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terça-feira, dezembro 16, 2008

VinhoaCopo Convida Especial Natal - 10/dez: descrições de prova

A especialidade deste VinhoaCopo Convida foi a inevitabilidade da sua realização. Apesar de uma troca de datas ter feito perigar o evento, a providência pela mão do participante Pedro Silva, encarregou-se de voltar a encarrilar o jantar a tempo dos “passageiros” não perceberem o quão perto esteve de não acontecer. Ou pelo menos, de não se realizar da excelente forma como acabou por decorrer. Ao Pedro, um obrigado pelo acaso da visita a meio da tarde. À equipa do Ágora, um obrigado pelo esforço demonstrado no curtíssimo tempo disponível.

A ementa que nos foi brindada:

  • Pão, azeitonas, degustação de azeites, pratinho de Pata Negra
  • Carpaccio de Salmão Fumado com lascas de queijo Brinza e azeite de funcho
  • Croquetes de sardinha com salada variada e vinagre balsâmico
  • Pasteis de bacalhau com molho agridoce e bouquet de salada
  • Morcela de arroz frita com xerém e grelos
  • Cataplana de bacalhau com mexilhão e poejo
  • Tiras de vitela brava ribatejana grelhadas com migas de linguiça
  • Túlipa de chévre da Maçussa gratinado com gelado de mel de rosmaninho e nozes


Destaco os croquetes de sardinha pela originalidade, a morcela de grande qualidade, a cataplana que repeti duas vezes e o gelado de mel de rosmaninho que sozinho fazia a festa. A vitela era de excelente qualidade mas teve o senão de chegar no fim de uma refeição que já ia longa. Ou seja, as forças (e a elasticidade estomacal) já não me permitiram “tourear” a dita com as atenções que merecia.


Seguem as notas de prova dos vinhos da noite (pela ordem de prova):

Espumantes
Vértice Reserva 2006 (Douro) – não me atrevo.


Brancos
PV 2005 (Douro) – Aroma contido pouco exuberante com ligeiras notas da madeira. A boca é estranha. O primeiro impacto cítrico é imediatamente cortado para um final amargo e repentino.

Herdade do Sobroso 2007 (Alentejo) – O aroma denuncia fruta tropical a par de algumas nuances citrinas. Algumas notas de rebuçado. Boca é frutada mas com boa acidez.


Tintos
Ad. Coop. Borba Cabernet Sauvignon & Syrah 2004 (Alentejo) – A cor apresenta tons acastanhados a indicar-nos que o tempo de garrafa já fez das suas. O aroma confirma essa imagem apresenta também alguns sinais de cansaço. A boca delgada e sem fruta, mostra que o vinho já passou a sua melhor fase ou esta garrafa em particular, devido às circunstâncias de estágio, envelheceu prematuramente.

Pilheiros 2005 (Douro) – Face ao anterior, no extremo oposto da juventude! Cor bem vermelha escura e aroma muito doce a fruta acabada de fermentar. Toque lácteo. Enganou muita gente na idade do mesmo. A boca mostrou um vinho que irregular. Alguma fruta com razoável acidez a dar vida ao conjunto. Final médio com final licorado e ardente.

Sirga 2006 (Douro) – Aroma pungente a frutos pretos maduros. Tudo muito vivo. A boca confirma esta “novidade”. Esta versão de 2006 parece-me que herdou o aroma e a fruta madura da primeira versão (2004) e acrescentou-lhe o final mais aguerrido e de maior acidez da segunda versão (2005). Está neste momento um vinho muito novo que precisa de uns meses de garrafa para equilibrar. A beber agora necessita de temperatura correcta e prato forte.


Dado 2000 (V. Mesa) – Cor impecável nos vermelhos sem demonstrar sinais de fraqueza. Aroma da noite. Muito fresco com notas balsâmicas suaves. A boca mostra-nos um vinho fino (mas não diluído) com a vida enorme dada pela forte acidez. Excelente cumprimento de boca. Um vinho que continuará mais uns anos em garrafa sem problemas. A forte acidez é que aconselha pratos específicos. A sua maior força é também o que o torna muito selecto quanto à iguaria aconselhada.

Señorio de Peñalba Reserva 1996 (Bierzo-Espanha) – Cor de madeira velho mas sem o brilho característicos destes. Castanho. O aroma é um cockatil explosivo de tudo menos de fruta. Caril, madeira exóticas, barro, ferrugem, etc. A boca é ligeiramente diluída apresentando uma razoável acidez que não o deixa cair na boca. Um vinho que é curiosidade para o fundamentalistas dos vinhos velhos e para quem gosta mais de cheirar do que de beber.

Herdade dos Grous Moon Harvest 2007 (Alentejo) – A cor impressiona ao cair no copo. Carregado! As uvas estavam maduras e eram pretas. Aroma mostra-nos isso mesmo. Muita fruta preta com ligeira notas da barrica de estágio. A boca é uma bomba. Muita estrutura, tudo em potência e pouco em elegância. Final guerreiro de um vinho que precisa de amansar mas que para quem gosta deles com pêlo na venta é um must.

Qt. Crasto Vinhas Velhas Reserva 2006 (Douro) – Aroma típico dos Crastos . Fruta madura em quantidade e ligeira baunilha da madeira. Menos balsâmico que o 2005. A boca é uma continuação do nariz com o vinho monossilábico na fruta madura e um final forte e doce que o torna excessivo. Um pouco decepcionante, e daí a baixa nota. Talvez o tempo lhe traga outra complexidade e harmonize o final.


Generosos
Qt. Infantado LBV 1983 (Porto) – A cor é de um colheita ou tawny 20 anos. Nariz de frutos secos mas sem grande entusiasmo. Corpo delgado, razoável acidez e final ardente a dar-lhe algum prolongamento mas claramente já foi LBV que deu uvas.


Qt. Portal Vintage 2006 (Porto) – Preto na cor. Aroma dentro do estilo clássico. Frutos pretos maduros, balsâmicos e erva-doce. A boca é mais desapontante para gosta (como eu) de beber vintages novos. Muito fechada. Contraído na fruta e com final abrupto. Pouco cordato é daqueles que por agora não dá grande prova. Pode ser que quem atribui notas com previsões a 20 anos consiga fazer mais por ele do que eu.


Foi o jantar convívio mais concorrido. Não terá sido dos mais marcantes ao nível dos vinhos provados. Pelo menos para mim que, pelas notas a cima, ando um esquisitinho. No entanto, pelas peripécias que teve, pelo facto de estarmos os cinco presentes (raríssimo) e pelo facto de termos presentes amigos que não víamos à muito, foi um grande jantar convívio.

Especial no nome, primeiro. Especial na memória, por fim.


p.s. pode ser que haja um VinhoaCopo Convida Especial Ano Novo em Janeiro.

7 comentário(s):

Pedro Sousa P.T. disse...

Amigo, fica descansado que não estás a ficar esquisitinho, as negas que deste, em minha opinião, e aos que estavam ao meu redor,
foram bem dadas.
Quanto ao janatar, a meu ver, houve dois contras. Primeiro no lugar onde fiquei sentado, eu o meu parceiro da esquerda e da direita estava um frincha de abertura de porta automática aí com um dedo de abertura, ou seja apanhei um briol do caraças. Ainda chamámos a atenção, mas não ligaram grande importância. Em segundo, o tempo algo espaçado entre os pratos. É que depois de um dia de trabalho, e no dia asseguir levantar cedo, e a começar comer a vitela ás 23H30, dói um pouco. Ainda por cima a carne vinha fria, que com o frio que eu já tinha não era nada agradável.
Tirando isto tudo 5 estrelas.
Um grande abraço, e desculpa lá o desabafo.

Anónimo disse...

Porque é que ultimamente desistiram de escrever? Ultimamente só escrevem sobre os jantares a dizer que vai haver um e depois sobre o que beberam e comeram no jantar. Os vossos artigos de opinião eram bons. Porque pararam? Á meses que não escrevem nada.

rui disse...

Caro Pedro,

não tens que ser desculpado de nada. A tua opinião é tão ou mais válida que a minha.

Porventura as coisas que estiverem menos bem (e o tempo que levou toda a refeição, é uma delas) foram desculpadas por mim porque sei que foi à tangente que o jantar se realizou e houve um esforço para não se notar falhas graves. No entanto, como é óbvio, as pessoas que participaram não tiveram culpa nenhuma e é normal que sejam mais exigentes (como lhes compete).

Um abraço,
RC

rui disse...

Caro anónimo,

como responder-lhe a essa questão?

Por partes:
1. É verdade o que diz.

2. Nem sempre nos apetece escrever (falo por mim).

3. Nem sempre existem factos relevantes para escrita

4. Alterações circunstâncias da vida pessoal levam-nos a ter menos tempo para a escrita (especialmente para artigos que obriguem a alguma investigação, como eram aqueles que eu fazia)

5. Nem sempre os artigos tiveram uma recepção motivadora por parte dos leitores (quer seja devido à falta de comentários, quer devido ao teor dos comentários. Eu não tenho particular gosto em ser "odiado" por meio mundo enófilo devido ao carácter polémico das minhas opiniões)

6. Em pessoas criativas (desculpa a presunção) a obrigação da escrita regular (a rotina) não é especialmente motivadora. Pelo contrário. Perde-se o gosto da escrita. Confesso que não sou escritor (desculpa nova presunção no título atríbuido) particularmente disciplinado.

Um misto disto tudo (sendo que algumas desculpas são redundantes) faz com que nos últimos tempos a regularidade da escrita tenha estado muito fraquinha.

Não vou prometer regularidade. Mas posso adiantar que ando em pesquisa para um artigo "daqueles" mais polémicos a escrever em breve.

Um abraço,
RC

Nosso Vinho disse...

Caros Cristo, João Pedro, Nuno, Ricardo e Rui

Desejo um Feliz Natal e Excelente 2009.

Paulo Queiroz

Kroniketas disse...

Caros

Ainda não consegui fazer coincidir as minhas disponibilidades com os vossos jantares, e como gostaria de ter participado nalguns, como o do Jacinto, um dos meus restaurantes preferidos. Vamos lá ver se no próximo é que é.

Quanto à obrigação da escrita, nós nas Krónikas Tugas e nas Krónikas Vinícolas temos o mesmo problema, e por isso as coisas a certa altura começaram a esmorecer, principalmente no primeiro. Mas se quiserem fazer o favor de ler o nosso post de aniversário (de 11 de Dezembro de 2008) podem ver que a nossa postura em relação ao que por vezes alguns sabichões dizem de nós é o lado para que dormimos melhor. O que mais nos interessa são as opiniões fundamentadas, mesmo que discordantes, não os que dizem mal só por dizer. Esses mandamo-los dar uma curva, e eles que odeiem à vontade. Além disso, os autores dos blogs têm a prerrogativa de dispor sempre da última palavra. E quanto à polémica, só faz bem e aumenta a audiência do blog...
Por isso, façam favor de continuar, que eu cá continuo a ler, mesmo quando não comento. A ausência de comentários não significa ausência de leitores, certo?

Abraços de bom ano.

candida disse...

kroniketas
:) k xunga de nome hihihi
bebbia um copito!!!
kixes de xicolate

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