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segunda-feira, abril 09, 2007

2007/1º Trimestre - Descrições RC

No post anterior foram publicadas tabelas com as notas de prova (rolhas) dos vinhos bebidos por cada um dos membros deste blog no período referido no título. Como sou o mais desavergonhado, apresento, para os leitores mais curiosos, as descrições das provas efectuadas. Como é óbvio, a introdução feita no post anterior referido é valida para as descrições que se seguem.

O texto abaixo segue o seguinte fluxo: vinho -> rolhas -> descrição de prova

Tintos

Herdade do Esporão Garrafeira Private Selection 2003 (Alentejo) - 4,5 - Aroma subtil com todos os elementos bem integrados, longe do habitual madurão Alentejano. Na boca é o Alentejano que mais gostei. Equilibrado com fruta, especiaria, complexidade e facilidade de prova. Muito bom. Falta-lhe alguma assinatura final para lhe dar a nota máxima. Ando exigente...:)

Herdade dos Grous 23 Barricas 2005 (Alentejo) - 2 - O aroma é muito efusivo com as notas de fruta madura e doce da madeira a saltarem do copo. A boca confirma o lado doce, um pouco excessivo ao nível da extracção. Muito novo. Não gostei de todo este excesso de "lantejoulas". Pode ser que o tempo lhe dê algum "bom senso".

Malhadinha 2004 (Alentejo) - 4 - Quer o aroma e depois a boca apresentam-nos muito chocolate e fruta madura. O final aguerrido e cheio confere-lhe uma projecção extra que o permite escapar da mera bomba de "fruta-ó-chocolate". A beber rigorosamente à temperatura certa para evitar enjoos.

“O Mouro” 2000 (Alentejo) - 3 - Evolução na cor e já se notam os acastanhados. A lembrar aroma de LBV com alguns anos. Frutos seco. Figo. A boca inicialmente é doce a figos secos mas rapidamente o doce desaparece para dar lugar a um final seco a mato. Uma curiosidade. Um vinho que ganhou projecção quando saiu porque segundo a "lenda" resultou de um lote de vinho da Qt. do Mouro que tinha sido desconsiderado por ser demasiado ácido mas que o Dirk Niepoort numa visita que fez à quinta considerou como um vinho digno de engarrafamento. Teve o “hype” próprio da novidade e da estória associada e depois foi esquecido. Encontrei-o numa garrafeira do Porto aquando da visita ao Jantar de Entrega dos Melhores do Ano e à Essência do Vinho 2007.

Terrenus 2004 (Alentejo) - 4 - Nariz com fruta madura mas complexa. Fruta negra e silvas. Grande estrutura de boca. Com muita fruta mas com a acidez, os taninos e a austeridade das vinhas velhas a conferirem-lhe os predicados necessários para não se tornar mais do que um vinho com muita fruta. Um alentejano com carácter. Bom. Para mim, faltam-lhe aquelas especiarias e apimentados finais que consigo apanhar nos melhores Douros e que confesso tornam esta região a minha preferida.

Calda Bordaleza 2004 (Bairrada) - 3,5 - Aroma fechado. Algumas notas verdes proveniente do Cabernet. A boca é excessiva com os 15º de nível de álcool a mostrarem-se presentes. Fruta madura, chocolate, muita estrutura e taninos poderosos. Tudo em grande. Tudo excessivo. Daí ter sido prejudicado na nota que lhe dou. Pode ser que o tempo "amanse" o excesso de álcool. Agora: opte por pratos fortes.

Lokal Silex 2004 (Beiras) - 2 - Aroma a violetas e notas de pinheiro. Na boca, existe um rendilhado taninoso próprio dos vinhos de Baga que este não tem. Estranho! Algo cru. Ainda por domar, é um vinho estranho já que o tinha em casa à mais de ano e ainda assim me parece que está por "casar" os vários elementos, terminando mesmo com sensação alcoólica. Ou falta casamento ou já houve divórcio.

CARM Reserva 2003 (Douro) - 3,5 - No trimestre passado bebi este mesmo vinho no mesmo restaurante, com os mesmos copos e com o mesmo género de comida. Se anteriormente o considerei muito guloso com a fruta madura em evidência, desta vez, achei-o com uma muito maior acidez com um final com notas verdes e algum amargor. Baixei-lhe a nota. Ainda assim, uma boa relação qualidade preço.

CV 2004 (Douro) - 4 - Fechado no aroma. Algumas notas de frutos silvestres. A boca é elegante com uma grande estrutura mas não pesada. Frutos silvestres e bom equilíbrio com as notas da madeira. Falta-lhe uma maior definição dos elementos para se tornar “grande”. Bebe-se facilmente.

Encosta Longa Reserva 2004 (Douro) - 2 - O nariz já apresentava uma ligeira nota alcoólica incomodativa. A boca mostra-nos um vinho cru, rugoso, um pouco alcoólico com os elementos a puxarem cada um para seu lado. Estive a rever as minhas notas e é um dos raros Douros que não gostei.

Evel Grande Escolha 2003 (Douro) - 4 - Bebi este vinho uma semana depois de beber o Malhadinha 2004. Se no anterior o chocolate já era abundante, neste o chocolate é rei. Não me lembro de ter bebido nos últimos tempos um vinho tinto com tanto chocolate. Quer no aroma quer na boca. Muito guloso é vinho de agrado fácil numa mesa de consumidores "principiantes". Eu também gosto apesar de ter preferido a versão anterior (2001), tinha menos chocolate, notava-se mais fruta. É vinho um pouco monodireccional mas feito de chocolate preto dos melhores cacaueiros. :)

Ferreirinha Colheita 1998 (Douro) - 3 - Denota já grande evolução com a cor longe dos "normais" opacos. Aromas de alguma madeira, vegetal e pouco fruta. Na boca é suave, equilibrado e nada cansativo. É um vinho que não dá grande prazer beber a solo mas combina facilmente com pratos de sabor não muito intenso. Contracorrente. Foi buscar a descrição que fiz há dois trimestres atrás porque achei o vinho igual à prova anterior.

Passadouro 2003 (Douro) - 3,5 - Aroma com muita fruta vermelha e bem madura. A boca igual. Apesar de não ser um Reserva e já ter uns anitos, o vinho parecia que tinha chegado ao mercado agora tal era a vivacidade da fruta que brotava da garrafa. Parece-me que lhe falta uma certa acidez para aguentar as agruras do tempo, pois a fruta, essa, não lhe falta.

Poeira 2004 (Douro) - 3 - Sei que parece uma heresia para muitos: ainda não houve um Poeira que me tenha enchido o goto. E desta vez, este 2004 (já o tinha provado anteriormente) é capaz de ter produzido a pior prova de todos. Muito indefinido. No aroma, apesar de algo fechado, foram os fumados da madeira tostada que sobressaiam. A boca algo rude e incaracterística, apresentou um final agressivo. Uma prova que terminou positiva mas ainda assim decepcionante.

Pólvora 2004 (Douro) - 3 - Uma marca nova. É um vinho corrente agradável e fácil, com notas de alguma baunilha no aroma e fruta q.b. na boca. Uma boa opção num restaurante onde os vinhos de gama superior sejam inalcançáveis devido ao preço.

Qt. Fafide Reserva 2004 (Douro) - 3,5 - Equilibrado. Alguma madeira baunilhada no aroma. A boca equilibra fruta e acidez. Um bom vinho corrente a que recorro com regularidade nos restaurantes.

Qt. Fafide Reserva 2003 (Douro) - 3 - Em relação ao 2004 que provei pela mesma altura neste já se nota a perda da fruta e com isso um aumento da acidez. Ou seja, sendo um vinho corrente, opte pelo ano mais recente onde o vigor da fruta consegue manter o vinho mais simpático.

Qt. Roriz Reserva 2003 (Douro) - 4,5 - Aroma subtil com notas de fruta ligeira e com madeira muito bem integrada pois não se notava (excelente!). Na boca parecia veludo. Taninos bem domesticados apesar de se notar que é um vinho com grande estrutura. É do tipo que ultimamente valorizo: fácil de beber e pouco cansativo. Ando a fazer o percurso inverso da maioria dos enófilos: a maioria procurar cada vez mais vinhos mais difíceis ou diferentes ou extremados ou originais (o que é que quer que isso seja). Eu cada vez aprecio mais os que têm menos “espinhas”, que aliam complexidade e facilidade. Se me apanho a dizer no início do copo, “Epá, gosto disto, era capaz de beber uma garrafa sozinho!”, então é garantido uma boa classificação da minha parte. Faltou-lhe apenas um maior final de boca para eu lhe dar o máximo.

Qt. Touriga Chã 2003 (Douro) - 3,5 - Aroma quente. Apresentou mesmo algumas notas animais mais “presas” que precisaram de arejamento para desaparecer. Depois, sobressaíram as notas fumadas da tosta com fruta madura. A boca também ela quente, pouco elegante, muito Douro profundo, com a fruta madura a fazer-se sentir com algum ardor alcoólico final. Um vinho forte e aguerrido.

Qt. Vale D. Maria 2004 (Douro) - 3 - Aroma fechado com notas de fruta silvestre. Agradável. Na boca é o contrário do nariz. Desconjuntado, com pouca definição, fruta com taninos aguçados e amargor final. Falta-lhe definição. Não percebi o vinho, confesso.

Hexagon 2003 (Setúbal) - 3,5 - Cor longe das bombas do Douro. Aroma com ligeiro mato e feno. Frutos Vermelhos. Na boca a presença de uma acidez viva e bem presente devido ao Tannat. Boa persistência.


Generosos

Graham's 2003 (Porto) - 3,5 - Alguns anisados. Cheiro a massa de fartura. Laranja? A boca não é tão potente como outros 2003. Algum tanino mais "ruidoso". Fruta e ligeiro chocolate. Não é daqueles que dá mais prazer beber agora pois não agrada nem a gregos nem a troianos, ou seja, nem é fácil e guloso nem é impressionante e poderoso.


7 comentário(s):

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Grande post. Grande provas. Nunca estive tão perto de concordar com tantas notas seguidas.

Abraços,

N.

rui disse...

Caro Nuno,

isto dos consensos não é bom para o "negócio". Se não houver polémica pouca gente vem comentar no blog e isto, ultimamente, anda mortiço. :)

Ainda assim, um abraço,
RC

p.s. Alguém sabe do AJS? Tem andado arredado dos comentários. Será que foi dar a tal palestra a Beirute e não voltou?

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Sendo assim (e como gosto de ajudar os amigos)... daria mais nota ao Terrenus (T) 2004 e menos ao Hexagnon (T) 2003.

Abraços,

N.

rui disse...

Caro Nuno,

Bebi o Terrenus no domingo subsequente à famosa sexta-feira da entrega dos prémios da RV. Provavelmente, ao fim do 2º dia, o palato ainda não estava recuperado e língua ainda se encontrava um pouco escaldada. Realmente, estive a ler a nota de prova e em outros vinhos com a mesma nota não demonstrei tanto entusiasmo. Teve azar :)

O Hexagon não chegou ao 4 e portanto não se pode dizer que é uma grande nota minha. Aliás, face à fama do vinho, até cheira um pouco a decepção. E ainda te conto outra: a nota que apresento é de uma garrafa minha que abri em casa, mas o Ricardo abriu um outra garrafa (num dia que passei por lá para visitar a filha recém nascida) e essa estava contaminada com TCA ou TBA ou Super Suor de Cavalo ou outra coisa do género. Só se conseguia beber com uma mola no nariz. Como nós decidimos não apresentar notas para vinhos que manifestamente se apresentem contaminados por algo, o Ricardo não apresentou nota de prova desse vinho. Foi preciso ter galo, porque tem sido muito raro encontrar vinhos nestas condições.


Um abraço,
RC

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Acertei em cheio então... (LOL)

Tenho que ser sincero, os vinhos que provaram são muito bons e, por isso, compreendo que alguns deles tenham sofrido pela concorrência e/ou outros factores.

Pois bem, eu adoro o Terrenus (acho perfundamente equilibrado). Quanto ao Hexagon achei-o muito "plano"... creio que falámos disso no jantar dos blogs na YH.

Um grande abraço,

N.

O Regedor disse...

Caros bloggers,

desculpem fazer uma pergunta que não tem nada a ver com o post. É a seguinte:

O que se come com um espumante rose Quinta dos Carvalhais?

Cumprimentos,

BR

rui disse...

Caro Regedor,

Tiveste azar ao bater à nossa porta pois nenhum de nós aqui no blog é grande apreciador de espumantes. Apenas te posso referir o que geralmente se aconselha para espumantes. Pratos leves de peixe, saladas frescas de verão (como é rose, é capaz de ficar bem uma daquelas saladas com fruta) ou como aperitivo a solo.

Pode ser que algum dos nossos leitores dê uma achega melhor.

Um abraço,
RC

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