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quarta-feira, janeiro 24, 2007

VinhoaCopo.blogspot.com: Mais Apreciados 2006

Numa fase em que se fazem inúmeros balanços do ano que passou, nós aqui no blog também decidimos fazer a nossa análise destes últimos 12 meses. Faz, no próximo dia 28, um ano de existência deste blog. Prometemos desde já, nessa altura, efectuar diagnóstico mais abrangente desta experiência e, se tudo se resolver, poderemos apresentar mesmo algumas novidades. Para já, fica a análise dos vinhos provados.

Como é óbvio, a introdução efectuada sempre aquando da apresentação das provas trimestrais é válida também para este post, pois este decorre desses outros. Relembra-se a frase inicial e aquela que para nós representa o nosso pensamento sobre as notas (rolhas) aqui apresentadas:

“Este post, enquanto eventual guia de provas, é uma perfeita inutilidade. As notas aqui apresentadas são tão subjectivas que podem levar ao engano do leitor que as utilize como referência para compras futuras.”

As notas são apresentadas em número de rolhas (1-5) e seguem uma escala de GOSTO:
5 – Gostei Extraordinariamente. Quero beber muito mais.
4 – Gostei muito. Quero beber mais.
3 – Gostei. Há falta de melhor bebe-se com agrado.
2 – Não gostei. Só volto a beber se não houver mais nada.
1 – Não gostei mesmo nada. Não me apetece voltar a beber.

A partir da nota 3 foi criada a meia-rolha de modo a diferenciar determinados vinhos.


Vinhos Mais Apreciados em 2006

Estes foram os vinhos que durante o ano de 2006 foram classificados com 5 rolhas por pelo menos um elemento do blog. Factos interessantes:
- Nota: Cada entra representa um momento no tempo (trimestre). Por exemplo: Todos os elementos do blog já provaram o Barca Velha no entanto nesta entrada só está a minha nota e a do Nuno porque fomos os únicos que o bebemos no trimestre em que lhe foi atribuído a nota 5.
- Apenas um vinho (Batuta 2003) foi provado por todos e todos lhe deram nota máxima. Esta prova decorreu no início do ano (1ºsemestre). Num outro período o vinho foi novamente provado e as notas dessa vez já foram diferentes (por isso haver duas entradas nesta tabela). O Fonseca Vintage 2003 tem também duas entradas pelo mesmo motivo do Batuta.
- Apenas vinhos do Douro ou Vinhos do Porto foram presenteados com as cinco rolhas.


Estive entretido a analisar os vinhos provados, as rolhas atribuídas, e retirei algumas notas interessantes. Resolvi partilhar. Segue, então, um conjunto de quadros com indicadores que contêm algumas “indicações” preciosas sobre a personalidade e gosto de cada um de nós.


Distribuição por Nacionalidade


Factos interessantes:
- O número de vinhos provados por pelo menos um de nós totaliza 368. Facilmente se percebe que não nos aventuramos fora de portas. Não se pode falar em vinhos diferentes porque houve vinhos que foram provados em mais do que um período. Este número representa a quantidade de entradas nas nossas “famosas tabelinhas” Excel.


Distribuição por Região/Tipo


Factos interessantes:
- Percebe-se que é a norte que residem a maioria do vinhos que nós provamos. Segue, assumidamente, o nosso gosto e o nosso querer.
- Os vinhos do Douro e o nosso particular gosto pelo vintages
novos (outro sacrilégio) constituem mais de 50% dos vinhos provados.
- O Alentejo aparece em terceiro lugar fruto de ser a região de maior produção e maior distribuição (em Lisboa). Facilmente se encontram a maioria das marcas nos supermercados e garrafeiras. Por vezes, em restaurantes, não existem outras escolhas.



Distribuição das Rolhas Atribuídas


Factos interessantes:
- Nota: Para este quadro foram contabilizadas todas as notas distintas. Ou seja, se um vinho (entrada) tiver sido classificado por três de nós com 5 rolhas e pelos outros dois com 3 rolhas, conta para este quadro apenas uma vez a rolha 5 e a rolha 3. Tenta-se evitar assim os vinhos provados por quase todos nós com a mesma nota desequilibrem este quadro.
- Nota: As rolhas 4,5 e 3,4 estão aqui em menor número por terem sido introduzidas como possíveis na escala apenas a partir do 2º semestre. Considero que serão as notas no degrau abaixo (4 e 3) que estarão mais sobrevalorizadas (mais que o degrau acima).
- Comprova-se a tendência natural, quando lidamos com escalas de valor qualitativas, de apontarmos para zona confortável do meio do “alvo”. O pouco comprometido “gostei” (rolha 3) leva a melhor com cerca de 34 % das notas atribuídas. Ressalve-se que, ainda assim, em 23% dos casos , aqui a malta atreveu-se a dizer que não tinha gostado do vinho. Gostava de comparar este valor com a média de um consumidor normal (que não escrevesse num
blog - não é que nós sejamos anormais).


Distribuição das Rolhas Atribuídas dentro de cada Região/Tipo


Factos interessantes:
- Nota: Agrupei na região “Outros” aquelas para as quais não havia mais de dez evidências (vinhos provados).
- Comprovamos neste quadro que nós gostamos mesmo é dos vinhos do Douro e de Vinho do Porto. Arrebatam todas as notas acima do 4 (excepto uma). Não gostamos mesmo nada dos vinhos franceses (23% das rolhas 1). Por cá, as Beiras com 13% atingiram a nota mais baixa.. Curioso haver também um número alto de Vinhos do Porto que não gostamos mesmo nada (9% dos provados). Um tipo de vinhos de extremos. O Dão foi a única região que não teve “direito” a apenas uma rolha.
- A região de Setúbal não sai do nível 3 e
uns impressionantes 43% dos ribatejanos provados tiveram nota de nível 4 (aqui a diminuta quantidade provada pode provocar esta percentagem enganadora ou então não).



Distribuição das Rolhas Atribuídas por cada Elemento do Blog


Factos interessantes:
- Nota: A partir deste quadro, os dados referem-se apenas aos vinhos portugueses.
- Uma breve análise permite verificar que o Cristo e João Pedro são os mais “gulosos”. Uma média de quase três vinhos provados por semana. Eu sigo de perto e o Ricardo e o Nuno obtêm médias mais baixas. Fraquinhos!
- A atribuição dos 4,5 e 3,5 sofre do mal explicado dois quadros acima mas percebe-se que o Ricardo, o Nuno e Cristo quando gostam, gostam muito (percentualmente o 4 é maior que o 3), enquanto eu e o João Pedro quando gostamos temos sempre um “mas” associado.
- O João Pedro raramente deixa de querer voltar a beber um vinho tal é excepção com que utiliza a rolha única – apenas duas vezes. O Rui (parece que sou eu) abusa. A utilização das duas rolhas está mais ou menos nivelada excepto claro o João Pedro que não gosta de deixar vinho no copo.
- O Nuno é o “mãos-largas” do grupo. Em quantidade e em percentagem não dá hipótese. Parece o Professor Martelo a dar notas vinte. Curioso o facto de três de nós termos atribuído o mesmo número de vezes (6) a rolha 5, apesar da quantidade total de vinhos provados ser diferente.


Distribuição das Rolhas Atribuídas por cada Elemento do Blog
(escalões de GOSTO: [Gostei; Não Gostei])


Factos interessantes:
- Se agregarmos as rolhas entre escalões (abaixo de 3 e igual ou acima de 3) de GOSTO, percebemos que o João Pedro gosta de quase tudo. É o chamado “boa boca”. A seguir aparecer o Cristo ainda acima dos 80% de vinhos provados e aprovados. É de aplaudir pois são também quem bebe mais. O mais esquisitinho sou eu, logo seguido do Nuno, ficando o Ricardo no lugar do meio. Um homem de maior consensos, portanto.


Distribuição das Rolhas Atribuídas por cada Elemento do Blog
(escalões de GOSTO: [Gostei Muito; Gostei; Não Gostei])

Factos interessantes:
- Se fizermos uma agregação diferente, de modo a percebermos a distribuição dos vinhos com nota positiva, descobrimos que o Nuno apesar de ser dos que menos gosta é também o que percentualmente mais notas maiores atribui. Mostra uma pessoa de extremos. O Cristo é o mais mãos-largas e curiosamente o João Pedro apesar de gostar de quase tudo quando é para dar notas maiores é mais selectivo. O mais “tímido” é o Ricardo o que provavelmente está de acordo com o facto de ser o homem dos consensos. Eu continuo coerente entre o “esquisitinho” e o agora “agarradinho”.



Espero que se entretenham a analisar os quadros da mesma maneira que eu me diverti a tirar as conclusões escritas em cima. Como é óbvio a quantidade de vinhos provados (principalmente em determinadas regiões) não permite retirar conclusões exactas sobre nós (os que fizemos as provas) quanto mais sobre a totalidade dos consumidores portugueses. Não é esse o objectivo deste post. No entanto, até gostava de ter acesso a números oficiais de modo a fazer algumas análises. Era capaz de achar alguma coisa interessante.

10 comentário(s):

jms disse...

Vou olhando sempre com curiosidade para os vossos mapas e ainda com mais admiração para o vosso rigor. Já sabiam que eram um enoblog regional? 56% dos vinhos provados (ainda que dois tipos de vinho) de uma só região! E em termos de côr? Qual a percentagem de brancos provada e avaliada? É evidente que a pergunta pressupõe (até por declarações já expressas por vós)um domínio esmagador dos tintos, mesmo retirando os Portos da compita. Gostar muito de vintages novos não é necessariamente um sacrilégio. Agora, se tal gosto tiver implícita uma comparação inversamente proporcional com vintages com 20 e mais anos, isto já me é mais difícil de entender.

Anónimo disse...

Ainda bem que não sou só eu que situa o Douro muito acima do Alentejo...
PV

Nuno de Oliveira Garcia disse...

É pá... tanta informação. Vou tirar uns dias de férias para ler o vosso fantástico post (LOL).

Abraços para todos,

N.

rui disse...

Caro jms,

nunca escondemos que o nosso perfil de gosto assenta nos vinhos do Douro. Assumimos isso, sem preconceitos. Eu próprio refiro essa percentagem (56%) nos factos interessantes. Não escondo essa conclusão. E não será este número que irá mudar o nosso perfil de consumo. O que nos deve “obrigar” a mudar de perfil será o aumento significativo da qualidade e uma maior dinamização nas outras regiões (se quiser chame-lhe marketing – ninguém está imune a uma boa estratégia de comunicação).

O facto de bebermos vintages novos é porque “gostamos à brava” e depois não temos “di$ponibilidade” para beber os realmente bons com mais de 20 anos. Pobretanas!

A percentagem de vinhos brancos provados é tão ridícula (muito menor que os estrangeiros) que nem valia a pena referir. Como dizes e bem, também não escondemos neste particular a nossa preferência e quem acompanha o blog sabe disso.

Em rigor, acho que tentamos (nem sempre conseguimos) ser rigorosamente honestos invés de rigorosamente bem parecidos!

Um abraço,
RC

rui disse...

Caro PV,

existem muitos mais. Às vezes não se assumem. :)

Um abraço,
RC

p.s. Bem vindo ao nosso blog.

Paulo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
VinhoDaCasa disse...

Confesso que acho piada às tabelinhas!!!

Pelo que vi de relançe, gostei.
Estou como o Nuno do Saca...
Hoje não tenho tempo para lê-las todas...
Amanhã tenho exame, depois disso já tenho tempo para dissecar.
Excelente trabalho estatístico!

Mas é alguma novidade o Douro ter mais "rolhas"? :)
O Alentejo pode ter uma mediana mais elevada. Mas os 18's e os 19's estão lá no Douro.

Viva a excelência do Douro e a consistência do Alentejo!


PS - Ah, e a elegância do Dão!!
PS2 - Ah, e os novos vinhos da Bairrada/Beiras!!

ricardo disse...

Paulo,

apaguei um dos teus comentários, acho que 1 chega para perceber a ideia.

Um abraço.
RR

João Barbosa disse...

eheheheh! Noto... com algum agrado, é certo... que aqui se partilha também uma tendência duriense.
Bem, mais do que entrar numa disputa tipo futebol, o que importa mesmo é a qualidade do vinho e julgo ser consensual que o Douro está com uma enorme dinâmica.
Saudações

Pingus Vinicus disse...

É um facto que o Douro está com boa pujança.

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