é muito boa, a 2ª é uma zurrapa. Nunca mais me esqueço que provei a versão “rapada” do LBV 1998 e aquilo parecia um clarete extremamente alcoólico que de vinho do Porto não tinha nada, enquanto a versão unfiltered ganhava o painel de prova de LBV’s na Revista de Vinhos. Tenho por isso o hábito de não comprar LBV’s da Noval apesar de me garantirem que a versão”boa” diz sempre unfiltered no rótulo. Quanto à prova, comprova-se que os unfiltered são mesmo bons. Na linha do 1997 e 1998, este 1999 apresenta ainda muita fruta, com a aguardente muito bem casada e muito guloso sem ser enjoativo. Uma delícia.

Qt. Noval Nacional Vintage 2003 – 4 - Aroma fechado sem fruta evidente. Fresco, ligeiramente adstringente mas bom. Precisa de tempo.

Qt. Noval Vintage 2003 – 4 - Aroma maduro. Bom corpo, fruta, guloso. Bebe-se muito bem já em novo.

Qt. Sta Bábara LBV (Poças) (unfiltered) 2000 – 3 - Aroma doce a compota. Grande concentração, a fruta muito madura torna-o demasiado doce e um pouco enjoativo. Quem gosta deles docinhos acha-o uma maravilha. Excelente preço para a qualidade (9€).

Qt. Vale Meão Vintage 2000 – 4 - Está a evoluir bem. Provei em 'novo' e agora em menos 'novo'. Mais complexo que o seu irmão mais novo (2003), apresenta um final apimentado que entusiasma.

Qt. Vale Meão Vintage 2003 – 3 - Ainda fechado no aroma. Na boca, mostra fruta mas ainda com uns taninos aguçados. Não me parece que seja dos que mais tempo irão aguentar. Tenho aqui uma em casa que só vou abrir daqui a 1/2 anos a ver se na altura já arredondaram os taninos.

Ramos Pinto LBV (unfiltered) 1998 – 2 - Aroma a cerejas, a "mon-cheri". A boca não entusiasma e termina com muito forte ardor.

Romariz 2003 – 2 - Demasiado fácil para vintage. Muito suave (demais na minha opinião), sem acidez torna-se mole na boca. Fruta muito madura. Para principiantes.

Silval 2003 – 3 - Muito fechado no aroma. Violetas. Na boca apresenta-se também algo indefinido, além das violetas deixa-nos um muito ligeiro chocolate final. Tem estrutura para aguentar a passagem do tempo.

Taylor’s Quinta das Vargellas Vintage 2001 – 4 - Muita fruta madura no aroma. Directo. Sem complexidades. Confirmou na boca toda a fruta do aroma. Mais quente, mais alcoólico, sem a classe do Fonseca Guimaraes 2001. Num estilo diferente também é um bom vintage.

Taylor's Vintage 2003 – 4 - A boca confirma o lado mais floral sentido no aroma. Forte e musculado. Precisa de tempo.

Vista Alegre 2003 – 3 - After-Eight. Algum floral e ligeira canela. Espesso, maduro, algo "mole" na boca. Suave. Termina com ligeiro chocolate. Peca por escassez de acidez. Pouca garra para vintage novo.


p.s. Deu-me algum trabalho não apresentar as descrições em formato tabela, mas aqui estão elas. Agora, é esperar pela pancada!

10 comentário(s):

Tanino disse...

Caro Rui,

excelente exercício e embora concorde com muitas das descrições não posso concordar com muitas das notas.

A razão é simples: o meu palato sofre uma rejeição natural pelos padrões com elevado teor florar. Nesse campo, prefiro-os frutados.

Já agora, em relação ao exercício anterior das tabelas, não retiro grandes vantagens adicionais deste, embora compreenda porque o fez.

Um abraço.

rui disse...

Caro tanino,
obrigado por ter compreendido o meu post scriptum.

Já o meu palato embirra com os baunilhados. :)

Um abraço,
RC

Paulo Pacheco disse...

Olá. Aabei de chegar e de provar um Vale de Ancho que se mostrou magnifico. Achei-o realmente bom.
Obvio que não concordei com a tua nota, mas também não a deste para isso.
No entanto penso que pelas tuas notas "percebi" um pouco o teu gosto. i.e. penso que foste sempre coerente, e como tal, será muito util num futuro olhar para a tua tabela e (adicionando a informação de outras) perceber pela tua nota que tipo de vinho vou esperar.
Isso - que é afinal de contas o primeiro objectivo de uma divulgação de uma lista do genero - está bem conseguido. Parabéns.
Já agora, arrisco que
vais gostar muito do CARM Grande Escolha.
Mas o Icognito já te vai "chatear" um pouco.
depois confirma e diz qualquer coisa.
um abraço!

Paulo Pacheco disse...

ahh, e foge do Quinta do Portal, quanto mais antigo pior..
;)

rui disse...

Caro Paulo,

O Vale do Ancho para mim, neste período, foi de longe o vinho que mais me desiludiu. Ainda hoje custa-me a acreditar que o que estava naquela garrafa era o verdadeiro Vale do Ancho. Um vinho que foi prémio excelência na Revista dos Vinhos tem que ser necessariamente um bom vinho e não “aquilo” que bebi. Mais, o João e o Ricardo gostaram bastante, e eu confio na opinião deles (não bebemos em conjunto, cada um bebeu em ocasiões diferentes). Portanto, acredito que a minha garrafa estava a sofrer de “alguma crise de identidade”. Como referi na descrição de prova, tenho outra que hei de abrir nos próximos tempos de modo a que apareça na lista de vinhos provado no 3º trimestre do ano.

Quanto aos prognósticos que fizeste, és capaz de ter razão. O CARM Grande Escolha nunca bebi, mas bebi o Reserva 2001 e gostei bastante. O Incógnito é um vinho que já conheço de anteriores campeonatos e é um vinho que não aprecio particularmente. Muito doce, pergunto-me com que pratos é que se consegue beber?


Um abraço,
RC

Paulo Pacheco disse...

Eu gosto dos Syrah com pasta.. a sério. acho que joga bem com as pastas com molhos vermelhos (tomate e carne) que normalmente tem bastante manjericão.

A puxar para o frescote o vinho... Eu aprecio.

João disse...

Rui,

Para o Vale de Ancho aconselho deixares respirar para aí uma hora antes de o começares a beber.

Vais reparar com abre e fica logo com outro sabor.

1 Abraço

JP

ricardo disse...

Concordo com o JP,

até porque foi o que me aconteceu, provei o vinho logo saido da garrafa e estava muito, mas mesmo muito agressivo, com algum tempo no copo começou a amansar. Deixei na garrafa algum tempo, pus no frigorifico para voltar à temperatura certa e voilá... uma pomada.

Anónimo disse...

Para início de "coments"quero felicitar todos os técnicos,estudiosos,amantes da temática enóloga,por todos os seus trabalhos, fruto de investigação e, claro, susceptíveis de confirmação,que tragam algum valor acrescentado a todos quantos objectivamente se dispõem a visitar este site.A propósito, parabéns, Dr João Paulo Martins, pelo seu TRABALHO, desenvolvido ao longo de uns bons pares de anos.

Anónimo disse...

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