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quarta-feira, maio 02, 2007

A importância de um rótulo

A propósito do tão badalado rótulo do novo vinho da Niepoort resolvi lançar aqui uma questão relacionada com os rótulos dos vinhos, qual o peso que o rótulo (imagem da garrafa e não o nome do vinho) tem aquando da decisão de compra e do momento da prova?

Dou desde já a minha opinião, para mim um rótulo tem um peso que provavelmente não deveria ter, muitos vinhos que não conheço ou de que nunca ouvi falar, julgo-os em primeira instância pelo rótulo, crio um preconceito que muitas vezes não consigo desligar. Um exemplo, o já referido Diálogo, não gosto do rótulo (pronto já disse, podem bater à vontade), dou-lhes muitos pontos pela originalidade, mas só isso não me faz gostar do rótulo, não me parece que os diálogos entre as personagens sejam muito abonatórios para o vinho, e não lhes acho particular piada. Resultado, será que é por isso que não gosto do vinho? Não sei, fiquei sempre de pé atrás e só o comprei para experimentar e porque o nosso grupo de compras comprou algumas garrafas. Pelo preço, deixa-me lá experimentar. Será o preconceito a falar? Não sei.

Outro exemplo, gosto muito dos rótulos dos vinhos Cortes de Cima, gosto da simplicidade e da imagem de marca, principalmente do reserva, demonstram força e uma certa rusticidade. Será por isso que, ao contrário de noutros vinhos tolero algum excesso de maturação e alguma tendência enjoativa que os vinhos têm, e fico sempre com uma sensação de ter bebido um bom vinho? Não sei.

Eu sei que podemos discutir aqui que estamos a falar de vinhos muito diferentes e que podem existir muitos outros factores, mas tenho a nítida sensação de que sou muitas vezes mais influenciado do que quereria pelo simples pedaço de papel que é colado nas garrafas, e reforço a ideia de que não estou a falar da marca, estou simplesmente a referir-me à imagem.

Outro aspecto importante dos rótulos tem a ver com a sua vertente mais óbvia, fazer destacar a imagem da garrafa numa prateleira. Nunca vos aconteceu olharem para uma garrafa e pensarem “Quem é que pensou neste rótulo? Foi mesmo às 3 pancadas. Tanto trabalho para fazerem um vinho e depois mandam-no para o mercado com rótulos destes.”. Nunca deram algum valor a um vinho por este ter um aspecto espectacular na prateleira e destacar-se realmente dos outros? Nunca percorreram as prateleiras de um supermercado só a olhar para os rótulos à procura de algo familiar, por que é mais fácil do que ler os nomes de todos as garrafas de uma estante?

Falem-me um pouco da vossa visão sobre este assunto, para perceber se sou o único maluco que bebe rótulos (embora saiba que há quem beba marcas).

10 comentário(s):

205rally disse...

Concordo consigo, se não vou a procura de algum vinho especifico, a minha compra é muito influenciada pelo rótulo

jms disse...

Concordo com o ponto de vista. O rótulo influencia decisões de compra, pela positiva e pela negativa. Duma forma explícita isso acontece mais com mulheres do que com homens, ou melhor dizendo, como eventualmente o primeiro contacto das senhoras com os rótulos é na prateleira, elas evidenciam aí mais essa influência. Muitos homens, provavelmente, já foram antes influenciados, ao lerem revistas especializadas, imprensa generalista e já chegam mais vezes à prateleira com essa influência em vigor.

ricardo disse...

Caro jms,

confesso que me surpreende essa sua abordagem de que as mulheres não lêem revistas da especialidade e que não se informam antes tanto quantos os homens. As mulheres que conheço que são apreciadoras de vinho são, na sua maioria, bastante informadas. Lêem livros, frequentam cursos, compram guias de referência. Do ponto de vista comparativo entre as mulheres que gostam de vinho e os homens, no meu círculo de amigos e conhecidos, as mulheres são, percentualmente, mais informadas do que os homens. Obviamente que esse número de mulheres é ainda reduzido, mas penso que está em franco crescimento.


Um abraço,
RR

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Caros amigos,

O rótulo é importantíssimo, estou de acordo. Se assim não fosse os rótulos seriam todos iguais.

Mas penso que, para os enófilos mais informados, é a marca (coisa diferente do rótulo)ou o produtor que mais conta. Aliás, com cada vez mais consumidores informados, penso que os rótulos só terão muita importância para as marcas que se querem lançar ou para aquelas cujo rótulo é bem melhor do que o vinho (é curioso que em Franca, por exemplo, os rótulos são invariavelmente parecidos quando falamos de boas marcas).

Abraços,

N.

PS - Quando à questão dos enófilos/enófilas estou de acordo com o JMS. Conheço poucas (muito poucas) enófilas que lêem revistas da especialidade. Será interessante saber qual o universo de leitores da RV e da BW, mas aposto que é maioritariamente homens.

Chapim disse...

Caros, confesso que também eu sou um bebedor de rótulos. Agora acontece algo diferente entre vinhos nacionais e estrangeiros. Como dos vinhos nacionais consegue-se com algum esforço ter noção de boa parte das marcas no mercado eu consumo rótulos e marca tudo junto. Não os consigo separar. Já nos vinhos estrangeiros tal não acontece. Como conheço muito muito menos a apreciação do rótulo é mais inocente e menos influenciada. Isto acontece-me por exemplo com os vinhos espanhóis e os neozelandeses. O Secret Stone por exemplo. rótulo magnífico. na minha opinião é claro!!

Boas provas!!

Le Vin au Blog disse...

Caros amigos,

Tenho interesse especial nos rótulos. Além de amante dos vinhos sou designer gráfico e trabalho, entre outras coisas, com a criação de embalagens. A criação de um rótulo para um vinho segue uma lógica própria. Alguns conceitos básicos usados na criação de embalagens como característica do produto, público alvo, etc. nem sempre é usado ao se criar um rótulo. Acho que existe influência sim do rótulo na decisão de compra de determinado vinho mas assim como é peculiar a criação do rótulo o consumidor também tem um comportamento diferente em relação ao vinho se compararmos com outros produtos. É um assunto interessante e vale destacar que cada vez mais as vinícolas pelo mundo estão se preocupando com suas identidades visuais. Por acaso, também levantei esta questão no meu blog. Convido a todos a visitar e deixar suas opiniões. http://levinaublog.blogspot.com/

Abs.,

rui disse...

Caros,

A minha opinião sobre esta matéria é um aglomerado de várias ideias aqui expostas e vou dividi-la em duas visões: a que tenho de mim e a que tenho dos outros (entenda-se a generalidade não enófila).

A que tenho de mim

Como disse o Nuno do Saca-a-Rolha, sou mais influenciado pela marca quer na compra quer no acto da prova. O rótulo não em relevância no acto de prova (pelo menos me apercebi do contrário) e tem pouca relevância no acto compra de vinho nacional (sou mais influenciado pelo que dizem as revistas de especialidade, como disse o JMS). Nos vinhos estrangeiros, é natural que na dúvida entre desconhecidos, o rótulo seja decisivo.


A que tenho dos outros

Acredito que quem não está informado (ou influenciado) atráves das revistas da especialidade, sites e blogs, compra muito pelas marcas que lhe estão enraizadas na memória, em conjunto com a empatia gerada pelo rótulo e pelo preço. Neste particular não distingo entre homens e mulheres. Agora tb acredito que homens estejam em maioria na denominada franja mais informada (vê-se pelos encontros de vinho mais restritos). Ricardo, se alguma dessas tuas conhecidas for gira e disponível, por favor, passa-lhe o meu contacto. :)


Quanto ao vinho Diálogo, o rótulo vende porque está associado à marca Niepoort. Melhor ao nome Dirk Niepoort, que na minha opinião já se tornou maior que a marca propriamente dita (tem o toque de Midas). Penso que se fosse produzido sob outra marca não teria o sucesso que tem (ainda há poucos dias em conversa com os responsáveis de duas garrafeiras, estes me diziam que o vinho se tem vendido como pãezinho quente). É como a Ferrari passar a comercializar um pequeno utilitário: toda a gente irá querer ter um, toda a gente irá gostar ainda que à posteriori se perceba que tem o mesmo motor de um Fiat Punto. :)


Um abraço,
RC

Kroniketas disse...

Eu não costumo comprar por rótulo, é mais por produtores e menos por marcas. Mas já tenho deixado de comprar por causa dos rótulos. Acho que por vezes podem ter mais um efeito repulsivo que atractivo, e lembro-me de dois exemplos: o Covela, que nunca comprei porque o rótulo não era apelativo (é aquela reacção do tipo "se o rótulo não presta como é que o que está lá dentro pode prestar?") e o acutal Lello, que acho outro exemplo dum rótulo dissuasor da compra. Olha-se para aquilo e pensa-se "mas quem é que se lembrou de pôr isto numa garrafa?"

Pedro Sousa P.T. disse...

"Os olhos também comem". Penso que com as guerras de markting entre empresas jogam-se todos os trunfos, e este "trunfo" do rótulo, penso eu, que se destinará mesmo para aqueles que entram num corredor de supermercado sem conhecer nada, não é que eu seja um grande conhecedor, e não para aqueles chamados enofilos, ou apixonados. Estes já sabem para o que vão. Não desfasendo os disigners, e grafistas que investem toda a sua arte no rótulo.
Quanto a mim definitivamente não sou um bebedor de rótulos, é que nem ligo a isso. Sou mais pelo conteúdo mesmo.

Anónimo disse...

EU ESTOU FAZENDO CURSO DE GARÇON E GOSTARIA QUE VOCES PUDESEM ME AUXILIAR EM UM TRABALHO,SOBRE VINHOS E SEUS PRASERES.

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